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Alemanha vira no fim contra a Costa do Marfim e confirma vaga na Copa do Mundo 2026

Costa do Marfim expõe traumas recentes da tetracampeã, sai na frente com Kessié, mas Undav sai do banco, marca duas vezes e coloca os alemães no mata-mata pela primeira vez desde 2014.

Por Corte dos Esportes · 21/06/2026 · Categoria: Futebol

A Alemanha venceu a Costa do Marfim por 2 a 1, neste sábado, em Toronto, pela segunda rodada do Grupo E da Copa do Mundo 2026. O resultado colocou a tetracampeã no mata-mata, mas a classificação veio com susto, tensão e um roteiro que trouxe à tona os traumas recentes de uma seleção que havia parado na fase de grupos nas duas últimas edições.

A seleção africana saiu na frente com Franck Kessié, ainda no primeiro tempo, e passou boa parte do jogo alimentando a chance de uma surpresa da rodada. A Alemanha pressionou, teve dificuldade para transformar posse em domínio objetivo, mas encontrou a virada com Deniz Undav. O atacante saiu do banco, empatou aos 68 minutos e marcou o gol da vitória nos acréscimos, aos 90+4.

O susto que a Alemanha não queria viver

A vitória alemã não foi tranquila. Pelo contrário: teve cara de teste emocional. A seleção de Julian Nagelsmann vinha de uma goleada sobre Curaçao, mas encontrou um adversário muito mais físico, organizado e agressivo na transição. A Costa do Marfim não entrou apenas para resistir. Entrou para incomodar.

O gol de Kessié aumentou o peso do jogo porque mexeu com uma ferida recente. Em 2018 e 2022, a Alemanha não conseguiu avançar ao mata-mata. Por isso, qualquer cenário de descontrole na fase de grupos carrega um peso maior do que o normal. Contra a Costa do Marfim, a sensação por boa parte da partida foi justamente essa: a Alemanha tinha bola, nomes fortes e volume, mas não tinha tranquilidade.

Costa do Marfim ainda sonha no Grupo E

Os africanos fizeram uma partida competitiva e deixou claro que a vitória na estreia contra o Equador não foi acaso. A equipe atacou com velocidade, usou bem os espaços às costas da defesa alemã e teve em Kessié uma referência de força, chegada e liderança.

Yan Diomande também deu trabalho pelos lados, acelerando jogadas e colocando a defesa alemã em situações desconfortáveis. A proposta marfinense era simples e perigosa: fechar espaços, disputar fisicamente e sair rápido quando recuperasse a bola. Funcionou durante boa parte do jogo.

O problema foi sustentar isso até o fim contra uma seleção com elenco mais profundo. A Costa do Marfim ficou perto de um resultado enorme, mas pagou caro quando a Alemanha colocou mais energia e presença ofensiva com as substituições.

Undav saiu do banco e mudou a partida

O nome da virada foi Deniz Undav. Ele começou no banco, mas entrou para resolver um jogo que parecia escapar. O primeiro gol saiu em uma finalização de dentro da pequena área, depois de cruzamento de Nadiem Amiri. O segundo veio já nos acréscimos, após passe de Felix Nmecha, quando a Costa do Marfim tentava segurar um empate que teria enorme valor no grupo.

A atuação muda o debate interno da Alemanha. Undav já havia sido importante na estreia e agora marcou duas vezes em um jogo de pressão real. Em Copa do Mundo, esse tipo de resposta pesa. Não é apenas sobre fazer gols; é sobre decidir quando a partida aperta e quando a camisa começa a cobrar.

O dado histórico reforça o tamanho do momento: Undav se tornou o primeiro alemão desde Miroslav Klose, em 2002, a marcar em seus dois primeiros jogos de Copa do Mundo.

Nagelsmann encontrou a resposta no banco

A Alemanha começou com dificuldade para acelerar. Jamal Musiala foi quem mais tentou desequilibrar, mas o time teve momentos de previsibilidade. Florian Wirtz e Leroy Sané tiveram uma atuação apagada e a Costa do Marfim conseguiu fechar corredores e obrigar a tetracampeã a circular a bola sem tanta profundidade.

A mudança veio quando Nagelsmann mexeu no ataque. Undav, Amiri e Jamie Leweling deram outro ritmo ao time. Nmecha também ganhou peso no jogo e apareceu no lance decisivo. A virada nasceu justamente desse banco: mais presença na área, mais agressividade e mais gente atacando os espaços.

Esse é um ponto importante para a sequência. A Alemanha se classificou, mas o jogo mostrou que a formação inicial ainda pode ser questionada. Contra seleções mais físicas e compactas, o time precisa de alternativas rápidas — e Undav se apresentou como a principal delas.

Classificada, mas liderança ainda em aberto

Com a vitória, a Alemanha chegou a seis pontos e confirmou a classificação no Grupo E da Copa do Mundo 2026. A vaga está garantida, mas a posição final ainda não está definida. A seleção alemã fecha a fase de grupos contra o Equador, enquanto Costa do Marfim e Curaçao fazem o outro jogo da chave.

A Alemanha entra na última rodada como favorita ao primeiro lugar, principalmente pelo saldo construído na goleada da estreia e pela virada sobre os marfinenses. Mesmo assim, ainda há disputa matemática pela liderança. Ser primeiro ou segundo pode mudar bastante o caminho no mata-mata.

Para a Costa do Marfim, a derrota dói, mas não encerra a campanha. A seleção segue com três pontos e vai para a última rodada precisando fazer sua parte contra Curaçao. A chance de classificação continua viva, mas a margem de erro ficou menor.

O peso histórico da classificação alemã

A vitória também tem valor simbólico. A Alemanha volta ao mata-mata de uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 2014, ano em que conquistou seu quarto título. Depois das eliminações precoces em 2018 e 2022, avançar de fase era obrigação esportiva e também uma espécie de reconstrução de reputação.

É por isso que o 2 a 1 contra a Costa do Marfim vale mais do que três pontos. A atuação não foi perfeita, mas a resposta no fim mostrou um traço que sempre acompanhou a história alemã em Copas: capacidade de sobreviver em jogo ruim, insistir até o limite e transformar pressão em resultado.

Dentro dessa caminhada, a classificação mantém viva a busca da Alemanha pelo quinto título mundial. A seleção ainda está longe do nível ideal, mas já superou a primeira barreira que derrubou a equipe nas duas últimas Copas.

O chaveamento começa a se desenhar

A última rodada agora ganha outro tipo de importância. A Alemanha já está no mata-mata, mas precisa confirmar a melhor colocação possível para organizar seu caminho na no chaveamento até a final. Em uma edição com fase eliminatória mais longa, entrar em um cruzamento mais pesado cedo pode mudar completamente a campanha.

O jogo contra o Equador, portanto, não será apenas cumprimento de tabela. A Alemanha joga para defender a liderança, preservar confiança e evitar que a classificação venha acompanhada de dúvidas maiores. Depois do susto contra a Costa do Marfim, o recado ficou claro: o time tem força para reagir, mas ainda precisa controlar melhor os jogos.