O Flamengo deixou a Argentina com um resultado melhor do que sua atuação. Nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, o Rubro-Negro empatou sem gols com o Estudiantes de La Plata, no Estádio Jorge Luis Hirschi, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores. A equipe comandada por Leonardo Jardim encontrou dificuldades para construir jogadas ofensivas, passou boa parte da partida sob pressão e precisou de intervenções importantes de seus defensores para evitar a derrota.
O empate manteve o confronto completamente aberto para o segundo jogo, marcado para 22 de outubro, no Maracanã. Uma vitória por qualquer placar garante a classificação à final para Flamengo ou Estudiantes. Caso ocorra outro empate, a vaga será decidida nos pênaltis.
O resultado também preservou a invencibilidade do Flamengo na Libertadores de 2026. Após a partida em La Plata, o clube brasileiro passou a acumular sete vitórias e quatro empates na competição, mantendo uma campanha consistente em resultados, embora o desempenho ofensivo apresentado na Argentina tenha ficado distante do esperado para uma semifinal continental.
O primeiro tempo
O Estudiantes começou a partida tentando transformar o apoio da torcida em pressão sobre a defesa brasileira. Com marcação agressiva, disputas físicas e presença constante no campo ofensivo, os argentinos dificultaram a circulação de bola do Flamengo e construíram as principais oportunidades da etapa inicial.
Logo aos dois minutos, Baltasar Rodríguez arriscou de fora da área e obrigou Agustín Rossi a defender em dois tempos. O lance antecipou o que seria a primeira etapa: o Estudiantes buscava finalizar sempre que encontrava espaço, enquanto o Flamengo tinha dificuldade para transformar a posse de bola em oportunidades claras.
Aos 15 minutos, Rodríguez voltou a ameaçar. O jogador invadiu a área pelo lado direito e finalizou cruzado. A bola desviou em Alex Sandro e saiu pela linha de fundo.
A principal oportunidade argentina aconteceu aos 32 minutos. Após um cruzamento e de um corte incompleto de Léo Ortiz, Tiago Palacios aproveitou a sobra dentro da área e finalizou. A bola passou por Rossi, mas Léo Pereira apareceu praticamente sobre a linha para impedir o gol.
A intervenção do zagueiro foi um dos momentos mais importantes da partida. Sem ela, o Flamengo poderia ter chegado ao intervalo em desvantagem, diante de um adversário que havia conseguido impor seu ritmo durante boa parte do primeiro tempo.
Ofensivamente, o Rubro-Negro encontrou poucos caminhos. Samuel Lino e Bruno Henrique tentaram explorar os lados do campo, enquanto Carrascal e Lucas Paquetá participaram da construção, mas o time não conseguiu produzir finalizações suficientemente perigosas para exigir intervenções de Fernando Muslera.
Nos acréscimos, Saúl ainda finalizou para fora depois de uma jogada iniciada por Paquetá, encerrando uma primeira etapa em que o Flamengo ofereceu pouca resistência ofensiva à pressão argentina.
Segundo tempo
O Flamengo passou a ter mais oportunidades de circulação de bola, mas continuou sem encontrar profundidade e precisão no último passe.
O Estudiantes, por sua vez, seguiu explorando jogadas pelos lados e bolas levantadas na área. Aos 12 minutos, Santiago Núñez cabeceou para fora depois de uma cobrança de escanteio.
O Flamengo tentou responder com jogadas envolvendo Carrascal e Bruno Henrique. Aos 22 minutos, os dois tabelaram dentro da área, mas a defesa argentina conseguiu interromper a movimentação antes da conclusão.
Aos 33 minutos, o Estudiantes voltou a ficar próximo do gol. Depois de uma sequência de escanteios, Núñez finalizou dentro da área, mas Alex Sandro apareceu para bloquear a bola que seguia em direção à meta rubro-negra.
Foi a segunda intervenção decisiva de um defensor do flamenguista na partida, repetindo o papel desempenhado por Léo Pereira durante o primeiro tempo.
Na reta final, o Estudiantes ainda tentou encontrar o gol da vitória com Cetré, que finalizou pela esquerda aos 37 minutos, exigindo defesa de Rossi.
Apesar das alterações promovidas por Leonardo Jardim, incluindo as entradas de Pedro e Gonzalo Plata, o time não conseguiu modificar significativamente seu rendimento ofensivo. O placar permaneceu zerado até o apito final.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
Os números da partida
As estatísticas ajudam a explicar por que o empate foi considerado um resultado favorável ao Flamengo diante das circunstâncias do confronto.
O time brasileiro terminou com 55% de posse de bola, mas essa superioridade não se traduziu em oportunidades claras. Ao longo da partida, foram apenas cinco finalizações, nenhuma delas na direção do gol de Muslera.
Do outro lado, o Estudiantes registrou 21 finalizações, sendo seis no alvo, demonstrando maior presença ofensiva e capacidade de chegar à área adversária.
O contraste entre posse de bola e volume de finalizações foi uma das principais características do confronto. O Flamengo conseguiu manter a bola durante determinados períodos, mas encontrou dificuldades para superar a marcação argentina e levar perigo à defesa adversária.
Problemas no ataque flamenguista
A principal dificuldade rubro-negra esteve na ligação entre o meio-campo e o setor ofensivo.
Mesmo com jogadores de capacidade técnica reconhecida, como Lucas Paquetá, Carrascal e Samuel Lino, o time não encontrou soluções consistentes para ultrapassar a pressão exercida pelo Estudiantes.
Bruno Henrique, escolhido para começar como referência ofensiva, recebeu poucas bolas em condições favoráveis de finalização. Sem conseguir explorar adequadamente a velocidade do atacante, o time brasileiro perdeu uma de suas principais possibilidades de ataque.
A entrada de Pedro na etapa final ofereceu outra característica ao setor ofensivo, mas não foi suficiente para alterar o panorama da partida.
O desempenho também evidenciou a importância da movimentação sem bola em confrontos eliminatórios. A posse, isoladamente, não garantiu superioridade ao Flamengo. Faltaram aproximações, passes capazes de romper as linhas argentinas e presença mais efetiva dentro da área.
Em compensação, o sistema defensivo respondeu nos momentos de maior dificuldade. Léo Pereira e Alex Sandro tiveram participações fundamentais, enquanto Rossi conseguiu preservar o empate quando exigido.
Resultado ainda foi positivo
Em uma semifinal disputada em dois jogos, o placar da primeira partida precisa ser analisado dentro de um confronto de 180 minutos.
O Flamengo não conquistou uma vantagem no placar agregado, mas conseguiu atravessar uma partida difícil como visitante sem chegar ao segundo jogo em desvantagem.
A situação permite ao clube disputar a classificação no Maracanã dependendo exclusivamente de uma vitória simples.
Entretanto, o histórico recente do Estudiantes nesta edição da Libertadores exige atenção. Nas oitavas de final, os argentinos empataram por 1 a 1 com a Universidad Católica em casa e venceram por 3 a 0 no Chile.
Nas quartas de final, o roteiro voltou a acontecer. Depois de empatar por 1 a 1 com o Corinthians em La Plata, o Estudiantes venceu por 1 a 0 na Neo Química Arena e garantiu sua classificação fora de casa.
Esses resultados demonstram que o adversário argentino já conseguiu superar situações semelhantes na competição. Portanto, o mando de campo brasileiro representa uma condição favorável, mas não assegura a vaga.
O jogo de volta
O confronto decisivo está marcado para quinta-feira, 22 de outubro de 2026, às 21h30, pelo horário de Brasília, no Estádio do Maracanã.
O cenário da classificação é simples:
- Vitória do Flamengo: classificação rubro-negra para a final.
- Vitória do Estudiantes: classificação argentina para a final.
- Empate por qualquer placar: decisão por pênaltis.
A semifinal não utiliza o critério do gol marcado fora de casa. Assim, mesmo um empate com gols no Maracanã levará a disputa para as penalidades.
O vencedor enfrentará Palmeiras ou Fluminense na decisão da Libertadores de 2026, programada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai.
Enquanto Flamengo e Estudiantes disputam uma das vagas na decisão continental, a outra semifinal reúne dois gigantes brasileiros. O confronto entre Fluminense e Palmeiras também ganhou destaque na competição, e os detalhes sobre o duelo, os gols e o resultado estão na cobertura da vitória palmeirense, que completa o cenário da disputa por uma vaga na grande final.
Uma semifinal aberta
O empate sem gols em La Plata deixou uma leitura clara: o Flamengo conseguiu um resultado importante diante das dificuldades apresentadas, mas precisará de uma atuação ofensiva mais eficiente para transformar a igualdade em classificação.
O Estudiantes demonstrou capacidade de pressionar, disputar espaços e criar oportunidades mesmo diante de um adversário tecnicamente qualificado. A equipe argentina, porém, não conseguiu aproveitar o domínio territorial e as chances construídas para abrir vantagem.
Para o Flamengo, o principal ponto positivo foi a resistência defensiva. O time suportou os momentos mais difíceis, contou com atuações decisivas de seus jogadores de defesa e preservou a igualdade no confronto.
Depois de uma noite de resistência na Argentina, o Rubro-Negro precisará combinar a segurança defensiva demonstrada em La Plata com uma produção ofensiva muito mais eficiente. É essa evolução que poderá transformar o empate da primeira partida em mais uma classificação para a final da Copa Libertadores.