A competição entrou em sua semana decisiva com um cenário bem diferente daquele projetado no início do torneio. Disputado nas quadras duras do China National Tennis Center, em Pequim, o WTA 1000 viu as duas principais cabeças de chave caírem precocemente e abriu espaço para uma combinação de campeãs consagradas, jogadoras em ascensão e surpresas na briga pelo título.
O China Open feminino começou em 30 de setembro e tem a final marcada para 11 de outubro. A competição reúne 96 tenistas na chave de simples, com as 32 cabeças de chave entrando diretamente na segunda rodada. Como torneio WTA 1000, Pequim distribui 1.000 pontos à campeã e ocupa posição estratégica na reta final da temporada, sendo o penúltimo evento dessa categoria em 2026.
Favoritas caem e mudam completamente a chave
A principal transformação do China Open aconteceu logo nas primeiras rodadas. Elena Rybakina chegou a Pequim como número 1 do mundo e principal cabeça de chave, mas sua estreia terminou em uma das maiores zebras do torneio.
Depois de vencer o primeiro set, Rybakina foi superada por Alina Charaeva por 3/6, 6/4 e 6/3. Charaeva ocupava a 118ª posição do ranking e disputava apenas sua 17ª partida de chave principal no circuito principal da WTA. A vitória foi a primeira da armênia contra uma adversária do Top 10 e colocou seu nome definitivamente entre as histórias da edição de 2026.
Aryna Sabalenka, segunda cabeça de chave, também não passou da terceira rodada. A responsável pela surpresa foi a tcheca Nikola Bartunkova, que venceu por 6/4 e 6/3. O resultado ganhou ainda mais peso porque Bartunkova chegou ao torneio em processo de rápida ascensão no circuito e transformou a vitória sobre Sabalenka no maior triunfo de sua carreira até então.
Bartunkova não parou ali. Nas oitavas, derrotou Sinja Kraus por 6/0, 4/6 e 6/3 e alcançou pela primeira vez as quartas de final de um WTA 1000. A tcheca havia iniciado 2025 fora das 500 melhores do mundo e chegou a Pequim já no grupo das 40 primeiras, com a campanha chinesa representando mais um salto em sua trajetória.
Coco Gauff também se despede antes das quartas
Campeã do China Open em 2024 e dona de excelente retrospecto em torneios disputados na China, a norte-americana superou Camila Osorio e a jovem chinesa Sun Xinran, mas caiu nas oitavas.
Elise Mertens derrotou Gauff por 6/3 e 6/3. Foi a primeira vitória da belga sobre a norte-americana em seis confrontos e também colocou Mertens nas quartas de final do China Open pela primeira vez em sete participações.
A eliminação de Gauff completou um dado que ajuda a dimensionar a quantidade de surpresas em Pequim: entre as cinco primeiras cabeças de chave, apenas Mirra Andreeva conseguiu alcançar as quartas.
Swiatek cresce e volta a aparecer entre as candidatas
Com tantas favoritas fora, Iga Swiatek ganhou ainda mais espaço na disputa. Campeã do China Open em 2023, a polonesa entrou como oitava cabeça de chave e precisou superar momentos diferentes ao longo da campanha.
Depois de derrotar Gao Xinyu por 6/2 e 6/3 em sua estreia, Swiatek sofreu contra Donna Vekic. A polonesa esteve atrás por 6/4 e 5/2, reagiu, dominou o tie-break do segundo set e completou a virada por 4/6, 7/6(0) e 6/2.
Nas oitavas, o roteiro foi bem mais tranquilo. Swiatek venceu Iva Jovic por 6/1 e 6/3 em 1h35 e chegou à 31ª quarta de final de WTA 1000 da carreira.
Andreeva confirma força; Alexandrova derruba Noskova
Mirra Andreeva é outra jogadora que chega forte às quartas. A quarta cabeça de chave derrotou Daria Snigur por 6/2 e 6/2 nas oitavas, em apenas 1h03. Foram 18 winners e apenas 15 erros não forçados em uma atuação controlada da jovem.
Andreeva alcançou sua 11ª quarta de final da temporada e chegou a 48 vitórias no circuito em 2026.
Do outro lado estará Ekaterina Alexandrova. A russa eliminou Linda Noskova, quinta cabeça de chave e finalista de Pequim em 2025, por duplo 6/2. Alexandrova não perdeu o saque na partida e garantiu sua primeira presença nas quartas do China Open.
O confronto também tem um ingrediente particular: Alexandrova venceu os dois encontros anteriores contra Andreeva, incluindo partidas em Stuttgart, em 2025, e Bad Homburg, em 2026.
Muchova sobrevive a duelo dramático
Karolina Muchova protagonizou uma das partidas mais equilibradas da competição diante de Naomi Osaka. A tcheca venceu por 7/5, 1/6 e 7/6(7), após 2h52.
Muchova esteve atrás por 4/1 no primeiro set e por 3/1 no terceiro. Ainda desperdiçou diversas oportunidades para fechar a partida antes de converter seu nono match point no tie-break decisivo.
Finalista do China Open em 2024, Muchova avançou para enfrentar Nikola Bartunkova, garantindo uma tcheca nas semifinais. Para Osaka, campeã em Pequim em 2019, a derrota encerrou uma campanha que havia incluído vitórias sobre Maria Timofeeva e Sara Bejlek.
Zheng tenta manter a China viva na chave
Para a torcida local, o principal nome continua sendo Zheng Qinwen. Convidada pela organização, a chinesa precisou disputar três partidas de três sets para chegar às oitavas.
Zheng superou Han Shi por 7/6(6), 4/6 e 6/2, avançou diante de Anna Kalinskaya após a desistência da adversária no terceiro set e depois derrotou Marie Bouzkova por 7/6(3), 4/6 e 7/5.
Somadas, suas três primeiras partidas em Pequim passaram de oito horas em quadra. O confronto das oitavas colocou Zheng justamente diante de Alina Charaeva, responsável pela eliminação de Rybakina. Na atualização desta matéria, a partida ainda estava em andamento e, por isso, o resultado não é tratado como definido.
Quartas de final definidas
As quartas de final estão distribuídas entre 8 e 9 de outubro, enquanto as semifinais serão disputadas no sábado, 10 de outubro.
Na quinta-feira, 8 de outubro, serão disputados dois confrontos:
- 4h — Karolina Muchova x Nikola Bartunkova às 4h, no horário de Brasília
- 8h — Ekaterina Alexandrova x Mirra Andreeva às 8h no horário de Brasília
Na sexta-feira, 9 de outubro:
- Iga Swiatek x Elise Mertens
- Zheng Qinwen x Elina Svitolina
A WTA já confirma os dois confrontos na chave, mas a ordem de jogos oficial e os horários individuais de sexta-feira ainda não estão confirmados. .
Onde assistir ao China Open feminino no Brasil
A transmissão está disponível no Disney+. A exibição em canais lineares específicos da ESPN pode variar conforme a grade diária.
Torneio ganha uma reta final difícil de prever
O grande retrato da competição de 2026 é o equilíbrio. A queda das duas primeiras cabeças de chave alterou completamente o caminho até o título, mas a competição não ficou sem nomes de peso. Swiatek continua na disputa, Andreeva confirma uma temporada de grande regularidade e Muchova volta a mostrar por que é especialmente perigosa em grandes torneios.
Ao mesmo tempo, campanhas como as de Bartunkova, Alexandrova, Mertens e Charaeva reforçam uma característica que tornou esta edição particularmente aberta: ranking e favoritismo não têm sido suficientes para garantir avanço.
Pequim chega, portanto, às quartas de final sem uma favorita isolada. Swiatek carrega a experiência de já ter sido campeã, Muchova conhece bem as fases finais do torneio, Andreeva está entre as jogadoras mais vencedoras da temporada e nomes menos cotados chegam embalados por algumas das maiores vitórias de suas carreiras.
É essa mistura que transforma o China Open feminino de 2026 em um dos capítulos mais imprevisíveis da reta final da temporada da WTA: uma chave em que as grandes referências seguem ameaçadas e cada rodada pode reorganizar novamente a disputa pelo último grande título da passagem asiática por Pequim.