O Grupo G da Copa do Mundo de 2026 reúne quatro seleções com trajetórias muito diferentes no torneio, mas que chegam ao mesmo ponto cercadas por contextos fortes. A Bélgica entra com o peso de uma seleção tradicional da Europa que vive um novo ciclo após sua geração mais celebrada. O Egito reaparece sustentado por sua relevância histórica no futebol africano. O Irã chega carregando um significado que vai além do campo, em meio a tensões políticas recentes e a um debate internacional que acompanha sua presença no Mundial. Já a Nova Zelândia volta como novidade dentro do grupo, tentando transformar uma participação rara em oportunidade de afirmação.
Bélgica tenta transformar renovação em nova campanha forte
A Bélgica chega ao Mundial de 2026 para sua 15ª participação em Copas do Mundo. A seleção caiu ainda na fase de grupos em 2022, encerrando de forma frustrante um período em que havia acumulado grande expectativa internacional. Seu melhor resultado continua sendo o terceiro lugar em 2018, além do quarto lugar em 1986.
O ponto central da Bélgica neste grupo é a renovação. A seleção que por anos foi associada à chamada “geração dourada” já não chega com o mesmo núcleo de protagonistas, e o desafio agora é transformar a transição em competitividade real. Ainda assim, o histórico recente mantém a equipe em posição de respeito: poucas seleções europeias entraram nas últimas décadas com tanta regularidade em fases finais e com elenco tecnicamente tão valorizado. A Bélgica não tem o peso de campeã mundial, mas carrega a cobrança de quem se acostumou a ser observada em nível alto.
Egito leva ao grupo a força de uma tradição africana
O Egito disputará em 2026 sua quarta Copa do Mundo. Antes disso, esteve no torneio em 1934, 1990 e 2018. A seleção egípcia nunca passou da fase inicial, mas sua história no torneio carrega um marco importante: foi o primeiro país africano e árabe a jogar uma Copa do Mundo, ainda em 1934.
Esse passado ajuda a explicar por que o Egito entra no grupo com um peso que vai além do número de participações. No cenário africano, trata-se de uma camisa historicamente relevante, ligada a títulos continentais, a grande mobilização popular e a uma cultura de seleção muito forte. Em Copas, o país ainda busca uma campanha que transforme esse tamanho regional em impacto mundial mais duradouro. O retorno em 2026 recoloca a equipe em uma vitrine que, no caso egípcio, sempre dialoga com tradição, orgulho nacional e expectativa de representar o continente em alto nível.
Irã chega representando mais do que apenas futebol
O Irã vai para a Copa do Mundo de 2026 com sua sétima participação no torneio. Antes disso, havia estado em 1978, 1998, 2006, 2014, 2018 e 2022. A seleção iraniana ainda nunca passou da fase de grupos, mas se consolidou como uma das presenças mais constantes do futebol asiático nas últimas décadas.
No Grupo G, porém, o Irã chega cercado por um contexto que ultrapassa claramente o futebol. A proximidade da Copa coincidiu com tensões militares e diplomáticas envolvendo o país, a ponto de a própria participação iraniana no torneio virar tema de debate internacional e de intervenção pública da FIFA. Mais do que discutir escalação, forma ou sistema de jogo, a seleção passou a ser observada também como representação de um momento político delicado. Isso faz do Irã uma equipe que entra na Copa com um peso competitivo, mas também humano, diplomático e simbólico.
Nova Zelândia volta à Copa como novidade da chave
A Nova Zelândia disputará em 2026 sua terceira Copa do Mundo. Suas participações anteriores foram em 1982 e 2010. Em nenhuma delas passou da fase de grupos, embora a campanha de 2010 tenha deixado uma marca curiosa: os neozelandeses terminaram invictos, com três empates, incluindo um contra a então campeã mundial Itália.
Dentro deste grupo, a Nova Zelândia aparece como a seleção menos tradicional em termos de presença mundialista, mas não necessariamente como simples figurante. Justamente por voltar após longo intervalo, o time entra com a chance de construir uma narrativa nova em uma chave sem um campeão mundial e com seleções de trajetórias bastante diferentes. Em um torneio ampliado e em um grupo marcado por transição e contextos externos fortes, a Nova Zelândia pode transformar sua condição de novidade em fator de imprevisibilidade.
Um grupo de trajetórias diferentes e poucas certezas
O Grupo G reúne seleções com perfis bastante distintos dentro da história da Copa do Mundo. A Bélgica aparece como a equipe de trajetória mais consolidada entre as quatro e chega cercada pela expectativa de transformar renovação em desempenho. O Egito leva ao grupo o peso de sua tradição no futebol africano. O Irã entra em campo carregando um contexto que ultrapassa o aspecto esportivo. E a Nova Zelândia surge como seleção que tenta transformar uma presença rara em oportunidade real de afirmação.
Esse contraste ajuda a dar identidade à chave. Em vez de um grupo marcado por favoritismo absoluto ou por rivalidades já consolidadas em Mundiais, o cenário aponta para uma disputa em que história, contexto e momento recente se misturam de forma bastante particular. Em outra chave com perfis igualmente distintos, a Copa também reúne tradição, estreia e seleções em renovação, como mostra a análise do Grupo E, com Alemanha, Curaçao, Equador e Costa do Marfim.
As seleções do Grupo G já se enfrentaram em outras Copas?
Até aqui, não há registro de confrontos entre essas seleções em edições anteriores da Copa do Mundo. O histórico mundialista de Bélgica, Egito, Irã e Nova Zelândia não traz encontros entre nenhum dos pares que agora dividem o Grupo G.
Esse detalhe também pesa na narrativa da chave. Em vez de reviver cruzamentos clássicos, o Grupo G apresenta combinações inéditas no palco da Copa, o que aumenta a sensação de recomeço para algumas equipes e de oportunidade histórica para outras. Em um grupo formado por uma seleção europeia em transição, uma africana tradicional, uma asiática cercada de simbolismo e uma oceânica que volta ao torneio depois de longo hiato, a falta de precedentes em Copa ajuda a tornar o cenário ainda mais interessante.