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Fluminense x Independiente Rivadavia pela Libertadores: reencontro abre oitavas no Maracanã

Equipes voltam a se enfrentar nesta terça-feira, 11 de agosto de 2026, agora pelo mata-mata, depois de dois duelos na fase de grupos, brasileiros e argentinos iniciam no Rio de Janeiro uma série que será decidida uma semana depois em Mendoza.

Por Corte dos Esportes · 11/08/2026 · Categoria: Futebol

Fluminense e Rivadavia protagonizam nesta terça-feira um dos confrontos mais particulares das oitavas de final da Copa Libertadores de 2026. O jogo de ida será disputado às 19h, no Maracanã, e coloca frente a frente dois clubes que já se conhecem bem na atual edição da competição: eles dividiram o Grupo C e se enfrentaram duas vezes antes do reencontro no mata-mata.

Para o Tricolor Carioca, o duelo representa a oportunidade de mudar o roteiro construído na primeira fase. O time não conseguiu derrotar o adversário nos dois encontros anteriores e, mais do que isso, sofreu diante dos argentinos justamente no Maracanã. Para o clube de Mendoza, por outro lado, a eliminatória é a continuação de uma campanha histórica em sua primeira participação na Libertadores.

A classificação tricolor foi construída com recuperação na reta final do Grupo C. O Fluminense chegou à última rodada pressionado, mas derrotou o Deportivo La Guaira por 3 a 1 no Maracanã, com gols de Jefferson Savarino, Hércules e Agustín Canobbio, garantindo o segundo lugar da chave. O resultado encerrou uma fase irregular, marcada por duas derrotas, mas suficiente para colocar o campeão continental de 2023 novamente entre os 16 melhores da América.

Aquele desfecho pode ser retomado na classificação às oitavas da Libertadores de 2026, que colocou o clube justamente no caminho de um adversário que havia sido um dos grandes obstáculos durante a fase de grupos.

Os jogos anteriores

O retrospecto recente é um dos principais elementos da eliminatória. Na segunda rodada da fase de grupos, em 15 de abril, o Fluminense abriu o placar com Guilherme Arana, aos 10 minutos do primeiro tempo. A equipe argentina reagiu ainda antes do intervalo, quando Fabrizio Sartori empatou aos 37. Logo aos seis minutos da etapa final, Álex Arce marcou o gol que definiu a vitória por 2 a 1.

O resultado entrou para a história do clube de Mendoza. O Independiente Rivadavia disputava sua primeira Libertadores e conseguiu vencer justamente no Maracanã em sua primeira partida como visitante na competição. Às vésperas das oitavas, a Conmebol destaca que apenas quatro clubes argentinos haviam conseguido ganhar no estádio pela Libertadores: Independiente, Argentinos Juniors, Central Córdoba e o próprio Independiente Rivadavia.

No segundo confronto entre os clubes, em Mendoza, a vitória voltou a ficar próxima dos argentinos. Álex Arce abriu o placar aos 21 minutos do segundo tempo, mas John Kennedy apareceu nos acréscimos e empatou aos 46. O 1 a 1 manteve o Fluminense vivo na disputa por classificação, enquanto o Independiente Rivadavia confirmou antecipadamente sua vaga nas oitavas.

Portanto, o encontro desta terça-feira será o terceiro em apenas uma edição da Libertadores. É também uma situação incomum na história tricolor: esta será somente a terceira edição do torneio em que o clube enfrentará um mesmo adversário mais de duas vezes. As anteriores aconteceram contra a LDU, em 2008, e diante do Boca Juniors, em 2012.

A grande surpresa do mata-mata

Se a camisa e a experiência continental dão peso ao Fluminense, a campanha de 2026 impede qualquer tratamento do Independiente Rivadavia como um adversário comum.

O time comandado por Alfredo Berti terminou o Grupo C na liderança, invicto, com cinco vitórias e um empate.

Foram 15 gols marcados na fase de grupos. Foi a maior produção de um clube argentino em uma fase de grupos da Libertadores desde os 18 gols do River Plate em 2022. Entre equipes estreantes, nenhum clube fazia 15 gols nessa etapa desde o Monarcas Morelia, do México, em 2002.

A principal ameaça

Nenhum jogador simboliza melhor essa campanha do que Álex Arce. O atacante paraguaio chegou às oitavas como artilheiro da Libertadores, com oito gols.

Dois desses gols foram justamente contra o Fluminense. Também fez três gols na goleada sobre o Deportivo La Guaira e mais três diante do mesmo adversário no encontro disputado na Venezuela.

Além de Arce, Matías Fernández aparece como uma das referências criativas da equipe. O meia é uma das figuras centrais da equipe na competição. Para as oitavas, porém, Alfredo Berti precisará reorganizar o setor ofensivo em relação à formação que brilhou no primeiro semestre, com Sebastián Villa fora daquele desenho que levou o clube à liderança do grupo.

Choque de estilos pode definir o confronto

Os números da fase de grupos mostram uma diferença interessante na maneira como os dois clubes construíram suas campanhas.

O Fluminense foi a equipe com mais sequências de pelo menos dez passes na primeira fase da Libertadores: foram 102, 17 a mais que o Corinthians, segundo colocado nesse indicador. O Independiente Rivadavia apareceu praticamente no extremo oposto, com apenas 14 sequências desse tipo, sendo o segundo time com menos ocorrências entre os participantes da fase.

Isso ajuda a explicar o contraste. O Fluminense procura construir com maior circulação de bola e períodos prolongados de posse, enquanto o adversário já mostrou nos encontros anteriores capacidade para transformar recuperações, jogo direto e aceleração ofensiva em situações perigosas.

No primeiro jogo no Maracanã, por exemplo, o gol da virada argentina nasceu de uma reposição longa do goleiro Nicolás Bolcato, seguida pela participação ofensiva de Sebastián Villa e pela definição de Álex Arce dentro da área. Foi um lance que resumiu a capacidade do Independiente Rivadavia de chegar ao ataque sem precisar de longas sequências de passes.

Histórico das oitavas favorece o Fluminense

Apesar das dificuldades contra o rival argentino durante a fase de grupos, o time carioca carrega um retrospecto expressivo quando chega às oitavas da Libertadores.

O clube avançou em seis das sete vezes em que disputou essa etapa da competição. A única eliminação aconteceu diante do Libertad, em 2011. A taxa de classificação de 86% é a segunda maior entre as equipes que disputaram mais de três oitavas de final, atrás apenas do Santos.

Há ainda o peso recente de uma conquista que mudou o patamar continental do clube. Campeão da Libertadores em 2023, o Fluminense tenta construir outra campanha longa sob o comando de Luis Zubeldía. Para o mata-mata de 2026, o elenco recebeu nomes de grande experiência, como Hulk e Thiago Silva.

Como chegam as equipes

O Fluminense chega ao mata-mata vivendo um contraste importante entre a posição no Campeonato Brasileiro e o ambiente criado pelos últimos resultados. O empate por 1 a 1 com o Botafogo, no Nilton Santos, levou o Tricolor aos 35 pontos e manteve a equipe no G-4 do Brasileirão, mas não encerrou a sequência sem vitórias desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo. O momento ganhou peso principalmente pela queda de rendimento ofensivo e pela eliminação diante do Vasco nas oitavas da Copa do Brasil.

A derrota por 3 a 1 para o rival no Maracanã, depois do 0 a 0 no jogo de ida, colocou Luis Zubeldía no período de maior pressão desde que assumiu o Fluminense. O treinador deixou a partida em meio a vaias e xingamentos de parte da torcida, manifestações que já vinham aparecendo nos jogos anteriores diante da queda de desempenho. A importância da eliminatória também ultrapassa o aspecto esportivo imediato. No planejamento apresentado pelo clube ao Conselho Fiscal, chegar pelo menos às quartas de final da Libertadores aparece entre as metas traçadas para a temporada. A eliminação precoce na Copa do Brasil já fez o Fluminense ficar abaixo da projeção estabelecida para aquela competição, o que aumenta o peso do confronto continental neste momento do ano.

Zubeldía ganhou algum fôlego na atuação diante do Botafogo, quando preservou parte dos jogadores mais utilizados pensando justamente no Independiente Rivadavia. O cenário, portanto, é de um Fluminense que continua bem colocado no Brasileiro, mas entra nas oitavas pressionado para transformar desempenho e resultado em uma resposta imediata dentro de casa.

O Independiente Rivadavia chega em um contexto diferente. Depois de perder por 2 a 1 para o Sarmiento, em Junín, pelo Torneio Clausura, a equipe de Alfredo Berti reagiu no compromisso seguinte e venceu o Estudiantes de Río Cuarto por 2 a 1, em Mendoza. Álex Arce marcou os dois gols da vitória e reforçou sua condição de principal referência ofensiva às vésperas do reencontro com o Fluminense.

A equipe argentina permanece entre os oito melhores de sua zona no Clausura e tenta transferir para o mata-mata a confiança construída na primeira metade da Libertadores, quando terminou o grupo invicta. A principal mudança em relação aos encontros anteriores com o Fluminense está no ataque: Sebastián Villa deixou o clube, enquanto Maximiliano Salas chegou para reforçar o elenco. Mesmo com alterações importantes, o Independiente Rivadavia desembarca no Rio sustentado pelo resultado positivo mais recente e pela lembrança de já ter vencido o Tricolor no próprio Maracanã nesta edição.

Prováveis escalações

O Fluminense deve entrar em campo com Hulk como referência ofensiva. John Kennedy está fora por lesão no joelho, enquanto Thiago Silva aparece como opção para iniciar a partida, embora Igor Rabello também esteja na disputa por uma vaga. No meio e no setor ofensivo, Lucho Acosta e Ganso, além de Soteldo e Savarino, aparecem como alternativas para Luis Zubeldía.

  • Provável Fluminense: Fábio; Guga, Ignácio, Thiago Silva (Igor Rabello) e Renê; Hércules, Martinelli e Lucho Acosta (Ganso); Canobbio, Soteldo (Savarino) e Hulk.
  • Técnico: Luis Zubeldía.

Do outro lado, Alfredo Berti não poderá contar com Florentín, suspenso. Álex Arce, que marcou nos dois confrontos contra o Fluminense na fase de grupos, segue como principal referência ofensiva da equipe argentina.

  • Provável Independiente Rivadavia: Bolcato; Osella, Leonard Costa, Studer e Elordi; Bottari, Gonzalo Ríos, Matías Fernández e Atencio; Fabrizio Sartori e Álex Arce.
  • Técnico: Alfredo Berti.

As formações são prováveis e podem sofrer alterações até a divulgação das escalações oficiais antes da partida.

  • Árbitro: Cristian Garay, do Chile
  • VAR: Fernando Vejar, do Chile
  • Transmissão: ESPN e Disney+

Maracanã abre uma série que termina em Mendoza

O sorteio colocou o Fluminense como mandante da primeira partida, enquanto o Independiente Rivadavia terá a decisão em casa. Por isso, qualquer vantagem construída no Rio de Janeiro ganha importância antes da viagem à Argentina.

A volta está marcada para terça-feira, 18 de agosto, também às 19h, no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza. Quem avançar deste confronto enfrentará nas quartas de final o vencedor da eliminatória entre Platense e Coquimbo Unido.

O desenho completo da fase eliminatória pode ser acompanhado no chaveamento das oitavas de final da Libertadores de 2026, que definiu o caminho dos classificados até as fases seguintes.

Mais do que iniciar uma disputa pelas quartas de final, a partida coloca à prova os aprendizados deixados pela própria fase de grupos. O Tricolor sabe que o peso do Maracanã não foi suficiente no primeiro encontro. O time argentino, por sua vez, chega ao mata-mata sem poder mais ser tratado apenas como surpresa depois de liderar a chave de forma invicta e construir um dos ataques mais produtivos da primeira fase.

O Fluminense tem história, experiência recente de título e um retrospecto muito forte nas oitavas. O Independiente Rivadavia tem a confiança de quem já venceu o adversário no mesmo estádio e atravessou a fase de grupos sem derrotas. É justamente essa combinação que transforma o terceiro encontro entre os clubes em um confronto diferente dos dois primeiros: agora, cada detalhe terá impacto direto sobre quem continuará no caminho pela Libertadores de 2026.