A Diamond League de Zurique de 2026 produziu uma daquelas noites capazes de permanecer como referência no atletismo por muitos anos. Disputado nesta quinta-feira, 27 de agosto, no estádio Letzigrund, o programa principal do Weltklasse Zürich foi marcado por dois recordes mundiais, além de recordes da própria Diamond League, marcas de reunião, melhores resultados mundiais do ano e recordes nacionais. Foi a última etapa da temporada regular antes da final do circuito em Bruxelas, marcada para 4 e 5 de setembro.
Para o público brasileiro, o grande acontecimento veio nos 400 metros com barreiras. Alison dos Santos correu para 45s80 e estabeleceu o novo recorde mundial da prova, superando uma marca que parecia pertencer a uma dimensão especial do atletismo. Pouco depois, a norte-americana Masai Russell repetiu o roteiro nos 100 metros com barreiras ao vencer em 12s09.
O resultado também representou o ponto mais alto de uma temporada em que o brasileiro já havia conquistado etapas importantes do circuito. Alison havia vencido a Diamond League de Shanghai e também subido ao lugar mais alto do pódio na Diamond League de Estocolmo, construindo uma sequência que ganhou dimensão histórica em Zurique.
Mas a etapa da Suiça foi muito além dos dois recordes. Audrey Werro correu os 800 metros em 1min53s70, Mondo Duplantis saltou 6,25 m, Kenny Bednarek venceu os 200 metros em 19s62 e Julien Alfred precisou de uma chegada praticamente inseparável para conquistar os 100 metros femininos.
Píu quebra o recorde mundial
A principal história brasileira da etapa foi construída em apenas 45s80. Alison dos Santos dominou os 400 metros com barreiras e derrubou o recorde mundial de Karsten Warholm, que desde os Jogos Olímpicos de Tóquio era de 45s94.
O brasileiro, campeão mundial da prova em 2022, tirou 14 centésimos da antiga marca. Warholm também produziu uma corrida de enorme nível em Zurique e terminou em segundo lugar com 46s69, mas não conseguiu acompanhar Alison na parte decisiva da volta.
O significado do resultado aumenta quando comparado com a final olímpica de Tóquio, disputada em 3 de agosto de 2021. Naquela ocasião, Warholm estabeleceu os 45s94, Rai Benjamin marcou 46s17 e Alison ficou com o bronze em 46s72. Cinco anos depois, foi o brasileiro quem levou a prova a um novo patamar ao se tornar o homem mais rápido da história nos 400 metros com barreiras.
A marca de 45s80 acrescentou um novo capítulo à carreira de Alison dos Santos nos 400 metros com barreiras, trajetória marcada por grandes resultados internacionais, recordes e presença constante entre os principais nomes da prova.
Masai Russell também entra no livro dos recordes
Menos de 40 minutos depois do recorde de Alison, Zurique assistiu a outra marca mundial. Russell venceu os 100 metros com barreiras em 12s09.
A norte-americana reduziu em três centésimos o recorde anterior de 12s12, estabelecido pela nigeriana Tobi Amusan no Mundial de Oregon, em 24 de julho de 2022. Amusan estava justamente na pista em Zurique e terminou em segundo lugar, com sua melhor marca da temporada, 12s23. Nadine Visser foi terceira com 12s34, também seu melhor resultado do ano.
Assim, duas das principais provas com barreiras do programa tiveram recordes mundiais na mesma reunião, transformando a etapa suíça em uma das competições mais marcantes da temporada de 2026.
Audrey Werro vence nos 800 metros
Outro resultado de enorme dimensão veio nos 800 metros femininos. Correndo diante do público suíço, Audrey venceu em 1min53s70.
A marca melhorou em um décimo o próprio recorde da Diamond League da atleta, além de representar a melhor marca mundial da temporada e um novo recorde da reunião de Zurique. Werro assumiu a ponta na parte final da corrida e abriu vantagem na reta de chegada.
Femke Broeders-Bol terminou em segundo com 1min54s71 e estabeleceu o recorde dos Países Baixos. Georgia Hunter Bell completou o pódio com 1min55s03, sua melhor marca da temporada.
Duplantis vence duelo acima dos seis metros
O salto com vara masculino também esteve próximo de produzir um recorde mundial. Mondo Duplantis venceu ao superar 6,25 m, enquanto o grego Emmanouil Karalis chegou a 6,20 m e estabeleceu o recorde nacional.
O nível da disputa fica evidente pela progressão das alturas. Os dois passaram por 6,10 m; Duplantis saltou 6,15 m; Karalis respondeu com 6,20 m; e o sueco recuperou a liderança ao superar 6,25 m logo na primeira tentativa. Sondre Guttormsen terminou em terceiro com 6,00 m.
Depois de decidir a prova, Duplantis e Karalis atacaram 6,32 m. Nenhum dos dois conseguiu superar a altura.
Julien Alfred vence por cinco milésimos
Os 100 metros femininos entregaram uma das chegadas mais apertadas de toda a reunião. Julien Alfred e Melissa Jefferson-Wooden receberam oficialmente o mesmo tempo: 10s70.
A definição precisou ir além dos centésimos. Alfred ganhou por apenas cinco milésimos de segundo e, com a marca, estabeleceu um recorde nacional. Segundo o relatório oficial da Diamond League, foi apenas a segunda ocasião na história em que duas mulheres correram 10s70 ou mais rápido na mesma prova.
Bednarek dispara nos 200 metros
Kenny Bednarek não deixou a disputa chegar tão apertada à linha.
O norte-americano venceu em 19s62, melhor marca mundial da temporada, ficando apenas cinco centésimos de seu recorde pessoal. O sul-africano Sinesipho Dambile terminou 0s20 atrás do vencedor.
Quebra de recorde que durava desde 1986
Os 3.000 metros masculinos ofereceram outra marca histórica. Parker Wolfe venceu em 7min27s43 e quebrou por aproximadamente cinco segundos o antigo recorde do meeting, pertencente a Said Aouita desde 1986.
A prova teve enorme profundidade. Graham Blanks completou a dobradinha norte-americana com 7min27s92 e Cameron Myers, da Austrália, terminou em terceiro com 7min27s97. Sete atletas completaram a distância abaixo de 7min30.
Principais resultados da Diamond League Zurique 2026
- 400m com barreiras masculino — Alison dos Santos — 45s80, recorde mundial
- 100m com barreiras feminino — Masai Russell — 12s09, recorde mundial
- 800m feminino — Audrey Werro — 1min53s70, recorde da Diamond League e melhor marca mundial da temporada
- Salto com vara masculino — Mondo Duplantis — 6,25 m
- 200m masculino — Kenny Bednarek — 19s62, melhor marca mundial da temporada
- 100m feminino — Julien Alfred — 10s70, recorde nacional
- 400m com barreiras feminino — Anna Cockrell — 52s13, melhor marca mundial da temporada e recorde da reunião
- 3.000m masculino — Parker Wolfe — 7min27s43, recorde da reunião
- 3.000m com obstáculos feminino — Faith Cherotich — 8min55s82
- Lançamento do dardo masculino — Rumesh Tharanga Pathirage — 92,07 m
- Arremesso do peso masculino — Jordan Geist — 22,53 m, recorde pessoal
- Salto em distância masculino — Miltiadis Tentoglou — 8,45 m
- Salto em altura feminino — Nicola Olyslagers — 2,02 m, melhor marca da temporada
- 1.500 m masculino — Cole Hocker — 3min31s71
- Salto com vara feminino — Hana Moll — 4,90 m, recorde pessoal
- 400m masculino — Yuki Joseph Nakajima — 44s62 — prova do programa complementar
- 800m masculino — Emmanuel Wanyonyi — 1min41s76
- 110m com barreiras masculino — Jason Joseph — 13s11 — prova do programa complementar
- 200 m feminino — Fabienne Hoenke — 22s53 — prova do programa complementar
- 1.500 m feminino — Ludovica Cavalli — 4min03s27 — prova do programa complementar
- 1.500 m em cadeira de rodas masculino — Marcel Hug — 3min02s41 — prova do programa complementar
No salto com vara feminino, disputado em 26 de agosto na estação central de Zurique, Hana Moll venceu com 4,90 m. Angelica Moser ficou em segundo com 4,85 m, enquanto Katie Moon e Sandi Morris dividiram a terceira colocação, ambas com 4,75 m.
Com isso, a lista das provas da programação principal da Diamond League fica completa com as 14 disciplinas oficiais de Zurique: sete masculinas e sete femininas.
Zurique fecha a temporada regular em nível histórico
Mesmo em um circuito acostumado a receber campeões olímpicos, mundiais e recordistas, a edição de 2026 do Weltklasse Zürich ganhou uma dimensão especial.
O recorde mundial de Alison dos Santos já seria suficiente para transformar a reunião em referência histórica. A marca de Masai Russell, porém, fez a mesma noite produzir dois novos recordes mundiais. Somados aos 1min53s70 de Audrey Werro, aos 6,25 m de Duplantis, aos 19s62 de Bednarek e à vitória de Alfred em uma chegada decidida por cinco milésimos, os resultados mostram a qualidade excepcional da competição.
Com Zurique encerrada, o circuito segue para sua decisão em Bruxelas, nos dias 4 e 5 de setembro de 2026. Independentemente do que acontecer na final, porém, a etapa suíça já assegurou seu lugar entre as reuniões mais memoráveis da Diamond League: foi a noite em que o atletismo viu dois recordes mundiais caírem em questão de minutos.