Jogando no Pedrocão, diante da própria torcida, o atual tetracampeão venceu o Pinheiros por 82 a 73, abriu 1 a 0 na série melhor de cinco e deu o primeiro passo na tentativa de ampliar uma das maiores sequências vencedoras da história recente do basquete brasileiro.
A vitória não veio em um jogo simples. O Pinheiros chegou à final como segunda melhor campanha da temporada regular, confirmou em quadra a energia que marcou sua campanha e foi para o intervalo em vantagem. O ponto de virada esteve no terceiro quarto, quando Franca elevou a defesa, acelerou em transição, reduziu o volume ofensivo adversário e construiu a diferença que sustentou até o fim.
A final coloca frente a frente dois projetos em momentos muito diferentes. De um lado, Franca tenta transformar uma era dominante em algo ainda maior: o quinto título consecutivo do NBB, feito inédito para a competição. Do outro, o Pinheiros vive a primeira final de sua história no torneio e tenta converter uma temporada de afirmação em título nacional.
Franca muda o jogo no terceiro quarto
O primeiro tempo mostrou que o Pinheiros não chegou à decisão apenas para participar. A equipe de Gustavinho De Conti começou melhor, teve bom aproveitamento no perímetro e contou com uma atuação forte de David Sloan, que marcou 20 pontos só na primeira metade da partida.
O Pinheiros venceu o primeiro quarto por 27 a 20 e conseguiu suportar a primeira reação francana no segundo período. Mesmo com Franca fazendo 23 a 18 na parcial, o time da capital paulista foi para o intervalo vencendo por 45 a 43, resultado que deixava claro o nível de competitividade da série.
A resposta de Franca veio depois do intervalo. O time de Helinho Garcia voltou mais agressivo defensivamente, pressionou linhas de passe, forçou decisões ruins do Pinheiros e passou a correr melhor a quadra. A parcial de 26 a 11 no terceiro quarto mudou o controle da partida. O placar foi para 69 a 56, e Franca entrou no último período com margem suficiente para administrar sem perder intensidade.
Georginho e Mineiro puxam o atual campeão
Rafael Mineiro foi o principal pontuador de Franca, com 16 pontos. Georginho de Paula, MVP da temporada, teve uma atuação completa: 12 pontos, 12 rebotes e sete assistências. Mais do que os números, sua presença ajudou Franca a controlar o ritmo da partida quando o jogo ficou mais físico e mais mental.
Pelo Pinheiros, David Sloan foi o cestinha do jogo, com 23 pontos. O problema para a equipe visitante foi a queda de produção depois do intervalo. O armador havia sido o grande nome do primeiro tempo, mas Franca ajustou a marcação, tirou conforto das ações ofensivas do rival e obrigou o Pinheiros a depender mais de ataques trabalhosos.
Final reúne experiência contra afirmação
A decisão do NBB tem um contraste claro. Franca é o time da continuidade. Foi líder da fase regular, terminou com 32 vitórias e seis derrotas, passou por séries duras nos playoffs e chega à final com um elenco acostumado a decidir. Georginho, Lucas Dias, Rafael Mineiro, David Jackson, Cristiano Felício e Helinho Garcia formam a base de um projeto que sabe jogar sob pressão.
O Pinheiros representa outro tipo de história. A equipe terminou a fase regular em segundo lugar, com 30 vitórias e oito derrotas, fez playoffs consistentes e chegou à final com uma identidade baseada em intensidade, juventude e rotação forte.
Esse choque de estágios torna a final mais interessante para os torcedores e quem gosta de basquete. Franca tenta preservar uma dinastia. O Pinheiros tenta fundar a própria página histórica. Uma vitória no Jogo 1 coloca o atual campeão em vantagem, mas não encerra a série. A final muda de ambiente nos próximos dois jogos, e o Pinheiros terá a chance de responder no Ibirapuera.
O caminho dos finalistas até a decisão
Franca chegou à final depois de uma campanha dominante na fase regular, mas precisou sobreviver a dois confrontos difíceis nos playoffs. Nas oitavas, passou pelo Botafogo sem perder. Depois, enfrentou Mogi e Brasília em séries de cinco jogos, mostrando poder de reação em momentos de pressão.
Campanha nos playoffs:
• Oitavas: 3 x 0 Botafogo
• Quartas: 3 x 2 Mogi Basquete
• Semifinal: 3 x 2 Brasília
• Final: 1 x 0 Pinheiros
O caminho do Pinheiros foi mais limpo até a decisão. O time chegou à final com menos partidas disputadas nos playoffs e com a confiança de quem havia sustentado alto nível desde a fase regular.
Campanha nos playoffs:
• Oitavas: 3 x 0 Rio Claro
• Quartas: 3 x 0 Paulistano
• Semifinal: 3 x 1 Corinthians
• Final: 0 x 1 Franca
Essa comparação ajuda a entender a série. Franca chega mais testado em jogos de sobrevivência. Pinheiros chega com uma campanha mais eficiente até a final, mas agora precisa mostrar resposta depois de sofrer uma virada no primeiro jogo.
Calendário da final do NBB 2025/26
A decisão será disputada em série melhor de cinco jogos. Franca, por ter feito a melhor campanha da fase regular, tem mando nos Jogos 1, 4 e 5. O Pinheiros manda os Jogos 2 e 3 no Ginásio do Ibirapuera.
Todos os jogos da final têm transmissão da ESPN, SporTV, Xsports e YouTube do NBB CAIXA.
• Jogo 1: Franca 82 x 73 Pinheiros
• Jogo 2: 02/06, 20h - Ibirapuera
• Jogo 3: 04/06, 17h - Ibirapuera
• Jogo 4: 07/06, 17h - Pedrocão, se necessário
• Jogo 5: 09/06, 19h30 - Pedrocão, se necessário
Helinho e Gustavinho aumentam o peso da decisão
A final também tem um duelo forte no banco. Helinho Garcia já construiu uma trajetória diretamente ligada à fase mais vitoriosa de Franca no NBB. Ele conhece o elenco, o ambiente do Pedrocão e a exigência de uma série final. Gustavinho De Conti, por outro lado, chega com histórico vencedor, trabalho forte no Pinheiros e a chance de levar o clube a um título inédito.
Esse detalhe importa porque final de NBB não é apenas confronto de jogadores. A série envolve ajustes curtos, resposta entre jogos, uso de rotação, controle emocional e leitura de momento.
Em uma decisão curta, cada ajuste muda o peso da série. O Pinheiros já mostrou que consegue competir com Franca, mas precisa evitar quedas longas de concentração. Franca mostrou que pode sofrer no início e ainda assim virar o jogo quando aumenta o nível defensivo.
Franca dá primeiro passo, mas a série segue aberta
A vitória no Pedrocão confirma o favoritismo de Franca, mas a final ainda tem espaço para mudança. O Pinheiros saiu derrotado, porém mostrou personalidade no primeiro tempo e teve em David Sloan um jogador capaz de desequilibrar. Para seguir vivo na disputa, o time precisa transformar essa competitividade em regularidade por quatro quartos.
As finais do NBB começaram com favorito vencendo em casa, desafiante mostrando força, protagonistas individuais aparecendo e calendário ainda cheio pela frente. Para Franca, o caminho é o pentacampeonato. Para o Pinheiros, a missão agora é responder no Ibirapuera e provar que a primeira final da história do clube pode ser mais do que uma campanha marcante.
A decisão desta temporada também reforça o peso do NBB como principal vitrine do basquete nacional. A liga cresceu justamente por consolidar uma temporada com fase regular forte, playoffs em séries, mando de quadra valorizado e finais capazes de marcar ciclos históricos de clubes dentro da história do NBB.