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Quantidade de estrangeiros e novos horários dos jogos a partir de 2027 no Brasileirão

O Campeonato Brasileiro passará por uma reformulação no limite de jogadores estrangeiros, nas inscrições dos elencos e na distribuição dos jogos das Séries A e B. Entenda as novas regras, a redução gradual até 2030 e como ficará a programação das rodadas.

Por Corte dos Esportes · 22/09/2026 · Categoria: Futebol

A CBF e os clubes das Séries A e B aprovaram uma reformulação que envolve três aspectos fundamentais da competição: o número de jogadores estrangeiros permitidos por partida, a composição dos elencos e a organização dos dias e horários dos jogos.

As medidas foram aprovadas em reunião realizada em 21 de setembro de 2026, no Rio de Janeiro, como parte do processo de construção de uma liga nacional e de valorização comercial e esportiva do Brasileirão.

A principal alteração esportiva será a redução progressiva do limite de estrangeiros relacionados por partida, que passará de nove para oito em 2027 e chegará a cinco em 2030. Paralelamente, a CBF estabeleceu uma nova divisão das vagas de inscrição, reservando mais espaço para jogadores com até 23 anos.

No calendário de partidas, o domingo ganhará protagonismo na Série A, enquanto o sábado será o principal dia da Série B. A proposta também prevê a criação da chamada “Super Quarta”, com seis partidas da primeira divisão no mesmo dia.

Quantidade de jogadores estrangeiros a partir de 2027

A redução será gradual, permitindo que os clubes adaptem seus elencos e considerem os contratos já existentes.

Em 2026, o regulamento permite que cada equipe relacione até nove atletas estrangeiros por partida. A partir de 2027, esse número começará a diminuir anualmente.

  • 2026: até 9 estrangeiros por partida.
  • 2027: até 8 estrangeiros por partida.
  • 2028: até 7 estrangeiros por partida.
  • 2029: até 6 estrangeiros por partida.
  • 2030: até 5 estrangeiros por partida.

A redução terá como referência a súmula de cada jogo. Isso significa que o limite não representa necessariamente uma proibição de contratar ou manter um número superior de estrangeiros no elenco.

Um clube poderá continuar tendo mais jogadores de outras nacionalidades sob contrato, mas precisará respeitar a quantidade máxima permitida entre os atletas relacionados para cada confronto.

Também é importante distinguir o número de estrangeiros em súmula do número de jogadores em campo. A regra estabelece o limite de atletas relacionados, considerando titulares e reservas, e não uma quantidade adicional de estrangeiros que poderiam entrar durante a partida.

Os clubes com mais jogadores de fora

O Campeonato Brasileiro Série A de 2026 registra 159 jogadores estrangeiros de 26 países. O número evidencia a presença crescente de atletas internacionais no futebol brasileiro e ajuda a dimensionar o impacto da redução gradual do limite de jogadores aprovada pela CBF para as próximas temporadas.

  • Total de estrangeiros: 159 jogadores.
  • Estrangeiros que já entraram em campo: 146.
  • Estrangeiros inscritos que ainda não estrearam: 13.
  • Média por clube: aproximadamente 8 estrangeiros.

O Botafogo aparece como o clube com mais jogadores estrangeiros na Série A, seguido por Athletico-PR e Vasco.

  1. Botafogo — 12 estrangeiros.
  2. Athletico-PR — 11 estrangeiros.
  3. Vasco — 11 estrangeiros.
  4. Flamengo — 10 estrangeiros.
  5. Grêmio — 10 estrangeiros.
  6. Internacional — 10 estrangeiros.

A quantidade por clube ajuda a dimensionar o impacto da mudança aprovada pela CBF. Em 2026, cada equipe pode relacionar até nove atletas estrangeiros por partida, independentemente da quantidade total presente no elenco.

Com a redução progressiva, os clubes que concentram mais jogadores de outras nacionalidades precisarão adaptar suas relações de atletas para as partidas. A mudança, entretanto, não significa que as equipes serão obrigadas a negociar ou rescindir os contratos dos estrangeiros excedentes, uma vez que a restrição se aplica ao número de jogadores relacionados para cada confronto.

Porque a CBF tomou a medida

A mudança está relacionada à preocupação da entidade com a redução da participação de jovens brasileiros no Campeonato Brasileiro.

Um estudo desenvolvido pela CBF Academy identificou alterações importantes no perfil dos atletas utilizados na Série A, especialmente em relação à idade média dos jogadores e ao espaço destinado aos profissionais mais jovens.

Segundo o levantamento apresentado, a idade média dos atletas da primeira divisão passou de 27,3 anos, em 2021, para 28,5 anos, em 2026.

Outro indicador relevante envolve a distribuição dos minutos disputados.

Entre 2020 e 2026, a participação dos estrangeiros com mais de 23 anos aumentou de 7,8% para 25% dos minutos jogados na Série A. No mesmo período, a participação dos brasileiros sub-23 caiu de 28,3% para 11,5%.

Considerando jogadores brasileiros e estrangeiros, os atletas com até 23 anos representavam 13,8% dos minutos disputados na competição em 2026, no momento do levantamento.

A CBF também destacou a importância econômica da formação de jogadores. Entre 2016 e 2025, atletas de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas brasileiras com transferências internacionais consideradas no estudo.

A avaliação apresentada pela entidade é que ampliar as oportunidades para jovens profissionais pode contribuir tanto para o desenvolvimento técnico quanto para a formação de patrimônio esportivo e financeiro dos clubes.

Isso não significa, entretanto, que a redução de estrangeiros garanta automaticamente mais minutos aos jovens. A utilização desses jogadores continuará dependendo das decisões dos clubes e das comissões técnicas.

Como o limite de estrangeiros ao longo dos anos

A nova regulamentação representa uma mudança de direção em relação à política adotada pelo futebol brasileiro desde 2013.

Naquele ano, as competições nacionais permitiam até três estrangeiros relacionados por partida.

Posteriormente, o futebol brasileiro ampliou a participação dos atletas internacionais:

  • 2013: limite de três estrangeiros.
  • 2014 a 2022: limite de cinco estrangeiros.
  • 2023: limite de sete estrangeiros.
  • 2024 a 2026: limite de nove estrangeiros.

Com a redução progressiva aprovada pela CBF, o Brasileirão voltará em 2030 ao mesmo limite de cinco estrangeiros que vigorava até 2022.

A entidade também apresentou um dado importante para contextualizar o impacto da medida: em uma amostra de 219 partidas da Série A, a média foi de 5,4 estrangeiros relacionados por equipe.

O número mostra que o limite máximo permitido não corresponde necessariamente à quantidade efetivamente utilizada pelos clubes em cada confronto.

Novas regras para inscrição de jogadores sub-23

A redução de estrangeiros será acompanhada por outra mudança importante: a reorganização das listas de inscrição dos clubes.

O limite total de 50 atletas por equipe será mantido, mas as vagas passarão a ser divididas entre dois grupos.

A Lista A será destinada ao elenco principal, com limite de jogadores acima de 23 anos. A Lista B será formada por atletas sub-23.

Diferentemente de modelos que exigem jogadores formados exclusivamente nas categorias de base do próprio clube, a proposta da CBF não estabelece essa condição para os atletas da Lista B.

A distribuição será modificada progressivamente:

  • 2027: 30 jogadores na Lista A e 20 na Lista B.
  • 2028: 29 jogadores na Lista A e 21 na Lista B.
  • 2029: 27 jogadores na Lista A e 23 na Lista B.
  • 2030: 25 jogadores na Lista A e 25 na Lista B.

Dessa forma, a partir de 2030, metade das vagas de inscrição será destinada aos atletas sub-23.

A nova divisão deverá influenciar diretamente o planejamento dos departamentos de futebol, especialmente na contratação de jogadores experientes, na formação de elencos e na transição de atletas das categorias de base para o profissional.

Novos horários do Brasileirão a partir de 2027

A segunda grande mudança aprovada envolve a padronização dos dias e horários das partidas.

A intenção da CBF é construir uma programação mais previsível para os torcedores, reduzir a quantidade de jogos em horários considerados desfavoráveis e diminuir a concorrência direta entre partidas das Séries A e B.

O estudo apresentado pela entidade identificou que, entre 2023 e 2025, a Série A utilizou 51 combinações diferentes de dias e horários.

A nova grade busca reduzir essa fragmentação, estabelecendo faixas regulares para as partidas.

Na Série A, o domingo será o principal dia da rodada, com destaque para o tradicional horário das 16h.

A distribuição proposta para as rodadas de fim de semana é a seguinte:

  • Sábado, às 16h: 2 jogos.
  • Sábado, às 19h30: 1 jogo.
  • Domingo, às 11h: 1 jogo.
  • Domingo, às 16h: 3 jogos.
  • Domingo, às 18h30: 2 jogos.
  • Domingo, às 19h30: 1 jogo.

O modelo também prevê duas janelas alternativas para acomodar necessidades específicas de calendário:

  • Sexta-feira, às 20h.
  • Segunda-feira, às 20h.

A proposta preserva o domingo à tarde como um dos principais momentos do futebol brasileiro e estabelece uma distribuição mais organizada dos dez confrontos de uma rodada completa.

É importante destacar que essa grade foi aprovada por clubes e federações, mas sua implementação definitiva ainda precisa ser discutida com as empresas detentoras dos direitos de transmissão, que possuem compromissos comerciais relacionados ao ciclo vigente.

Super Quarta do Brasileirão: seis jogos no mesmo dia

Uma das principais novidades para as rodadas realizadas durante a semana será a concentração de seis partidas da Série A às quartas-feiras.

Batizada de “Super Quarta”, a proposta prevê três horários diferentes, com dois confrontos simultâneos em cada faixa.

  • Terça-feira, às 20h: 2 jogos.
  • Quarta-feira, às 19h30: 2 jogos.
  • Quarta-feira, às 20h30: 2 jogos.
  • Quarta-feira, às 21h30: 2 jogos.
  • Quinta-feira, às 20h: 2 jogos.

Com isso, a quarta-feira reunirá seis dos dez confrontos de uma rodada realizada no meio de semana.

A proposta mantém partidas às 21h30 nas rodadas de meio de semana, mas procura eliminar a dispersão excessiva de horários que dificulta a criação de uma programação regular para o público.

O objetivo é facilitar a identificação dos dias de futebol, melhorar a organização das transmissões e permitir que o torcedor tenha maior previsibilidade sobre quando seu clube entrará em campo.

Série B também terá novos dias e horários

A reformulação não ficará restrita à elite nacional.

A segunda divisão terá uma grade própria, com o sábado como principal dia de jogos e o horário das 18h como uma das principais referências da competição.

No levantamento apresentado pela CBF, a segunda divisão registrou 81 combinações diferentes de dias e horários entre 2023 e 2025.

A intenção é estabelecer uma identidade mais clara para a Série B, garantindo janelas específicas e reduzindo a sobreposição com os confrontos da primeira divisão.

  • Sexta-feira, às 19h30: 1 jogo.
  • Sábado, às 11h: 1 jogo.
  • Sábado, às 16h: 2 jogos.
  • Sábado, às 18h: 3 jogos.
  • Domingo, às 16h: 1 jogo.
  • Domingo, às 18h: 1 jogo.
  • Segunda-feira, às 19h30: 1 jogo.

Nas rodadas de meio de semana, a proposta estabelece a seguinte distribuição:

  • Terça-feira, às 19h30: 2 jogos.
  • Terça-feira, às 21h: 2 jogos.
  • Quarta-feira, às 19h30: 1 jogo.
  • Quarta-feira, às 21h: 1 jogo.
  • Quinta-feira, às 19h30: 2 jogos.
  • Quinta-feira, às 21h: 2 jogos.

A separação das grades também poderá ampliar a visibilidade da segunda divisão, permitindo que determinados confrontos tenham espaço próprio na programação esportiva, sem disputar diretamente a atenção do público com vários jogos da Série A.

Quais horários deixarão de existir

A reformulação busca eliminar algumas janelas consideradas problemáticas pela CBF e pelos clubes, estabelecendo uma programação mais previsível para o torcedor.

Veja os principais horários que serão eliminados ou modificados no Brasileirão:

  • Jogos às 19h durante a semana: retirada dessa faixa de horário da programação.
  • Jogos às 21h e 21h30 aos sábados: eliminação dessas janelas, com 19h30 passando a ser o último horário de início na grade da Série A.
  • Jogos aos domingos em horários avançados: redução das partidas noturnas, com a última janela dominical prevista para as 19h30.

A CBF argumenta que a reorganização poderá facilitar o deslocamento dos torcedores, especialmente daqueles que dependem de transporte público ou precisam trabalhar no dia seguinte.

Por outro lado, a distribuição definitiva das partidas continuará exigindo atenção às condições climáticas, aos deslocamentos das equipes, à disponibilidade dos estádios e aos contratos de transmissão.

O que muda para os clubes e torcedores a partir de 2027

As medidas aprovadas representam uma transformação que vai além da redução de estrangeiros ou da alteração de horários.

Para os clubes, o novo limite de jogadores internacionais e a divisão das listas de inscrição exigirão planejamento de elenco de médio e longo prazo.

Equipes com muitos estrangeiros precisarão administrar a quantidade de atletas disponíveis para cada jogo. Ao mesmo tempo, a reserva de vagas para jogadores sub-23 exigirá atenção à formação e à contratação de profissionais mais jovens.

Para os torcedores, a proposta de horários fixos busca tornar a experiência de acompanhar o Campeonato Brasileiro mais previsível.

As mudanças também integram o projeto da CBF de estruturar uma liga nacional capaz de valorizar comercialmente o Campeonato Brasileiro. A padronização dos horários é considerada parte importante desse processo, inclusive para a negociação dos direitos de transmissão a partir do ciclo de 2030. A reformulação representa mais um capítulo da história do Campeonato Brasileiro, marcada por mudanças de regulamento, evolução dos formatos de disputa e transformações que consolidaram o Brasileirão como a principal competição nacional de clubes.