Corte dos Esportes
Início Atletismo Automobilismo Basquete Esportes Olímpicos Futebol Futebol Americano Futsal Handebol Lutas Skate Surf Vôlei Vôlei de Praia Tênis

Espanha elimina Portugal no fim e classifica para as quartas da Copa do Mundo

Com gol de Mikel Merino nos acréscimos, os espanhóis vencem por 1 a 0 em Dallas, manteve a defesa zerada pela sexta partida seguida e avançou às quartas de final da Copa do Mundo de 2026.

Por Corte dos Esportes · 06/07/2026 · Categoria: Futebol

A Espanha voltou a uma fase de quartas de final de Copa do Mundo do jeito mais dramático possível: em um clássico europeu travado, tenso, de poucos espaços e decidido por um detalhe nos acréscimos. Nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026, em Dallas, a seleção espanhola venceu Portugal por 1 a 0, eliminou Cristiano Ronaldo e deu um passo importante na busca pelo bicampeonato mundial.

O gol da classificação saiu aos 46 minutos do segundo tempo, com Mikel Merino. O meio-campista, acionado por Luis de la Fuente na reta final, recebeu passe de Ferran Torres e bateu no canto de Diogo Costa para resolver um jogo que parecia destinado à prorrogação. Foi uma vitória de paciência, profundidade de elenco e resistência emocional.

O resultado teve peso esportivo e simbólico. Pouco mais de um ano antes, Portugal havia derrotado a Espanha na final da Nations League, após empate por 2 a 2 e vitória nos pênaltis por 5 a 3 em Munique. Agora, em um palco ainda maior, a Espanha devolveu a eliminação em mata-mata e tirou do rival ibérico a chance de seguir sonhando com o título mundial. A rivalidade entre as duas seleções ganhou mais um capítulo forte, conectado diretamente à história recente da UEFA Nations League.

Um clássico de tensão e poucas chances claras

O jogo teve intensidade, disputa por controle no meio-campo e muitas ações interceptadas antes da entrada da área. A Espanha teve mais posse de bola e volume, mas encontrou um Portugal compacto, com Rúben Dias, Renato Veiga, João Cancelo e Nuno Mendes sustentando uma linha defensiva que bloqueou vários ataques.

A seleção espanhola terminou com 56% de posse de bola, 15 finalizações e 6 chutes no alvo. Portugal ficou com 44% de posse, 10 finalizações e apenas 2 bolas certas na direção de Unai Simón.

Ainda assim, não foi uma partida de domínio absoluto em oportunidades claras. Mikel Oyarzabal teve boa chance no início, mas finalizou para fora. Lamine Yamal e Álex Baena obrigaram Diogo Costa a trabalhar no primeiro tempo. Do outro lado, Cristiano Ronaldo exigiu defesa de Unai Simón em uma das poucas ações limpas de Portugal, enquanto Nuno Mendes assustou em chute desviado que explodiu no travessão.

No segundo tempo, a partida ficou ainda mais truncada. Portugal baixou as linhas em alguns momentos, tentou acelerar com Pedro Neto, João Félix e depois Rafael Leão, mas não conseguiu transformar as individualidades em pressão constante. A Espanha circulou a bola, insistiu pelos lados e encontrou a solução no banco.

O acerto de Luis de la Fuente

A entrada de Mikel Merino foi o ponto de virada. O técnico mexeu na equipe na reta final, colocou Ferran Torres e Merino, e os dois reservas participaram diretamente do gol. Ferran recebeu, girou com inteligência e encontrou Merino atacando o espaço. O meio-campista teve calma para dominar o momento, ajustar o corpo e finalizar no canto.

A Espanha não fez uma exibição exuberante, mas soube seguir acreditando mesmo quando o jogo oferecia poucas brechas. Rodri, Pedri e Dani Olmo ajudaram a controlar o ritmo, enquanto Lamine Yamal foi vigiado de perto, especialmente por Nuno Mendes, em um duelo que prendeu atenção até a saída do lateral português por lesão.

A Espanha também confirmou uma marca histórica: segue sem sofrer gols nesta Copa. Com o 1 a 0 sobre Portugal, a equipe chegou a seis partidas consecutivas sem ser vazada, uma sequência raríssima em Mundiais e que reforça a força coletiva de um time muitas vezes lembrado pelo talento ofensivo, mas sustentado por organização sem bola.

Espanha volta às quartas desde 2010

A seleção não chegava às quartas de final de uma Copa do Mundo desde 2010, quando foi campeã na África do Sul com a geração de Iker Casillas, Carles Puyol, Sergio Ramos, Xavi, Iniesta, Xabi Alonso, David Villa e Fernando Torres.

Depois daquele título, a Espanha viveu frustrações seguidas em Mundiais: caiu na fase de grupos em 2014, parou nas oitavas em 2018 e voltou a ser eliminada nas oitavas em 2022. A vitória sobre Portugal quebra esse ciclo e recoloca a seleção entre as oito melhores do mundo pela sexta vez em sua história, considerando as campanhas de 1934, 1986, 1994, 2002, 2010 e 2026.

O dado ajuda a dimensionar o momento. A Espanha sempre foi gigante técnica, mas nem sempre transformou posse e talento em campanhas profundas de Copa. Em 2026, a equipe de Luis de la Fuente volta a combinar juventude, controle e competitividade em mata-mata.

Portugal cai sem convencer

A eliminação também fecha uma Copa de Mundo irregular dos portugueses. O elenco tinha nomes de peso, com Diogo Costa, Rúben Dias, Nuno Mendes, Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rafael Leão, João Félix, Gonçalo Ramos e Cristiano Ronaldo, mas a seleção nunca conseguiu convencer plenamente pelo desempenho coletivo.

Portugal chegou ao mata-mata cercado de desconfiança, avançou contra a Croácia em um jogo dramático na fase anterior e encontrou na Espanha um adversário capaz de punir qualquer queda de concentração. O time de Roberto Martínez teve momentos de organização defensiva, mas produziu pouco com a bola. No segundo tempo contra a Espanha, não acertou uma finalização no alvo, um sinal claro da dificuldade para transformar talento individual em ameaça real.

As principais individualidades renderam abaixo do que costumam entregar em seus clubes. Bruno Fernandes não conseguiu ditar o jogo com continuidade. João Félix alternou boas intenções e pouca efetividade. Rafael Leão entrou para acelerar, mas não mudou o cenário. Bernardo Silva quase assustou no fim, mas também não teve protagonismo suficiente. Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, lutou, tentou se posicionar para decidir e deixou o campo com o peso emocional de uma provável despedida de Copas.

A provável última Copa de CR7

A derrota para a Espanha deve marcar o fim da trajetória de Cristiano Ronaldo em Copas do Mundo. O atacante disputou seu sexto Mundial e perseguia o único grande título que faltava em sua carreira. Campeão da Euro em 2016 e da Nations League em 2019 e 2025, Cristiano deixa o torneio sem levantar a taça mundial.

A imagem da eliminação pesa porque une dois tempos do futebol europeu. De um lado, Cristiano, símbolo de uma geração histórica de Portugal. Do outro, uma Espanha que mistura campeões recentes, jovens talentos e jogadores em plena maturidade. Lamine Yamal, Pedri, Cubarsí e Baena representam o futuro; Rodri, Laporte, Cucurella, Oyarzabal e Merino sustentam o presente.

Para Portugal, a queda amplia a sensação de fim de ciclo. Após o jogo, Roberto Martínez confirmou a saída do comando técnico da seleção portuguesa. O treinador espanhol havia assumido depois da Copa de 2022, conquistou a Nations League de 2025, mas não conseguiu levar Portugal ao objetivo maior no Mundial.

Próximo jogo nas quartas

Com a classificação, a Espanha avança para enfrentar o vencedor de Estados Unidos x Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026. O duelo está marcado para sexta-feira, 10 de julho, às 16h, pelo horário de Brasília, em Los Angeles.

A partida coloca a Espanha diante de um novo tipo de desafio. Se o adversário for os Estados Unidos, a seleção espanhola enfrentará um anfitrião empurrado pela torcida e por um estilo físico, veloz e intenso. Se for a Bélgica, terá pela frente uma equipe tradicional, com experiência internacional e jogadores acostumados a grandes jogos europeus.

O que já está definido é que a Espanha chega às quartas com moral reforçada. Eliminou um rival histórico, respondeu à derrota recente na Nations League, manteve a defesa intacta e mostrou que sabe vencer mesmo quando o jogo não oferece brilho. Em Copas do Mundo, esse tipo de vitória costuma dizer tanto quanto uma goleada. A Espanha não encantou o tempo inteiro contra Portugal, mas foi madura, fria e decisiva no momento mais importante.