Os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 ganharam mais um capítulo importante para o Brasil nesta quinta-feira, 5 de novembro. Maria Eduarda Ribeiro, a Duda Ribeiro, conquistou a medalha de prata no skate street feminino, ampliando para três o número de pódios brasileiros na competição realizada no Senegal.
Com o resultado, o Time Brasil passa a somar um ouro, uma prata e um bronze. Antes da conquista no skate, a delegação ocupava a 16ª posição da classificação geral, em um levantamento que tinha o Japão na liderança. A nova colocação brasileira ainda depende da atualização integral do quadro de medalhas.
O desempenho nacional reúne resultados expressivos de jovens atletas. Clarisse Vallim conquistou o ouro no judô, Ana Júlia Amaral garantiu o bronze nos 100 metros borboleta e Duda Ribeiro acrescentou a prata do skate. Além disso, o Brasil registrou dois quartos lugares no dia 4 de novembro, na natação e no vôlei de praia masculino.
A competição, que vai até 13 de novembro, ainda terá provas importantes de atletismo, boxe, ginástica artística, esgrima, taekwondo e outras modalidades. O evento também marca um momento histórico para o Movimento Olímpico: é a primeira competição esportiva olímpica realizada no continente africano.
Duda Ribeiro conquista a prata no skate street feminino
A principal novidade brasileira do dia 5 de novembro veio da pista do Complexo da Tour de l'Oeuf, em Dakar.
Duda Ribeiro terminou a final do skate street feminino na segunda colocação. A medalha de ouro ficou com a chinesa Zhu Yuanling, enquanto a canadense Evie Pritchard completou o pódio.
O resultado colocou Duda entre as protagonistas da estreia do skate no programa dos Jogos Olímpicos da Juventude e reforçou a tradição brasileira no street feminino. Desde que a modalidade passou a integrar o programa dos Jogos Olímpicos, em Tóquio 2020, o Brasil conquistou medalhas nas duas edições, ambas com Rayssa Leal: prata na estreia olímpica, aos 13 anos, e bronze em Paris 2024. Agora, com a prata de Duda em Dakar 2026, o país mantém sua presença no pódio também na categoria juvenil, evidenciando a força de uma nova geração de skatistas brasileiras. A conexão é ainda mais simbólica porque Rayssa foi escolhida como embaixadora global dos Jogos da Juventude de Dakar 2026, reforçando seu papel como referência para jovens talentos da modalidade.
Classificação da final feminina do skate street:
- 1º — Zhu Yuanling (China): 149,82 pontos
- 2º — Duda Ribeiro (Brasil): 138,28 pontos
- 3º — Evie Pritchard (Canadá): 137,79 pontos
- 4º — Mariia Ozhigova (Rússia): 116,42 pontos
- 5º — Esmeralda Butler (Porto Rico): 109,14 pontos
- 6º — Laura Žáčková (Chéquia): 42,79 pontos
A diferença entre a brasileira e a canadense foi de apenas 0,49 ponto, mostrando como a disputa pelo pódio terminou equilibrada.
Aos 16 anos, Duda é natural de Maricá, no Rio de Janeiro, e já vinha acumulando resultados importantes no cenário nacional e internacional.
Em setembro de 2026, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé, na Argentina, em uma competição que também teve Gabriela Mazetto no pódio.
A trajetória de Duda ganhou força em 2025, quando passou a integrar a seleção brasileira de skate street. Naquele ano, conquistou o título do STU National em Curitiba e chegou à semifinal da Copa do Mundo de Roma.
A prata em Dakar amplia essa evolução e representa uma conquista internacional relevante para a skatista, que ainda está em fase de desenvolvimento esportivo.
Quadro de medalhas brasileiro
Com o segundo lugar de Duda Ribeiro, o balanço do Time Brasil em Dakar 2026 passa a apresentar três medalhas, conquistadas em três modalidades diferentes.
Medalhas até 5 de novembro:
- 1. Ouro — Clarisse Vallim, judô feminino, categoria até 78 kg.
- 2. Prata — Duda Ribeiro, skate street feminino.
- 3. Bronze — Ana Júlia Amaral, natação, 100 metros borboleta.
A distribuição dos resultados mostra a presença brasileira em diferentes frentes esportivas. Enquanto Clarisse confirmou o alto nível do judô nacional nas categorias de base, Ana Júlia encontrou seu espaço entre as melhores nadadoras da prova e Duda levou o skate brasileiro ao pódio juvenil.
As três medalhas também oferecem um retrato da diversidade do Time Brasil. A delegação participa de Dakar 2026 com 35 atletas distribuídos por 16 modalidades.
Quadro de medalhas geral: Japão lidera até o momento
Os japoneses assumiram o protagonismo do quadro de medalhas na primeira metade dos Jogos Olímpicos da Juventude.
Na atualização geral, registrada em 5 de novembro, o país aparecia com seis medalhas de ouro, uma prata e três bronzes, totalizando dez pódios.
Classificação parcial registrada:
- 1º — Japão: 6 ouros, 1 prata, 3 bronzes — 10 medalhas
- 2º — China: 5 ouros, 3 pratas, 1 bronze — 9 medalhas
- 3º — Rússia: 3 ouros, 2 pratas, 0 bronze — 5 medalhas
- 4º — Egito: 3 ouros, 0 prata, 1 bronze — 4 medalhas
- 5º — Nova Zelândia: 2 ouros, 3 pratas, 0 bronze — 5 medalhas
- 6º — Croácia: 2 ouros, 2 pratas, 0 bronze — 4 medalhas
- 7º — África do Sul: 1 ouro, 3 pratas, 1 bronze — 5 medalhas
- 8º — Alemanha: 1 ouro, 2 pratas, 1 bronze — 4 medalhas
- 16º — Brasil: 1 ouro, 1 prata, 1 bronze — 3 medalhas
O sistema de classificação segue o critério olímpico tradicional: número de ouros, depois pratas e, por último, bronzes.
A conquista o primeiro ouro brasileiro em Dakar
A primeira medalha de ouro do Brasil na edição foi conquistada por Clarisse Vallim, em 3 de novembro.
Bicampeã mundial cadete, a judoca teve uma campanha perfeita em resultados na categoria até 78 kg, vencendo seus três combates por ippon.
Na estreia, superou Arba Hasanaj, de Kosovo. Em seguida, venceu a cubana Kayla Zorrilla na semifinal, garantindo sua classificação para a decisão.
Na luta pelo ouro, enfrentou Anastasiia Dobrovolskaia, da Rússia, e conseguiu uma imobilização nos segundos finais.
A vitória confirmou a medalha dourada e reforçou o potencial de uma atleta que já apresenta conquistas expressivas no judô internacional de base.
Clarisse chegou ao Senegal como única representante brasileira da modalidade, aumentando o significado de sua campanha.
O bronze na natação
A primeira medalha brasileira da competição veio no dia 1º de novembro, com Ana Júlia Aguiar Amaral nos 100 metros borboleta.
A nadadora paulista completou a final em 1min00s49 e garantiu a terceira colocação.
A campeã foi Serafima Fokina, da Rússia, com 59s81. A romena Daria-Mariuca Silisteanu terminou em segundo lugar, com 1min00s31.
Ana Júlia chegou a completar a primeira metade da prova na segunda posição e permaneceu na disputa pelas medalhas até a chegada.
A brasileira voltou à piscina em 4 de novembro, nos 50 metros borboleta, terminando em sexto lugar. Sua programação ainda inclui os 200 metros borboleta, em 6 de novembro.
Brasil também registra outras duas campanhas
Além das três medalhas, o Time Brasil teve resultados próximos do pódio em outras modalidades.
No dia 4 de novembro, Luiz Daniel Moura terminou em quarto lugar nos 200 metros medley masculino.
O nadador paraense quebrou seu recorde pessoal duas vezes no mesmo dia, primeiro nas eliminatórias e depois na final.
No vôlei de praia masculino, Bruno Fellipe e Gabriel Campos também encerraram a campanha na quarta colocação.
A dupla brasileira chegou à disputa pelo bronze, mas perdeu para os australianos Thomas Turner e Ryan Edgar por 2 sets a 0.
Os resultados representam desempenhos relevantes em competições internacionais de base, mesmo sem a conquista de medalhas.
Destaques internacionais de Dakar 2026
Entre as principais atletas desta edição está a japonesa Mana Ishikawa, que conquistou três ouros na natação até 4 de novembro.
A nadadora venceu os 100 metros peito, os 200 metros peito e os 200 metros medley, tornando-se um dos nomes de maior destaque da primeira metade dos Jogos.
Outro japonês que brilhou foi Iori Miyazaki, com duas medalhas de ouro até aquele momento.
A Nova Zelândia também acumulou bons resultados na piscina, especialmente com Ariel Muchirahondo, campeão das provas masculinas de 100 e 200 metros costas.
O Senegal, anfitrião da competição, viveu um momento histórico com a medalha de bronze de Matar Diop no judô masculino até 66 kg.
Além dos resultados esportivos, o desempenho das delegações evidencia o alcance internacional dos Jogos Olímpicos da Juventude, que reúnem atletas de diferentes continentes em uma etapa importante da formação de possíveis futuros olímpicos.
Quais modalidades ainda faltam disputar
O calendário de Dakar 2026 segue movimentado. Embora esportes como judô, skate e vôlei de praia já tenham concluído ou estejam encerrando suas competições, outras modalidades ainda terão suas primeiras disputas.
A programação da segunda metade inclui:
- 6 de novembro — basquete 3x3 e tiro com arco iniciam suas competições. Natação, triatlo e hipismo também têm decisões previstas.
- 7 de novembro — começam as disputas de boxe, wrestling e ginástica artística.
- 8 de novembro — início das competições de atletismo, ciclismo de estrada, esgrima, taekwondo e vela.
- 9 de novembro — início do handebol de praia e decisões do basquete 3x3.
- 10 de novembro — continuidade das finais de atletismo, ciclismo, ginástica artística, tiro com arco e taekwondo.
- 11 de novembro — decisões de ginástica artística e futsal, além da sequência de esgrima e taekwondo.
- 12 de novembro — finais de boxe, taekwondo, vela e futsal, além do início do breaking.
- 13 de novembro — último dia de competição, com decisões de breaking, handebol de praia e esgrima, seguido pela cerimônia de encerramento.
O programa mostra que uma parcela significativa das medalhas ainda será distribuída. Modalidades importantes, especialmente atletismo e esportes de combate, podem modificar a classificação geral nos próximos dias.
Onde assistir aos Jogos Olímpicos da Juventude
As competições têm transmissão gratuita para o público brasileiro. A CazéTV exibe pelo YouTube. O acordo firmado com o Comitê Olímpico Internacional prevê pelo menos 20 horas de transmissão da edição de Dakar.
Outra opção é o Olympics.com, plataforma oficial do Movimento Olímpico, que disponibiliza transmissões de diferentes modalidades. O Panam Sports Channel também oferece cobertura gratuita do evento, por meio de seu site e aplicativo.
Para acompanhar as disputas de futsal, a FIFA disponibiliza gratuitamente as partidas dos torneios masculino e feminino no seu site oficial.
Como a programação varia conforme a modalidade e o dia, o torcedor deve consultar a grade das plataformas para conferir os horários de cada transmissão.
Atletismo brasileiro pode ampliar o número de medalhas
Uma das principais atrações da reta final será o atletismo, programado para os dias 8 a 10 de novembro.
O Brasil terá sete representantes, incluindo Kevin Tobias Aguero, destaque nos 400 metros com barreiras.
O jovem sul-mato-grossense chega ao evento depois de estabelecer um recorde sul-americano sub-18, com 50s77, durante o Campeonato Brasileiro Interclubes da categoria.
A delegação também terá atletas em provas de barreiras, meio-fundo, salto em altura e lançamentos.
O histórico brasileiro na modalidade oferece boas referências. Thiago Braz, por exemplo, conquistou a prata no salto com vara em Singapura 2010, antes de se tornar campeão olímpico adulto no Rio de Janeiro 2016.
Isso mostra como a experiência de conquistas na base pode servir de plataforma para o desenvolvimento de atletas que posteriormente chegam à elite mundial.
O que são os Jogos Olímpicos da Juventude
É uma competição multiesportiva criada pelo Comitê Olímpico Internacional para reunir jovens atletas de alto rendimento e oferecer experiências esportivas, educacionais e culturais.
A primeira edição de verão aconteceu em Singapura, em 2010. Depois, a competição passou por Nanjing, em 2014, e Buenos Aires, em 2018.
Dakar 2026 representa a quarta edição de verão dos Jogos.
Inicialmente, o evento no Senegal estava previsto para 2022, mas foi adiado para 2026 em um acordo entre o COI e os organizadores durante a pandemia de Covid-19.
A competição mantém os princípios do Movimento Olímpico, mas apresenta características específicas para atletas em formação.
O objetivo não se limita à distribuição de medalhas. Os participantes também entram em contato com diferentes culturas, práticas educacionais e experiências relacionadas ao esporte de alto rendimento.
Dakar 2026 reúne atletas com idades entre 14 e 17 anos, respeitando as regras específicas de elegibilidade de cada modalidade.
A participação não ocorre por inscrição livre. Os atletas precisam atender aos critérios esportivos definidos pelas federações internacionais e aos procedimentos de seleção das autoridades olímpicas nacionais.
A proposta busca combinar nível competitivo elevado com representatividade internacional e oportunidades para países em desenvolvimento esportivo.
Quantas modalidades existem no Dakar 2026
O programa aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional reúne 25 esportes e 153 provas valendo medalhas.
Além deles, existem dez esportes de engajamento, com atividades voltadas à experimentação esportiva e à aproximação dos jovens com diferentes modalidades.
Entre os esportes competitivos dos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar estão:
- Atletismo
- Natação
- Judô
- Skate street
- Basquete 3x3
- Futsal
- Vôlei de praia
- Boxe
- Ginástica artística
- Tênis de mesa
- Taekwondo
- Esgrima
O programa também inclui modalidades menos tradicionais nas edições adultas, como baseball5, wushu e wrestling de praia.
Uma das características desta edição é a igualdade de gênero na distribuição das vagas e provas. O programa apresenta 73 eventos masculinos, 73 femininos e sete mistos.
O formato procura oferecer uma experiência olímpica internacional compatível com a idade e a formação esportiva dos participantes.
Por que essa edição é histórica para o esporte
Os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 representam um marco por serem o primeiro evento esportivo olímpico realizado na África.
As competições estão distribuídas por Dakar, Diamniadio e Saly, com diferentes instalações esportivas e estruturas de apoio.
A realização no Senegal busca ampliar as oportunidades de desenvolvimento esportivo no continente e fortalecer a presença africana no Movimento Olímpico.
A edição também é a primeira dos Jogos Olímpicos da Juventude a contar com uma Equipe Olímpica de Refugiados.
Outra característica é o compromisso com a igualdade de gênero e a utilização de instalações que possam continuar servindo à população após o encerramento da competição.
Nesse contexto, Dakar 2026 procura deixar um legado que ultrapasse os resultados esportivos e contribua para o desenvolvimento de jovens atletas.
O que esperar dos últimos dias de competição
A reta final dos Jogos Olímpicos da Juventude ainda apresenta oportunidades importantes para o Brasil.
O atletismo terá sete brasileiros em ação, a natação segue com provas previstas e modalidades como boxe, esgrima, taekwondo, ginástica artística e handebol de praia também fazem parte da programação nacional.
O Japão liderava a classificação geral no último levantamento consultado, mas a disputa entre as delegações permanece aberta diante das modalidades que ainda distribuirão medalhas.
Para o Time Brasil, a conquista da prata de Duda Ribeiro amplia um início marcado pela diversidade de resultados. O país já chegou ao pódio no judô, na natação e no skate, além de registrar participações competitivas em outras modalidades.
A campanha brasileira passa, portanto, a ter três medalhistas diferentes antes mesmo da chegada de algumas das provas mais aguardadas da segunda semana.
Com encerramento marcado para 13 de novembro, Dakar 2026 ainda tem oito dias pela frente. O Brasil continuará em busca de novos pódios, enquanto o Senegal consolida uma edição histórica dos Jogos Olímpicos da Juventude, marcada pela presença inédita do evento em território africano e pela apresentação de uma nova geração de talentos do esporte mundial.