O clube conquistou o torneio em 1995, 2002, 2009 e 2025, formando uma trajetória marcada por campanhas de mata-mata, finais de peso nacional, títulos decididos longe de casa e personagens que atravessam diferentes gerações da torcida.
A competição também combina com parte da identidade corintiana. A Copa do Brasil exige resistência, elenco competitivo, leitura emocional, força em jogos eliminatórios e capacidade de decidir sob pressão. O Timão teve tudo isso em suas quatro conquistas: foi campeão invicto em 1995, confirmou uma geração técnica em 2002, transformou a taça de 2009 em símbolo de reconstrução e voltou ao topo em 2025, encerrando um jejum de 16 anos no torneio.
Para medir o peso do torneio no calendário nacional, juntamente com a tradição corintiana, pois as duas coisas se misturam naturalmente na história da Copa do Brasil.
Os quatro títulos da Copa do Brasil:
- 1995: campeão contra o Grêmio
- 2002: campeão contra o Brasiliense
- 2009: campeão contra o Internacional
- 2025: campeão contra o Vasco
Além das conquistas, o clube também soma finais perdidas. O Timão foi vice em 2001, contra o Grêmio; em 2008, contra o Sport; em 2018, contra o Cruzeiro; e em 2022, contra o Flamengo. Esse histórico reforça a presença recorrente do Corinthians nas decisões do principal mata-mata nacional.
1995: o primeiro título
Campanha completa:
Primeira fase
- Operário-MT 1 x 1 Corinthians
- Corinthians 4 x 0 Operário-MT
Oitavas de final
- Rio Branco-AC 0 x 3 Corinthians
- Corinthians 2 x 0 Rio Branco-AC
Quartas de final
- Paraná 0 x 0 Corinthians
- Corinthians 2 x 1 Paraná
Semifinal
- Vasco 0 x 1 Corinthians
- Corinthians 5 x 0 Vasco
Final
- Corinthians 2 x 1 Grêmio
- Grêmio 0 x 1 Corinthians
A final contra o Grêmio
Foi uma conquista de enorme valor simbólico porque colocou o clube no mapa da competição e confirmou uma equipe que já tinha força técnica, personalidade e poder de decisão.
O título também ganhou peso pela campanha invicta. O Corinthians não perdeu nenhum jogo no torneio e chegou à decisão depois de uma semifinal dominante contra o Vasco
Na final, o adversário era o Grêmio de Luiz Felipe Scolari, uma das equipes mais fortes do país naquele período. O time gaúcho havia vencido a Copa do Brasil no ano anterior e conquistaria a Libertadores de 1995. Isso aumentou o tamanho da conquista corintiana.
No jogo de ida, no Pacaembu, o Corinthians venceu por 2 a 1. Viola abriu o caminho, e Marcelinho Carioca marcou um gol decisivo de falta para garantir a vantagem. Na volta, no Olímpico, em Porto Alegre, o Timão venceu por 1 a 0, novamente com Marcelinho, e confirmou o título fora de casa.
A taça de 1995 abriu a relação do Corinthians com a Copa do Brasil em grande estilo: título invicto, final contra um rival de peso, decisão fora de casa e um protagonista que ficaria eternamente ligado à memória da torcida.
2002: o bicampeonato contra o Brasiliense
Campanha completa:
Primeira fase
- River-PI 1 x 2 Corinthians
- Corinthians 2 x 0 River-PI
Segunda fase
- Americano-RJ 2 x 6 Corinthians
Oitavas de final
- Corinthians 2 x 2 Cruzeiro
- Cruzeiro 2 x 3 Corinthians
Quartas de final
- Corinthians 3 x 1 Paraná
- Paraná 1 x 0 Corinthians
Semifinal
- São Paulo 0 x 2 Corinthians
- Corinthians 1 x 2 São Paulo
Final
- Corinthians 2 x 1 Brasiliense
- Brasiliense 1 x 1 Corinthians
O segundo título em 2002, com uma campanha que confirmou a força de uma geração técnica e experiente. O Corinthians tinha um elenco com nomes como Dida, Fábio Luciano, Kléber, Vampeta, Ricardinho, Gil, entre outros, além do comando de Carlos Alberto Parreira.
A decisão foi contra o Brasiliense, grande surpresa daquela edição. O clube do Distrito Federal chegou à final depois de eliminar adversários tradicionais e entrou na decisão como uma zebra perigosa, capaz de transformar qualquer erro corintiano em drama.
No primeiro jogo, no Morumbi, o Corinthians venceu por 2 a 1. Deivid marcou duas vezes e foi decisivo para abrir vantagem. O Brasiliense descontou e manteve a final viva para a partida de volta.
No segundo jogo, no Serejão, em Taguatinga, o Brasiliense saiu na frente e aumentou a pressão. O Corinthians reagiu no segundo tempo, empatou com Deivid e segurou o 1 a 1 até o fim. O placar agregado de 3 a 2 garantiu o bicampeonato.
Deivid foi o grande nome da campanha. O atacante terminou como artilheiro da competição, com 13 gols, e decidiu a final com três gols no confronto de ida e volta. Foi uma das maiores campanhas individuais de um jogador do Corinthians na história da Copa do Brasil.
O título de 2002 também teve peso esportivo direto: garantiu ao clube vaga na Libertadores de 2003 e consolidou o Timão como uma das forças mais constantes da competição naquele período.
2009: Ronaldo, Mano Menezes e a taça da reconstrução
Campanha completa:
Primeira fase
- Itumbiara 0 x 2 Corinthians
Segunda fase
- Misto-MS 0 x 2 Corinthians
Oitavas de final
- Athletico-PR 3 x 2 Corinthians
- Corinthians 2 x 0 Athletico-PR
Quartas de final
- Corinthians 1 x 0 Fluminense
- Fluminense 2 x 2 Corinthians
Semifinal
- Vasco 1 x 1 Corinthians
- Corinthians 0 x 0 Vasco
Final
- Corinthians 2 x 0 Internacional
- Internacional 2 x 2 Corinthians
A final contra o Internacional
O título de 2009 talvez seja o mais simbólico da lista pelo contexto. O Corinthians vinha de um processo de reconstrução depois do rebaixamento de 2007 e do retorno à Série A em 2008. Sob o comando de Mano Menezes, o clube montou um time competitivo, organizado e com enorme apelo popular pela presença de Ronaldo Fenômeno.
A final contra o Internacional teve peso esportivo e emocional. O time gaúcho chegava forte, com elenco qualificado, enquanto o Corinthians buscava transformar a temporada em confirmação definitiva de retomada.
No primeiro jogo, no Pacaembu, o Corinthians venceu por 2 a 0. Jorge Henrique abriu o placar, e Ronaldo marcou o segundo, em uma das imagens mais lembradas daquela conquista. A vitória em casa deu ao Timão uma vantagem importante para decidir no Beira-Rio.
Na volta, em Porto Alegre, o Corinthians começou em alto nível e abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com gols de Jorge Henrique e André Santos. O Internacional reagiu, empatou por 2 a 2, mas não conseguiu mudar o destino da final. O agregado de 4 a 2 confirmou o tricampeonato corintiano.
A conquista levou o Corinthians de volta à Libertadores e virou símbolo da reconstrução. Em menos de dois anos, o clube saiu da Série B para uma taça nacional relevante, com Ronaldo como personagem central e Mano Menezes como treinador de um dos ciclos mais marcantes da história recente alvinegra.
O elenco também teve nomes fundamentais além de Ronaldo: Felipe, Alessandro, Chicão, André Santos, Cristian, Elias, Douglas, Jorge Henrique e Dentinho formaram a base de um time intenso, competitivo e maduro para jogos de mata-mata.
2025: o tetracampeonato contra o Vasco
Campanha completa:
Terceira fase
- Novorizontino 0 x 1 Corinthians
- Corinthians 1 x 0 Novorizontino
Oitavas de final
- Corinthians 1 x 0 Palmeiras
- Palmeiras 0 x 2 Corinthians
Quartas de final
- Athletico-PR 0 x 1 Corinthians
- Corinthians 2 x 0 Athletico-PR
Semifinal
- Cruzeiro 0 x 1 Corinthians
- Corinthians 1 x 2 Cruzeiro
- Corinthians classificado nos pênaltis
Final
- Corinthians 0 x 0 Vasco
- Vasco 1 x 2 Corinthians
A final contra o Vasco
O quarto título veio em 2025, encerrando um jejum de 16 anos do clube na Copa do Brasil. A decisão contra o Vasco teve peso nacional, segundo jogo no Maracanã e uma carga simbólica: o Timão voltava a uma final do torneio depois de frustrações recentes e buscava transformar uma temporada irregular em título de grande impacto.
A partida de ida, na Neo Química Arena, terminou empatada por 0 a 0. O resultado deixou a decisão aberta para o Maracanã, com o Vasco tendo o mando do segundo jogo e o Corinthians precisando decidir fora de casa.
Na volta, o Corinthians venceu por 2 a 1. Yuri Alberto abriu o placar no primeiro tempo. O Vasco empatou com Nuno Moreira antes do intervalo. No segundo tempo, Memphis Depay marcou o gol do título após jogada que passou por Breno Bidon, Matheuzinho e Yuri Alberto.
A final também teve Hugo Souza como personagem importante. O goleiro apareceu na reta final, especialmente quando o Vasco pressionou em busca do empate, e ajudou a sustentar o placar até o apito final.
O Maracanã recebeu mais de 67 mil torcedores e uma renda superior a R$ 13 milhões, números que reforçam o tamanho da decisão. Para o Corinthians, o título teve peso duplo: encerrou o jejum na Copa do Brasil e garantiu vaga na fase de grupos da Libertadores de 2026. O tetracampeonato também recolocou o clube em uma prateleira importante do torneio. Depois dos títulos de 1995, 2002 e 2009, a taça de 2025 atualizou a história corintiana na competição e ampliou a conexão do clube com decisões nacionais.
Os números das campanhas campeãs
As campanhas dos quatro títulos mostram perfis diferentes de Corinthians na Copa do Brasil.
- 1995: campanha invicta e primeiro título do clube no torneio
- 2002: bicampeonato com Deivid como artilheiro da competição
- 2009: tricampeonato em ano de reconstrução e retorno à Libertadores
- 2025: tetracampeonato com vitórias fora de casa em todas as fases disputadas
A campanha de 1995 se destaca pela invencibilidade. A de 2002 teve o maior peso ofensivo, muito puxado pelos gols de Deivid. A de 2009 teve o valor simbólico da reconstrução e da presença de Ronaldo. A de 2025 foi marcada pela força como visitante, pela eliminação de rivais e pela decisão vencida no Maracanã.
Os personagens dos títulos
A galeria corintiana na Copa do Brasil passa por diferentes gerações.
Em 1995, Marcelinho Carioca foi o grande nome técnico e decisivo. O meia marcou nas duas finais contra o Grêmio e virou símbolo da primeira conquista do clube no torneio. Viola também teve papel marcante, principalmente pela atuação contra o Vasco na semifinal.
Em 2002, Deivid foi o personagem central. Os 13 gols na competição fizeram do atacante o artilheiro daquela edição e um dos nomes mais lembrados da história corintiana na Copa do Brasil. Além dele, Dida, Ricardinho, Vampeta, Kléber e Gil sustentaram uma equipe tecnicamente forte.
Em 2009, Ronaldo transformou a campanha em um capítulo especial. O Fenômeno marcou na final, atraiu atenção nacional e deu ao título uma dimensão simbólica enorme. Jorge Henrique, André Santos, Chicão, Elias, Cristian e Dentinho também foram fundamentais.
Em 2025, Yuri Alberto e Memphis Depay decidiram a final no Maracanã. Yuri marcou o primeiro gol e participou da jogada do segundo. Memphis apareceu no momento mais importante para definir a taça. Hugo Souza também teve papel decisivo ao segurar a pressão vascaína na reta final.
As finais perdidas também fazem parte da história
A história do Corinthians na Copa do Brasil não é feita apenas de títulos. As derrotas em finais também ajudam a explicar a relação intensa do clube com o torneio.
Em 2001, o Timão foi vice para o Grêmio. Em 2008, perdeu a decisão para o Sport. Em 2018, ficou com o vice contra o Cruzeiro. Em 2022, voltou à final e caiu para o Flamengo nos pênaltis, no Maracanã.
Essas derrotas dão mais peso às conquistas. A Copa do Brasil é um torneio que costuma marcar clubes pela soma de glórias e frustrações. No caso do Corinthians, os vices ampliam a presença do clube na história da competição e reforçam sua frequência em decisões nacionais.
A relação com Grêmio e Flamengo no torneio
A trajetória corintiana cruza diretamente com outros gigantes da Copa do Brasil. O Grêmio foi adversário em decisões importantes. O Corinthians venceu o Tricolor gaúcho na final de 1995, mas perdeu a decisão de 2001. Essa rivalidade dentro do torneio ajuda a explicar a força histórica dos dois clubes no mata-mata nacional.
O Flamengo também aparece como referência recente. O clube carioca venceu o Corinthians na final de 2022 e construiu uma das histórias mais fortes da competição, com títulos em diferentes décadas. A comparação entre os clubes mostra como a Copa do Brasil se tornou um torneio de peso para as maiores camisas do país.
O que torna a história do Corinthians especial
Porque atravessa fases muito diferentes do clube. O título de 1995 veio em campanha invicta e abriu a trajetória alvinegra no torneio. O de 2002 confirmou uma geração técnica e eficiente. O de 2009 simbolizou reconstrução, retorno à elite e força nacional. O de 2025 encerrou um jejum e recolocou o Timão no topo da competição.
Poucos torneios expõem tanto o emocional de um clube quanto a Copa do Brasil. O Corinthians venceu finais fora de casa, decidiu contra adversários tradicionais, sofreu derrotas marcantes e construiu personagens que ficaram na memória da torcida. Em cada título, houve uma marca diferente: invencibilidade, artilharia histórica, retomada nacional e vitória em palco histórico.
De Marcelinho Carioca a Deivid, de Ronaldo a Memphis, de Pacaembu a Maracanã, a trajetória corintiana no torneio reúne camisas pesadas, gols decisivos e finais de grande impacto. A Copa do Brasil não é apenas mais uma taça na galeria alvinegra. É parte da identidade competitiva do clube.