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Arizona Cardinals: história e tradição da franquia mais antiga da NFL

Os Cardinals são á franquia mais antiga em operação contínua no futebol americano profissional, com origem em Chicago, títulos históricos, mudanças de cidade e uma trajetória marcada por tradição, resistência e busca pelo primeiro Super Bowl.

Por Corte dos Esportes · 19/05/2026 · Categoria: futebol americano

O Arizona Cardinals ocupa um lugar especial na história da NFL. Mesmo sem ser o mais vitorioso da NFL, o time carrega uma marca que nenhum outro clube consegue tirar: é a franquia mais antiga em operação contínua no futebol americano profissional..

Hoje, os Cardinals disputam a NFC, a Conferência Nacional da NFL, dentro da NFC West. A equipe manda seus jogos no State Farm Stadium, em Glendale, e segue tentando transformar uma história centenária em um novo ciclo de protagonismo.

A origem dos Cardinals em Chicago

A franquia nasceu em Chicago em 1898, criada por Chris O’Brien como Morgan Athletic Club. Poucos anos depois, a equipe passou a ser conhecida como Cardinals por causa de um episódio curioso: O’Brien comprou uniformes usados da Universidade de Chicago, que tinham um tom vermelho escuro. Ao ouvir que a cor parecia desbotada, ele teria respondido que não era marrom, mas “cardinal red”. A partir daí, o nome passou a fazer parte da identidade do time.

Esse detalhe ajuda a explicar por que os Cardinals são uma franquia tão diferente. O nome não surgiu de uma estratégia moderna de marketing, mas de uma história simples, quase artesanal, de uma época em que o futebol americano ainda era construído por clubes locais, campos menores e estruturas muito distantes do espetáculo atual da NFL.

Em 1920, os Cardinals se tornaram membros fundadores da liga que daria origem à NFL moderna. Ao lado do Chicago Bears, a franquia é uma das poucas organizações daquela era inicial que ainda seguem em atividade. Essa continuidade é o grande patrimônio histórico do clube.

De Chicago a St. Louis: uma franquia em movimento

Apesar da importância histórica, eles nunca tiveram uma caminhada fácil em Chicago. A cidade também abrigava o Bears, que acabou se tornando a equipe mais forte e popular localmente. A convivência entre os dois times criou uma rivalidade natural, mas também dificultou o crescimento dos Cardinals como marca principal da cidade.

Em 1960, a franquia se mudou para St. Louis. Lá, passou a ser chamada de St. Louis Cardinals, mas precisou dividir identidade com o tradicional time de beisebol de mesmo nome. Por isso, durante anos, a equipe de futebol americano também ficou conhecida como “Football Cardinals” ou “Big Red”.

A passagem por St. Louis teve bons momentos, especialmente nos anos 1970, quando a equipe conquistou títulos de divisão e viveu temporadas competitivas. Ainda assim, faltou uma grande campanha de Super Bowl para consolidar a franquia como potência nacional.

A chegada ao Arizona

Em 1988, se mudaram novamente, dessa vez para o Arizona. Inicialmente, a equipe foi chamada de Phoenix Cardinals. Em 1994, adotou oficialmente o nome Arizona Cardinals, ampliando a identidade para representar todo o estado.

A mudança marcou uma nova fase, mas os primeiros anos no Arizona foram difíceis. O time demorou a criar uma cultura vencedora, alternou campanhas ruins e sofreu para competir em uma liga cada vez mais forte. Mesmo assim, a base de torcedores cresceu, e a construção do State Farm Stadium, inaugurado em 2006, ajudou a dar à franquia uma casa moderna e mais compatível com a NFL atual.

O estádio em Glendale também mudou a percepção sobre o time. A franquia passou a ter uma estrutura mais forte, melhor experiência para o torcedor e mais capacidade de gerar receita. Isso foi importante para preparar o terreno da melhor fase dos Cardinals na era Super Bowl.

Títulos e conquistas dos Arizona Cardinals

A sala de troféus não é tão grande quanto a de franquias como Steelers, Patriots, Cowboys, 49ers ou Packers, mas tem conquistas importantes, especialmente antes da criação do Super Bowl.

Entre os principais títulos e marcas da franquia, estão:

  • 2 títulos da NFL antes da era Super Bowl: 1925 e 1947;
  • 1 título de conferência NFC: temporada 2008;
  • 1 participação no Super Bowl: Super Bowl XLIII, contra o Pittsburgh Steelers;

O título de 1947 é especialmente importante. Naquele ano, ainda como Chicago Cardinals, a equipe venceu o Philadelphia Eagles e conquistou seu último campeonato da NFL. Desde então, busca encerrar um dos jejuns mais longos entre as equipes tradicionais da liga.

A campanha histórica do Super Bowl XLIII

O ponto mais alto da era moderna dos Cardinals aconteceu na temporada 2008. Com Kurt Warner no comando do ataque, Larry Fitzgerald em fase espetacular e uma equipe que cresceu no momento certo, Arizona venceu a NFC e chegou ao Super Bowl pela primeira vez.

A campanha teve um peso enorme porque mudou temporariamente a imagem da franquia. Os Cardinals, muitas vezes vistos como um time secundário na história da NFL, eliminaram adversários fortes e venceram o Philadelphia Eagles na final da conferência, garantindo o título da NFC.

No Super Bowl XLIII, contra o Pittsburgh Steelers, Arizona ficou muito perto de conquistar o primeiro título da era moderna. O jogo terminou 27 a 23 para os Steelers, em uma das decisões mais dramáticas da história recente. Larry Fitzgerald virou a partida no último quarto com um touchdown de 64 jardas, mas Pittsburgh respondeu nos segundos finais com a recepção decisiva de Santonio Holmes.

Aquela decisão também reforça o peso do Super Bowl como o maior palco da NFL. Para uma franquia centenária como os Cardinals, chegar ao jogo mais importante da temporada colocou o time em uma vitrine histórica.

Mesmo com a derrota, aquela campanha virou referência para a torcida. Foi o momento em que os Cardinals mostraram que podiam competir no maior evento do futebol americano.

Conferência e divisão atual

Eles fazem parte da National Football Conference, a NFC, e disputam a NFC West. A divisão é uma das mais difíceis da NFL, porque reúne franquias com histórico recente forte e identidades bem definidas.

Disputar a NFC Oeste ajuda a explicar a dificuldade de crescimento dos Cardinals na era moderna. A divisão reúne rivais fortes, viagens longas e franquias que já viveram ciclos recentes de protagonismo, contexto que se conecta com a história da conferência.

Rivalidades dos Cardinals

A rivalidade mais antiga é com o Chicago Bears. Ela nasce da origem das duas franquias em Chicago e da participação de ambas nos primeiros anos da NFL. Mesmo que hoje os times estejam em divisões diferentes e se enfrentem com menos frequência, esse duelo carrega valor histórico porque conecta a liga atual às suas raízes.

Na fase moderna, as rivalidades mais fortes estão dentro da NFC West. Contra o San Francisco 49ers, os Cardinals enfrentam uma das franquias mais tradicionais da conferência. Contra o Los Angeles Rams, há o componente divisional e a disputa regional no Oeste. Contra o Seattle Seahawks, a rivalidade cresceu especialmente no século XXI, com jogos físicos e confrontos importantes dentro da divisão.

Também existe um histórico relevante com o Dallas Cowboys, fruto dos anos em que os Cardinals disputaram a NFC East. Durante muito tempo, St. Louis/Phoenix/Arizona enfrentou Dallas com frequência, criando um duelo que ainda carrega memória entre torcedores mais antigos.

Grandes nomes da história da franquia

A história dos Cardinals tem jogadores importantes em diferentes eras. Mesmo sem uma dinastia de Super Bowl, a franquia revelou, recebeu ou consagrou nomes que marcaram a NFL.

Entre os principais nomes, estão:

  • Larry Fitzgerald: maior símbolo moderno dos Cardinals e um dos maiores wide receivers da história da NFL. Foi o rosto da franquia por mais de uma década e brilhou na campanha do Super Bowl XLIII.
  • Kurt Warner: quarterback do time que chegou ao Super Bowl XLIII. Já tinha sido campeão com os Rams, mas reviveu a carreira no Arizona e levou a franquia ao ponto mais alto da era moderna.
  • Pat Tillman: safety lembrado não apenas pela carreira em campo, mas pela história fora dele. Deixou a NFL para servir ao Exército dos Estados Unidos e se tornou uma figura simbólica ligada à franquia.
  • Aeneas Williams: um dos maiores defensores da história dos Cardinals, cornerback dominante e membro do Hall da Fama do futebol americano.
  • Charley Trippi: estrela do título da NFL de 1947, último campeonato conquistado pela franquia. É um dos grandes nomes da era antiga dos Cardinals.
  • Roger Wehrli: cornerback lendário dos anos 1970, também integrante do Hall da Fama, símbolo da fase competitiva dos Cardinals em St. Louis.
  • Ottis Anderson: running back de grande impacto nos Cardinals antes de se tornar campeão do Super Bowl com o New York Giants.
  • Patrick Peterson: cornerback dominante na década de 2010, múltiplas vezes selecionado ao Pro Bowl e um dos principais nomes defensivos da fase recente.
  • Calais Campbell: defensor de elite, marcou época no Arizona pela força física, liderança e regularidade.
  • Carson Palmer: quarterback que liderou uma das fases mais competitivas recentes da franquia, especialmente na campanha de 2015.
  • Emmitt Smith: maior corredor da história da NFL, jogou duas temporadas pelos Cardinals no fim da carreira. Sua passagem não foi a mais marcante esportivamente, mas o nome tem peso histórico enorme.

Tradição, torcida e identidade

A torcida é conhecida como Red Sea, o “mar vermelho”, em referência à cor principal da equipe. A identidade visual gira em torno do vermelho cardinal, branco, preto e detalhes modernos que acompanharam a evolução da franquia.

Diferente de equipes que construíram fama por dinastias, os Cardinals carregam uma tradição ligada à resistência. É uma franquia que atravessou mudanças de cidade, décadas sem títulos, períodos de reconstrução e diferentes fases da NFL. Essa permanência tem valor histórico.

Ser torcedor dos Cardinals não é seguir o caminho mais fácil. É carregar uma história de espera, frustração, esperança e orgulho por uma franquia que existe desde antes da NFL como produto nacional. Essa identidade dá ao time uma aura própria dentro da liga.

Por que os Cardinals não são os maiores campeões?

A pergunta é natural: se eles são tão antigos, por que não aparecem entre as franquias mais vencedoras da NFL?

A resposta passa por vários fatores. Durante décadas, o time teve dificuldades estruturais, mudou de mercado, competiu em cidades onde não era a principal marca esportiva e enfrentou longos períodos de instabilidade

Isso não diminui a importância histórica do clube. Pelo contrário, mostra que tradição e sucesso esportivo nem sempre caminham juntos. Os Cardinals são fundamentais para contar a origem do futebol americano profissional, mesmo sem terem acumulado Super Bowls.

O legado dos Arizona Cardinals

Sua importância está justamente nessa combinação. Os Cardinals representam a origem artesanal do futebol americano, a evolução da NFL, a expansão geográfica da liga e a dificuldade de se manter relevante em um esporte cada vez mais competitivo.

A franquia talvez não seja a primeira lembrada quando se fala em poder, títulos ou dinastias. Mas qualquer história completa da NFL precisa passar pelos Cardinals. Antes dos grandes contratos de televisão, dos estádios bilionários e do Super Bowl como evento global, já havia um time usando vermelho cardinal e ajudando a construir o esporte.