O Corinthians encerrou sua participação na Copa Libertadores de 2026 em uma das partidas mais dramáticas de sua campanha. Na noite desta quarta-feira, 16 de setembro, o time paulista perdeu por 1 a 0 para o Estudiantes, da Argentina, e foi eliminado da competição continental.
O confronto corintiano chegou completamente aberto a São Paulo depois do empate por 1 a 1 no primeiro jogo, realizado em La Plata.
Com isso, uma vitória de qualquer lado garantiria a classificação diretamente. Outro empate levaria a disputa para os pênaltis. Durante quase toda a partida, esse segundo cenário parecia possível. O Estudiantes, porém, encontrou o gol na reta final e transformou a pressão sobre o Corinthians em uma vantagem decisiva.
Corinthians teve a bola mas ficou sem efetividade
O roteiro da partida foi marcado pelo equilíbrio e pela dificuldade do time de Fernando Diniz em transformar posse de bola e presença ofensiva em oportunidades realmente claras.
Desde os primeiros minutos, o Corinthians encontrou um adversário organizado e disposto a reduzir espaços. O time brasileiro teve momentos de maior controle territorial, mas encontrou dificuldades para acelerar as jogadas perto da área.
Memphis tentou uma cobrança de falta de longa distância, enquanto Matheus Bidu e Kaio César também participaram de algumas das chegadas mais promissoras. Ainda assim, o primeiro tempo terminou travado e sem gols.
Do outro lado, o Estudiantes mostrou a característica que já havia sido importante no jogo de ida: competitividade, ocupação dos espaços e capacidade de tornar cada ataque perigoso mesmo sem precisar controlar a partida durante longos períodos.
Muslera segura o resultado no segundo tempo
A necessidade de marcar começou a pesar à medida que o segundo tempo avançava. O Corinthians passou a ocupar com maior frequência o campo ofensivo, mas continuou encontrando uma defesa argentina compacta.
Uma das melhores oportunidades apareceu com Matheus Bidu. O lateral recebeu dentro da área, levou a bola para o meio e finalizou rasteiro. Muslera fez a defesa e mandou para escanteio.
O lance representou bem a dificuldade corintiana naquela noite. Havia volume e presença perto da área, mas poucas chances em condições realmente favoráveis. O Estudiantes conseguiu administrar boa parte da pressão e manteve a partida em um ritmo confortável para sua estratégia.
Com o relógio avançando, o empate sem gols aproximava o confronto de uma possível disputa por pênaltis. Foi justamente quando a partida parecia caminhar para esse desfecho que surgiu o lance decisivo.
Aos 41 minutos do segundo tempo, o Estudiantes conseguiu atacar pelo lado esquerdo. Tomás Palacios chegou à linha de fundo e cruzou para a área.
Alexis Castro apareceu livre para concluir de primeira. O meio-campista acertou um voleio e venceu Hugo Souza, colocando o Estudiantes em vantagem por 1 a 0. Em La Plata, ele também havia marcado para o Estudiantes no empate por 1 a 1.
Depois do gol, o cenário mudou completamente. O Corinthians deixou de precisar apenas de um gol para vencer o jogo e passou a buscar desesperadamente o empate para levar a decisão da classificação aos pênaltis.
O Estudiantes ainda teve outra oportunidade com o próprio Alexis Castro, mas Hugo Souza evitou o segundo gol argentino.
Pênalti nos acréscimos mantém a esperança
Quando a classificação do Estudiantes parecia definida, a partida ganhou um último capítulo.
Já nos acréscimos, Matheus Bidu cruzou para a área e a bola tocou no braço de González Pírez. Após a análise do lance no VAR, o Corinthians recebeu a oportunidade de cobrar um pênalti praticamente no último lance da partida.
Era a chance de transformar uma eliminação praticamente certa em uma disputa por pênaltis.
Memphis Depay assumiu a cobrança. O atacante holandês, porém, finalizou por cima do gol de Muslera.
Segundos depois, a partida chegou ao fim.
O Estudiantes venceu por 1 a 0 e fechou o confronto com 2 a 1 no placar agregado, garantindo presença entre os quatro melhores da Libertadores de 2026.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
Uma eliminação construída nos detalhes
A queda do Corinthians ganhou peso principalmente pela maneira como aconteceu.
Depois do empate na Argentina, a equipe teve a oportunidade de definir a classificação diante de sua torcida. O confronto permaneceu equilibrado durante quase 90 minutos, mas o time brasileiro não conseguiu transformar o maior tempo com a bola em vantagem no placar.
O Estudiantes, por sua vez, conseguiu sobreviver aos períodos de pressão e foi eficiente quando encontrou espaço na reta final.
O contraste ficou evidente nos minutos decisivos: os argentinos aproveitaram uma de suas melhores oportunidades, enquanto o Corinthians teve uma chance ainda mais clara para permanecer vivo e não conseguiu convertê-la.
Mais do que simplesmente uma derrota por 1 a 0, portanto, a partida ficou marcada por dois momentos concentrados nos minutos finais: o voleio de Alexis Castro e o pênalti desperdiçado por Memphis.
O peso histórico da queda nas quartas
A eliminação também ganha uma dimensão maior quando colocada dentro da história da Copa Libertadores, competição marcada por mata-matas tensos, rivalidades entre brasileiros e argentinos e confrontos frequentemente decididos nos detalhes. Para o Corinthians, a edição de 2026 representava a tentativa de voltar a uma semifinal continental que não acontece a 14 anos e escrever um novo capítulo em uma trajetória que tem como ponto máximo o invicto conquistado em 2012.
Desta vez, porém, o caminho terminou diante do Estudiantes. Depois do empate no jogo de ida, o Corinthians teve a oportunidade de decidir a classificação em São Paulo, mas sofreu o gol de Alexis Castro na reta final e ainda desperdiçou, com Memphis Depay, o pênalti que poderia levar a definição da vaga para as cobranças. O roteiro reforçou uma característica histórica da Libertadores: confrontos equilibrados podem mudar completamente em poucos minutos, especialmente nas fases eliminatórias.
Para o Estudiantes, a classificação também carregou o peso da tradição continental de um clube tetracampeão da América. Para o Corinthians, ficou uma noite marcada pela diferença mínima entre seguir na disputa e deixar o torneio. Em um confronto decidido por 2 a 1 no placar agregado, o time paulista saiu da Libertadores justamente da maneira que tantas vezes ajudou a construir a identidade da competição: em uma partida tensa, apertada e definida nos últimos minutos.