Os próximos meses do judô internacional já têm um desenho bem definido no calendário da IJF. Entre maio e outubro, o circuito passará por Dushanbe, Astana, Ulaanbaatar, Lausanne, Budapeste e Abu Dhabi, em uma sequência de seis Grand Slams que ajudam a moldar o restante da temporada.
O peso dessas etapas vai além do prestígio tradicional do World Judo Tour. Em 2026, o Grand Slam de Ulaanbaatar, em junho, foi definido pela própria IJF como o ponto de partida da qualificação olímpica para Los Angeles 2028, o que muda o valor competitivo de toda a sequência posterior do calendário.
Calendário dos próximos Grand Slams
Dushanbe Grand Slam
Data: 1 a 3 de maio
Cidade: Dushanbe, Tajiquistão
Qazaqstan Barysy Grand Slam
Data: 8 a 10 de maio
Cidade: Astana, Cazaquistão
Ulaanbaatar Grand Slam
Data: 19 a 21 de junho
Cidade: Ulaanbaatar, Mongólia
Lausanne Grand Slam
Data: 28 a 30 de agosto
Cidade: Lausanne, Suíça
Hungary Grand Slam
Data: 11 a 13 de setembro
Cidade: Budapeste, Hungria
Abu Dhabi Grand Slam
Data: 29 a 31 de outubro
Cidade: Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos
O que representa cada etapa no circuito
Dushanbe ainda é uma parada jovem no mapa dos Grand Slams. O Tajiquistão recebeu o primeiro Grand Slam de sua história em 2024, depois de já ter colocado um Grand Prix no circuito em 2023, e o evento rapidamente ganhou peso pela atmosfera criada em casa e pela força crescente do judô local.
Astana também se consolidou rápido. A capital do Cazaquistão recebeu o Grand Slam pela primeira vez em 2023, voltou em 2024 e em 2025 já sediava a competição pela terceira vez. A cidade ainda carrega bagagem de alto nível no judô internacional por já ter organizado o Mundial de 2015 e eventos importantes do circuito em anos anteriores.
Ulaanbaatar tem um perfil diferente, porque mistura tradição do país com renovação do evento. A Mongólia passou por fases como Super World Cup e Grand Prix antes de elevar a etapa ao patamar de Grand Slam em 2022, e em 2025 já sediava a competição pela terceira vez. É justamente ali que a temporada de 2026 muda de patamar com o início da corrida olímpica.
Lausanne será a grande novidade do calendário. A etapa suíça de 2026 foi anunciada como o primeiro Grand Slam da história do país e entra no circuito com status especial também pelo peso simbólico da cidade, frequentemente associada à governança do esporte internacional.
Budapeste entra como uma das paradas mais sólidas do calendário europeu. A cidade é sede da IJF e já recebeu eventos de elite como Grand Prix, Masters, Mundiais e o próprio Grand Slam. Dentro do circuito, Budapeste é tratada como uma praça de garantia técnica e competitiva.
Abu Dhabi, por sua vez, é uma das etapas mais tradicionais entre as que ainda estão no calendário atual. A IJF descreve a parada nos Emirados como uma escala anual do World Judo Tour há 15 anos, hoje já consolidada como um dos eventos importantes da temporada.
Quantas categorias serão disputadas
Os Grand Slams seguem o formato individual completo do circuito mundial, com 14 categorias em disputa em cada etapa: sete masculinas e sete femininas. As divisões são as olímpicas tradicionais, com -60 kg, -66 kg, -73 kg, -81 kg, -90 kg, -100 kg e +100 kg no masculino, além de -48 kg, -52 kg, -57 kg, -63 kg, -70 kg, -78 kg e +78 kg no feminino.
Isso significa que cada Grand Slam distribui medalhas em 14 chaves individuais, sem o formato de equipes mistas que aparece em outros grandes eventos do calendário. Para atletas e comissões técnicas, isso torna essas etapas especialmente importantes para ajustar ranking, observar chaves e medir confronto direto categoria por categoria.
Como chega o Brasil a essas etapas
O retrospecto brasileiro muda bastante de uma sede para outra. Em Dushanbe, por exemplo, a própria juventude do evento ajuda a explicar por que ainda não existe uma tradição tão longa da seleção brasileira ali. Como Grand Slam, a etapa só existe desde 2024.
Em Astana, o cenário já é mais consistente. O Brasil tem pódios no Qazaqstan Barysy Grand Slam em 2023, 2024 e 2025, o que mostra presença competitiva do país desde o início da etapa na capital cazaque.
Ulaanbaatar também ainda é um recorte relativamente recente para qualquer delegação, inclusive o Brasil. Como Grand Slam, a etapa mongol ganhou esse status em 2022, então o histórico ainda é mais curto do que o de praças tradicionais do circuito.
Lausanne não tem retrospecto anterior para ninguém. Como será a primeira edição da história, o Brasil entrará na Suíça em igualdade total de histórico com os demais países.
Budapeste já conversa com uma memória brasileira bem mais robusta. A página de medalhas do Brasil na IJF registra resultados em etapas de alto nível na capital húngara, incluindo o Grand Slam Hungary 2020, além de outros grandes eventos realizados na cidade.
Abu Dhabi é provavelmente a parada mais familiar para o Brasil entre as seis dos próximos meses. A página oficial da IJF lista pódios brasileiros no Grand Slam local em 2016, 2017, 2019, 2021, 2023, 2024 e 2025, um sinal claro de continuidade competitiva em uma das escalas mais tradicionais do fim de temporada.
Por que a corrida olímpica muda o peso do calendário
Até Ulaanbaatar, a temporada já é importante por ranking e afirmação dentro do novo ciclo. A partir de Ulaanbaatar, porém, o cenário muda de forma objetiva porque cada resultado passa a ter valor direto dentro da qualificação olímpica para Los Angeles 2028.
Na prática, isso altera a leitura de todo o segundo semestre. Lausanne, Budapeste e Abu Dhabi deixam de ser apenas grandes etapas do circuito e passam a funcionar também como blocos estratégicos da caminhada olímpica. Para seleções fortes, como a brasileira, isso mexe em planejamento, escolha de calendário, gestão física e prioridade por categoria.
Com seis Grand Slams confirmados nos próximos meses, o judô internacional entra em uma fase de calendário cheio, etapas com identidades bem diferentes e uma pressão crescente por resultados. E, no momento em que a corrida olímpica começar oficialmente, cada medalha deixará de ser apenas medalha: passará a valer também como movimento inicial rumo a Los Angeles.