Isaquias Queiroz voltou ao lugar mais alto do pódio mundial. Neste sábado, em 29 de agosto de 2026, o brasileiro conquistou o título do C1 500m no Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade, disputado em Poznan, na Polônia, ao completar a final em 1min46s08. Martin Fuksa, da República Tcheca, ficou com a prata, enquanto o chinês Bowen Ji completou o pódio com o bronze.
O resultado levou Isaquias à 15ª medalha de sua carreira em Campeonatos Mundiais. A coleção passou a ter oito ouros, uma prata e seis bronzes. Mais do que acrescentar outra conquista a um currículo já excepcional, o triunfo devolveu o baiano ao topo de um Mundial quatro anos depois de sua última medalha dourada, conquistada em Halifax, no Canadá, em 2022.
A vitória também ganhou peso pelo contexto. Um dia antes, Isaquias havia passado por uma final difícil nos 1.000 metros, distância na qual construiu algumas das maiores conquistas da carreira. A resposta veio rapidamente: menos de 24 horas depois, diante de alguns dos principais nomes da canoa mundial, ele mostrou novamente por que os 500 metros ocupam um capítulo tão importante em sua história.
Uma final decidida na reta decisiva
A prova em Poznan reuniu dois adversários especialmente fortes para Isaquias. Martin Fuksa chegou à disputa como campeão olímpico do C1 1000m em Paris 2024 e um dos nomes mais consistentes da canoagem internacional. Bowen Ji, por sua vez, já havia derrotado o brasileiro na final dos 500 metros da etapa de Szeged da Copa do Mundo de 2026.
Desta vez, Isaquias ficou à frente dos dois. O brasileiro cruzou a linha de chegada apenas 0s239 antes de Fuksa, uma diferença que traduz o equilíbrio da decisão. Bowen Ji terminou em terceiro.
A maneira como Isaquias construiu a vitória também ajuda a explicar o resultado. Depois da prova, ele contou que buscou controlar o ritmo no trecho intermediário para preservar energia e conseguir aumentar a intensidade na parte final. O brasileiro também relatou que enfrentou vento forte em Poznan e havia mudado de canoa na véspera da decisão. A estratégia funcionou: guardou força para os metros decisivos e conseguiu resistir à aproximação dos rivais.
Veja a prova do título abaixo:
A resposta depois de um resultado difícil
O ouro ganhou uma dimensão ainda maior porque veio imediatamente após uma das provas mais complicadas de Isaquias em Mundiais.
Na final do C1 1000m, realizada na sexta-feira, 28 de agosto, o brasileiro terminou na nona colocação, com 4min22s13. Martin Fuksa venceu a prova com 4min07s44, Daniel Fejes, da Hungria, ficou com a prata, e Zakhar Petrov completou o pódio.
O próprio Isaquias reconheceu que enfrentava uma temporada difícil e citou problemas físicos durante o ano. Mas o desempenho nos 500 metros mostrou que o cenário de uma distância não necessariamente definiria a outra.
Essa capacidade de competir em provas com exigências diferentes acompanha a trajetória do brasileiro. Os 1.000 metros pedem distribuição de esforço durante uma corrida mais longa; os 500 metros elevam a importância da potência, da velocidade e da precisão na estratégia. Em Poznan, Isaquias encontrou no percurso mais curto a oportunidade de transformar um Mundial que havia produzido frustração em mais um capítulo histórico.
Os 500 metros fazem parte da história da carreira
O título de 2026 não surgiu isoladamente. O C1 500m é uma das provas em que Isaquias construiu sua reputação internacional.
Antes de Poznan, Isaquias Queiroz já havia conquistado quatro títulos mundiais:
- 2013 — Duisburg, Alemanha
- 2014 — Moscou, Rússia
- 2018 — Montemor-o-Velho, Portugal
- 2022 — Halifax, Canadá
Com o triunfo em Poznan, em 2026, Isaquias chegou ao quinto título mundial da carreira no C1 500m, reforçando a distância como uma das mais vitoriosas de sua trajetória internacional.
O histórico mostra também que seus ouros mundiais não ficaram restritos aos 500 metros. Isaquias foi campeão do C2 1000m em 2015, venceu tanto o C1 500m quanto o C2 500m no Mundial de 2018 e conquistou o título do C1 1000m em 2019, em Szeged.
É essa variedade que ajuda a dimensionar seu lugar na modalidade. Ao longo da carreira, o brasileiro conseguiu disputar títulos em barco individual e em dupla, além de se manter competitivo em diferentes distâncias e atravessar sucessivas gerações de rivais na elite internacional.
Temporada de 2026 já mostrava força
O ouro mundial também encontrou respaldo no que Isaquias vinha fazendo ao longo da temporada deste ano.
Em maio, na etapa de Szeged da Copa do Mundo, o brasileiro ficou com a prata no C1 500m. Bowen Ji venceu aquela decisão. Uma semana depois, Isaquias ganhou a mesma prova na etapa de Brandenburg, na Alemanha.
Aquela vitória na Copa do Mundo na Alemanha já havia mostrado que o brasileiro seguia capaz de vencer a elite internacional nos 500 metros. O Mundial transformou essa competitividade em ouro justamente na competição mais importante da temporada.
O reencontro com Bowen Ji em Poznan também ajuda a contar a evolução do ano. Em maio, na Hungria, o chinês levou a melhor. Em agosto, quando o título mundial estava em disputa, Isaquias terminou à frente de Ji e também superou Fuksa.
Uma carreira marcada também pelas Olimpíadas
Embora os títulos mundiais formem uma parte gigantesca de sua trajetória, Isaquias também construiu um currículo olímpico que mudou o tamanho da canoagem velocidade no esporte brasileiro.
Ele possui cinco medalhas olímpicas, conquistadas em três edições dos Jogos:
Rio 2016
- Prata no C1 1000m
- Prata no C2 1000m
- Bronze no C1 200m
Tóquio 2020
- Ouro no C1 1000m
Paris 2024
- Prata no C1 1000m
Ao todo, Isaquias soma um ouro, três pratas e um bronze em Jogos Olímpicos, consolidando uma trajetória marcada pela regularidade no mais alto nível da canoagem mundial.
A sequência evidencia uma longevidade incomum. Entre o primeiro título mundial adulto, em 2013, e o ouro conquistado em Poznan em 2026, passaram-se 13 anos. Durante esse intervalo, Isaquias foi campeão mundial em diferentes barcos e distâncias, tornou-se campeão olímpico e permaneceu capaz de disputar finais contra atletas que também construíram carreiras históricas.
A sequência da temporada de 2026
As provas internacionais de canoagem velocidade ainda terão eventos importantes depois do Mundial. O principal deles será a ICF Hangzhou Super Cup, marcada para 1º a 3 de outubro, na China. Em novembro, o calendário também prevê o Campeonato Sul-Americano da modalidade, em Quillón, no Chile. Até o momento, porém, a participação de Isaquias Queiroz nessas competições ainda não foi confirmada oficialmente.
Los Angeles 2028 permanece no horizonte
A conquista na Polônia não representa apenas um olhar para o passado. Aos 32 anos, Isaquias deixou claro depois da vitória que continua com Los Angeles 2028 como objetivo.
O brasileiro afirmou que a pontuação obtida na temporada faz parte do planejamento para o próximo ciclo olímpico. O sistema da Federação Internacional de Canoagem para Los Angeles trabalha com resultados acumulados ao longo da janela classificatória, aberta para a canoagem velocidade em abril de 2026.
Depois da prata olímpica de Paris, Isaquias já havia indicado que pretendia prolongar a carreira até o ciclo seguinte. O Mundial de Poznan ofereceu uma resposta esportiva importante para essa decisão: mesmo depois de mais de uma década competindo entre os melhores do planeta, ele ainda consegue vencer uma final mundial contra rivais do mais alto nível.
Mais um título para um legado que continua em construção
O ouro no C1 500m de Poznan entra para a carreira de Isaquias Queiroz por diferentes razões. Foi a 15ª medalha do brasileiro em Campeonatos Mundiais, o oitavo ouro, o primeiro título mundial desde 2022 e mais uma conquista justamente em uma distância que acompanha sua história desde o início da carreira adulta.
Também foi uma vitória de reação. Isaquias passou de uma nona colocação nos 1.000 metros para o topo do pódio nos 500 metros em questão de um dia. Superou Martin Fuksa, campeão olímpico e um de seus grandes adversários internacionais, e virou o resultado da temporada contra Bowen Ji, que o havia derrotado em Szeged.
Para a canoagem brasileira, o significado ultrapassa uma única final. Isaquias foi o atleta que transformou a modalidade em presença constante no pódio olímpico do país e, mais de uma década depois de seu primeiro título mundial, segue acrescentando capítulos a essa história.
Poznan 2026 não encerra o legado de Isaquias Queiroz. Faz exatamente o contrário: mostra que ele ainda está sendo construído.