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ATP Finals: história, maiores campeões e tudo sobre o torneio que reúne a elite do tênis masculino

Disputado no encerramento da temporada, o torneio reúne oito dos melhores tenistas do circuito e tem um formato diferente dos Grand Slams, com fase de grupos, semifinal e final. Conheça a história, as regras, os recordes e os brasileiros que marcaram a competição.

Por Corte dos Esportes · 06/11/2026 · Categoria: Tênis

O ATP Finals é um dos torneios mais prestigiados do tênis mundial. Enquanto os quatro Grand Slams reúnem grandes chaves eliminatórias, a competição de encerramento da temporada masculina coloca frente a frente apenas oito jogadores classificados por seus resultados ao longo do ano. O objetivo é conquistar um dos títulos mais importantes do circuito da Associação dos Tenistas Profissionais.

A competição combina exclusividade, alto nível técnico e um regulamento que permite aos participantes continuar na disputa mesmo depois de uma derrota. 

Criado em 1970, o torneio atravessou diferentes gerações, mudou de nome e de sede e consagrou campeões dentro da sua história

O que é o ATP Finals

É o torneio que encerra a temporada da elite do tênis masculino profissional. Diferentemente das competições tradicionais do circuito, nas quais os jogadores avançam por meio de confrontos eliminatórios desde a primeira rodada, o campeonato utiliza um sistema inicial de todos contra todos.

A disputa conta com oito tenistas na chave de simples e oito duplas. Os participantes conquistam suas vagas com base nos resultados acumulados ao longo da temporada, respeitando os critérios de classificação estabelecidos pela ATP.

A principal característica do torneio é reunir jogadores que demonstraram regularidade durante o ano inteiro. Não basta vencer uma competição ou realizar uma boa campanha isolada. 

No circuito feminino, o WTA Finals também reúne a elite do tênis mundial e possui uma história marcada por grandes campeãs. A competição feminina tem trajetória, critérios de classificação e recordes próprios, mas compartilha com o ATP Finals a proposta de reunir as principais atletas da temporada em um torneio de encerramento.

Outro diferencial está na pontuação oferecida. Um campeão invicto pode conquistar até 1.500 pontos no ranking da ATP, tornando a competição decisiva também na definição das posições finais da temporada.

Como funciona o formato 

O regulamento do ATP Finals é uma das características mais interessantes da competição. Os oito participantes são divididos em dois grupos de quatro jogadores, que se enfrentam em sistema de turno único.

Cada tenista disputa três partidas na primeira fase, enfrentando todos os adversários de seu grupo. Os dois melhores colocados de cada chave avançam às semifinais.

A fase eliminatória segue um cruzamento definido: o primeiro colocado de um grupo enfrenta o segundo colocado do outro. Os vencedores disputam a final.

Esse formato permite que um jogador seja campeão mesmo sofrendo uma derrota na fase inicial.

Todas as partidas de simples são disputadas em melhor de três sets, inclusive a decisão do título.

Nas duplas, o sistema de grupos e classificação é semelhante, mas as partidas utilizam regras específicas: sets sem vantagem no 40 iguais e um match tie-break no lugar do terceiro set.

Como funciona o desempate na fase de grupos

A classificação não depende apenas do número de vitórias. Quando dois ou mais jogadores terminam a fase de grupos com campanhas iguais, o regulamento estabelece critérios para determinar as posições.

O primeiro fator é a quantidade de vitórias, seguido pelo número de partidas disputadas. Quando apenas dois tenistas estão empatados, o confronto direto é utilizado.

Em caso de empate envolvendo três jogadores, podem entrar na definição o percentual de sets conquistados e, se necessário, o percentual de games vencidos.

O regulamento também prevê situações específicas envolvendo desistências e partidas não realizadas.

Por isso, vencer uma partida por 2 sets a 0 ou conquistar games em uma derrota pode fazer diferença na disputa por uma vaga nas semifinais. Um jogador precisa considerar não apenas o resultado imediato, mas também a situação dos demais participantes do grupo.

Como os jogadores se classificam para o torneio

A classificação está vinculada à corrida anual da ATP, conhecida como Race to Turin durante o período em que Turim recebe a competição.

Diferentemente do ranking tradicional, que considera uma janela móvel de resultados, a corrida acompanha os pontos conquistados pelos jogadores na temporada em andamento.

Pelo sistema de classificação, os sete primeiros colocados garantem vagas, enquanto a oitava posição pode ser destinada a um campeão de Grand Slam daquele ano que termine entre o oitavo e o 20º lugar da corrida.

Se não houver um campeão de Grand Slam que se enquadre nessa condição, a vaga fica com o oitavo colocado da classificação anual.

A regra especial já teve impacto importante na competição. Em 2022, Novak Djokovic garantiu sua participação utilizando esse critério.

Quantos pontos vale o ATP Finals

A pontuação funciona de maneira diferente da adotada nos torneios convencionais do circuito. Em vez de receber uma quantidade fixa de pontos pela fase alcançada, o jogador acumula pontos por cada vitória.

A distribuição é a seguinte:

  • Vitória na fase de grupos: 200 pontos
  • Vitória na semifinal: 400 pontos
  • Vitória na final: 500 pontos
  • Pontuação máxima do campeão invicto: 1.500 pontos

Esse sistema aumenta a importância de todos os confrontos e oferece um incentivo adicional para os participantes buscarem o melhor aproveitamento possível.

De Tóquio a Turim

A história do ATP Finals começou em 1970, quando a primeira edição foi disputada em Tóquio, no Japão, com o nome de Masters Grand Prix.

O norte-americano Stan Smith conquistou o título inaugural, dando início a uma competição que se tornaria referência no encerramento da temporada masculina.

Durante os primeiros anos, o torneio passou por diferentes cidades, incluindo Paris, Barcelona, Boston, Melbourne, Estocolmo e Houston.

Entre 1977 e 1989, Nova York recebeu a competição no Madison Square Garden, um dos espaços esportivos mais conhecidos do mundo.

Na década de 1990, o evento passou a se chamar ATP Tour World Championships e foi realizado nas cidades alemãs de Frankfurt e Hannover.

A partir de 2000, recebeu o nome de Tennis Masters Cup. Nesse período, passou por Lisboa, Sydney, Houston e Xangai.

Em 2009, Londres iniciou uma longa etapa como sede, recebendo o torneio na O2 Arena até 2020. A partir de 2021, a competição passou a ser realizada em Turim, na Itália, no complexo conhecido como Inalpi Arena.

Ao longo dessa trajetória, o ATP Finals acompanhou diferentes fases do tênis masculino e recebeu alguns dos confrontos mais importantes entre os principais jogadores de cada geração.

Os maiores campeões 

Novak Djokovic ocupa o topo da história do ATP Finals em número de títulos de simples. O sérvio conquistou sete troféus.

Djokovic foi campeão em 2008, entre 2012 e 2015, e novamente em 2022 e 2023. Sua sequência de quatro conquistas consecutivas entre 2012 e 2015 representa um dos períodos mais dominantes da história da competição.

Roger Federer aparece na segunda posição, com seis títulos, conquistados em 2003, 2004, 2006, 2007, 2010 e 2011.

As trajetórias de Roger Federer e Novak Djokovic ajuda a dimensionar a importância que os dois tenistas  tiveram no circuito, especialmente durante os anos em que dominaram o tênis masculino.

Além dos títulos, Federer possui outro recorde expressivo: 59 vitórias em partidas do ATP Finals, a maior marca histórica da competição.

Já Jannik Sinner, entrou para a história como o primeiro italiano campeão do torneio, em 2024, e repetiu a conquista em 2025.

Maiores campeões:

  1. 1. Novak Djokovic (Sérvia) — 7 títulos
  2. 2. Roger Federer (Suíça) — 6 títulos
  3. 3. Ivan Lendl (Tchecoslováquia) — 5 títulos
  4. 4. Pete Sampras (Estados Unidos) — 5 títulos
  5. 5. Ilie Năstase (Romênia) — 4 títulos
  6. 6. Boris Becker (Alemanha) — 3 títulos
  7. 7. John McEnroe (Estados Unidos) — 3 títulos
  8. 8. Björn Borg (Suécia) — 2 títulos
  9. 9. Lleyton Hewitt (Austrália) — 2 títulos
  10. 10. Alexander Zverev (Alemanha) — 2 títulos
  11. 11. Jannik Sinner (Itália) — 2 títulos

Atual campeão: Jannik Sinner(2025).

O título histórico brasileiro

A participação brasileira mais marcante na história do ATP Finals aconteceu em 2000, quando Gustavo Kuerten conquistou o título do Tennis Masters Cup, disputado em Lisboa, Portugal.

Guga chegou à competição envolvido na disputa pelo primeiro lugar do ranking mundial com o russo Marat Safin.

Depois de avançar na fase de grupos, o brasileiro enfrentou Pete Sampras nas semifinais. Kuerten perdeu o primeiro set, mas conseguiu a virada e venceu por 2 sets a 1.

Na decisão, o adversário foi Andre Agassi, outro dos grandes nomes do tênis mundial.

Guga venceu o norte-americano por 3 sets a 0, e conquistou um dos títulos mais importantes de sua carreira.

A vitória também garantiu ao brasileiro a liderança do ranking mundial e o encerramento da temporada de 2000 como número 1 do mundo.

A conquista de Lisboa permanece como um dos capítulos mais importantes da história do tênis brasileiro.

As diferenças entre o ATP Finals e os Grand Slams

Embora estejam entre as competições mais importantes do tênis, os dois torneios possuem características bastante diferentes.

Os quatro Grand Slams — Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open — têm chaves de simples com 128 jogadores, enquanto o ATP Finals reúne apenas oito participantes.

Outra diferença fundamental está no formato das partidas. Nos Grand Slams masculinos, os jogos de simples são disputados em melhor de cinco sets. No ATP Finals, o formato é melhor de três sets.

O sistema de classificação também muda. Nos Grand Slams, uma derrota significa eliminação imediata. No ATP Finals, os jogadores disputam a fase de grupos e podem avançar mesmo sem vencer todos os confrontos.

A pontuação máxima também é diferente: os campeões de Grand Slam recebem 2.000 pontos, enquanto um campeão invicto do ATP Finals conquista 1.500.

Isso não transforma o ATP Finals em um quinto Grand Slam. Trata-se de uma competição própria, com tradição, critérios de participação e importância específicos dentro do calendário profissional.

A relevância da competição

A importância do ATP Finals vai além da premiação financeira e dos pontos distribuídos no ranking.

O torneio funciona como uma demonstração do nível competitivo alcançado pelos principais jogadores ao longo da temporada. Enquanto outras competições apresentam adversários de classificações variadas, o evento reúne uma concentração excepcional de tenistas da elite mundial.

O formato aumenta a exigência técnica e tática. Os participantes precisam enfrentar adversários de alto nível desde a primeira rodada, administrar o desgaste físico e adaptar suas estratégias a confrontos sucessivos contra jogadores com diferentes estilos.

Outro elemento importante é o impacto histórico do título.

Para alguns campeões, o torneio representou a consolidação de uma temporada dominante. Para outros, foi a oportunidade de conquistar um troféu de grande prestígio diante dos principais rivais do circuito.

O ATP Finals é, portanto, mais do que uma competição de encerramento. É um campeonato com identidade própria, capaz de reunir rivalidades, momentos decisivos do ranking e conquistas que atravessam gerações.

Desde sua estreia em Tóquio, em 1970, até as edições realizadas em Turim, a competição construiu uma tradição sustentada pela presença dos melhores jogadores da temporada. E é justamente essa combinação de exclusividade, alto nível e história que mantém o ATP Finals entre os títulos mais desejados do tênis masculino.