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Bragantino x Atlético-MG pela Sul-Americana: jogo começa a decidir uma vaga nas quartas de final

Equipes abrem nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, uma eliminatória pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. O Massa Bruta tenta aproveitar o mando em Bragança Paulista, enquanto o Galo chega invicto há sete jogos e carregando o peso de ter sido vice-campeão do torneio em 2025.

Por Corte dos Esportes · 12/08/2026 · Categoria: Futebol

RB Bragantino e Atlético-MG fazem nesta quarta-feira um dos confrontos mais equilibrados das oitavas de final da Copa Sul-Americana de 2026. O jogo de ida começa às 19h, no Estádio Municipal Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, e abre uma série que será decidida uma semana depois na Arena MRV, em Belo Horizonte.

O duelo tem uma particularidade importante: é o único confronto entre clubes do mesmo país nesta fase da Sul-Americana e também será a primeira vez que Bragantino e Atlético-MG se enfrentam por uma competição organizada pela Conmebol.

A ausência de histórico continental entre os dois, porém, não significa falta de conhecimento. As equipes se enfrentam regularmente pelo Campeonato Brasileiro, e o retrospecto mais recente favorece o Massa Bruta. O Bragantino venceu os dois últimos jogos diante do Atlético sem sofrer gols, incluindo um triunfo por 1 a 0 em Bragança Paulista pelo Brasileirão de 2026, justamente no estádio que recebe a abertura desta eliminatória.

Agora, o contexto é diferente. Não há pontos em disputa nem espaço para recuperação em rodadas futuras. São 180 minutos, com o primeiro capítulo em Bragança e a definição em Belo Horizonte.

O caminho pelos playoffs para chegar às oitavas

A equipe de Vagner Mancini começou a Sul-Americana no Grupo H e terminou a primeira fase na segunda colocação, com 10 pontos, atrás do River Plate. A classificação para os playoffs só foi garantida na rodada final, quando derrotou o Carabobo por 2 a 0, com gols de Isidro Pitta e Fernando.

A campanha teve resultados bastante distintos:

  • Carabobo 1 x 0 Bragantino
  • Bragantino 3 x 2 Blooming
  • Bragantino 0 x 1 River Plate
  • Blooming 0 x 6 Bragantino
  • River Plate 1 x 1 Bragantino
  • Bragantino 2 x 0 Carabobo

A goleada por 6 a 0 sobre o Blooming, na Bolívia, foi o grande pico ofensivo da primeira fase. No Monumental de Núñez, o Braga também conseguiu um resultado importante ao empatar por 1 a 1 com o River Plate.

Como terminou em segundo, o Bragantino precisou disputar os playoffs contra o Sporting Cristal, que veio da Libertadores.

O primeiro encontro, em Lima, terminou 0 a 0. Na volta, em Bragança Paulista, o time brasileiro venceu por 1 a 0. Pedro Henrique marcou aos 13 minutos do segundo tempo, de cabeça, após cobrança de falta e assistência de Lucas Barbosa. Cleiton também teve papel importante ao longo da eliminatória, especialmente pelas defesas realizadas nos dois confrontos.

Foi uma classificação construída muito mais pela capacidade de competir e controlar riscos do que por superioridade no placar. O Bragantino marcou somente uma vez nos 180 minutos, mas também não sofreu gol.

A relação recente do Bragantino com a Sul-Americana tem como referência principal a campanha de 2021.

Naquela edição, o clube chegou à final e enfrentou o Athletico-PR em Montevidéu. O time paranaense venceu por 1 a 0, com gol de Nikão, deixando o Massa Bruta com o vice-campeonato. Cinco anos depois, a equipe volta ao mata-mata tentando construir novamente uma trajetória profunda no torneio.

Do ponto de vista ofensivo, Isidro Pitta e Fernando chegaram às oitavas como os principais artilheiros do Bragantino na competição, com três gols cada. Fernando também havia acumulado duas assistências e aparecia como o jogador de maior participação direta em gols do time na campanha continental.

Há ainda uma característica que merece atenção do Atlético: a bola aérea.

O Bragantino chegou às oitavas como a equipe com mais gols de cabeça na Sul-Americana de 2026, com cinco. Os dois gols mais recentes do clube marcados dessa maneira haviam servido justamente para abrir o placar das partidas.

Atlético-MG avançou diretamente como líder do grupo

O Galo venceu o Grupo B e, com isso, evitou a necessidade de disputar os playoffs. Terminou a primeira fase com 10 pontos, três vitórias, um empate e duas derrotas, oito gols marcados e seis sofridos.

A campanha começou de maneira complicada.

  • Academia Puerto Cabello 2 x 1 Atlético-MG
  • Atlético-MG 2 x 1 Juventud
  • Cienciano 1 x 0 Atlético-MG
  • Juventud 2 x 2 Atlético-MG
  • Atlético-MG 2 x 0 Cienciano
  • Atlético-MG 1 x 0 Academia Puerto Cabello

Depois das quatro primeiras rodadas, o time comandado por Eduardo Domínguez tinha somente quatro pontos. A reação aconteceu justamente na reta final: venceu o Cienciano por 2 a 0, com gols de Renan Lodi e Bernard, e depois bateu o Puerto Cabello por 1 a 0, novamente com Bernard balançando a rede.

As duas vitórias consecutivas foram suficientes para colocar o Atlético na liderança e garantir passagem direta às oitavas.

Além disso, o Galo chegou ao confronto com o Bragantino tentando ampliar uma sequência continental importante: suas duas vitórias mais recentes na Sul-Americana aconteceram sem sofrer gols.

Bernard é uma das principais referências atleticana na competição

A saída de Hulk mudou parte da configuração ofensiva do Atlético em 2026, e Bernard ganhou protagonismo ainda maior.

O meia-atacante chegou às oitavas como artilheiro do Galo na Sul-Americana, com três gols. Ele marcou contra o Juventud e foi decisivo nas duas partidas que garantiram a recuperação e a liderança do grupo, balançando as redes diante de Cienciano e Puerto Cabello.

Tomás Cuello também aparece como peça importante. O argentino chegou ao mata-mata com quatro assistências nesta edição da Sul-Americana e seis passes para gol em participações no torneio desde 2024. Entre os jogadores da competição nesse período, apenas Marcelino Moreno havia acumulado mais assistências.

Outro nome de peso é Renan Lodi. Contratado para assumir a lateral esquerda, o jogador se consolidou como uma das referências da equipe de Eduardo Domínguez, contribuindo tanto na saída quanto na amplitude ofensiva. Contra o Cienciano, marcou um dos gols fundamentais para a recuperação atleticana no grupo.

A busca por revanche depois do vice-campeonato de 2025

A Sul-Americana tem ainda um peso especial para o Atlético-MG por causa do que aconteceu na temporada anterior.

O clube chegou à final de 2025 contra o Lanús, em Assunção. Depois de 120 minutos sem gols, o título foi decidido nos pênaltis e ficou com a equipe argentina. Nove meses depois, o Galo volta a disputar uma fase eliminatória carregando a condição de atual vice-campeão.

Por isso, 2026 também representa uma oportunidade de continuidade. O Atlético não chega ao torneio apenas tentando construir uma campanha inédita do zero: parte de um resultado recente em que ficou a uma disputa por pênaltis da taça.

O chaveamento completo e o caminho dos brasileiros no torneio podem ser acompanhados na definição dos playoffs e das oitavas da Sul-Americana de 2026.

Como chega o Bragantino

Entra no mata-mata tentando reagir imediatamente depois de uma atuação abaixo do esperado no Campeonato Brasileiro.

No domingo, 9 de agosto, recebeu o Corinthians no mesmo Cícero de Souza Marques e perdeu por 2 a 0. O próprio Vagner Mancini reconheceu depois do jogo que a equipe não fez uma boa partida e considerou justa a vitória corintiana.

Com a derrota, o time ficou com 31 pontos e caiu para a oitava colocação do Brasileirão ao fim daquele compromisso. O resultado aumentou a necessidade de uma resposta rápida, especialmente porque a equipe volta ao mesmo estádio apenas três dias depois para um jogo de mata-mata.

O cenário continental, porém, oferece elementos positivos. O time conseguiu superar o Sporting Cristal sem sofrer gols nos dois jogos dos playoffs e mostrou capacidade para resolver uma eliminatória de placar apertado.

Além disso, Mancini tem utilizado formações diferentes na Sul-Americana e no Brasileirão. A tendência para esta quarta-feira é novamente de alterações em relação ao time que começou contra o Corinthians.

Como chega o Atlético-MG

No sábado, 8 de agosto, o Galo empatou por 2 a 2 com o Remo no Mangueirão. A equipe saiu atrás logo aos dois minutos, reagiu ainda no primeiro tempo e virou com gols de Reinier e Bernard, mas sofreu o empate na etapa final.

O resultado deixou uma sensação de oportunidade perdida para Eduardo Domínguez, mas ampliou uma sequência importante: o Atlético chegou a sete partidas consecutivas sem derrota na temporada. No Brasileirão, ficou com 29 pontos.

A série positiva ajuda a mudar o cenário de um primeiro semestre que teve oscilações importantes. Na própria Sul-Americana, o time havia conseguido apenas quatro pontos em suas quatro primeiras partidas antes de vencer os dois compromissos finais e tomar a liderança do grupo.

Eduardo Domínguez encontrou maior estabilidade com uma equipe compacta, utilizando Alan Franco e Maycon no meio e explorando a participação dos laterais, especialmente Renan Lodi. O desafio agora é transportar essa evolução para um mata-mata em que o Atlético terá a vantagem de realizar o segundo jogo na Arena MRV.

Retrospecto nos confrontos mais recentes

Apesar de o Atlético chegar em melhor sequência geral, os encontros recentes entre os clubes funcionam como um alerta.

O Bragantino venceu os dois últimos duelos contra o Galo no Campeonato Brasileiro e não sofreu gols em nenhum deles. Antes dessa sequência, o retrospecto era amplamente favorável ao clube mineiro: desde 1990, o Massa Bruta havia conseguido apenas uma vitória sobre o Atlético em 20 partidas da Série A, com 11 empates e oito derrotas nesse intervalo.

O dado reforça como a dinâmica recente mudou.

Prováveis escalações

Vagner Mancini recuperou duas opções antes do mata-mata. Gustavo Marques está novamente à disposição depois de uma lesão na coxa esquerda, enquanto Bruninho se recuperou de um desconforto muscular.

A principal dúvida defensiva está justamente entre Pedro Henrique e Gustavo Marques. O treinador também deve retomar algumas peças utilizadas com maior frequência na campanha da Sul-Americana.

Desfalques do Bragantino: Vanderlan, com lesão no ligamento colateral do joelho esquerdo; Cauê, com lesão muscular na coxa esquerda; e Davi Gomes, que se recupera de cirurgia no joelho.

Provável Bragantino: Cleiton; Agustin Sant'Anna, Pedro Henrique (Gustavo Marques), Guzmán Rodríguez e Juninho Capixaba; Gabriel, Eric Ramires e Rodriguinho; Herrera, Lucas Barbosa e Eduardo Sasha.

Técnico: Vagner Mancini.

Do lado atleticano, Eduardo Domínguez também prepara mudanças em relação ao empate com o Remo.

Lyanco, poupado em Belém, deve retornar à zaga. Renan Lodi volta à lateral esquerda depois de cumprir suspensão no Campeonato Brasileiro. Maycon disputa posição no meio-campo, enquanto Tomás Cuello e Alan Minda são alternativas para o ataque.

O Atlético também não contará com Thiago Borbas. O atacante pertence ao Bragantino e, pelas condições contratuais, o clube mineiro teria de pagar uma multa para utilizá-lo contra a equipe paulista. O pagamento não foi realizado e ele fica fora da partida.

Além dele, Gustavo Scarpa está fora por edema na coxa direita, Léo Duarte por lesão muscular na coxa direita, Patrick por lesão ligamentar no joelho direito e Índio por problema no joelho.

Provável Atlético-MG: Everson; Natanael, Ruan, Lyanco e Renan Lodi; Alan Franco, Maycon (Cissé), Bernard e Victor Hugo; Cuello (Alan Minda) e Cassierra.

Técnico: Eduardo Domínguez.

Transmissão: ESPN e Disney+

Árbitro: Leandro Rey, da Argentina

Assistente 1: José Savorani, da Argentina

Assistente 2: Juan Mamani, da Argentina

VAR: Hernán Mastrángelo, da Argentina.

Um duelo brasileiro por uma vaga nas quartas

Bragantino x Atlético-MG reúne dois clubes que chegam às oitavas por trajetórias diferentes, mas com razões claras para tratar a Sul-Americana como prioridade.

O Massa Bruta precisou buscar a classificação na última rodada da fase de grupos e sobreviver a um playoff apertado contra o Sporting Cristal. Agora, tem a vantagem inicial do mando de campo e um retrospecto recente positivo contra o adversário, mas precisa reagir à derrota para o Corinthians no Brasileiro.

O Atlético enfrentou dificuldades no começo da competição, recuperou-se a tempo de conquistar a liderança da chave e chega ao mata-mata em uma sequência de sete partidas sem perder. Também carrega a experiência — e a frustração — de ter chegado à final da Sul-Americana apenas nove meses atrás.

Há ainda um contraste técnico interessante. O Bragantino chegou às oitavas como o time com mais gols de cabeça na competição, enquanto o Atlético apresentou uma das melhores taxas de conversão de finalizações da fase de grupos, transformando 12,7% de seus chutes em gols.

São características capazes de decidir partidas apertadas, exatamente o tipo de cenário esperado para uma eliminatória entre equipes que se conhecem tão bem.

Pela primeira vez, porém, Bragantino e Atlético-MG não estarão frente a frente por pontos no Campeonato Brasileiro. O encontro agora vale sobrevivência continental. O Massa Bruta tenta construir vantagem em Bragança Paulista; o Galo busca levar a série em boas condições para a Arena MRV. Depois de 180 minutos, apenas um brasileiro continuará no caminho pelo título da Copa Sul-Americana de 2026.