O Masters 1000 de Paris 2026 conheceu seus quatro semifinalistas na sexta-feira, 6 de novembro, depois de uma rodada marcada por confrontos equilibrados e momentos decisivos. Na Plenitude Arena, em Nanterre, na região metropolitana de Paris, três das quatro partidas foram resolvidas em três sets, mostrando o nível de disputa na reta final do último Masters 1000 da temporada.
A definição dos semifinalistas deu sequência ao cenário apresentado nos resultados das oitavas de final, etapa que preparou o caminho para os duelos decisivos do torneio.
O principal destaque foi Carlos Alcaraz. O espanhol salvou dois match points contra Taylor Fritz, conseguiu uma virada por 2 sets a 1 e alcançou pela primeira vez as semifinais do torneio parisiense. Ben Shelton venceu o confronto norte-americano diante de Tommy Paul, enquanto Luca Van Assche manteve viva a representação francesa ao superar Rinky Hijikata em uma batalha de quase três horas.
No encerramento da rodada, Casper Ruud derrotou Nuno Borges em sets diretos e completou o grupo dos quatro classificados.
Carlos Alcaraz protagoniza grande virada
A partida entre Carlos Alcaraz e Taylor Fritz foi um dos momentos mais marcantes das quartas de final do Masters 1000 de Paris 2026. O espanhol, segundo cabeça de chave, precisou de 2 horas e 43 minutos para vencer o norte-americano por 6/7 (10), 7/5 e 6/3.
O primeiro set mostrou o equilíbrio do confronto. Fritz e Alcaraz trocaram golpes agressivos e chegaram ao tie-break, disputado ponto a ponto. Ambos tiveram três oportunidades de fechar a parcial, mas o norte-americano levou a melhor por 12 a 10 e abriu vantagem.
A situação ficou ainda mais complicada para Alcaraz na segunda parcial. Fritz conseguiu uma quebra de serviço, abriu 5/3 e chegou a ter duas oportunidades de encerrar a partida.
Foi nesse momento que o espanhol iniciou sua reação. Alcaraz salvou o primeiro match e depois, recuperou a quebra de serviço e passou a controlar os momentos decisivos da parcial.
A vitória por 7/5 no segundo set mudou completamente o confronto. No terceiro, Alcaraz aproveitou a queda de rendimento do adversário, conseguiu as quebras necessárias e fechou a partida em 6/3.
Além da classificação, o resultado teve importância histórica para o espanhol. Apesar de já ter conquistado títulos importantes em Paris, no saibro de Roland Garros, Alcaraz ainda não havia alcançado uma semifinal no Masters 1000 disputado em quadra dura coberta.
A eliminação também teve consequências para Fritz. O norte-americano precisava avançar às semifinais para continuar na disputa por uma vaga no ATP Finals de 2026. Com a derrota, ficou fora da competição de encerramento da temporada, enquanto Rafael Jódar garantiu sua classificação.
Luca Van coloca a França nas semifinais
A torcida francesa teve motivos para comemorar com Luca Van Assche. Aos 22 anos, o tenista derrotou o australiano Rinky Hijikata por 6/4, 6/7 (4) e 7/5, depois de 2 horas e 44 minutos de partida.
O francês já havia chamado atenção ao eliminar Lorenzo Musetti nas oitavas de final, também em três sets. Nas quartas, encontrou um adversário que chegava embalado por uma campanha surpreendente.
Hijikata havia saído do qualifying e conquistado uma das maiores vitórias de sua trajetória ao eliminar Novak Djokovic , um dos maiores campeões da história do tênis, na segunda rodada. O australiano também superou Tomás Martín Etcheverry nas oitavas.
No confronto das quartas, Van Assche começou melhor e venceu o primeiro set por 6/4. Hijikata reagiu na segunda parcial, conseguiu levar a disputa ao tie-break e empatou a partida.
O terceiro set foi marcado por mudanças de ritmo. O australiano abriu 2/0, mas Van Assche conseguiu recuperar a quebra e manter o confronto equilibrado.
A definição aconteceu quando o francês estava em vantagem por 6/5. Uma dupla falta de Hijikata ajudou Van Assche a conquistar três match points, e ele aproveitou a oportunidade para confirmar a classificação.
O resultado representou um marco para o tênis francês. Van Assche tornou-se o segundo francês mais jovem a alcançar as semifinais do Masters de Paris, atrás apenas de Richard Gasquet, que havia conseguido o feito em 2007.
A campanha também passou a ser a melhor de Van Assche em torneios da categoria Masters 1000, consolidando sua trajetória no circuito profissional.
Ben Shelton confirma força norte-americana
O primeiro confronto das quartas de final reuniu dois representantes dos Estados Unidos. Ben Shelton, terceiro cabeça de chave, enfrentou Tommy Paul, 12º favorito, e venceu por 6/4, 4/6 e 6/3, em 1 hora e 45 minutos.
O primeiro set apresentou poucas oportunidades de quebra. Os dois jogadores conseguiram proteger seus serviços durante boa parte da parcial, até Shelton aproveitar a instabilidade de Paul no décimo game.
Um retorno vencedor do canhoto garantiu a primeira parcial por 6/4.
Paul respondeu imediatamente no segundo set. O norte-americano conseguiu quebrar o saque de Shelton logo no início, abriu vantagem e manteve o controle do placar até empatar o confronto.
A decisão ficou para o terceiro set, quando os erros de Paul voltaram a fazer diferença. No quarto game, uma dupla falta e erros não forçados permitiram que Shelton conquistasse a quebra decisiva.
Com vantagem no placar, Shelton manteve a consistência nos games de saque e fechou a partida em 6/3.
A classificação também encerrou uma espera do tênis norte-americano no torneio. Shelton tornou-se o primeiro representante dos Estados Unidos a chegar às semifinais do Masters 1000 de Paris desde Jack Sock, em 2017.
O resultado manteve o jogador na disputa por mais um título de Masters 1000, depois das conquistas no Canadá em 2025 e 2026.
Casper Ruud encerra campanha histórica de Nuno Borges
A última vaga nas semifinais ficou com Casper Ruud. O norueguês venceu o português Nuno Borges por 7/6 (5) e 6/4, em 1 hora e 32 minutos, encerrando uma das campanhas mais inesperadas da edição de 2026.
Ruud encontrou resistência na primeira parcial, decidida somente no tie-break. O norueguês levou a melhor por 7 a 5 no desempate e conseguiu abrir vantagem no confronto.
No segundo set, Ruud confirmou a superioridade no placar por 6/4, garantindo a classificação sem precisar disputar uma terceira parcial.
O resultado levou o norueguês às semifinais do Masters 1000 de Paris pela primeira vez. Até então, sua melhor campanha havia sido a participação nas quartas de final de 2021.
Para Borges, a eliminação não apagou a importância do desempenho na competição.
O português entrou na chave principal como lucky loser, condição destinada a jogadores eliminados no qualifying que posteriormente recebem uma vaga em razão de uma desistência.
Depois de perder para Alex Molcan na fase classificatória, Borges foi beneficiado pela retirada de Alejandro Davidovich Fokina e aproveitou a oportunidade para construir uma campanha histórica.
Ele se tornou o primeiro lucky loser a alcançar as quartas de final do Masters 1000 de Paris. Entre suas vitórias estiveram os triunfos sobre Karen Khachanov e Ignacio Buse nas oitavas de final.
A derrota para Ruud encerrou a trajetória do português, mas confirmou a edição de 2026 como uma das mais importantes de sua participação no torneio parisiense.
Semifinais: confrontos definidos
Os resultados das quartas de final estabeleceram os dois confrontos para as semifinais, programadas para este sábado, 7 de novembro.
- 10h30 — Luca Van Assche (França) x Ben Shelton (Estados Unidos)
- 13h (não antes desse horário) — Casper Ruud (Noruega) x Carlos Alcaraz (Espanha)
Os horários são de Brasília. As partidas serão disputadas na quadra central da Plenitude Arena. Com possibilidade de atraso no início da segunda semifinal conforme a duração do jogo anterior.
As semifinais terão transmissão no Brasil pela ESPN e Disney+ Premium (streaming por assinatura).
A primeira semifinal colocou frente a frente o francês responsável por uma das campanhas mais surpreendentes do torneio e o norte-americano que chegou à fase decisiva após eliminar Tommy Paul.
No outro lado da chave, Alcaraz passou a enfrentar Ruud depois de protagonizar a reação mais dramática das quartas de final. Enquanto o espanhol precisou salvar dois match points para avançar, o norueguês chegou às semifinais sem perder sets na competição.
Os vencedores desses confrontos disputam a decisão marcada para domingo, 8 de novembro, encerrando a edição de 2026 do torneio.
O peso das quartas de final na temporada
O Masters 1000 de Paris ocupa uma posição importante no calendário profissional. Trata-se do último torneio da categoria Masters 1000 da temporada, disputado em quadras duras cobertas e tradicionalmente associado à reta final da corrida por vagas no ATP Finals.
A edição de 2026 também marcou os 40 anos da história moderna da competição, iniciada em 1986.
A mudança de sede, do tradicional complexo de Bercy para a arena de Nanterre, adicionou um novo capítulo à trajetória do torneio, que reúne jogadores de elite e costuma produzir confrontos importantes antes do encerramento da temporada.
As quartas de final de 2026 mostraram diferentes caminhos para chegar à fase decisiva. Alcaraz precisou sobreviver a dois pontos de eliminação. Van Assche encontrou forças para virar uma situação desfavorável no terceiro set. Shelton aproveitou os erros do adversário nos momentos decisivos. Ruud, por sua vez, manteve a regularidade e encerrou a campanha de um jogador que havia surpreendido durante toda a semana.
Mais do que definir os semifinalistas, a rodada reuniu elementos que ajudam a explicar a importância do Masters de Paris: pressão por resultados, oportunidades para jogadores em ascensão, disputas pela classificação ao torneio de encerramento da temporada e confrontos nos quais poucos pontos podem alterar completamente uma campanha.
O Masters 1000 de Paris 2026 chegou, assim, às semifinais com quatro trajetórias diferentes, mas com um objetivo em comum: conquistar um dos últimos grandes títulos do calendário masculino.