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Draft da NBA: como funciona, quem foram as primeiras escolhas de 2026 e como o evento define o futuro das franquias

Com AJ Dybantsa escolhido pelo Washington Wizards na primeira posição, o Draft da NBA de 2026 reforçou o peso do evento como principal porta de entrada de jovens talentos e ferramenta de reconstrução para as franquias.

Por Corte dos Esportes · 24/06/2026 · Categoria: Basquete

O Draft é um dos momentos mais importantes do calendário da liga. Mais do que uma cerimônia para apresentar jovens jogadores ao basquete profissional, o evento funciona como uma espécie de redistribuição de esperança: times em reconstrução ganham a chance de escolher antes, franquias competitivas buscam peças de encaixe e talentos universitários, internacionais ou vindos de ligas de desenvolvimento começam oficialmente suas trajetórias na maior liga de basquete do mundo.

Em 2026, a primeira rodada confirmou o protagonismo de uma classe muito aguardada. O Washington Wizards usou a escolha número 1 para selecionar AJ Dybantsa, ala de BYU, apontado como um dos grandes nomes da nova geração. Na sequência, o Utah Jazz escolheu Darryn Peterson, de Kansas, e o Memphis Grizzlies ficou com Cameron Boozer, de Duke. A primeira rodada aconteceu em 23 de junho, no Barclays Center, em Brooklyn, enquanto a segunda rodada ficou marcada para 24 de junho, mantendo o formato de duas noites adotado pela NBA desde 2024.

As primeiras escolhas de 2026:

  1. Washington Wizards — AJ Dybantsa, ala, BYU
  2. Utah Jazz — Darryn Peterson, armador, Kansas
  3. Memphis Grizzlies — Cameron Boozer, ala/pivô, Duke
  4. Chicago Bulls — Caleb Wilson, ala, North Carolina
  5. LA Clippers — Keaton Wagler, armador, Illinois
  6. Brooklyn Nets — Mikel Brown Jr., armador, Louisville
  7. Sacramento Kings — Darius Acuff Jr., armador, Arkansas
  8. Atlanta Hawks — Kingston Flemings, armador, Houston
  9. Dallas Mavericks — Morez Johnson Jr., Michigan
  10. Milwaukee Bucks — Brayden Burries, Arizona

A sequência inicial ajuda a entender o perfil do Draft deste ano. A NBA destacou que nove dos dez primeiros selecionados eram calouros do basquete universitário, igualando marcas recentes de domínio dos freshmen no topo da classe. Além disso, os 20 primeiros escolhidos vieram do basquete universitário, algo que não acontecia desde 1994, um dado que reforça a força da NCAA na formação desta geração.

O novo rosto da reconstrução dos Wizards

AJ Dybantsa chegou ao Draft com status de potencial jogador de franquia. Com 2,06 m, capacidade de pontuar em diferentes zonas da quadra e histórico de protagonismo desde o ensino médio, o ala foi escolhido pelo Washington Wizards em um momento simbólico para a organização. A franquia vinha de uma temporada de 17 vitórias e 65 derrotas e não chegava aos playoffs desde 2020-21, cenário que tornou a escolha número 1 ainda mais importante.

Na temporada universitária por BYU, Dybantsa liderou o país em pontuação, com média de 25,5 pontos por jogo, e consolidou sua posição no topo da classe com atuações de alto impacto. Para os Wizards, a escolha representa mais do que talento: representa a tentativa de criar uma nova base competitiva em torno de um jogador jovem, midiático e com capacidade de acelerar uma reconstrução.

Outros grandes nomes

Darryn Peterson, escolhido pelo Utah Jazz na segunda posição, chegou ao Draft como um dos armadores mais talentosos da classe. Sua combinação de criação, leitura de jogo e capacidade de pontuação fez dele um nome forte para uma franquia que busca organizar o futuro em torno de jogadores jovens e versáteis.

Cameron Boozer, terceira escolha do Memphis Grizzlies, carrega sobrenome conhecido na NBA e currículo vencedor. Filho de Carlos Boozer, ex-All-Star da liga, Cameron foi selecionado como uma peça de alto QI de basquete, força física e presença nos dois lados da quadra. Para Memphis, a chegada de um jogador desse perfil pode ser importante em uma tentativa de reorganizar o elenco e voltar a competir em alto nível.

Caleb Wilson, escolhido pelo Chicago Bulls, também merece destaque. A franquia de Illinois, comandada por Tiago Splitter, usou a quarta escolha em um ala de North Carolina e ainda voltou ao top 15 para selecionar Dailyn Swain. A movimentação reforça a ideia de que Chicago buscou alongamento, juventude e versatilidade para reposicionar o elenco.

Como funciona o Draft da NBA

Tem duas rodadas. Cada franquia, em condições normais, possui uma escolha na primeira rodada e uma na segunda, embora essas escolhas possam ser trocadas em negociações envolvendo jogadores, ativos futuros e compensações. Em 2026, a primeira rodada teve cinco minutos entre cada escolha, enquanto a segunda rodada teve quatro minutos entre as seleções.

A ordem do topo é definida pela Draft Lottery, a loteria do Draft. Participam dela os 14 times que ficam fora dos playoffs. O sistema não entrega automaticamente a primeira escolha ao pior time da temporada, mas dá mais chances às equipes de pior campanha. Em 2026, o Washington Wizards venceu a loteria tendo 14% de chance de ficar com a primeira escolha. A loteria define as quatro primeiras posições; depois disso, as demais equipes da loteria escolhem em ordem inversa à campanha da temporada regular. Da escolha 15 em diante, a ordem segue o desempenho inverso da temporada, sempre considerando trocas já realizadas entre as franquias.

Na prática, o regulamento tenta equilibrar dois objetivos: ajudar equipes ruins a encontrarem talento de elite e evitar que o pior time tenha garantia absoluta da primeira escolha. Por isso, o Draft é uma ferramenta de equilíbrio competitivo, mas também um jogo de estratégia. Uma escolha alta pode mudar o futuro de uma franquia, mas errar no topo também pode atrasar uma reconstrução por anos.

A história Draft da NBA

O primeiro evento aconteceu em 1947, ainda no início da história da liga, e passou a ser realizado todos os anos desde então. Com o tempo, deixou de ser apenas um mecanismo administrativo e virou um espetáculo próprio, acompanhado por torcedores, imprensa, dirigentes, patrocinadores e analistas.

A lógica sempre foi simples: distribuir novos talentos entre as franquias de forma organizada. Mas o impacto cresceu conforme a liga se tornou global. Hoje, o Draft pode envolver atletas da NCAA, jogadores internacionais, prospectos de academias de desenvolvimento, nomes da G League e jovens que passam anos sendo acompanhados por olheiros antes de pisarem em uma quadra da NBA.

Por que o Draft é tão importante para as franquias

A importância está no custo, no potencial e no controle contratual. Jogadores escolhidos na primeira rodada chegam com contratos de calouro pré-definidos, geralmente mais baratos do que estrelas contratadas no mercado de agentes livres. Para equipes com folha salarial apertada, encontrar um titular ou futuro All-Star no Draft pode ser a diferença entre estagnar e montar um elenco competitivo.

Também há um componente de identidade. Muitas franquias constroem eras inteiras a partir de escolhas certeiras. O Golden State Warriors, por exemplo, mudou sua história ao selecionar Stephen Curry na sétima posição em 2009. O Cleveland Cavaliers iniciou a era LeBron James ao escolher o astro na primeira posição em 2003. O Chicago Bulls transformou seu destino ao levar Michael Jordan na terceira escolha de 1984. A própria trajetória de lendas como Kobe Bryant, na história nos Lakers, mostra como o Draft pode ser o ponto de partida de legados gigantes.

Grandes jogadores revelados pelo Draft

A lista de estrelas reveladas é praticamente a própria história da NBA em forma de nomes. Em diferentes épocas, franquias encontraram no evento jogadores capazes de mudar o rumo de uma organização, criar dinastias, lotar arenas e transformar a liga em um produto global.

Alguns dos maiores exemplos são:

  • Kareem Abdul-Jabbar — escolhido na 1ª posição pelo Milwaukee Bucks em 1969
  • Magic Johnson — escolhido na 1ª posição pelo Los Angeles Lakers em 1979
  • Larry Bird — escolhido na 6ª posição pelo Boston Celtics em 1978
  • Hakeem Olajuwon — escolhido na 1ª posição pelo Houston Rockets em 1984
  • Michael Jordan — escolhido na 3ª posição pelo Chicago Bulls em 1984
  • Shaquille O’Neal — escolhido na 1ª posição pelo Orlando Magic em 1992
  • Tim Duncan — escolhido na 1ª posição pelo San Antonio Spurs em 1997
  • Allen Iverson — escolhido na 1ª posição pelo Philadelphia 76ers em 1996
  • Kobe Bryant — escolhido na 13ª posição pelo Charlotte Hornets em 1996 e negociado com o Los Angeles Lakers
  • LeBron James — escolhido na 1ª posição pelo Cleveland Cavaliers em 2003
  • Kevin Durant — escolhido na 2ª posição pelo Seattle SuperSonics em 2007
  • Stephen Curry — escolhido na 7ª posição pelo Golden State Warriors em 2009
  • Anthony Davis — escolhido na 1ª posição pelo New Orleans Hornets em 2012
  • Giannis Antetokounmpo — escolhido na 15ª posição pelo Milwaukee Bucks em 2013
  • Nikola Jokic — escolhido na 41ª posição pelo Denver Nuggets em 2014
  • Victor Wembanyama — escolhido na 1ª posição pelo San Antonio Spurs em 2023

Essa lista mostra por que o Draft tem tanto peso no esporte americano. Na NBA, assim como acontece no Draft da NFL, a escolha de um jovem talento pode redefinir o planejamento esportivo e financeiro de uma organização por muitos anos.

Nem todos foram primeiras escolhas

Um dos pontos mais interessantes da história do Draft é que o talento nem sempre aparece apenas no topo da ordem. Ser a primeira escolha aumenta a expectativa, mas não garante uma carreira histórica. Da mesma forma, cair algumas posições não impede um jogador de virar lenda.

Alguns casos ajudam a explicar isso:

  • Michael Jordan — foi apenas a 3ª escolha do Draft de 1984. Antes dele, saíram Hakeem Olajuwon, para o Houston Rockets, e Sam Bowie, para o Portland Trail Blazers. Jordan, no entanto, se tornou o maior nome da história do Chicago Bulls e um dos maiores atletas de todos os tempos.
  • Stephen Curry — foi escolhido na 7ª posição em 2009 pelo Golden State Warriors. Mesmo sem chegar como primeira escolha, mudou a forma de jogar basquete, liderou uma dinastia e transformou o arremesso de três pontos em elemento central da NBA moderna.
  • Kobe Bryant — foi selecionado na 13ª posição em 1996 pelo Charlotte Hornets e negociado imediatamente com o Los Angeles Lakers. A escolha virou um dos movimentos mais marcantes da história da liga, já que Kobe construiu uma carreira lendária em Los Angeles.
  • Giannis Antetokounmpo — foi a 15ª escolha em 2013. Chegou como aposta internacional de alto potencial e se transformou em MVP, campeão da NBA e maior símbolo recente do Milwaukee Bucks.
  • Nikola Jokic — foi escolhido apenas na segunda rodada, na 41ª posição de 2014, pelo Denver Nuggets. O pivô sérvio virou um dos maiores exemplos modernos de valor escondido no Draft, provando que avaliação, desenvolvimento e contexto podem ser tão importantes quanto a posição em que o atleta é selecionado.
  • LeBron James — foi a 1ª escolha em 2003 e é o exemplo oposto: um prospecto tratado como fenômeno antes mesmo de chegar à liga e que confirmou o tamanho da expectativa.

No fim, essa é uma das grandes verdades do Draft: escolher alto ajuda, mas avaliar bem é ainda mais decisivo. As franquias que conseguem combinar scouting, paciência, desenvolvimento técnico e planejamento de elenco geralmente transformam escolhas em pilares de longo prazo. Já os erros, especialmente nas primeiras posições, podem atrasar reconstruções inteiras.

O Draft também ajuda a explicar ciclos de domínio e reconstrução. Times que acertam escolhas em sequência conseguem formar núcleos jovens, profundos e financeiramente sustentáveis. Times que erram repetidamente precisam recorrer a trocas, agentes livres ou longos processos de reformulação. Em uma liga com teto salarial, contratos máximos e forte competição por estrelas, draftar bem virou obrigação para qualquer franquia que quer vencer de forma consistente.

O peso do Draft de 2026 no futuro da NBA

Chega com potencial para marcar uma nova fase da liga. A presença de AJ Dybantsa no Washington Wizards, Darryn Peterson no Utah Jazz e Cameron Boozer no Memphis Grizzlies coloca três franquias em posição de reconstruir com nomes de alto peso teórico. Ao mesmo tempo, escolhas como Caleb Wilson no Bulls, Mikel Brown Jr. no Nets, Darius Acuff Jr. no Kings e Kingston Flemings no Hawks mostram uma classe carregada de jogadores de perímetro, criação e versatilidade.

Esse é o tipo de evento que só será plenamente julgado com o tempo. No dia do Draft, há projeções, comparações e expectativa. Anos depois, aparecem as respostas: quem virou estrela, quem superou a posição em que foi escolhido, quem decepcionou e qual franquia realmente entendeu melhor o talento disponível.

Por isso, o Draft da NBA segue sendo uma das noites mais importantes do basquete mundial. Ele mistura sonho individual, estratégia empresarial, análise esportiva e esperança de torcida. Em 2026, o primeiro capítulo foi escrito com AJ Dybantsa em Washington. O restante da história dependerá do desenvolvimento dos jogadores, das escolhas das franquias e da capacidade de transformar potencial em vitórias.