O Avaí escreveu um capítulo novo em sua história ao conquistar a primeira edição da Copa Sul-Sudeste. O título veio na Arena Condá, em Chapecó, após uma final dramática contra a Chapecoense, decidida nos pênaltis depois de dois jogos com placares idênticos: 3 a 0 para o Avaí na Ressacada e 3 a 0 para a Chape na volta.
A taça teve peso esportivo, financeiro e simbólico. Além de colocar o clube como o primeiro campeão da competição criada para reunir equipes das regiões que dão nome ao torneio, a conquista garantiu ao Leão da Ilha uma vaga direta na terceira fase da Copa do Brasil de 2027. Em uma temporada longa, com disputa de Série B e pressão por resultados, o título também funcionou como resposta competitiva de um elenco que precisou sofrer fora de casa para levantar a taça.
O contexto da final na Arena Condá
O Avaí chegou ao jogo de volta com uma vantagem que parecia confortável. Na ida, na Ressacada, havia vencido por 3 a 0 e aberto uma margem para administrar o placar em Chapecó. Só que a final ganhou contornos dramáticos na Arena Condá, em um clássico catarinense jogado sob pressão, com a torcida da casa empurrando a Chape e o Leão tentando proteger a vantagem construída em Florianópolis.
A Chapecoense começou a reação ainda no primeiro tempo. João Paulo abriu o placar aos 23 minutos, recolocando o time da casa na disputa e mudando o clima da decisão. O gol obrigou o Avaí a lidar com um cenário mais desconfortável: a vantagem no agregado ainda era boa, mas a partida já não permitia relaxamento.
No segundo tempo, a pressão aumentou. João Paulo voltou a marcar aos 30 minutos da etapa final e deixou o agregado em 3 a 2 para o Avaí. A partir daí, a final virou um teste emocional. A Chapecoense passou a jogar com o estádio inflamado, enquanto o Avaí precisava resistir para não deixar escapar uma taça que parecia encaminhada depois do jogo de ida.
O momento mais dramático veio nos acréscimos. Bruno Pacheco marcou o terceiro gol da Chapecoense, aos 46 minutos do segundo tempo, devolveu o 3 a 0 da Ressacada e empatou o placar agregado em 3 a 3. Para aumentar a tensão, o Avaí ainda teve Wallison expulso na reta final, o que reforçou o peso psicológico da decisão.
Com o agregado empatado, a taça foi para os pênaltis. O Avaí, que havia perdido a vantagem construída no tempo normal, precisou mostrar frieza no momento mais pesado da final. Nas cobranças, o time converteu todas as batidas, venceu por 5 a 4 e transformou uma tarde de sofrimento em título histórico.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
O título não veio em uma campanha linear, mas em uma trajetória de recuperação. O Avaí oscilou na fase classificatória, cresceu no mata-mata e chegou à final com força suficiente para abrir 3 a 0 no primeiro jogo contra a Chapecoense.
Números gerais da campanha:
- Jogos: 10
- Vitórias: 6
- Empates: 2
- Derrotas: 3
- Gols marcados: 18
- Gols sofridos: 13
- Posição na primeira fase: 1º lugar do Grupo B
Todos os jogos do Avaí:
- 1ª rodada: Tombense 3 x 2 Avaí
- 2ª rodada: Avaí 2 x 2 Cianorte
- 3ª rodada: Chapecoense 2 x 1 Avaí
- 4ª rodada: Avaí 1 x 0 Caxias
- 5ª rodada: Novorizontino 1 x 2 Avaí
- 6ª rodada: Avaí 2 x 0 Sampaio Corrêa-RJ
- Semifinal ida: Volta Redonda 2 x 2 Avaí
- Semifinal volta: Avaí 3 x 0 Volta Redonda
- Final ida: Avaí 3 x 0 Chapecoense
- Final volta: Chapecoense 3 x 0 Avaí — Avaí campeão nos pênaltis
A lista ajuda a explicar o peso da conquista. O Avaí perdeu dois jogos na primeira fase, empatou fora na semifinal, resolveu a vaga em casa com autoridade e construiu na ida da final o placar que manteve a equipe viva mesmo depois da pressão sofrida na Arena Condá.
A premiação do campeão e do vice
A Copa Sul-Sudeste teve dois tipos de recompensa importantes para o Avaí. A principal, prevista esportivamente, foi a vaga direta na terceira fase da Copa do Brasil de 2027. Esse ponto é estratégico porque evita fases iniciais, encurta o caminho no torneio nacional e coloca o clube em uma etapa de maior visibilidade e maior potencial de receita.
Nos valores divulgados para a competição, o campeão teve direito a R$ 500 mil pela conquista, além de cotas acumuladas ao longo da campanha. Como o Avaí também recebeu cota de participação e premiação por chegar à semifinal, o valor total acumulado pelo clube chegou a R$ 900 mil. A Chapecoense, como vice-campeã, acumulou R$ 650 mil.
Essa vaga é tão relevante quanto a premiação imediata. Em 2026, clubes da Série B que chegaram à terceira fase da Copa do Brasil receberam R$ 1,53 milhão nessa etapa. O valor de 2027 ainda dependerá da tabela de premiação da próxima edição, mas a vaga já coloca o Avaí em uma posição esportiva e financeira melhor para o calendário do ano seguinte. A conquista se conecta diretamente ao peso histórico da Copa do Brasil.
O que o título vale além da taça
A conquista entrega ao Avaí algo que vai além do troféu. Primeiro, porque o clube passa a ser o campeão inaugural da Copa Sul-Sudeste. Toda competição nova cria sua própria memória, e o primeiro campeão carrega sempre um valor especial no registro histórico.
Segundo, porque o título veio contra um rival catarinense, fora de casa, em um jogo de enorme pressão. O Avaí perdeu por 3 a 0 no tempo normal, viu a vantagem desaparecer, mas teve maturidade para acertar todas as cobranças de pênalti. Esse tipo de vitória tem peso emocional para torcida, elenco e comissão técnica.
Terceiro, porque a vaga na Copa do Brasil de 2027 muda o planejamento. O clube ganha calendário nacional garantido em uma fase mais avançada e passa a ter uma possibilidade concreta de receita adicional. Para um time que disputa a Série B, esse tipo de premiação pode influenciar montagem de elenco, metas esportivas e orçamento da temporada.
Os títulos nacional
O grande título nacional do Avaí era o Campeonato Brasileiro da Série C de 1998. Aquela conquista marcou o clube no cenário nacional e é simbolizada pela estrela amarela no escudo avaiano.
Por isso, a Copa Sul-Sudeste de 2026 entra em uma prateleira importante. Não tem o mesmo peso estrutural de uma divisão nacional do Campeonato Brasileiro, mas é uma competição oficial organizada pela CBF, com clubes de duas regiões tradicionais do futebol brasileiro e com vaga direta na Copa do Brasil. Para a história do clube, é mais um título nacional no currículo profissional.
Avaí coloca o nome na história da Copa Sul-Sudeste
A primeira edição nasceu com um papel claro no calendário: criar uma competição regional para clubes das regiões que não estavam em torneios continentais, oferecendo jogos oficiais, premiação e uma vaga relevante na Copa do Brasil. Para entender o desenho do torneio, o título do Avaí ganha ainda mais peso dentro da primeira edição da competição.
Ao vencer a Chapecoense nos pênaltis, o Avaí não apenas ganhou uma final. O clube se tornou o primeiro nome gravado na galeria de campeões do torneio. Fez isso com goleada na ida, sofrimento na volta, precisão nas penalidades e uma campanha que misturou oscilação, reação e eficiência no mata-mata.
Para uma equipe centenária, campeã nacional da Série C, multicampeã catarinense e agora campeã da primeira edição de uma competição nacional, a taça representa mais um marco de identidade: o Avaí voltou a levantar um título com roteiro dramático, longe de casa e com a assinatura emocional que costuma transformar uma conquista em memória permanente para a torcida.