A Inglaterra está novamente na semifinal da Copa do Mundo. No Miami Stadium, em Miami Gardens, a seleção inglesa precisou reagir, suportar a pressão norueguesa e jogar 120 minutos para vencer a Noruega por 2 a 1 nas quartas de final.
Andreas Schjelderup abriu o placar para os noruegueses aos 36 minutos do primeiro tempo. Jude Bellingham empatou nos acréscimos da etapa inicial e, logo aos três minutos da prorrogação, aproveitou uma falha do goleiro Ørjan Nyland para marcar o gol da classificação.
O resultado colocou a Inglaterra em uma semifinal de Mundial pela quarta vez na história. Antes de 2026, o país havia chegado a essa fase em 1966, quando foi campeão, em 1990 e em 2018. A vitória sobre a Noruega também confirmou a segunda presença inglesa entre as quatro melhores seleções nas últimas três edições da Copa.
Noruega aproveita erro e abre o placar
A Inglaterra começou com mais posse de bola, mas encontrou dificuldades para transformar o controle territorial em oportunidades claras. A Noruega se posicionou de maneira compacta, protegeu a entrada da área e tentou acelerar sempre que recuperava a bola.
Erling Haaland, grande referência ofensiva norueguesa, chegou a obrigar Jordan Pickford a realizar uma defesa importante em uma cabeçada à queima-roupa. O lance funcionou como aviso para uma defesa inglesa que, apesar de controlar parte do jogo, demonstrava vulnerabilidade quando era pressionada.
Aos 36 minutos, a Noruega encontrou o gol. Patrick Berg roubou a bola de Harry Kane no campo de ataque e acionou Andreas Schjelderup pelo lado. O atacante conduziu em direção à área e finalizou com força. A bola tocou a trave direita de Pickford antes de entrar.
O gol premiou a estratégia norueguesa e mudou completamente o cenário da partida. A Inglaterra, que até então buscava construir com paciência, passou a demonstrar maior urgência. Martin Ødegaard e Alexander Sørloth ainda tentaram aproveitar o momento de instabilidade inglesa, mas não conseguiram ampliar.
Bellingham empata antes do intervalo
A resposta da Inglaterra veio nos acréscimos do primeiro tempo. Anthony Gordon recebeu pelo lado esquerdo e encontrou Jude Bellingham próximo à entrada da área. O meio-campista escapou da marcação e finalizou rasteiro, no canto de Nyland, para deixar tudo igual.
A jogada teve reclamação da Noruega por um possível contato da bola com o cabo da câmera aérea momentos antes do gol. A arbitragem permitiu a continuidade da partida, e o empate foi confirmado.
Mais do que alterar o placar, o gol devolveu tranquilidade à equipe comandada por Thomas Tuchel. A Inglaterra foi para o intervalo com o jogo empatado mesmo depois de sofrer nos minutos que sucederam a abertura do placar norueguês.
Bellingham também ampliou o protagonismo construído ao longo do mata-mata. O jogador já havia marcado duas vezes na vitória por por 3 a 2 sobre o México, nas oitavas de final, e voltou a assumir a responsabilidade em uma partida eliminatória.
Gol anulado muda o segundo tempo
A Noruega voltou a ameaçar no início da etapa final. Aos 56 minutos, Torbjørn Heggem aproveitou uma sobra após cobrança de escanteio e colocou a bola no gol. A comemoração, porém, foi interrompida pela revisão do árbitro de vídeo.
O VAR identificou uma falta de Haaland sobre Elliot Anderson antes da conclusão da jogada. O gol foi anulado, mantendo o empate por 1 a 1.
A decisão evitou que a Inglaterra ficasse novamente em desvantagem, mas não eliminou os problemas do time nas bolas aéreas. Aos 75 minutos, Kristoffer Ajer acertou o travessão após outro lance de escanteio. A defesa inglesa teve dificuldades para afastar a bola, e a Noruega ficou muito perto de recuperar a vantagem.
Do outro lado, Bukayo Saka, acionado durante a partida, aumentou a velocidade pelos lados. Perto do fim do tempo regulamentar, o atacante conseguiu entrar na área e cruzar rasteiro, mas Fredrik Aursnes afastou praticamente sobre a linha.
Com o equilíbrio mantido e poucas chances claras nos minutos finais, o confronto seguiu para a prorrogação.
Bellingham decide na prorrogação
A Inglaterra precisou de apenas três minutos no tempo extra para virar o jogo. Morgan Rogers arriscou uma finalização de longa distância. Nyland não conseguiu segurar a bola, e Bellingham apareceu antes dos defensores para completar para o gol.
Foi uma jogada que reuniu dois elementos decisivos do futebol eliminatório: o erro individual do adversário e a capacidade de um grande jogador de antecipar o lance. Bellingham acompanhou a finalização, acreditou no rebote e marcou o gol mais importante da campanha inglesa até aquele momento.
Pouco depois, Djed Spence caiu na área após uma disputa com Oscar Bobb. O árbitro Clement Turpin assinalou pênalti, mas mudou a decisão depois de consultar o vídeo. A Inglaterra perdeu a possibilidade de ampliar e precisou defender a vantagem mínima até o encerramento.
A Noruega tentou pressionar nos minutos finais, mas encontrou uma seleção inglesa mais protegida. Tuchel reforçou a marcação, reduziu os espaços e administrou a reta decisiva para confirmar a vitória por 2 a 1.
O protagonismo da Inglaterra
Os dois gols contra a Noruega levaram Jude Bellingham a seis na Copa do Mundo de 2026. O meio-campista igualou Harry Kane como maior artilheiro da seleção inglesa na competição e consolidou uma campanha individual de enorme impacto.
Bellingham marcou quatro vezes em dois jogos consecutivos do mata-mata: dois contra o México e dois contra a Noruega. Além da produção ofensiva, tornou-se o jogador que conecta o meio-campo ao ataque, conduz as transições e aparece dentro da área nos momentos decisivos.
O primeiro gol em Miami mostrou qualidade técnica para receber cercado, encontrar espaço e finalizar. O segundo evidenciou leitura de jogo e capacidade de acompanhar uma jogada aparentemente controlada pelo goleiro adversário.
Em uma seleção com Kane, Saka, Declan Rice e outros jogadores de alto nível, Bellingham transformou-se no principal nome da classificação para a semifinal.
Pickford e a defesa contêm Haaland
A partida também ficou marcada pelo trabalho da Inglaterra para limitar Erling Haaland. O atacante havia chegado às quartas de final com sete gols no Mundial e vinha de atuações decisivas, incluindo a vitória norueguesa sobre o Brasil.
Haaland teve uma grande oportunidade no primeiro tempo, mas parou em Pickford. Depois, participou do lance que terminou com o gol anulado de Heggem. Sem encontrar espaços com regularidade, o atacante foi substituído na segunda etapa da prorrogação.
Foi a primeira partida de Haaland sem marcar naquela Copa. A Inglaterra não conseguiu eliminar totalmente o perigo norueguês, especialmente nas bolas paradas, mas impediu que o principal finalizador adversário recebesse em condições favoráveis dentro da área.
Pickford, Stones, Marc Guéhi e Ezri Konsa tiveram papel importante na proteção do resultado. Elliot Anderson e Declan Rice também ajudaram a fechar a região central e dificultaram as conexões de Ødegaard com Haaland e Sørloth.
Campanha da Inglaterra até a semifinal
A trajetória inglesa no Mundial de 2026 reúne cinco vitórias e um empate em seis jogos. O time marcou 13 gols e sofreu seis.
Fase de grupos:
- Inglaterra 4 x 2 Croácia
- Inglaterra 0 x 0 Gana
- Panamá 0 x 2 Inglaterra
Mata-mata:
- Inglaterra 2 x 1 República Democrática do Congo — fase de 32
- México 2 x 3 Inglaterra — oitavas de final
- Noruega 1 x 2 Inglaterra — quartas de final, após prorrogação
A campanha começou com uma vitória movimentada sobre a Croácia, passou por um empate sem gols diante de Gana e terminou a primeira fase com triunfo seguro sobre o Panamá. No mata-mata, a Inglaterra venceu três partidas por apenas um gol de diferença, mostrando uma combinação de poder ofensivo, capacidade de reação e resistência em confrontos equilibrados.
A rodada das quartas de final também confirmou mais uma potência europeia entre as quatro melhores seleções do torneio. Em outro confronto decisivo, a Espanha venceu a Bélgica, ampliando o peso europeu na reta final da competição.
O peso histórico da classificação inglesa
A presença na semifinal reforça um período de maior regularidade da Inglaterra em grandes competições. Durante décadas, a seleção conviveu com eliminações precoces, derrotas nos pênaltis e dificuldades para confirmar o favoritismo. Em 2026, voltou ao grupo das quatro melhores do mundo oito anos depois da campanha de 2018.
A classificação também deixa a equipe a uma vitória de disputar sua primeira final de Copa desde 1966. Naquele ano, jogando em casa, a Inglaterra superou Portugal na semifinal e venceu a Alemanha Ocidental na decisão em Wembley.
Em 1990, os ingleses foram eliminados pela Alemanha Ocidental nos pênaltis. Em 2018, perderam para a Croácia na prorrogação. O desafio de 2026, portanto, não é apenas chegar novamente à semifinal, mas superar uma barreira que permanece de pé há seis décadas.
No momento da classificação sobre a Noruega, o adversário inglês ainda sairia do confronto entre Argentina e Suíça. Independentemente do rival, a vitória em Miami colocou a equipe de Thomas Tuchel diante da oportunidade de transformar uma campanha marcada por jogos dramáticos em uma nova disputa pelo título mundial.