A seleção brasileira feminina de vôlei começou a Liga das Nações de 2026 com uma campanha forte, simbólica e cheia de sinais positivos para a temporada. Jogando no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, o Brasil venceu Holanda, República Dominicana, Bulgária e Itália, fechou a primeira etapa com 100% de aproveitamento e assumiu a liderança geral da VNL.
Mais do que os resultados, a etapa deixou uma leitura importante: o time comandado por José Roberto Guimarães conseguiu vencer jogos de perfis diferentes. Teve estreia com susto, reação depois de perder o primeiro set, vitória dominante e, no fechamento, um triunfo de peso contra a Itália, atual potência do vôlei feminino e dona de uma longa sequência invicta.
A campanha também reforçou a transição da seleção. Ao lado de jogadoras mais experientes, nomes como Julia Bergmann, Júlia Kudiess, Ana Cristina e Tainara ganharam protagonismo em momentos importantes. O Brasil saiu da etapa não apenas com vitórias, mas com sinais de profundidade de elenco, força física e alternativas para uma temporada que ainda terá muitos testes.
Campanha do Brasil na etapa de Brasília
Seleção fez quatro jogos na primeira semana da Liga das Nações e venceu todos. A equipe somou três vitórias por 3 sets a 1 ou 3 a 0 e fechou a etapa com um jogo de cinco sets contra a Itália.
Resultados na primeira etapa da VNL feminina:
• Brasil 3 x 1 Holanda — 25/17, 25/15, 25/27 e 25/23
• Brasil 3 x 1 República Dominicana — 23/25, 25/18, 25/11 e 25/15
• Brasil 3 x 0 Bulgária — 25/23, 25/17 e 25/13
• Brasil 3 x 2 Itália — 25/15, 25/22, 22/25, 24/26 e 15/12
A campanha foi valiosa porque não teve um único padrão. Contra a Holanda, o Brasil começou muito bem, abriu 2 a 0, perdeu o terceiro set em uma parcial longa e precisou controlar a reação adversária no quarto. Contra a República Dominicana, saiu atrás, reorganizou o passe e dominou os três sets seguintes. Diante da Bulgária, venceu com autoridade. Já contra a Itália, precisou de força emocional para fechar no tie-break depois de ver as italianas empatarem a partida.
Vitória sobre a Itália foi o ponto alto
O resultado mais importante da etapa veio no último jogo. O Brasil venceu a Itália por 3 sets a 2, em uma partida de alto nível e com peso especial para a sequência da competição. As italianas chegaram ao confronto com 39 vitórias consecutivas, uma marca que mostrava o tamanho do desafio brasileiro.
A seleção começou em ritmo forte e venceu os dois primeiros sets por 25/15 e 25/22. A Itália reagiu, cresceu no ataque e buscou o empate com parciais de 25/22 e 26/24. No tie-break, o Brasil voltou a ter agressividade, sustentou melhor a recepção nos momentos decisivos e fechou em 15/12.
Esse jogo teve um valor maior do que uma vitória isolada de fase classificatória. A Itália vinha de domínio recente no cenário internacional, com um ciclo de altíssimo rendimento, e derrubar essa sequência logo na primeira etapa da VNL dá ao Brasil confiança competitiva. Para uma seleção que ainda busca o título inédito da Liga das Nações, vencer uma rival desse peso ajuda a medir o nível real do grupo.
Destaques individuais do Brasil
A etapa de Brasília mostrou uma seleção mais distribuída ofensivamente, sem depender de uma única jogadora para decidir os jogos. Esse ponto é importante para uma competição longa, com 12 partidas na fase preliminar e necessidade de rotação de elenco.
Principais destaques na etapa:
• Julia Bergmann: liderou o ataque brasileiro na estreia contra a Holanda, com 23 pontos, sendo uma das principais referências ofensivas do time.
• Tainara: foi decisiva contra a República Dominicana, quando marcou 20 pontos e liderou a virada brasileira depois da perda do primeiro set.
• Tainara novamente: também foi a maior pontuadora do Brasil contra a Bulgária, com 14 pontos, mostrando consistência em jogos consecutivos.
• Ana Cristina: apareceu bem na vitória sobre a Bulgária, com 13 pontos, e foi peça importante na construção ofensiva da seleção.
• Júlia Kudiess: ganhou destaque pelo bloqueio, presença no meio de rede e impacto emocional, especialmente na vitória contra a Itália.
• Macris: deu ritmo à distribuição, ajudando o Brasil a variar mais as bolas entre pontas, opostas e centrais.
• Nyeme: sustentou momentos importantes no fundo de quadra, principalmente quando o Brasil precisou estabilizar passe e defesa.
O ponto mais forte da etapa foi a combinação entre juventude e experiência. O Brasil teve energia, altura e potência com as jogadoras mais novas, mas também contou com controle de jogo em momentos de pressão. Em uma VNL que serve como laboratório e vitrine internacional, essa mistura é essencial.
A nova geração ganha espaço
A etapa também reforçou uma mudança importante no vôlei feminino brasileiro. A seleção ainda tem nomes consagrados no ciclo, mas a base jovem já não aparece apenas como promessa. Ela começa a decidir jogos relevantes.
Julia Bergmann é um exemplo claro desse processo. A ponteira já vinha sendo observada como peça importante pela capacidade ofensiva, pelo alcance no ataque e pela experiência acumulada no vôlei internacional. Na estreia, assumiu protagonismo e mostrou que pode ser uma opção real de pontuação em jogos grandes.
Júlia Kudiess também tem papel estratégico. Em uma seleção que historicamente sempre valorizou centrais fortes, a presença dela dá ao Brasil bloqueio, bola rápida e imposição física. Contra adversárias de alto nível, essa capacidade no meio de rede pode mudar o ritmo de uma partida.
Ana Cristina entra nesse mesmo recorte de renovação. Com potência e boa leitura ofensiva, ela amplia o leque de alternativas de Zé Roberto. Tainara, por sua vez, ganhou peso pela regularidade nos primeiros jogos e mostrou capacidade de pontuar em cenários diferentes.
Essa geração não elimina a importância das veteranas. Ao contrário: cresce melhor quando tem ao lado jogadoras capazes de organizar a equipe em momentos de instabilidade. O Brasil mostrou em Brasília que pode formar uma seleção mais profunda, menos previsível e com mais opções de virada ao longo de uma partida.
Como ficou a classificação da VNL feminina
Com a campanha perfeita em Brasília, o Brasil terminou a primeira etapa na liderança geral da Liga das Nações. A seleção somou 11 pontos, mesma pontuação do Japão, mas ficou à frente nos critérios de desempate.
Top 8 da classificação após a primeira etapa:
• 1º lugar: Brasil — 4 vitórias, 0 derrotas, 11 pontos
• 2º lugar: Japão — 4 vitórias, 0 derrotas, 11 pontos
• 3º lugar: Itália — 3 vitórias, 1 derrota, 10 pontos
• 4º lugar: Tchéquia — 3 vitórias, 1 derrota, 9 pontos
• 5º lugar: Estados Unidos — 3 vitórias, 1 derrota, 8 pontos
• 6º lugar: China — 3 vitórias, 1 derrota, 8 pontos
• 7º lugar: Polônia — 3 vitórias, 1 derrota, 7 pontos
• 8º lugar: Canadá — 2 vitórias, 2 derrotas, 7 pontos
A classificação é relevante porque a fase preliminar da VNL funciona em sistema de pontos corridos. Cada seleção disputa 12 partidas ao longo de três semanas, e as oito melhores avançam à fase final. Começar com quatro vitórias coloca o Brasil em posição confortável, mas ainda não resolve a classificação. A próxima etapa terá adversárias fortes e pode redefinir o topo da tabela.
Próxima etapa do Brasil na Liga das Nações
Depois da etapa em Brasília, o Brasil volta à quadra na segunda semana da VNL, em Ancara, na Turquia. Serão mais quatro partidas, agora longe da torcida brasileira e contra rivais de perfis diferentes.
Próximos jogos do Brasil na VNL feminina:
• 17/06: Brasil x França, às 10h
• 18/06: Brasil x Bélgica, às 10h
• 20/06: Brasil x China, às 10h
• 21/06: Brasil x Alemanha, às 10h
A sequência contra China e Alemanha deve ser o trecho mais exigente da etapa. A China começou bem a competição e costuma oferecer um jogo físico, com bloqueio forte e ataque alto. A Alemanha, por sua vez, pode testar a consistência brasileira em ralis mais longos e em momentos de pressão no saque.
Para o Brasil, a missão será confirmar que a etapa de Brasília não foi apenas embalo de estreia em casa. A seleção precisa manter o nível de recepção, reduzir oscilações dentro dos sets e seguir dando rodagem às jogadoras que fazem parte da renovação.
O que a etapa significa para a seleção
A primeira etapa da VNL deixa o Brasil em uma posição excelente, mas o principal ganho talvez esteja no conteúdo da campanha. O time venceu, liderou a classificação, derrubou uma potência invicta e ainda testou peças importantes da nova geração.
Esse tipo de início tem impacto esportivo e psicológico. A seleção passa a segunda etapa com margem na tabela, confiança no elenco e uma vitória de referência contra a Itália. Para um grupo que busca transformar potencial em título, isso importa.
A VNL ainda está longe da fase decisiva, mas Brasília entregou uma mensagem clara: o Brasil começou competitivo, mais profundo e com jovens assumindo responsabilidade. A sequência da campanha, mostra porque o torneio se tornou um dos principais termômetros da seleção feminina no calendário internacional. Para entender melhor o peso da competição, seu formato e a relevância dentro do vôlei mundial, a campanha brasileira se conecta diretamente à história da Liga das Nações de Vôlei.