O Arsenal voltou ao topo da Inglaterra. Depois de 22 anos de espera, frustrações recentes e uma disputa longa contra o Manchester City, o time de Mikel Arteta conquistou a Premier League 2025/26 com uma rodada de antecedência.
O título foi confirmado nesta terça-feira, sem o Arsenal entrar em campo. O Manchester City precisava vencer o Bournemouth fora de casa para manter viva a briga até a rodada final, mas ficou no empate por 1 a 1 no Vitality Stadium. Eli Junior Kroupi colocou o Bournemouth em vantagem no primeiro tempo, e Erling Haaland só conseguiu empatar nos acréscimos. O gol tardio evitou a derrota, mas não foi suficiente para impedir a festa em Londres.
Com o resultado, o Arsenal chegou à última rodada com quatro pontos de vantagem sobre o City. A taça encerra um jejum que vinha desde a temporada 2003/04, quando os Gunners foram campeões ingleses de forma invicta, em uma das campanhas mais lembradas da história da Premier League.
O fim de um jejum que pesava no clube
O título tem peso enorme porque encerra uma espera longa demais para um clube do tamanho do Arsenal. Desde a geração dos Invincibles, comandada por Arsène Wenger e liderada por nomes como Thierry Henry, Patrick Vieira, Dennis Bergkamp e Robert Pirès, o clube acumulou boas temporadas, campanhas competitivas e reconstruções, mas não conseguia transformar projeto em taça de liga.
Nos últimos anos, a dor ficou ainda maior. O Arsenal bateu na trave mais de uma vez, liderou disputas, brigou com o Manchester City e viu rivais levantarem troféus enquanto sua própria torcida seguia esperando uma nova conquista nacional. Por isso, a taça de 2025/26 não representa apenas mais um título. Ela fecha uma ferida aberta por mais de duas décadas.
O Arsenal agora chega a 14 títulos ingleses em sua história. É uma conquista que recoloca o clube no centro do futebol inglês e quebra uma sequência recente dominada principalmente por Manchester City e Liverpool.
A conquista também recoloca o Arsenal em um ponto importante dentro da história da Premier League e de seus maiores campeões. O título de 2025/26 devolve os Gunners ao grupo de protagonistas recentes do futebol inglês.
Uma campanha dominante, mas com susto na reta final
A campanha do Arsenal foi marcada por liderança longa e regularidade. A equipe assumiu a ponta ainda no início da temporada, em outubro, e passou praticamente todo o campeonato no topo. Foram mais de 200 dias como líder e 31 rodadas consecutivas à frente da tabela, uma marca que mostrava consistência, mas também aumentava a pressão.
O grande susto veio na reta final. Na 33ª rodada, o Manchester City venceu o Burnley por 1 a 0 e tomou a liderança por critérios de desempate, depois de o Arsenal passar meses no topo. A virada reacendeu um trauma recente: a sensação de que a equipe poderia novamente deixar escapar uma Premier League depois de liderar por tanto tempo, como havia ocorrido na temporada passada, quando liderou boa parte, mas acabou deixando o Liverpool ultrapassar e ser campeão.
A resposta foi decisiva. O Arsenal venceu o Newcastle por 1 a 0 e retomou a ponta. Depois, entrou na reta final com quatro vitórias seguidas sem sofrer gol, mostrando uma maturidade que faltou em temporadas anteriores. Em vez de desabar depois do susto, o time se reorganizou, voltou a controlar os próprios resultados e colocou a pressão de volta no City.
Números do título do Arsenal
A campanha também se sustenta em números sólidos. Com uma rodada ainda por disputar, o Arsenal tem:
- 82 pontos
- 25 vitórias
- 7 empates
- 5 derrotas
- 69 gols marcados
- 26 gols sofridos
- saldo de gols de +43
- melhor defesa da Premier League
O dado defensivo é um dos mais importantes da campanha. O Arsenal não foi apenas um time ofensivo ou intenso. Foi uma equipe equilibrada, capaz de controlar jogos, proteger vantagem e vencer partidas apertadas. Na reta final, isso ficou claro: quando o ataque não resolveu com goleadas, a defesa sustentou resultados mínimos.
O empate do City que confirmou a taça
O jogo do Manchester City contra o Bournemouth tinha clima de decisão indireta. Para o time de Guardiola, só a vitória interessava. Qualquer empate ou derrota entregaria matematicamente o título ao Arsenal.
O desafio era maior do que parecia. O Bournemouth faz uma temporada histórica, vinha invicto há 17 jogos e ainda brigava por vaga em competição europeia. Jogando em casa, com confiança e sem postura de coadjuvante, o time de Andoni Iraola endureceu o confronto desde o começo.
O gol de Eli Junior Kroupi colocou o City contra o relógio. A equipe de Guardiola pressionou, tentou acelerar o jogo e buscou soluções até o fim. Haaland empatou nos acréscimos, mas o empate não mudava o cenário. O City precisava virar. Não conseguiu.
O trabalho de Mikel Arteta chega ao ponto mais alto
O título também consolida o trabalho de Arteta. Quando assumiu em 2019, o treinador encontrou um clube em reconstrução, longe da consistência necessária para brigar com os gigantes do país. O processo teve instabilidade, cobrança, mudanças de elenco e decisões impopulares.
Com o tempo, Arteta montou uma equipe com identidade clara. O Arsenal passou a pressionar mais alto, controlar melhor a posse, usar laterais e meio-campistas de forma mais dinâmica, valorizar bolas paradas e defender com agressividade organizada. A evolução não foi instantânea, mas foi progressiva.
A conquista de 2025/26 mostra a maturidade do projeto. O Arsenal não venceu apenas porque teve uma sequência boa. Venceu porque sustentou uma ideia durante a temporada inteira, sobreviveu ao momento em que perdeu a liderança e mostrou força emocional para não repetir os tropeços recentes.
Um time jovem que amadureceu junto
Outro ponto importante é a idade do elenco. O Arsenal tem uma das bases mais jovens entre os candidatos ao título, com média na casa dos 26 anos. Isso reforça o tamanho da conquista: o clube venceu a Premier League com um grupo ainda em fase de crescimento, mas já maduro o suficiente para lidar com pressão.
Jogadores como Bukayo Saka, William Saliba, Gabriel Magalhães, Declan Rice, Martin Odegaard, Gabriel Martinelli, Kai Havertz e Viktor Gyökeres formaram uma base competitiva, física e tecnicamente forte. A juventude não apareceu como desculpa. Apareceu como energia, intensidade e margem de evolução.
Essa é uma diferença importante em relação a anos anteriores. O Arsenal já tinha talento, mas agora mostrou casca. O time soube sofrer, reagir e vencer sem depender sempre de atuações brilhantes. Em campeonato longo, essa capacidade pesa tanto quanto o talento.
A taça que muda o peso do projeto
O título muda o patamar do Arsenal de Arteta. Antes, o projeto era promissor, competitivo e elogiado, mas ainda carregava a cobrança de não ter vencido a liga. Agora, existe uma taça para validar o processo.
A consolidação do projeto também ganhou força pelo desempenho continental. Além de voltar ao topo da Premier League, o Arsenal construiu uma temporada de afirmação europeia, marcada pela classificação para a final da Champions League. Esse contexto amplia o peso do trabalho de Arteta, porque mostra um time competitivo tanto no campeonato nacional quanto no maior torneio de clubes da Europa.
A conquista dá ao Arsenal algo que faltava: autoridade. O elenco passa a entrar nas próximas temporadas com outro peso, outra confiança e outra responsabilidade. O desafio agora será transformar esse título em ponto de partida, não em episódio isolado.
Encerra 22 anos de espera, confirma o trabalho de Arteta, consolida uma geração jovem e recoloca os Gunners no topo do futebol inglês.