A semifinal da Copa Libertadores de 2026 entre Flamengo e Estudiantes terminou com uma eliminação dolorosa da campanha rubro-negra. Nesta quinta-feira, em 22 de outubro, diante de 72.000 torcedores no Maracanã, o Flamengo precisava de uma vitória simples para chegar à decisão continental, mas encontrou dificuldades para transformar a superioridade territorial em oportunidades claras de gol.
Depois do empate sem gols no jogo de ida, em La Plata, as equipes repetiram o 0 a 0 no Rio de Janeiro. A classificação foi definida nas penalidades, quando Fernando Muslera defendeu três cobranças e garantiu a vitória argentina por 3 a 2. Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique foram os jogadores do Flamengo que pararam no goleiro uruguaio.
A partida ficou especialmente marcada pela expulsão de Baltasar Rodríguez no início do segundo tempo. Mesmo atuando com um jogador a mais, a equipe comandada por Leonardo Jardim não conseguiu romper o sistema defensivo organizado por Alexander Medina.
Primeiro tempo: visitante cria as melhores oportunidades
Apesar de atuar fora de casa, o Estudiantes começou a partida demonstrando capacidade para pressionar o Flamengo e explorar espaços na defesa brasileira.
O time argentino encontrou boas oportunidades nos minutos iniciais, principalmente em jogadas próximas à área rubro-negra. Agustín Rossi precisou trabalhar para evitar que os visitantes abrissem o placar.
Um dos principais lances aconteceu aos 16 minutos. Baltasar Rodríguez finalizou de fora da área, Rossi conseguiu tocar na bola e ela ainda acertou a trave antes de sair para escanteio.
O Flamengo demorou para conseguir construir oportunidades mais perigosas.
Em uma das primeiras boas combinações ofensivas, Carrascal encontrou Pedro dentro da área. O atacante utilizou um toque de calcanhar para deixar Emerson Royal em condições de finalizar, mas Santiago Núñez apareceu para bloquear a tentativa.
Aos 32 minutos, Pedro voltou a levar perigo. O centroavante ganhou a disputa contra os marcadores, entrou na área e finalizou de maneira perigosa. Carrascal quase conseguiu completar a jogada na segunda trave.
Embora tenha apresentado maior volume de posse de bola, o Flamengo não conseguiu impor a superioridade ofensiva que precisava. A movimentação entre os setores não foi suficiente para desorganizar a marcação argentina, e a equipe terminou a primeira etapa sem acertar uma finalização na direção do gol.
O empate sem gols levou a decisão para o intervalo ainda completamente aberta.
Segundo tempo: expulsão muda a partida, mas Flamengo não aproveita
O momento que poderia ter transformado a semifinal aconteceu logo aos quatro minutos do segundo tempo.
Baltasar Rodríguez cometeu uma falta em Samuel Lino nas proximidades da área, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. O Estudiantes passou a disputar praticamente toda a etapa final com dez jogadores.
Na cobrança da falta, Lucas Paquetá obrigou Muslera a trabalhar.
A superioridade numérica fez o Flamengo assumir de maneira ainda mais clara o controle territorial da partida. O Estudiantes recuou suas linhas, protegeu a entrada da área e passou a concentrar esforços na organização defensiva.
Leonardo Jardim tentou aumentar a criatividade rubro-negra e colocou Arrascaeta em campo aos 18 minutos, substituindo Carrascal. O uruguaio retornou aos gramados depois de passar por uma cirurgia no punho.
Mesmo com a mudança, o Flamengo encontrou dificuldades para acelerar as jogadas e produzir finalizações em posições favoráveis. A equipe insistiu em cruzamentos e na circulação da bola ao redor da área, mas o Estudiantes manteve a compactação e conseguiu afastar grande parte das tentativas.
Na reta final, Leonardo Jardim lançou Bruno Henrique, Gonzalo Plata e Ayrton Lucas. As mudanças ampliaram as alternativas ofensivas e deram novo impulso à pressão rubro-negra.
Aos 36 minutos, Paquetá encontrou Plata com um excelente passe por elevação. O equatoriano apareceu em condições de finalizar de cabeça, mas Muslera saiu do gol e realizou uma defesa importante. Pouco depois, aos 41 minutos, Paquetá também teve uma oportunidade pelo alto. Sua cabeçada passou muito perto da trave.
Apesar da pressão nos minutos finais, o Flamengo não conseguiu marcar. A defesa argentina resistiu até o apito final, e o segundo empate por 0 a 0 levou a classificação para os pênaltis.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
Muslera decide nos pênaltis
A disputa nas penalidades transformou o experiente goleiro uruguaio Fernando Muslera no principal personagem da semifinal.
O Flamengo começou bem, com Arrascaeta convertendo a primeira cobrança. José Sosa respondeu para o Estudiantes e deixou tudo igual.
Na segunda cobrança rubro-negra, Jorginho parou em Muslera, que conseguiu defender a finalização do volante.
O Estudiantes também desperdiçou sua segunda tentativa. Edwin Cetré chegou a colocar a bola na rede, mas a cobrança precisou ser repetida porque o jogador tocou duas vezes na bola durante a execução. Na nova tentativa, mandou por cima do gol.
Lucas Paquetá foi o terceiro cobrador do Flamengo e também teve sua finalização defendida por Muslera.
Na sequência, Eros Mancuso converteu para os argentinos. Léo Pereira manteve o Flamengo vivo ao acertar sua cobrança, mas Tiago Palacios também marcou para o Estudiantes.
A responsabilidade da quinta cobrança rubro-negra ficou com Bruno Henrique.
O atacante precisava marcar para prolongar a disputa, mas Muslera realizou sua terceira defesa e encerrou a semifinal.
O Estudiantes venceu por 3 a 2 e confirmou sua classificação à final da Libertadores de 2026.
Motivos da eliminação
O resultado não pode ser explicado apenas pelas três cobranças desperdiçadas.
O Flamengo teve praticamente todo o segundo tempo em superioridade numérica, mas não conseguiu transformar essa condição em vantagem no placar.
Um dos principais problemas foi a dificuldade para encontrar espaços entre as linhas defensivas do Estudiantes.
A equipe argentina conseguiu proteger a região central, reduzir os espaços próximos à área e obrigar os brasileiros a recorrerem frequentemente a cruzamentos.
O Flamengo movimentou a bola e pressionou durante boa parte do segundo tempo, mas produziu poucas situações realmente favoráveis de finalização.
A presença de Pedro no ataque, a movimentação de Samuel Lino e Carrascal e a entrada de Arrascaeta não foram suficientes para superar o sistema defensivo dos visitantes.
Por outro lado, o Estudiantes demonstrou disciplina tática e resistência emocional. Mesmo em desvantagem numérica, conseguiu manter sua organização e conduzir o confronto até a disputa por pênaltis.
Uma revanche da Libertadores de 2025
A classificação do Estudiantes ganhou um significado adicional pelo histórico recente entre os clubes.
Nas quartas de final da Libertadores da temporada passada, o Flamengo havia vencido o primeiro confronto por 2 a 1 no Maracanã. Na volta, em La Plata, os argentinos ganharam por 1 a 0 e levaram a decisão para os pênaltis.
Naquela ocasião, Agustín Rossi foi decisivo e ajudou o Flamengo a avançar. O time carioca posteriormente conquistou a competição, derrotando o Palmeiras na final.
Em 2026, o roteiro dos pênaltis voltou a aparecer, mas com os papéis invertidos.
Desta vez, foi o goleiro do Estudiantes quem decidiu a classificação. Muslera assumiu o protagonismo e colocou fim à tentativa rubro-negra de conquistar o bicampeonato consecutivo.
Estudiantes chega à final contra o Palmeiras
A classificação colocou o clube argentino na decisão da Libertadores de 2026 contra o Palmeiras, que eliminou o Fluminense na outra semifinal.
O time paulista, que também precisou superar uma semifinal dramática para seguir na disputa pelo título continental. Eliminou o Fluminense também em uma decisão por penalidades, em outro confronto marcado pelo equilíbrio e pela tensão do mata-mata. A classificação palmeirense completou o cenário de uma edição em que as duas vagas na grande decisão foram definidas na marca da cal.
A final está marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai.
O Estudiantes chegou à decisão buscando seu quinto título continental, depois das conquistas de 1968, 1969, 1970 e 2009.
Para o clube argentino, a campanha representou o retorno à final da Libertadores após 17 anos. Sua última presença havia terminado com o título de 2009, conquistado diante do Cruzeiro.
Uma eliminação marcada pela falta de eficiência
A semifinal entre Flamengo e Estudiantes entrou para a história da Libertadores de 2026 como um confronto decidido pela resistência defensiva argentina e pelo desempenho extraordinário de Fernando Muslera nos pênaltis.
O Flamengo teve o mando de campo, o apoio de mais de 72 mil torcedores e uma vantagem numérica durante quase metade da partida. Ainda assim, não conseguiu construir o resultado necessário para chegar à final.
Para o Estudiantes, a classificação simbolizou a capacidade de competir em condições desfavoráveis, sustentar uma estratégia defensiva e aproveitar o momento decisivo.
Para o Flamengo, a eliminação deixou uma conclusão difícil de ignorar: ao longo de dois jogos de semifinal, o Rubro-Negro não conseguiu marcar um único gol.
No fim, a vaga não foi definida pelo volume de posse de bola ou pelo tempo de permanência no campo ofensivo. Foi decidida pela capacidade de resistir, aproveitar os erros adversários e executar melhor as cobranças de pênaltis.
E, naquele Maracanã, o grande nome da classificação foi Fernando Muslera.