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Cruzeiro e Flamengo empatam no Mineirão e deixam vaga aberta na Libertadores

Arroyo marcou um golaço para colocar a Raposa em vantagem, mas Lucas Paquetá precisou de pouco mais de um minuto em campo para responder, com o empate por 1 a 1 em Belo Horizonte, a classificação às quartas de final será decidida no Maracanã.

Por Corte dos Esportes · 13/08/2026 · Categoria: Futebol

Cruzeiro e Flamengo deixaram tudo aberto nas oitavas de final da Copa Libertadores de 2026. Na noite desta quarta-feira, 12 de agosto, as equipes empataram por 1 a 1 no Mineirão, em Belo Horizonte, no primeiro dos dois confrontos do mata-mata.

O resultado transfere toda a definição para o Maracanã. Equipes voltam a se enfrentar na quarta-feira, 19 de agosto, às 21h30, no Rio de Janeiro. Quem vencer estará classificado para as quartas de final. Se houver novo empate após os 90 minutos, a vaga será definida diretamente nos pênaltis, sem prorrogação.

O primeiro encontro entregou exatamente o tipo de equilíbrio que cercava a eliminatória. O Flamengo terminou com mais finalizações e mais chutes certos, mas o Cruzeiro conseguiu criar situações importantes e foi o primeiro a transformar uma delas em gol. A vantagem mineira durou pouco porque Leonardo Jardim encontrou no banco duas peças que mudaram o jogo: Pedro e, principalmente, Lucas Paquetá.

Primeiro tempo equilibrado

O início do jogo foi marcado por cautela, intensidade no meio-campo e poucos espaços claros.

O Flamengo tentou controlar períodos da partida com posse de bola, enquanto o Cruzeiro buscou manter organização defensiva e reduzir as combinações ofensivas do atual campeão da Libertadores. A estratégia mineira impediu que o Rubro-Negro transformasse o maior tempo com a bola em domínio absoluto.

Mesmo assim, foi o Flamengo quem ficou mais perto de abrir o placar antes do intervalo.

Aos 35 minutos, Bruno Henrique acertou a trave do gol defendido por Otávio. O atacante também apareceu em outras ações ofensivas, enquanto Samuel Lino tentou acelerar pelo lado esquerdo e chegou a exigir intervenção do goleiro cruzeirense.

Aos 10 minutos, Bruno Henrique também esteve envolvido em um dos lances mais discutidos da noite. Matheus Henrique chegou atrasado em uma disputa, acertou o atacante rubro-negro e recebeu cartão amarelo. O lance foi revisado pelo VAR, mas o árbitro Yael Falcón não foi chamado ao monitor. Na avaliação do comentarista de arbitragem Paulo Cesar Oliveira, do Grupo Globo, o volante cruzeirense deveria ter recebido cartão vermelho.

O amarelo ainda terá consequência para o segundo jogo: foi o terceiro de Matheus Henrique na competição, deixando o jogador suspenso para a partida no Maracanã.

O Cruzeiro também reclamou de arbitragem. Aos 41 minutos do primeiro tempo, uma bola tocou na mão esquerda de Léo Pereira dentro da área após desvio de Erick Pulgar. A equipe mineira pediu pênalti, mas a arbitragem mandou o jogo seguir. Na análise de Paulo Cesar Oliveira, a decisão de não marcar a penalidade foi correta porque a bola chegou de maneira inesperada após o toque do próprio companheiro de equipe.

Segundo tempo com gols

Se o primeiro tempo terminou sem as redes balançando, a partida mudou de temperatura rapidamente depois do intervalo.

Aos sete minutos da segunda etapa, Keny Arroyo recebeu pelo lado direito, avançou para dentro e acertou um chute de esquerda no ângulo de Agustín Rossi. O goleiro flamenguista não teve possibilidade de defesa. Cruzeiro 1 a 0.

Foi um gol de grande peso não apenas pelo momento da partida, mas também para a trajetória pessoal do equatoriano.

Arroyo marcou aos 20 anos e 179 dias e se tornou o quarto jogador mais jovem do Cruzeiro a fazer um gol em fases eliminatórias da Libertadores. Apenas Tostão, Diego Renan e Luisão balançaram as redes mais jovens pelo clube nesse estágio da competição.

O lance teve ainda uma particularidade estatística. De acordo com os dados oficiais da Conmebol, aquela foi a única finalização certa do Cruzeiro em toda a partida. A Raposa encontrou eficiência máxima justamente em sua oportunidade mais limpa.

Resposta flamenguista vem do banco de reservas

Leonardo Jardim decidiu mexer no ataque aos 20 minutos do segundo tempo. Pedro substituiu Bruno Henrique, enquanto Lucas Paquetá entrou no lugar de Arrascaeta. A mudança provocou impacto praticamente instantâneo.

Logo depois, Pedro participou da jogada que gerou uma falta para o Flamengo. Na cobrança, Ayrton Lucas levantou a bola na segunda trave, Léo Ortiz ganhou pelo alto e cabeceou no travessão. No rebote, Paquetá apareceu dentro da área e finalizou de esquerda para empatar a partida.

Paquetá precisou de apenas 1 minuto e 22 segundos desde sua entrada para marcar. Foi o terceiro gol mais rápido de um jogador vindo do banco na Libertadores de 2026.

Foi também o 27º gol de Paquetá pelo Flamengo e o nono desde seu retorno ao clube.

Veja os melhores momentos da partida abaixo:

Jardim encontra resposta no banco

A maneira como o empate aconteceu colocou as escolhas do técnico no centro da análise.

Pedro e Paquetá haviam começado como reservas. Depois da partida, o treinador explicou que Arrascaeta e Bruno Henrique estavam desgastados e que a profundidade do elenco permitia buscar soluções durante o confronto. A entrada da dupla ocorreu justamente no momento em que o Cruzeiro havia conseguido transformar o jogo a seu favor.

Paquetá marcou quase imediatamente, enquanto Pedro participou da origem da falta que terminou no empate.

Jardim considerou o 1 a 1 positivo por ter sido conquistado fora de casa, mas reforçou que o resultado não significa classificação encaminhada. O treinador destacou a necessidade de atenção no duelo do Maracanã.

Nos minutos finais no Mineirão, o Flamengo ainda ficou perto da virada. Emerson Royal chegou à linha de fundo, a defesa cruzeirense afastou parcialmente e Carrascal ficou com a sobra. O colombiano finalizou forte, mas Otávio realizou uma defesa importante para preservar o empate.

Dados da partida

Os números ajudam a explicar por que o 1 a 1 não pode ser resumido apenas pela posse de bola.

O Flamengo terminou com 15 finalizações, contra 11 do Cruzeiro. Nos chutes no alvo, a vantagem foi maior: cinco a um para os cariocas. A posse também ficou ligeiramente do lado rubro-negro, 53% a 47%.

Isso reforça a leitura de um confronto equilibrado por caminhos diferentes. O Flamengo produziu maior volume de finalizações. O Cruzeiro, mesmo finalizando menos no alvo, encontrou espaços suficientes para criar situações de alta qualidade e esteve na frente do marcador durante parte do segundo tempo.

Os reencontros

Entre os personagens cercados de expectativa antes do jogo, Gerson respondeu com uma atuação importante pelo Cruzeiro.

Enfrentando um clube pelo qual conquistou títulos de peso, o camisa 8 participou ativamente da construção cruzeirense e foi apontado pelo ge como o principal jogador da equipe mineira na partida. Sua atuação ajudou a Raposa a competir no meio-campo diante de Jorginho, Erick Pulgar e Arrascaeta.

Já Leonardo Jardim voltou ao Mineirão como treinador do Flamengo depois de ter comandado o Cruzeiro em 2025. A recepção foi hostil por parte da torcida mineira, e o português comentou o ambiente depois da partida, ao mesmo tempo em que valorizou a presença dos torcedores flamenguistas no estádio.

A eliminatória, portanto, manteve vários dos elementos que já cercavam o confronto antes de a bola rolar: equilíbrio técnico, personagens com passagem pelos dois clubes e peso emocional de uma disputa exclusivamente brasileira na principal competição continental.

Preocupações para o jogo da volta

Bruno Henrique deixou o Mineirão mancando e com gelo no tornozelo esquerdo depois da entrada sofrida no primeiro tempo. Após o jogo, o atacante relatou dor no local e afirmou que seria avaliado pelo departamento médico do clube.

Até a manhã desta quinta-feira, 13 de agosto, não havia diagnóstico definitivo divulgado nas fontes consultadas sobre a gravidade do problema ou sua disponibilidade para os próximos compromissos.

A situação ganha importância porque o Flamengo ainda terá um jogo pelo Campeonato Brasileiro antes da decisão continental. O Rubro-Negro enfrenta o Mirassol no domingo, 16 de agosto, às 18h30, no Maião, antes de receber o Cruzeiro no Maracanã.

Já pelo Cruzeiro, terá pelo menos uma mudança obrigatória na segunda partida.

Matheus Henrique recebeu o terceiro cartão amarelo na Libertadores e está suspenso. O volante, que começou como titular no Mineirão, não poderá enfrentar o Flamengo no Maracanã.

Artur Jorge terá uma semana para definir como reorganizar o setor.

O treinador português também terminou a partida insatisfeito com a arbitragem. Ele reclamou especialmente da falta marcada sobre Pedro que originou o lance do empate flamenguista e recebeu cartão amarelo por protestar à beira do campo.

Para o Cruzeiro, o empate deixa a sensação de que a vantagem esteve próxima. A Raposa marcou primeiro, teve o apoio do Mineirão e conseguiu competir diante do atual campeão, mas sofreu a igualdade poucos minutos depois.

Para o Flamengo, sair de Belo Horizonte sem desvantagem representa a possibilidade de decidir a série diante da própria torcida. A equipe de Leonardo Jardim teve maior volume ofensivo, encontrou dificuldades durante parte do confronto, mas mostrou a profundidade de elenco que já havia marcado sua campanha na competição.

A Libertadores de 2026 agora leva um de seus maiores confrontos das oitavas para o Maracanã. Não há conta complicada: vitória significa quartas de final; empate significa pênaltis. Depois do 1 a 1 no Mineirão, Cruzeiro e Flamengo terão mais uma noite para decidir quem continuará perseguindo a taça mais importante do continente.