Corte dos Esportes
Início Atletismo Automobilismo Basquete Esportes Olímpicos Futebol Futebol Americano Futsal Handebol Lutas Skate Surf Vôlei Vôlei de Praia Tênis

Brasil no Mundial de Judô 2026: veja desempenho dos judocas

Brasil encerra as disputas individuais do Mundial de Judô de Baku sem medalhas. Beatriz Souza vence três lutas, mas para na repescagem, enquanto Rafaela Silva é eliminada na estreia. Competição por equipes mistas encerra o torneio neste domingo (11).

Por Corte dos Esportes · 10/10/2026 · Categoria: Lutas
Beatriz Souza com judogi branco em combate contra adversária de azul no tatame.
Beatriz Souza ficou em sétimo lugar no Mundia de Baku. Foto: Gaspar Nóbrega/COB — Ministério da Defesa/Wikimedia Commons.

O Brasil concluiu sua participação nas disputas individuais do Campeonato Mundial de Judô 2026 sem conquistar medalhas. Realizado entre os dias 4 e 11 de outubro, em Baku, no Azerbaijão, o torneio reuniu a elite internacional da modalidade e colocou a seleção brasileira diante de adversários de alto nível em todas as categorias.

A última representante brasileira no individual foi Beatriz Souza, campeã olímpica em Paris 2024. Neste sábado (10), a judoca venceu três combates na categoria acima de 78 kg, incluindo um confronto entre campeãs olímpicas, mas acabou eliminada na repescagem e terminou na sétima colocação.

O desempenho confirmou uma campanha abaixo das expectativas de pódio, apesar de resultados competitivos em diferentes categorias. Daniel Cargnin e Nauana Silva chegaram à quinta colocação, enquanto Clarice Ribeiro, Beatriz Freitas e Beatriz Souza terminaram em sétimo. Com esses resultados, o país ocupou o 19º lugar no quadro geral das disputas individuais.

A seleção ainda tem uma oportunidade de medalha na competição por equipes mistas, marcada para domingo (11), último dia do Mundial. O Brasil estreia contra a China, com a possibilidade de enfrentar Cuba ou Turquia nas quartas de final.

O Brasil chegou ao Azerbaijão com uma delegação de 19 judocas e expectativa de medalhas tanto nas disputas individuais quanto na competição por equipes mistas. Antes do início das lutas, o Corte dos Esportes apresentou um panorama completo dos atletas brasileiros na competição. Com o encerramento das disputas individuais, a seleção volta suas atenções para o torneio por equipes mistas, última oportunidade de conquistar uma medalha nesta edição do campeonato.

Beatriz Souza vence duelo de campeãs olímpicas

A campanha de Beatriz Souza foi uma das mais movimentadas entre os brasileiros em Baku. Campeã olímpica dos pesos pesados em Paris 2024, a atleta iniciou sua trajetória enfrentando Akira Sone, do Japão, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

O encontro colocou frente a frente duas campeãs olímpicas logo na estreia. Bia conseguiu impor seu trabalho de solo e venceu por ippon, utilizando uma técnica de estrangulamento para superar a japonesa.

Na sequência, a brasileira enfrentou a chinesa Niu Xinran, então nona colocada do ranking mundial. Dessa vez, a vitória veio por waza-ari, garantindo sua permanência na chave.

Nas oitavas de final, Beatriz voltou a conseguir um ippon, agora diante da uzbeque Umida Nigmatova. Com três vitórias consecutivas, a brasileira avançou às quartas de final e ficou a um triunfo da semifinal.

Foi nesse momento que apareceu uma adversária marcante em sua carreira: Raz Hershko, de Israel.

O confronto repetiu a final olímpica de Paris 2024, quando Beatriz derrotou a israelense e conquistou o ouro que marcou sua trajetória no esporte brasileiro. As duas também haviam se enfrentado no Grand Prix de Lima, em agosto de 2026, novamente com vitória brasileira.

Em Baku, porém, o resultado foi diferente. Hershko abriu vantagem com um yuko e Beatriz acabou eliminada após receber punições. A derrota levou a brasileira para a repescagem, mantendo aberta a possibilidade de disputar o bronze.

A última luta foi contra a italiana Asya Tavano, outra adversária conhecida. Beatriz havia derrotado Tavano na final do Grand Prix de Lima, mas desta vez a italiana conseguiu um ippon e encerrou a participação da campeã olímpica.

O retrospecto de três vitórias e duas derrotas deixou Bia na sétima colocação do Mundial de Judô 2026. O ouro da categoria ficou com a sul-coreana Lee Hyeonji, de 19 anos, que derrotou a francesa Romane Dicko na final.

O resultado de Bia Souza ganha contexto quando observado dentro de sua trajetória recente. Depois da conquista olímpica de Paris, a brasileira passou por um período de resultados mais discretos no circuito internacional.

Em agosto de 2026, voltou ao topo do pódio no Grand Prix de Lima, superando adversárias importantes e conquistando um título que reforçou sua competitividade entre as principais atletas da categoria.

A campanha no Mundial apresentou dois aspectos distintos. As três primeiras vitórias mostraram que Beatriz continuava capaz de superar adversárias de alto nível, incluindo uma campeã olímpica. Por outro lado, as derrotas diante de Hershko e Tavano demonstraram como confrontos entre atletas experientes podem mudar de resultado entre uma competição e outra.

O sétimo lugar não representa o objetivo de uma campeã olímpica, mas também não apaga o desempenho positivo nas primeiras rodadas. O desafio passa a ser transformar essas vitórias em campanhas mais profundas nas grandes competições do ciclo olímpico de Los Angeles 2028.

Rafaela Silva é eliminada na estreia 

Outra participação que chamou atenção foi a de Rafaela Silva, bicampeã mundial e campeã olímpica no Rio de Janeiro em 2016.

A brasileira disputou sua 14ª edição do Campeonato Mundial Sênior, competindo na categoria até 63 kg. A expectativa era significativa, principalmente pelos resultados apresentados ao longo da temporada.

Em 2026, Rafaela conquistou títulos no Grand Slam de Paris e no Grand Prix da Áustria, além de subir ao pódio no Grand Slam de Astana e no Campeonato Pan-Americano.

Entretanto, sua trajetória no Mundial terminou ainda na estreia.

A adversária foi Catherine Beauchemin-Pinard, do Canadá, vice-campeã mundial em 2025. O confronto também carregava um retrospecto recente importante: a canadense havia derrotado Rafaela na semifinal do Mundial anterior.

Em Baku, as duas voltaram a se encontrar, e Beauchemin-Pinard novamente conseguiu levar a luta para o solo. A canadense aplicou uma imobilização e venceu por ippon, encerrando imediatamente a campanha individual da brasileira.

A derrota impediu Rafaela de disputar seu terceiro título mundial. Seus dois ouros anteriores vieram no Rio de Janeiro, em 2013, e em Tashkent, em 2022.

A eliminação precoce contrasta com os resultados positivos da temporada, mas a brasileira permaneceu entre as atletas disponíveis para a competição por equipes mistas, oferecendo experiência a uma seleção que ainda busca o pódio em Baku.

Daniel Cargnin e Nauana Silva lideram os resultados brasileiros

Além das participações de Rafaela Silva e Beatriz Souza, outros judocas conseguiram avançar às fases decisivas do Mundial.

Daniel Cargnin, da categoria até 73 kg, alcançou a quinta colocação. Vice-campeão mundial em 2025, o brasileiro voltou a disputar uma medalha, mas não conseguiu transformar a campanha em pódio.

Nauana Silva também terminou em quinto lugar, na categoria até 70 kg. A judoca chegou ao bloco de disputas por medalhas, mas encerrou sua participação sem conquistar o bronze.

Entre os sétimos colocados, Clarice Ribeiro, da categoria até 48 kg, esteve entre os destaques da nova geração brasileira.

Beatriz Freitas, que compete até 78 kg, também terminou em sétimo. A brasileira venceu três combates, incluindo um contra a chinesa Ma Zhenzhao, medalhista olímpica, antes de ser superada nas quartas de final e na repescagem.

Esses resultados ajudam a dimensionar a campanha nacional. Embora o Brasil não tenha conquistado medalhas individuais, cinco judocas terminaram entre os sete primeiros de suas respectivas categorias.

O desempenho ficou distante das expectativas de pódio, especialmente para uma delegação que chegou à competição com atletas experientes, medalhistas olímpicos e nomes em ascensão no circuito internacional.

Brasil mantém tradição no judô mundial

O resultado de Baku também contrasta com a trajetória histórica da modalidade no país.

O Brasil participa dos Campeonatos Mundiais de Judô desde 1958 e conquistou sua primeira medalha em 1971, com Chiaki Ishii.

Nas décadas seguintes, atletas como João Derly, Mayra Aguiar e Rafaela Silva ajudaram a consolidar a presença brasileira entre as potências da modalidade.

Antes da edição de 2026, o país acumulava 68 medalhas em Campeonatos Mundiais, considerando disputas individuais e por equipes.

Essa tradição está diretamente relacionada ao crescimento da modalidade no país, abordado também na história do judô brasileiro e de suas conquistas olímpicas e mundiais.

Por isso, encerrar uma edição sem medalhas individuais tem um peso esportivo importante. O resultado amplia a necessidade de avaliar o desempenho diante das principais seleções internacionais, especialmente em um período de renovação e preparação para os próximos Jogos Olímpicos de LA28.

Brasil enfrenta a China na competição por equipes mistas

A participação brasileira no Mundial de Judô de Baku ainda não terminou. Neste domingo, 11 de outubro, a seleção entra no tatame para disputar a competição por equipes mistas, formato que também integra o programa olímpico.

O Brasil chega como cabeça de chave número um e enfrentará a China nas oitavas de final. Caso avance, terá pela frente o vencedor do confronto entre Cuba e Turquia.

O formato reúne seis categorias por confronto, três femininas e três masculinas. Diferentemente da disputa individual, cada vitória contribui para o resultado coletivo, exigindo equilíbrio entre os atletas e capacidade de reação durante os confrontos.

A delegação brasileira conta com 19 judocas convocados para o Mundial, sendo 18 para as disputas individuais e Thauana Silva como reforço específico para a equipe mista.

A prova tem um significado especial para o país. Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o Brasil conquistou a medalha de bronze, um resultado histórico que reforçou a capacidade coletiva da seleção.

No Mundial de 2026, a competição oferece a oportunidade de encerrar a campanha com uma medalha e recuperar parte do protagonismo que não apareceu nas disputas individuais.

A programação da CBJ estabelece as preliminares a partir das 2h30 e as disputas de medalhas às 11h, pelo horário de Brasília. CazéTV, sportv e Time Brasil TV estão entre as plataformas anunciadas para a transmissão do Mundial.

O que fica da participação brasileira no Mundial de Judô 2026

A seleção chegou ao Azerbaijão com atletas de currículo expressivo e bons resultados no circuito internacional, mas não conseguiu transformar essas credenciais em medalhas individuais.

Rafaela Silva encontrou uma adversária que já havia imposto dificuldades anteriormente e caiu na primeira luta. Beatriz Souza conseguiu avançar mais, vencendo três confrontos importantes, mas parou diante de duas rivais conhecidas.

Daniel Cargnin, Nauana Silva, Clarice Ribeiro e Beatriz Freitas completaram os resultados de maior destaque, evidenciando que houve brasileiros competitivos nas fases avançadas, embora nenhum tenha chegado ao pódio.

A disputa por equipes mistas encerra o Mundial com uma perspectiva diferente. O Brasil deixa de depender exclusivamente do resultado de um atleta e passa a buscar força no conjunto, em um formato no qual já demonstrou capacidade de conquistar medalhas importantes.

Independentemente do resultado coletivo, a edição de Baku oferece referências relevantes para o ciclo de Los Angeles 2028. O desafio da seleção brasileira será transformar o potencial individual, a experiência de seus campeões e o crescimento da nova geração em resultados mais consistentes nas próximas grandes competições internacionais.