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Lewis Hamilton: história, títulos e o novo capítulo do heptacampeão na Ferrari

Hamilton segue em atividade na Fórmula 1 e ainda escreve capítulos importantes da própria carreira. Da ascensão meteórica na McLaren ao domínio histórico com a Mercedes, o britânico chegou à Ferrari como um dos maiores pilotos de todos os tempos e com a busca por novos feitos ainda aberta.

Por Corte dos Esportes · 25/06/2026 · Categoria: Automobilismo

Aos olhos da história, ele já tem tamanho de lenda; aos olhos da pista, segue sendo piloto em atividade, agora vestido de vermelho pela Ferrari. É justamente essa combinação que torna sua trajetória tão rara: Hamilton já construiu uma carreira suficiente para entrar em qualquer debate sobre os maiores da Fórmula 1, mas ainda compete, ainda se adapta, ainda persegue vitórias e ainda convive com a pressão de provar algo em uma categoria que nunca para de cobrar.

Nascido em Stevenage, na Inglaterra, em 7 de janeiro de 1985, Hamilton se tornou um fenômeno de velocidade, consistência e longevidade. Em números, sua carreira já o coloca no topo da Fórmula 1: sete títulos mundiais, mais de 100 vitórias, mais de 100 poles e uma passagem por três gigantes da categoria, McLaren, Mercedes e Ferrari.

O início: kart, McLaren e a chegada explosiva à Fórmula 1

A história começa antes da Fórmula 1, no kart, em uma trajetória marcada por talento precoce, apoio familiar e aproximação com a McLaren ainda na juventude. Ele cresceu mirando a elite do automobilismo em um ambiente caro, competitivo e pouco diverso, o que dá à sua caminhada um peso esportivo e simbólico maior.

A estreia na Fórmula 1 veio em 2007, pela McLaren. Hamilton chegou como novato, mas não se comportou como um estreante comum. Dividiu equipe com Fernando Alonso, então bicampeão mundial, venceu corridas, disputou o título até a última etapa e terminou o campeonato a apenas um ponto de Kimi Räikkönen. Foi um aviso: a categoria havia acabado de receber um piloto pronto para brigar no topo.

A primeira vitória de Lewis Hamilton na Fórmula 1 veio ainda em sua temporada de estreia, no GP do Canadá de 2007, disputado no Circuit Gilles-Villeneuve, em Montreal. Correndo pela McLaren, o britânico largou na pole position e venceu uma prova caótica, marcada por entradas do safety car e pelo forte acidente de Robert Kubica. A vitória confirmou que Hamilton não era apenas uma promessa rápida: era um piloto pronto para ganhar corridas e disputar títulos imediatamente. Meses depois, ele levaria a decisão do campeonato até a última etapa e, no ano seguinte, conquistaria o primeiro título mundial da carreira.

Em 2008, no segundo ano na F1, Hamilton conquistou seu primeiro título mundial. A decisão entrou para a memória do esporte. No GP do Brasil, em Interlagos, Felipe Massa venceu a corrida e chegou a ser campeão por alguns segundos, mas Hamilton ultrapassou Timo Glock nas últimas curvas, terminou em quinto e garantiu o campeonato por um ponto. Era o primeiro título de sua carreira e também um marco histórico: Hamilton se tornava o primeiro piloto negro campeão mundial da Fórmula 1.

McLaren: velocidade, amadurecimento e um campeão em formação

Hamilton correu pela McLaren de 2007 a 2012. Foi ali que construiu a base da carreira na Fórmula 1. O período teve brilho, vitórias, poles e também fases de instabilidade, com carros que nem sempre permitiram brigar pelo título. Mesmo assim, ele se consolidou como um dos pilotos mais rápidos do grid, especialmente em classificação e em pistas de alta exigência técnica.

A McLaren deu o primeiro título e o apresentou ao mundo como um competidor agressivo, corajoso e capaz de decidir corridas no detalhe. Mas, ao fim de 2012, ele tomou uma decisão que muitos questionaram: deixar uma equipe campeã e tradicional para ir à Mercedes, que ainda não era a potência dominante da era híbrida.

O domínio que mudou a história da Fórmula 1

A mudança para a Mercedes, em 2013, foi um divisor de águas. No começo, parecia uma aposta arriscada. Pouco tempo depois, virou uma das decisões mais importantes da história recente da Fórmula 1. Com a entrada da era híbrida, em 2014, a Mercedes passou a dominar o campeonato, e Hamilton transformou desempenho em hegemonia.

Ele foi campeão pela equipe alemã em 2014, 2015, 2017, 2018, 2019 e 2020. Somado ao título de 2008 pela McLaren, chegou a sete conquistas mundiais. Nesse ponto, Hamilton entrou no topo absoluto da lista de maiores campeões da Fórmula 1: ele divide com Michael Schumacher, heptacampeão e referência histórica da categoria, o posto de maior campeão mundial entre os pilotos, ambos com sete títulos.

Esse empate com Schumacher é um dos pontos centrais do legado de Hamilton. O alemão foi o grande símbolo de domínio da virada dos anos 1990 para os anos 2000, sobretudo com a Ferrari. Hamilton, por sua vez, virou o grande nome com a Mercedes, e levou a comparação para outro patamar ao igualar o recorde de títulos e superar marcas históricas de vitórias e poles.

Os títulos de Lewis Hamilton na Fórmula 1

  • 2008 — McLaren
  • 2014 — Mercedes
  • 2015 — Mercedes
  • 2017 — Mercedes
  • 2018 — Mercedes
  • 2019 — Mercedes
  • 2020 — Mercedes

O peso desses títulos vai além da quantidade. Hamilton venceu em eras diferentes, contra companheiros fortes, em regulamentos distintos e com estilos de carro que exigiram adaptação. Foi rápido em volta lançada, forte em ritmo de corrida, eficiente no cuidado com pneus e decisivo em pistas de chuva, calor, pressão e estratégia apertada.

Ayrton Senna como ídolo e a conexão com o Brasil

Senna ocupa um lugar central na formação esportiva e emocional de Hamilton. O britânico cresceu admirando o brasileiro e levou essa referência para dentro da própria identidade como piloto: velocidade em classificação, agressividade controlada, sensibilidade na chuva e uma relação quase espiritual com o carro. Por isso, a trajetória de Hamilton conversa diretamente com a história de Ayrton Senna.

Senna foi tricampeão mundial, dono de uma aura única e símbolo máximo da Fórmula 1 para o público brasileiro. Hamilton foi além nos números, mas sempre fez questão de preservar o respeito pelo ídolo. A conexão entre os dois ajuda a explicar por que o britânico tem uma relação tão forte com o Brasil. Interlagos foi palco do título dramático de 2008, de vitórias marcantes e de homenagens ao maior nome brasileiro da categoria. Para entender melhor esse cenário, a história do GP de Interlagos mostra por que o circuito é tão simbólico para pilotos, torcedores e para a memória de Senna.

Ferrari: sonho, risco e novo desafio

A ida de Hamilton para a Ferrari foi anunciada em 2024 e passou a valer a partir de 2025. A decisão teve peso esportivo e emocional. Depois de mais de uma década na Mercedes, Hamilton escolheu o desafio mais simbólico possível: vestir o vermelho da escuderia mais tradicional da Fórmula 1, correr pelos tifosi e tentar vencer por uma equipe que carrega enorme pressão histórica.

A Ferrari também amplia a comparação com Schumacher. Foi com a equipe italiana que o alemão construiu a fase mais dominante de sua carreira, empilhando títulos e transformando Maranello no centro do mundo da F1. Hamilton chegou à Scuderia em outro momento, com outro contexto e já consagrado, mas com uma missão que mexe com o imaginário da categoria: vencer de vermelho e, quem sabe, atacar novamente o topo da história.

Em 2026, Hamilton conquistou sua primeira vitória pela Ferrari no GP da Espanha, em Barcelona-Catalunya, chegando à 106ª vitória da carreira e reforçando que sua trajetória ainda está em movimento.

As equipes de Lewis Hamilton na Fórmula 1

  • McLaren — 2007 a 2012
  • Mercedes — 2013 a 2024
  • Ferrari — desde 2025

A sequência mostra algo raro: Hamilton não construiu a carreira pulando de equipe em equipe. Foram ciclos longos, de alto impacto. Na McLaren, nasceu o campeão. Na Mercedes, nasceu o recordista. Na Ferrari, ele tenta construir o capítulo final — ou talvez o mais surpreendente — sem que sua carreira ainda tenha sido encerrada.

Circuitos em que mais venceu:

  • Silverstone — 9 vitórias
  • Hungaroring — 8 vitórias
  • Barcelona-Catalunya — 7 vitórias
  • Circuit Gilles-Villeneuve, em Montreal — 7 vitórias
  • Xangai — 6 vitórias
  • Circuito das Américas, em Austin — 5 vitórias
  • Monza — 5 vitórias
  • Spa-Francorchamps — 5 vitórias
  • Yas Marina — 5 vitórias
  • Sakhir — 5 vitórias

Os dados por circuito reforçam a versatilidade de Hamilton. Ele empilhou vitórias em pistas rápidas, travadas, urbanas, técnicas e históricas. Silverstone, casa do GP da Inglaterra, é o território mais dominante. Hungaroring e Montreal também aparecem como pistas muito associadas ao estilo de Hamilton, especialmente pela combinação de freada, tração, ritmo e precisão. Barcelona-Catalunya ganhou ainda mais peso na carreira do britânico depois da primeira vitória pela Ferrari.

Legado: mais do que números

Não cabe apenas em vitórias e poles. Ele mudou a percepção da Fórmula 1 sobre diversidade, imagem, moda, ativismo e presença cultural. Foi protagonista em uma categoria tradicionalmente fechada, ampliou a audiência para além do público clássico do automobilismo e se tornou uma figura global.

Na pista, sua marca é a combinação de velocidade pura, inteligência de corrida e resistência competitiva. Fora dela, é a capacidade de transformar a própria imagem em plataforma. Hamilton não foi apenas campeão dentro do carro; virou uma voz relevante em debates sobre representatividade, racismo, sustentabilidade e inclusão no esporte.

Por isso, qualquer matéria sobre Lewis Hamilton precisa carregar uma ressalva importante: sua história ainda está em construção. O que já existe é monumental. Sete títulos mundiais, o topo da lista de maiores campeões ao lado de Michael Schumacher, a idolatria declarada por Ayrton Senna, passagens por McLaren, Mercedes e Ferrari, recordes históricos, conexão profunda com o Brasil e uma carreira que atravessou gerações. Mas enquanto Hamilton seguir no grid, cada corrida ainda pode acrescentar algo a uma das trajetórias mais importantes que a Fórmula 1 já viu.