O Grupo F da Copa do Mundo de 2026 reúne quatro seleções com perfis bem diferentes, mas com pontos de interesse claros. A Holanda entra como a camisa mais pesada da chave, carregando o peso histórico de ser uma das grandes seleções da Europa sem nunca ter vencido uma Copa. O Japão aparece como uma força asiática já consolidada no torneio, com presença cada vez mais frequente e menos surpresa. A Suécia retorna ao Mundial após oito anos, vinda da repescagem europeia. E a Tunísia tenta reforçar a ideia de que já não é apenas uma aparição esporádica, mas uma participante cada vez mais recorrente do cenário mundial.
Holanda: tradição enorme e a marca incômoda de nunca ter vencido
A Holanda chega ao torneio com um tipo especial de peso histórico. É uma seleção que costuma ser colocada entre as grandes do futebol mundial, mas ainda carrega a ausência do título como parte central da própria narrativa. Em 2026, os holandeses disputam a 12ª Copa do Mundo. O dado que mais define sua história no Mundial continua sendo o das três finais disputadas e perdidas, em 1974, 1978 e 2010.
Essa combinação entre tradição e frustração histórica faz da Holanda uma seleção sempre observada de forma diferente. Não se trata apenas de uma equipe forte de grupo. Trata-se de uma seleção que entra em qualquer Copa sendo cobrada não só por desempenho, mas por legado. Poucas camisas carregam tanto talento acumulado ao longo das décadas e, ao mesmo tempo, uma lacuna tão simbólica quanto essa.
Japão: uma seleção asiática que já virou presença constante
O Japão já não chega a uma Copa como novidade. A edição de 2026 será a sua 8ª participação, e o dado mais forte talvez seja outro: será também a oitava presença consecutiva no torneio. A seleção japonesa não fica fora de um Mundial desde antes de 1998, o que mostra uma constância rara fora dos centros tradicionais do futebol.
Esse histórico muda a forma como o Japão é enxergado. Durante muito tempo, bastava chegar. Hoje, a sensação é diferente. O time asiático já tem bagagem suficiente para ser tratado como seleção acostumada ao palco. Seu melhor desempenho ainda está ligado às oitavas de final, fase alcançada em 2002, 2010, 2018 e 2022, mas a ambição evidente é passar a frequentar patamares mais altos.
Suécia: retorno ao Mundial após oito anos
A Suécia entra no grupo com uma narrativa distinta. Historicamente respeitada, mas sem a mesma regularidade recente de outras seleções europeias, ela volta à Copa depois de um intervalo maior. A seleção sueca estava fora desde 2018 e encerra agora um jejum de oito anos, classificando-se por meio da repescagem europeia. Em 2026, fará sua 13ª participação em Mundiais.
Essa volta dá à Suécia um lugar interessante dentro da chave. Não é exatamente uma surpresa, porque sua tradição existe, mas também não chega com a estabilidade recente de quem se habituou a estar em todas as Copas. O país tem uma história importante no torneio, com destaque para o vice-campeonato de 1958, quando perdeu a final para o Brasil, mas a presença em 2026 tem um significado adicional: o de recolocar a seleção em um espaço que ela tenta não perder dentro do futebol internacional.
Tunísia: a busca por se firmar como presença recorrente
A Tunísia chega ao Mundial de 2026 para disputar sua 7ª Copa do Mundo. Mais importante do que isso é notar que o país passou a frequentar o torneio com mais regularidade: serão três participações consecutivas, algo relevante para uma equipe que por muito tempo alternou classificações com ausências longas.
Esse é justamente o ponto central da Tunísia dentro do grupo. Sua história em Copas ainda é mais ligada à ideia de presença do que de protagonismo, mas a constância começa a se tornar um ativo. O desafio agora é transformar recorrência em peso competitivo maior, deixando de ser apenas uma seleção que aparece com frequência razoável para se tornar uma equipe capaz de incomodar de forma mais consistente.
Já houve confrontos de Copa entre seleções deste grupo?
Sim, e isso dá ao grupo uma camada histórica interessante. Holanda e Japão já se enfrentaram em Copa do Mundo, na fase de grupos de 2010, com vitória holandesa por 1 a 0. Japão e Tunísia também já se cruzaram em Mundial, em 2002, e os japoneses venceram por 2 a 0. Além disso, Holanda e Suécia já duelaram na Copa de 1974, em empate sem gols na segunda fase de grupos daquele torneio.
Esses cruzamentos anteriores ajudam a dar densidade ao grupo, mesmo sem se tratar de uma chave marcada por rivalidades tradicionais. Há reencontros entre gerações diferentes e lembranças espalhadas por décadas distintas da história do torneio.
O que o Grupo F promete
Em leitura de torneio, o Grupo F parece daqueles grupos em que há favorito claro, mas não uma hierarquia totalmente confortável. A Holanda entra com o nome mais pesado. O Japão já tem trajetória suficiente para não ser tratado como coadjuvante automático. A Suécia volta com a carga competitiva de quem precisou sobreviver à repescagem. E a Tunísia aparece como seleção capaz de tornar a chave menos simples do que parece à primeira vista.
O resultado é um grupo interessante não apenas pelo que pode acontecer em campo, mas pelo que cada seleção representa. A Holanda carrega o peso da grandeza sem título. O Japão sustenta a força de um projeto asiático maduro. A Suécia volta tentando se reconectar com o torneio. E a Tunísia segue construindo o próprio espaço entre as participantes frequentes do Mundial. Para quem está acompanhando a formação das chaves da Copa de 2026, vale também conferir a análise do Grupo D da Copa do Mundo 2026, que reúne Estados Unidos, Paraguai, Austrália e Turquia em outro recorte interessante do torneio.