O Cruzeiro tem a trajetória mais vitoriosa da história da Copa do Brasil. Com seis títulos, o clube mineiro virou a principal referência do torneio, se misturando com a própria historia de time e competição.
A marca ganha peso porque é uma competição de margem miníma para erros. Não basta ter elenco forte. É preciso saber jogar fora de casa, administrar placares, sobreviver a decisões apertadas e crescer em noites de pressão. Nesse cenário, o Cruzeiro construiu uma identidade muito forte: a de clube que sabe disputar copas.
A relação da Raposa com o torneio também ajuda a explicar a importância da história da Copa do Brasil. Desde 1989, a competição se tornou um dos caminhos mais valorizados do futebol brasileiro, reunindo tradição, premiação alta, vaga na Libertadores e finais capazes de marcar gerações.
As conquistas do Cruzeiro:
• 1993 — campeão contra o Grêmio
• 1996 — campeão contra o Palmeiras
• 2000 — campeão contra o São Paulo
• 2003 — campeão contra o Flamengo
• 2017 — campeão contra o Flamengo
• 2018 — campeão contra o Corinthians
Além dos seis títulos, o clube também foi vice-campeão em 1998, contra o Palmeiras, e em 2014, contra o Atlético-MG. Ao todo, são oito finais disputadas, um número que reforça a presença constante do Cruzeiro entre os grandes personagens da competição.
Esse recorte coloca o clube em um patamar especial. Grêmio e Flamengo também têm histórias enormes no torneio, com campanhas e finais marcantes, mas a coleção celeste segue como uma das mais fortes do mata-mata nacional. O peso dessa comparação aparece nas trajetórias dos rivais, com os 5 títulos do Grêmio e o também Penta Campeão Flamengo.Consolidando os três clubes como os mais vencedores da competição, somando incríveis 16 títulos.
1993: o primeiro título contra o Grêmio
A conquista teve valor duplo: colocou o clube mineiro no mapa dos campeões da competição e abriu uma relação que se tornaria histórica nas décadas seguintes.
A final contra o Grêmio também é simbólica porque envolveu o primeiro campeão da Copa do Brasil. O Tricolor havia vencido a edição inaugural, em 1989, e já carregava uma identidade forte em torneios eliminatórios. Ao superar esse adversário, o Cruzeiro iniciou sua própria trajetória de força no mata-mata.
Campanha completa 1993:
• 1ª fase: Desportiva 1 x 1 Cruzeiro
• 1ª fase: Cruzeiro 5 x 0 Desportiva
• Oitavas de final: Náutico 1 x 0 Cruzeiro
• Oitavas de final: Cruzeiro 2 x 0 Náutico
• Quartas de final: São Paulo 1 x 2 Cruzeiro
• Quartas de final: Cruzeiro 2 x 2 São Paulo
• Semifinal: Cruzeiro 3 x 1 Vasco
• Semifinal: Vasco 1 x 1 Cruzeiro
• Final: Grêmio 0 x 0 Cruzeiro
• Final: Cruzeiro 2 x 1 Grêmio
Números da campanha:
• 10 jogos
• 5 vitórias
• 4 empates
• 1 derrota
• 18 gols marcados
• 8 gols sofridos
A conquista marcou o início de uma coleção que, anos depois, colocaria a Raposa no topo do ranking de campeões. Não foi apenas um título isolado: foi o primeiro passo de um clube que passaria a tratar a Copa do Brasil como território especial.
1996: o título contra o Palmeiras e o peso fora de casa
A final ficou marcada pelo peso do confronto e pelo desfecho fora de casa, em um cenário de alta pressão.
O Palmeiras tinha uma equipe forte, comandada por Vanderlei Luxemburgo, e era um dos clubes mais competitivos do país naquele período. Mesmo assim, o Cruzeiro conseguiu uma vitória que virou uma das grandes noites da história celeste na competição. O título de 1996 reforçou uma característica que se repetiria em outros anos: a capacidade do clube de competir em ambientes hostil.
Campanha em 1996:
• 2ª fase: Juventus-AC 1 x 1 Cruzeiro
• 2ª fase: Cruzeiro 4 x 0 Juventus-AC
• Oitavas de final: Vasco 2 x 6 Cruzeiro
• Oitavas de final: Cruzeiro 1 x 1 Vasco
• Quartas de final: Cruzeiro 4 x 0 Corinthians
• Quartas de final: Corinthians 3 x 2 Cruzeiro
• Semifinal: Flamengo 1 x 1 Cruzeiro
• Semifinal: Cruzeiro 0 x 0 Flamengo
• Classificação: avançou pelo gol marcado fora de casa
• Final: Cruzeiro 1 x 1 Palmeiras
• Final: Palmeiras 1 x 2 Cruzeiro
Números da campanha:
• 10 jogos
• 4 vitórias
• 5 empates
• 1 derrota
• 22 gols marcados
• 10 gols sofridos
Esse bicampeonato mostrou que a conquista de 1993 não havia sido acaso. Em apenas quatro edições disputadas, o Cruzeiro já tinha dois títulos e começava a construir a imagem de especialista em Copa do Brasil.
2000: Cruzeiro supera o São Paulo e chega ao tri
A final colocou frente a frente dois clubes de enorme peso nacional, acostumados a decisões e grandes campanhas.
Para o Cruzeiro, a conquista teve valor estratégico. O clube chegou ao tricampeonato e se consolidou de vez entre os maiores vencedores da Copa do Brasil. A partir dali, a Raposa não era mais apenas um time com bom retrospecto no torneio: já era uma potência histórica da competição.
Campanha em 2000:
• 1ª fase: Gama 1 x 1 Cruzeiro
• 1ª fase: Cruzeiro 4 x 1 Gama
• 2ª fase: Paraná 0 x 2 Cruzeiro
• Classificação: eliminou o jogo de volta ao vencer fora por dois gols de diferença
• 3ª fase: Caxias 1 x 3 Cruzeiro
• 3ª fase: Cruzeiro 6 x 1 Caxias
• Oitavas de final: Cruzeiro 2 x 1 Athletico-PR
• Oitavas de final: Athletico-PR 2 x 2 Cruzeiro
• Quartas de final: Cruzeiro 3 x 2 Botafogo
• Quartas de final: Botafogo 0 x 0 Cruzeiro
• Semifinal: Cruzeiro 2 x 0 Santos
• Semifinal: Santos 2 x 2 Cruzeiro
• Final: São Paulo 0 x 0 Cruzeiro
• Final: Cruzeiro 2 x 1 São Paulo
Números da campanha:
• 13 jogos
• 8 vitórias
• 5 empates
• Nenhuma derrota
• 29 gols marcados
• 12 gols sofridos
A final contra o São Paulo teve drama até o fim. No Mineirão, o Cruzeiro venceu por 2 a 1, com gol decisivo de Geovanni nos minutos finais. O título contra um adversário tradicional reforçou a importância do estádio como palco de decisão e colocou a Raposa no grupo dos tricampeões da Copa do Brasil.
2003: Copa do Brasil, Flamengo e a Tríplice Coroa
Naquele ano, a equipe comandada por Vanderlei Luxemburgo venceu a Copa do Brasil contra o Flamengo e abriu caminho para uma temporada histórica.
A conquista fez parte da Tríplice Coroa celeste. O Cruzeiro venceu o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro no mesmo ano, feito raro no futebol nacional. A equipe tinha um elenco marcante, com nomes como Alex, Aristizábal, Deivid.
Campanha em 2003:
• 1ª fase: Rio Branco-ES 2 x 4 Cruzeiro
• Classificação: eliminou o jogo de volta ao vencer fora por dois gols de diferença
• 2ª fase: Coríntians-RN 2 x 2 Cruzeiro
• 2ª fase: Cruzeiro 7 x 0 Coríntians-RN
• Oitavas de final: Cruzeiro 2 x 0 Vila Nova-GO
• Oitavas de final: Vila Nova-GO 1 x 2 Cruzeiro
• Quartas de final: Cruzeiro 2 x 1 Vasco
• Quartas de final: Vasco 1 x 1 Cruzeiro
• Semifinal: Goiás 2 x 3 Cruzeiro
• Semifinal: Cruzeiro 2 x 1 Goiás
• Final: Flamengo 1 x 1 Cruzeiro
• Final: Cruzeiro 3 x 1 Flamengo
Números da campanha:
• 11 jogos
• 8 vitórias
• 3 empates
• Nenhuma derrota
• 29 gols marcados
• 12 gols sofridos
Dentro dessa campanha, a Copa do Brasil teve papel essencial. O título contra o Flamengo confirmou a força de uma geração que combinava técnica, poder ofensivo e maturidade competitiva. Alex virou o grande símbolo daquele time, não apenas pelos gols e assistências, mas pela capacidade de comandar o ritmo de uma equipe dominante.
O ano de 2003 também ajuda a explicar por que o Cruzeiro é tratado como um dos grandes clubes copeiros do Brasil. A Raposa não venceu apenas uma competição de mata-mata; ela encaixou esse título dentro de uma temporada praticamente perfeita.
2017: decisão nos pênaltis contra o Flamengo
Depois de mais de uma década sem levantar a Copa do Brasil, o Cruzeiro voltou ao topo em 2017. A decisão foi contra o Flamengo e teve todos os ingredientes de uma grande final: equilíbrio, pressão, Mineirão lotado e disputa por pênaltis.
O título teve peso especial porque recolocou o clube no centro das grandes conquistas nacionais. A equipe comandada por Mano Menezes soube jogar uma final tensa, de poucos espaços e muito controle emocional.
Campanha em 2017:
• 1ª fase: Volta Redonda 1 x 2 Cruzeiro
• Classificação: avançou em jogo único fora de casa
• 2ª fase: Cruzeiro 6 x 0 São Francisco-PA
• Classificação: avançou em jogo único no Mineirão
• 3ª fase: Murici 0 x 2 Cruzeiro
• 3ª fase: Cruzeiro 3 x 0 Murici
• 4ª fase: São Paulo 0 x 2 Cruzeiro
• 4ª fase: Cruzeiro 1 x 2 São Paulo
• Oitavas de final: Cruzeiro 1 x 0 Chapecoense
• Oitavas de final: Chapecoense 0 x 0 Cruzeiro
• Quartas de final: Palmeiras 3 x 3 Cruzeiro
• Quartas de final: Cruzeiro 1 x 1 Palmeiras
• Classificação: avançou pelo gol marcado fora de casa
• Semifinal: Grêmio 1 x 0 Cruzeiro
• Semifinal: Cruzeiro 1 x 0 Grêmio
• Classificação: avançou nos pênaltis
• Final: Flamengo 1 x 1 Cruzeiro
• Final: Cruzeiro 0 x 0 Flamengo
Números da campanha:
• 14 jogos
• 7 vitórias
• 5 empates
• 2 derrotas
• 23 gols marcados
• 9 gols sofridos
O goleiro Fábio foi um dos personagens centrais daquela campanha. Ídolo histórico do clube, ele representou liderança, segurança e identificação com a torcida. Em decisões por pênaltis, esse tipo de presença pesa ainda mais.
A conquista de 2017 também reforçou a conexão entre Cruzeiro e Mineirão. O estádio, que já havia sido palco de outras noites importantes, voltou a ser cenário de título nacional.
2018: bicampeonato seguido e título contra o Corinthians
Em 2018, o Cruzeiro fez algo ainda mais difícil: voltou a vencer a Copa do Brasil no ano seguinte. A decisão foi contra o Corinthians, outro clube de enorme tradição nacional, e confirmou a força da equipe de Mano Menezes em mata-mata.
O bicampeonato de 2017 e 2018 é um dos capítulos mais importantes da relação do Cruzeiro com a competição. Ganhar uma Copa do Brasil já exige regularidade, elenco competitivo e controle emocional. Ganhar duas em sequência exige algo a mais: repetição de desempenho em jogos grandes.
Campanha em 2018:
• Oitavas de final: Athletico-PR 1 x 2 Cruzeiro
• Oitavas de final: Cruzeiro 1 x 1 Athletico-PR
• Quartas de final: Santos 0 x 1 Cruzeiro
• Quartas de final: Cruzeiro 1 x 2 Santos
• Classificação: avançou nos pênaltis
• Semifinal: Palmeiras 0 x 1 Cruzeiro
• Semifinal: Cruzeiro 1 x 1 Palmeiras
• Final: Cruzeiro 1 x 0 Corinthians
• Final: Corinthians 1 x 2 Cruzeiro
Números da campanha:
• 8 jogos
• 5 vitórias
• 2 empates
• 1 derrota
• 10 gols marcados
• 6 gols sofridos
A final contra o Corinthians também teve personagens marcantes. Thiago Neves, Arrascaeta, Dedé e Fábio fizeram parte de um grupo experiente, acostumado a decisões e forte defensivamente. A equipe talvez não tivesse o mesmo brilho ofensivo do time de 2003, mas era extremamente competitiva.
Com o título de 2018, o Cruzeiro chegou ao sexto troféu e se isolou como maior campeão da Copa do Brasil. A conquista fechou um ciclo histórico: da primeira taça em 1993 ao bicampeonato seguido em 2018, a Raposa se firmou como o clube mais vitorioso do torneio.
O Mineirão como palco da história celeste
A história do Cruzeiro na Copa do Brasil passa diretamente pelo Mineirão. O estádio não é apenas a casa do clube em Belo Horizonte; é parte da memória das decisões, das viradas, das festas e das noites em que a torcida empurrou a equipe em jogos de alta pressão.
O retrospecto em finais de Copa do Brasil no estádio ajuda a medir esse peso. Considerando as decisões disputadas no estádio, a Raposa tem oito jogos, com cinco vitórias, dois empates e uma derrota. Foram 10 gols marcados e cinco sofridos nesse recorte.
A lista mostra como o estádio esteve presente em praticamente toda a construção da hegemonia celeste no torneio: vitória sobre o Grêmio em 1993, empate com o Palmeiras em 1996, vitória sobre o Palmeiras em 1998, vitória sobre o São Paulo em 2000, vitória sobre o Flamengo em 2003, derrota para o Atlético-MG em 2014, empate com o Flamengo em 2017 e vitória sobre o Corinthians em 2018.
Esse retrospecto explica por que o Mineirão pesa tanto na memória da Copa do Brasil para o Cruzeiro. Mesmo quando a taça não foi decidida apenas em Belo Horizonte, o estádio apareceu como ponto central das campanhas. Nas seis conquistas celestes, sempre houve um capítulo importante no Mineirão.
Fábio, Alex, Fred e os personagens das conquistas
Os seis títulos atravessam diferentes gerações. Por isso, a lista de personagens é ampla e ajuda a contar a história do clube no torneio.
Alex é o grande símbolo do time de 2003. Em uma temporada histórica, o camisa 10 liderou uma equipe ofensiva, dominante e campeã de tudo no cenário nacional. A Copa do Brasil daquele ano foi parte fundamental da Tríplice Coroa.
Fábio representa o ciclo mais longo. O goleiro esteve nas conquistas de 2017 e 2018 e se consolidou como um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro. Em um torneio de mata-mata, ter um goleiro decisivo é quase uma condição para chegar longe.
Fred também precisa aparecer nessa lista. Mesmo sem ter sido campeão da Copa do Brasil pelo Cruzeiro, o atacante é o maior artilheiro celeste do torneio. Em 2005, marcou 15 gols com a camisa da Raposa, campanha que terminou na semifinal, mas deixou uma marca histórica na competição.
O dado é forte porque Fred não virou apenas personagem do Cruzeiro na Copa do Brasil: ele se tornou o maior artilheiro da história do torneio somando todos os clubes por onde passou. No caso celeste, a campanha de 2005 segue como o principal recorte individual de gols do clube na competição.
Mano Menezes também tem lugar importante nessa história. O treinador comandou o bicampeonato de 2017 e 2018, montando equipes fortes defensivamente, experientes e preparadas para jogos de detalhe. O Cruzeiro daquele período talvez não fosse sempre dominante em volume ofensivo, mas sabia competir como poucos.
O domínio do Cruzeiro na Copa do Brasil não se explica apenas pelo número de títulos. A Raposa venceu decisões contra adversários de diferentes perfis e tamanhos: Grêmio, Palmeiras, São Paulo, Flamengo e Corinthians. Essa sequência mostra que o clube não construiu sua história em cima de um único ciclo ou de um único contexto.
Outro ponto importante é a distribuição das conquistas. O Cruzeiro venceu em 1993, voltou ao topo em 1996, confirmou força em 2000, viveu o auge técnico em 2003 e depois reconstruiu sua presença nacional com o bicampeonato de 2017 e 2018. São títulos espalhados por 25 anos, o que mostra continuidade histórica.
Esse é o principal argumento de autoridade da Raposa no torneio. Muitos clubes tiveram grandes campanhas, mas poucos sustentaram protagonismo por tanto tempo. O Cruzeiro não foi apenas campeão; ele voltou a ser campeão em gerações diferentes.
Uma história que define o tamanho do clube
Os títulos ajudam a explicar o tamanho do clube no futebol brasileiro. A competição exige elenco, camisa, estratégia e capacidade de decidir sob pressão. A Raposa reuniu esses elementos em diferentes épocas.
A galeria com seis taças coloca o clube no topo da história do torneio e mantém a Copa do Brasil como uma parte central da identidade cruzeirense. Para a torcida, cada conquista tem uma memória própria: a primeira taça, a vitória fora de casa, a Tríplice Coroa, os pênaltis no Mineirão e o bicampeonato seguido.
Mais do que uma lista de títulos, a trajetória do Cruzeiro na Copa do Brasil é uma síntese da força do clube em jogos grandes. É a história de um time que aprendeu a vencer mata-mata, transformou decisões em patrimônio esportivo e construiu a maior coleção de taças da competição.