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LeBron James jogará no 76ers: títulos, lendas da franquia e como o astro se encaixa no time

Maior pontuador da história da NBA chega à Filadélfia para jogar ao lado de Joel Embiid, Tyrese Maxey e Jaylen Brown em uma franquia três vezes campeã, dona de camisas históricas aposentadas e que tenta encerrar um jejum de títulos iniciado desde 1983.

Por Corte dos Esportes · 24/07/2026 · Categoria: Basquete
LeBron James com o uniforme branco do Los Angeles Lakers conduzindo a bola em uma quadra de basquete.
LeBron James conduz a bola durante a partida do Los Angeles Lakers Foto: Erik Drost/Wikimedia Commons.

LeBron James será jogador do Philadelphia 76ers. Aos 41 anos, o astro decidiu prolongar a carreira e escolheu uma das franquias mais tradicionais da NBA para disputar sua 24ª temporada na liga. A mudança encerra sua passagem pelo Los Angeles Lakers e coloca o maior pontuador da história da competição em um elenco construído para buscar o título imediatamente.

Depois de conquistar campeonatos com Miami Heat, Cleveland Cavaliers e Lakers, o veterano chega à Filadélfia com a possibilidade de ampliar um legado que já atravessa diferentes gerações.

O destino não é um projeto em reconstrução. Os 76ers possuem Joel Embiid, Tyrese Maxey, Jaylen Brown e VJ Edgecombe, além de serem comandados por Nick Nurse. A contratação de LeBron acrescenta experiência, criação de jogadas e controle emocional a uma equipe que acumulou talento nas últimas temporadas, mas ainda busca transformar esse potencial em uma campanha realmente longa nos playoffs.

Uma das franquias mais tradicionais da NBA

A história do Philadelphia 76ers começou longe da Pensilvânia. A equipe surgiu como Syracuse Nationals e se estabeleceu como uma das forças dos primeiros anos da NBA. Em 1963, a franquia mudou-se para a Filadélfia e passou a usar o nome 76ers, uma referência ao ano de 1776 e à independência dos Estados Unidos, declarada na cidade.

Desde então, o clube construiu uma identidade ligada a grandes pivôs, jogadores fisicamente dominantes e astros capazes de definir épocas. Wilt Chamberlain, Julius Erving, Moses Malone, Charles Barkley, Allen Iverson e Joel Embiid são alguns dos nomes que ajudam a explicar o peso da camisa.

A chegada de LeBron coloca outro integrante do grupo dos maiores jogadores da história dentro dessa linha do tempo. Diferentemente de outros momentos da carreira, porém, ele não precisará ser o único responsável por sustentar o ataque ou carregar todas as expectativas da equipe.

Na Filadélfia, LeBron entra em um grupo que já possui um ex-MVP da temporada regular em Embiid, um armador All-Star em Maxey e um campeão da NBA e MVP das finais em Jaylen Brown. Brown foi adquirido oficialmente pelos 76ers em julho de 2026, depois de construir uma década de história com o Boston Celtics.

Os títulos da NBA do Philadelphia

Os 76ers são três vezes campeões. As conquistas aconteceram em momentos muito diferentes da história da franquia:

  • 1955 — Syracuse Nationals campeão contra o Fort Wayne Pistons
  • 1967 — Philadelphia 76ers campeão contra o San Francisco Warriors
  • 1983 — Philadelphia 76ers campeão contra o Los Angeles Lakers

O primeiro título ainda pertence ao período em que a equipe jogava em Syracuse. Liderado por Dolph Schayes, o Nationals venceu uma final de sete partidas contra o Fort Wayne Pistons e conquistou o campeonato de 1955.

Em 1967, já como Philadelphia 76ers, a franquia montou uma das equipes mais dominantes da história. Wilt Chamberlain liderou um time que venceu 68 dos 81 jogos da temporada regular, eliminou o Boston Celtics e derrotou o San Francisco Warriors por 4 a 2 nas finais.

O terceiro título veio em 1983 e permanece como a conquista mais recente do clube. Moses Malone, Julius Erving, Maurice Cheeks e Bobby Jones formavam a base de uma equipe poderosa, que terminou a temporada regular com 65 vitórias e perdeu apenas uma partida em toda a pós-temporada.

Na final, o Filadélfia varreu o Boston Celtics por 4 a 0. Moses Malone foi eleito o MVP da decisão, e Julius Erving finalmente conquistou o título que faltava em sua trajetória na NBA.

Desde a conquista de 1983, o clube voltou às finais somente em 2001. Naquela temporada, Allen Iverson foi eleito MVP da liga e conduziu um elenco marcado pela defesa e pela competitividade até a decisão contra o Lakers de Shaquille O’Neal e Kobe Bryant.

Iverson marcou 48 pontos no primeiro jogo da série e liderou uma vitória histórica na prorrogação, mas Los Angeles reagiu e conquistou os quatro confrontos seguintes. Aquela continua sendo a última participação dos 76ers nas finais da NBA.

As lendas da franquia

A tradição dos 76ers também aparece nas camisas aposentadas. O clube reservou seus números mais simbólicos para jogadores que marcaram diferentes gerações:

  • Número 2 — Moses Malone
  • Número 3 — Allen Iverson
  • Número 4 — Dolph Schayes
  • Número 6 — Julius Erving
  • Número 10 — Maurice Cheeks
  • Número 13 — Wilt Chamberlain
  • Número 15 — Hal Greer
  • Número 24 — Bobby Jones
  • Número 32 — Billy Cunningham
  • Número 34 — Charles Barkley

A lista mostra que a história da Filadélfia não foi construída apenas pelos campeões de 1967 e 1983. Charles Barkley, por exemplo, não conquistou o título com os 76ers, mas se transformou em uma das maiores estrelas da liga durante sua passagem pelo clube. Allen Iverson também não levantou a taça, porém mudou a cultura da franquia e levou o time às finais de 2001.

Moses Malone foi o jogador mais recente a ter seu número aposentado pelo clube. Sua camisa 2 foi elevada em 2019, reconhecendo o papel central do pivô na conquista de 1983.

LeBron continuará usando o número 23 na Filadélfia. Como a camisa não está aposentada pelos 76ers, o astro poderá manter o número que utilizou em grande parte de sua carreira.

Como LeBron se encaixará no time

A parceria entre Embiid pode mudar a maneira como os 76ers atacam. Embiid é uma ameaça no poste baixo, no arremesso de média distância e em jogadas de pick-and-pop. LeBron, por sua vez, continua sendo um dos melhores organizadores da liga, mesmo sem apresentar a mesma explosão física de seus melhores anos.

Quando os dois estiverem envolvidos em uma ação de bloqueio direto, a defesa terá decisões difíceis. Recuar para proteger o garrafão pode oferecer espaço para Embiid arremessar. Trocar a marcação pode deixar um jogador menor contra o pivô. Dobrar LeBron cria oportunidades para passes em direção ao perímetro.

O principal benefício pode ser a redução da carga sobre Embiid. Durante várias temporadas, o ataque da Filadélfia dependeu excessivamente da capacidade do pivô de criar pontos em situações difíceis. LeBron oferece outro jogador capaz de ler a defesa, controlar a velocidade da partida e encontrar companheiros livres.

A condição física será determinante. Embiid enfrentou diferentes problemas ao longo da carreira, enquanto LeBron iniciará sua 24ª temporada aos 41 anos. Nick Nurse precisará administrar minutos, descansos e rotações pensando menos na quantidade de vitórias durante os primeiros meses e mais na disponibilidade das estrelas nos playoffs.

Um dos maiores beneficiados

Tyrese Maxey não precisará abandonar seu papel de protagonista, mas poderá exercer uma função diferente ao lado de LeBron. O armador é especialmente perigoso quando recebe a bola em movimento, encontra espaços em transição ou ataca uma defesa que ainda não está organizada.

Com LeBron iniciando parte das jogadas, Maxey poderá atuar mais vezes sem a bola. Cortes em direção à cesta, arremessos após passes e ataques contra defensores em desequilíbrio tendem a fazer parte de seu repertório.

O movimento também funciona no sentido contrário. Maxey tem velocidade para conduzir o ataque e poupar LeBron durante determinados períodos. Isso permite que o veterano jogue mais perto da cesta, participe como bloqueador ou escolha os momentos em que assumirá completamente a criação.

Um núcleo poderoso

A presença de Jaylen Brown oferece equilíbrio físico e defensivo. Campeão da NBA e MVP das finais, o ala pode marcar diferentes posições, atacar o aro e produzir pontos sem precisar monopolizar a bola.

Brown também reduz a necessidade de LeBron assumir constantemente a missão defensiva mais exigente no perímetro. Em uma temporada longa, essa divisão pode ser fundamental para preservar o veterano.

O possível quinteto com Maxey, Brown, LeBron, Embiid e uma quinta peça ajustada às necessidades do confronto reúne criação, força e poder de pontuação. VJ Edgecombe aparece como uma alternativa jovem e atlética, enquanto a rotação também possui jogadores capazes de ampliar o espaçamento.

O desafio será organizar tantas estrelas sem tornar o ataque previsível. Maxey precisa da bola para acelerar, Brown gosta de atacar a partir do drible, Embiid trabalha com frequência no centro da quadra e LeBron historicamente controla a criação. Caberá a Nick Nurse distribuir responsabilidades e evitar que o time se transforme apenas em uma sequência de ações individuais.

O que LeBron ainda pode oferecer

Ele encerrou a temporada regular de 2025/26 com médias de 20,9 pontos, 7,2 assistências e 6,1 rebotes. Os números mostram uma redução natural em comparação com seus anos de auge, mas continuam representando uma produção elevada para um atleta de 41 anos.

Seu impacto, porém, não deve ser medido apenas pela pontuação. LeBron reconhece mudanças defensivas, identifica os marcadores mais vulneráveis, controla o ritmo das posses e oferece soluções em finais apertados.

Essa experiência é especialmente valiosa para uma franquia que encontrou dificuldades recorrentes nas fases decisivas dos playoffs. Embiid e Maxey deixam de carregar sozinhos a responsabilidade de responder por cada eliminação, enquanto Brown e LeBron acrescentam ao elenco a experiência de quem já foi campeão e MVP das finais.

História com uma quarta franquia

Ele conquistou quatro campeonatos da NBA: dois pelo Miami Heat, um pelo Cleveland Cavaliers e um pelo Los Angeles Lakers. Em todas as conquistas, foi eleito o MVP das finais.

Caso seja campeão pelos 76ers, poderá conquistar a liga por uma quarta franquia diferente.

O contexto torna a escolha especialmente simbólica. LeBron não foi para um clube sem tradição em busca de construir uma identidade do zero. Chegou a uma organização que já teve outros jogadores históricos da liga mas que procura há décadas um novo capítulo realmente vitorioso.

A contratação não oferece garantias. A saúde de Embiid, a adaptação de Brown, a evolução de Maxey e Edgecombe e a gestão física de LeBron serão fatores decisivos. Ainda assim, a Filadélfia reúne algo que poucas equipes conseguem combinar: estrelas em diferentes etapas da carreira, tradição histórica e urgência competitiva.

LeBron James chega aos 76ers para tentar transformar essa combinação em título. Para uma franquia que já viu algumas das maiores lendas da NBA vestirem sua camisa, a missão é clara: voltar às finais, encerrar o jejum e colocar uma nova geração ao lado dos campeões eternizados nos números aposentados do clube.