A França tem duas Copas do Mundo no currículo, mas o peso dessas conquistas vai além do número de títulos. A seleção francesa construiu seu bicampeonato em momentos diferentes, com gerações distintas e finais que ficaram marcadas na história do futebol. A primeira taça veio em 1998, dentro de casa, contra o Brasil. A segunda chegou 20 anos depois, em 2018, na Rússia, com uma equipe jovem, veloz e comandada por Didier Deschamps.
Os dois títulos ajudam a explicar como a França saiu de uma seleção tradicional, mas ainda sem Copa, para se tornar uma potência moderna do futebol mundial. Entre 1998 e 2018, o país formou jogadores de elite, disputou finais, revelou craques e consolidou uma identidade competitiva que fez da camisa azul uma presença constante nas grandes decisões.
1998: o título em casa contra o Brasil
A Copa do Mundo de 1998 foi o grande ponto de virada da seleção francesa. Jogando em casa, diante de sua torcida, a França carregava a pressão de vencer pela primeira vez o torneio mais importante do futebol. A campanha foi forte desde o início, mas ganhou contornos históricos na final contra o Brasil, então campeão mundial e dono de uma geração estrelada.
A decisão no Stade de France virou uma das partidas mais lembradas da história das Copas. A França venceu por 3 a 0, com dois gols de Zinedine Zidane no primeiro tempo e outro de Emmanuel Petit nos minutos finais. O placar foi marcante não apenas pela conquista francesa, mas também pelo peso do adversário. Bater o Brasil em uma final de Copa, com uma atuação dominante, tornou aquela noite inesquecível para os franceses e dolorosa para a memória brasileira.
Zidane foi o grande símbolo daquele título. O camisa 10 chegou à final sob enorme expectativa e respondeu com protagonismo. Seus dois gols de cabeça deram à França uma vantagem que mudou completamente o jogo. Ao redor dele, a equipe tinha nomes importantes como Didier Deschamps, Laurent Blanc, Lilian Thuram, Marcel Desailly, Youri Djorkaeff e Thierry Henry, formando uma geração equilibrada entre força defensiva, talento técnico e inteligência tática.
A conquista de 1998 também teve valor social e simbólico. A França campeã era uma seleção multicultural, com jogadores de diferentes origens e histórias, representando uma imagem mais ampla do país. Dentro de campo, foi o primeiro grande título mundial francês. Fora dele, virou um marco nacional.
2018: velocidade, juventude e eficiência na Rússia
Vinte anos depois, a França voltou ao topo do mundo com uma geração diferente. Em 2018, a seleção comandada por Didier Deschamps, capitão do título de 1998, chegou à Rússia com um elenco jovem, físico e extremamente talentoso. A equipe não dependia de um único craque, mas tinha nomes capazes de decidir em qualquer setor.
Kylian Mbappé foi o rosto mais explosivo daquela campanha. Ainda muito jovem, o atacante impressionou pela velocidade, personalidade e capacidade de decidir jogos grandes. Antoine Griezmann também foi peça central, com participação direta na criação, nas bolas paradas e na organização ofensiva. Ao lado deles, jogadores como Paul Pogba, N’Golo Kanté, Raphaël Varane, Olivier Giroud e Hugo Lloris deram equilíbrio a uma seleção muito competitiva.
A final contra a Croácia terminou com vitória francesa por 4 a 2. Foi uma decisão movimentada, com gols, intensidade e momentos de pressão croata. A França, porém, mostrou uma característica que marcou toda a campanha: eficiência. O time soube sofrer quando necessário, aproveitou os espaços e foi letal nos momentos decisivos.
O título de 2018 confirmou a França como uma potência da era moderna. A seleção não apenas venceu novamente, mas mostrou que tinha renovação, profundidade de elenco e capacidade de competir em alto nível por vários ciclos.
Os vices também mostram a força francesa
Além dos dois títulos, a França também chegou a outras duas finais de Copa do Mundo. Em 2006, foi vice-campeã ao perder para a Itália nos pênaltis, em uma decisão marcada pela despedida amarga de Zidane. Em 2022, voltou à final e perdeu para a Argentina em uma das decisões mais emocionantes da história, depois de empate por 3 a 3 e nova disputa por pênaltis.
Esses vices reforçam a presença francesa entre as seleções mais fortes das últimas décadas. Desde 1998, a França disputou quatro finais de Copa do Mundo, venceu duas e esteve perto de ampliar ainda mais sua coleção de títulos.
Uma potência consolidada
Com duas Copas do Mundo, a França ocupa um lugar especial no futebol mundial. O título de 1998 teve o peso da primeira conquista, em casa, diante do Brasil e com Zidane como protagonista. O de 2018 mostrou uma seleção renovada, liderada por Mbappé, Griezmann e Deschamps, capaz de combinar juventude, intensidade e maturidade competitiva.
Mais do que uma bicampeã, a França se tornou uma seleção de referência na formação de talentos e na construção de equipes fortes para grandes torneios. Agora, o próximo capítulo passa pelo Grupo I da Copa do Mundo 2026, onde a seleção francesa inicia mais uma caminhada tentando transformar tradição recente em nova campanha de título. Suas duas estrelas contam histórias diferentes, mas apontam para o mesmo lugar: a consolidação francesa entre as grandes potências da Copa do Mundo.