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Stadio Olimpico: história do estádio da Roma e Lazio

Um dos palcos mais históricos da Europa, com Olimpíada, Copa do Mundo, Eurocopas, finais europeias e décadas de futebol e memórias dos torcedores.

Por Corte dos Esportes · 04/06/2026 · Categoria: Futebol

O Stadio Olimpico é muito mais do que a casa da Roma e Lazio. O estádio é um dos grandes símbolos esportivos da capital italiana e ocupa um lugar raro no futebol europeu: ao mesmo tempo em que recebe jogos semanais de clube, também carrega história olímpica, decisões de Copa do Mundo, finais de Champions League, Eurocopas, partidas da seleção italiana, rugby, atletismo e grandes eventos culturais.

Localizado no Foro Italico, complexo esportivo ao norte de Roma, o estádio é compartilhado por Roma e Lazio desde os anos 1950. Essa convivência faz do Olimpico um caso especial. Diferente de arenas modernas ligadas a um único clube, o estádio romano pertence a uma tradição maior: é um palco da cidade, da seleção, do futebol italiano e do esporte europeu.

Essa característica aproxima o Olimpico de outros estádios históricos que não pertencem simbolicamente a apenas um clube. Localizado também na Itália, o San Siro, é marcado pela convivência entre Milan e Inter de Milão, outro palco em que rivalidade, identidade urbana e grandes decisões internacionais se misturam em uma mesma arquibancada.

O Olimpico não tem apenas arquibancadas, gramado e capacidade alta. Ele tem camadas de tempo. Nasceu dentro de um projeto esportivo dos anos 1930, foi interrompido pela Segunda Guerra Mundial, ganhou forma no pós-guerra, virou sede olímpica, foi reformado para a Copa do Mundo de 1990 e se manteve relevante no calendário internacional até hoje.

Origem no Foro Italico

A história do Stadio Olimpico começa antes da inauguração oficial. Ele nasceu dentro do antigo Foro Mussolini, atual Foro Italico, um grande complexo esportivo idealizado nas décadas de 1920 e 1930. O projeto tinha ambição de transformar aquela área de Roma em um centro de prática esportiva, eventos públicos e grandes competições.

Antes de se chamar pelo nome atual, o local foi associado a nomes como Stadio dei Cipressi e Stadio dei Centomila. O segundo nome explicava a ambição original: criar um estádio capaz de receber cerca de 100 mil pessoas, em uma época em que muitos públicos ainda eram acomodados em setores de pé e as normas de segurança eram muito diferentes das atuais.

A construção, porém, não seguiu um caminho simples. O desenvolvimento foi afetado pela Segunda Guerra Mundial, que interrompeu obras, mudou prioridades e atrasou a consolidação do estádio. Depois do conflito, o Comitê Olímpico Italiano assumiu papel central na conclusão do projeto, já em outro contexto político e esportivo.

A inauguração oficial aconteceu em 17 de maio de 1953, com Itália x Hungria. A Hungria venceu por 3 a 0, com gol de Nándor Hidegkuti e dois de Puskás. O detalhe dá mais peso ao jogo: a abertura do estádio não foi uma festa tranquila da seleção italiana, mas uma derrota para uma das maiores equipes nacionais da época, a chamada geração dourada húngara.

Pouco depois, Roma e Lazio passaram a usar o estádio como casa para suas partidas. A partir dali, o Olimpico deixou de ser apenas uma obra de arquitetura esportiva e passou a ser um palco vivo da cidade.

Capacidade do estádio

Atualmente fica na faixa dos 68 mil a 70 mil lugares, dependendo da configuração, operação e tipo de evento. No mapa de setores usado pela Roma, o total informado é de 68.530 lugares, distribuídos entre Tribuna Monte Mario, Tribuna Tevere, Distinti, Curva Sud e Curva Nord.

A divisão das arquibancadas também ajuda a explicar a identidade do estádio. A Curva Sud é tradicionalmente associada à torcida da Roma. A Curva Nord é ligada à Lazio. Como os dois clubes dividem o mesmo estádio, o mando de campo muda a operação, a atmosfera e o protagonismo visual de cada setor.

O Olimpico já teve capacidade maior no passado. Na fase do Stadio dei Centomila, o projeto chegou a ser associado a públicos próximos de 100 mil pessoas. Com o tempo, a instalação de cadeiras, as regras modernas de segurança, as reformas para grandes competições e a reorganização de setores reduziram a capacidade bruta, mas melhoraram conforto, controle, visibilidade e operação.

Essa transformação é comum em estádios antigos. O número absoluto de torcedores diminui, mas o estádio se adapta às exigências do futebol moderno, sem perder o peso histórico.

Reformas e modernização

Ele passou por diferentes fases de transformação. A primeira grande consolidação veio para os Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, quando o estádio ganhou projeção mundial como centro da competição. A partir daquele momento, o nome Olimpico passou a representar não apenas o estádio, mas a própria memória olímpica da cidade.

Nos Jogos daquele ano, o estádio recebeu as cerimônias de abertura e encerramento, além das provas de atletismo. Esse detalhe é importante porque o Olimpico não virou “olímpico” apenas por nome comercial ou simbólico: ele realmente foi um dos palcos centrais de uma edição dos Jogos.

A reforma mais marcante veio para a Copa do Mundo de 1990. O estádio foi profundamente remodelado para receber jogos do torneio e, principalmente, a final. As arquibancadas foram modernizadas, parte da estrutura foi reconstruída, as curvas foram aproximadas do campo e a cobertura passou a envolver o estádio, dando á aparência mais próxima da atual.

Esse processo mudou o estádio de forma clara. Antes, ele era majoritariamente aberto, com exceção de setores específicos. Depois da reforma para o Mundial, virou uma arena coberta, mais adequada ao padrão internacional da época, com novos recursos para imprensa, autoridades, segurança e eventos de grande escala.

Houve também ajustes posteriores, incluindo melhorias para receber a final da Champions League de 2009. Como todo estádio antigo em uso constante, o Olimpico não é uma peça congelada no tempo. Ele continua sendo adaptado, mas sem perder a base histórica que o torna reconhecível.

O estádio e a guerra mundial

O impacto da Segunda Guerra Mundial no Stadio Olimpico está ligado principalmente à interrupção e ao atraso do projeto.

A estrutura original fazia parte de uma visão esportiva iniciada antes da guerra, mas o conflito mudou completamente o ritmo das obras. O estádio só foi concluído e inaugurado oficialmente no pós-guerra, em 1953. Por isso, a história do Olimpico é também uma história de transição: nasce de um projeto dos anos 1930, atravessa o trauma europeu da guerra e se afirma como símbolo esportivo da Itália republicana.

Esse detalhe é importante porque diferencia o Olimpico de estádios modernos construídos do zero em poucos anos. Ele carrega marcas de diferentes períodos da Itália: a origem no complexo do Foro Italico, a interrupção da guerra, a retomada no pós-guerra, a afirmação olímpica em 1960 e a modernização para 1990.

Copa do Mundo

O Stadio Olimpico teve papel central na Mundial de 1990. Roma recebeu seis jogos do torneio, incluindo cinco partidas da seleção italiana e a grande final.

A Itália jogou contra Áustria, Estados Unidos e Tchecoslováquia na fase de grupos. Depois, voltou ao estádio nas oitavas de final contra o Uruguai e nas quartas de final contra a Irlanda. Em todos esses jogos, a Azzurra venceu sem sofrer gols.

Esse recorte mostra por que o estádio foi tão importante para a seleção italiana naquela Copa. O Olimpico funcionou como a principal casa da seleção no torneio, até a semifinal contra a Argentina, que foi disputada em Nápoles.

A final também aconteceu no Olimpico em 8 de julho. A Alemanha Ocidental venceu a Argentina por 1 a 0, com gol de pênalti de Andreas Brehme nos minutos finais. A partida ficou marcada pelo clima tenso, pelas expulsões argentinas e por ser uma revanche da final de 1986, quando a Argentina havia derrotado os alemães no México.

Para o estádio, aquela decisão consolidou o Olimpico como um dos grandes palcos do futebol mundial. Poucos estádios podem dizer que receberam Olimpíada, final de Copa do Mundo, Eurocopa e finais de Champions. O de Roma pode.

Seleção italiana no Olimpico

A seleção nacional tem uma relação forte com o estádio, recebeu a inauguração oficial com Itália 0 a 3 Hungria, em 1953, e depois se tornou um dos principais palcos da Azzurra em Roma.

Na Euro 2020, disputada em 2021, a seleção voltou a usar o Olimpico como ponto de partida: venceu Turquia por 3 a 0 na abertura, bateu a Suíça por 3 a 0 e depois derrotou o País de Gales por 1 a 0.

Esses jogos mostram que o Olimpico não é apenas uma arena de clubes. É também um estádio de seleção. Quando a Itália joga em Roma, o estádio funciona como ponto de encontro entre a tradição da capital, a camisa azul e a memória esportiva dos torcedores.

Eurocopas no estádio

Também recebeu jogos importantes de Eurocopas em diferentes épocas. Na Euro 1968, o estádio foi decisivo para a primeira conquista continental da Itália porque recebeu as duas partidas da final contra a Iugoslávia.

O primeiro jogo terminou 1 a 1, em 8 de junho de 1968. Como o regulamento previa replay em caso de empate na decisão, Itália e Iugoslávia voltaram ao estádio dois dias depois. No segundo jogo, a Itália venceu por 2 a 0, com gols de Luigi Riva e Pietro Anastasi, e conquistou sua primeira Eurocopa.

Na Euro 1980, o estádio voltou a receber a decisão. A Alemanha Ocidental venceu a Bélgica por 2 a 1, com dois gols de Horst Hrubesch, e conquistou o título continental em Roma.

Finais europeias e grandes decisões

O Stadio Olimpico tem um currículo pesado em finais europeias. Recebeu decisões da antiga Copa dos Campeões da Europa e da Champions League, além de partidas decisivas de outras competições internacionais.

Entre as finais mais marcantes estão Liverpool 3 a 1 Borussia Mönchengladbach, em 1977.

A final de 1984 é especialmente lembrada pela ligação com a cidade. A Roma chegou à decisão em casa, diante de sua torcida, contra o Liverpool. O jogo terminou empatado em 1 a 1, com gol romanista de Roberto Pruzzo, mas o clube inglês venceu a disputa por pênaltis. Para o estádio, foi uma noite histórica; para a Roma, uma ferida esportiva que atravessa gerações.

Em 1996, a Juventus conquistou a Champions no Olimpico contra o Ajax. Em 2009, o Barcelona de Lionel Messi, Xavi, Iniesta e Guardiola venceu o Manchester United por 2 a 0, com gols de Samuel Eto’o e Messi, e fechou uma das temporadas mais marcantes da história recente do clube catalão.

Olimpíada, atletismo e grandes eventos

O Olimpico também recebeu eventos importantes do atletismo mundial e europeu. Foi palco do Europeu de Atletismo de 1974, do Mundial de Atletismo de 1987 e voltou a receber o Europeu em 2024. Além disso, abriga o Golden Gala, uma das etapas mais tradicionais do atletismo internacional.

Essa diversidade de eventos dá ao estádio uma dimensão rara. Ele não pertence apenas à memória da Roma ou da Lazio. Pertence também à história da Itália, da UEFA, dos Jogos Olímpicos, do atletismo e de grandes competições internacionais.

Quantas partidas já aconteceram no estádio?

É seguro afirmar que o estádio já recebeu de mais de três mil jogos.

Essa estimativa ajuda a entender a grandeza do estádio. Ele não é lembrado apenas por noites específicas. Ele é um palco de rotina histórica, usado semana após semana por dois clubes grandes, além de receber eventos nacionais e internacionais por mais de 70 anos.

Títulos levantados

O estádio já viu títulos de seleção, como a Euro 1968 da Itália, a Euro 1980 da Alemanha Ocidental e a Copa do Mundo de 1990 também da Alemanha Ocidental. Também recebeu finais europeias vencidas por Liverpool, Juventus e Barcelona.

No futebol italiano, o Olimpico tem peso ainda maior porque recebe decisões de Coppa Italia e Supercoppa Italiana. Desde 2008, a final da Coppa Italia passou a ser disputada de forma recorrente no estádio, o que aumentou o número de taças nacionais erguidas no gramado romano.

No contexto da cidade, Roma e Lazio também tiveram momentos de celebração marcantes no estádio. A Lazio também celebrou conquistas centrais de sua trajetória, incluindo o primeiro Scudetto de sua história, confirmado no estádio em 1974.

Recordes de público

O número é associado a Lazio x Foggia, em 12 de maio de 1974. A Lazio venceu por 1 a 0, com gol de pênalti de Giorgio Chinaglia, e confirmou o primeiro título italiano de sua história. O público registrado foi de 78.886 pessoas.

Esse número mostra a diferença entre o estádio antigo e o estádio atual. Hoje, com cadeiras, normas de segurança e setores mais controlados, o Olimpico trabalha com capacidade menor. Nos anos 1970, a configuração permitia públicos maiores, especialmente em jogos de enorme apelo popular.

O Derby della Capitale

Poucos jogos explicam melhor o Stadio Olimpico do que, Roma x Lazio, pois não é apenas um clássico local. É uma disputa de território simbólico dentro do mesmo estádio.

Quando a Roma é mandante, a Curva Sud assume o centro emocional da partida. Quando a Lazio é mandante, a Curva Nord ganha protagonismo. O gramado é o mesmo, a cidade é a mesma, mas o estádio muda de atmosfera conforme o clube que recebe o jogo.

Esse detalhe dá ao Olimpico uma característica rara. Em muitos lugares, o estádio é uma extensão de um clube. Em Roma, ele é um palco de disputa permanente entre duas identidades. Isso aumenta a tensão, a beleza e a complexidade do estádio como patrimônio esportivo.

Maior artilheiro

Ciro Immobile marcou 120 gols no estádio. O número tem peso especial porque coloca um jogador da Lazio no topo de uma arena compartilhada também pela Roma e usada por tantos grandes nomes do futebol italiano.

No recorte específico da Roma, Francesco Totti é o nome mais simbólico. Ele não é apenas o maior ídolo moderno do clube, mas também um personagem inseparável do Olimpico. Grande parte de sua carreira, de seus gols e de sua relação com a torcida aconteceu naquele estádio.

Essa diferença é importante: Immobile aparece como referência estatística do estádio, enquanto Totti representa a memória romanista mais forte dentro dele.

Além do futebol

O Stadio Olimpico também é relevante fora do futebol. O estádio recebeu provas olímpicas, campeonatos mundiais e europeus de atletismo, o tradicional Golden Gala e partidas de rugby da seleção italiana, especialmente no contexto do Seis Nações.

Além disso, é um dos grandes palcos de shows da Itália. Artistas nacionais e internacionais já transformaram o estádio em arena cultural, reforçando sua função como espaço multiuso da capital.

Essa versatilidade aumenta a importância dele. Ele não é apenas um estádio antigo preservado por nostalgia. É uma estrutura que continua funcionando em alto nível para futebol, rugby, atletismo, entretenimento e eventos internacionais.

Por que o Stadio Olimpico é tão importante

Porque concentra várias histórias em um só lugar. Ele nasceu de um projeto esportivo antigo, foi concluído no pós-guerra, virou símbolo olímpico, recebeu Copa do Mundo, Eurocopas, finais europeias e se manteve como casa de dois clubes grandes da Serie A.

Poucos estádios têm essa combinação. Alguns são mais modernos. Outros são mais confortáveis. Outros pertencem de forma mais clara a um único clube. O Olimpico, porém, tem algo difícil de replicar: ele é um estádio de cidade, de seleção, de rivalidade, de eventos globais e de memória coletiva.

No Brasil, o Mineirão construiu parte de sua grandeza como estádio de Cruzeiro, Atlético, Seleção Brasileira e decisões históricas, mostrando como algumas arenas ultrapassam a identidade de um único clube e passam a representar uma cidade inteira.

Para a Roma, é casa. Para a Lazio, também. Para a seleção italiana, é um dos palcos mais tradicionais. Para o futebol europeu, é um estádio de finais. Para o esporte olímpico, é parte da história. Para o torcedor, é um lugar onde o peso do passado aparece em cada jogo.