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Mundial de Clubes Handebol 2026 terá Pinheiros representando o Brasil

IHF confirma competição entre 24 de setembro e 1º de outubro, no Egito, com presença brasileira, expansão no número de participantes e algumas das maiores potências do handebol mundial.

Por Corte dos Esportes · 11/07/2026 · Categoria: Handebol

O Mundial de Clubes de Handebol desse ano terá o Pinheiros entre os participantes e reunirá alguns dos elencos mais fortes da modalidade. A Federação Internacional de Handebol confirmou, em 10 de julho, que a 19ª edição da competição masculina acontecerá entre 24 de setembro e 1º de outubro, na Nova Capital Administrativa do Egito.

Para entender melhor aspectos que podem ser decisivos durante o torneio, como punições, exclusões de dois minutos, jogo passivo e tiro de sete metros, vale conhecer as principais regras do handebol.

A principal novidade será a presença de dez equipes. Até 2025, o campeonato contava com nove participantes. Barcelona, Füchse Berlin e Veszprém formam o poderoso bloco europeu, enquanto Al-Ahly, Zamalek e Montada garantem ao continente africano o mesmo número de representantes. O Pinheiros defenderá o Brasil e a América do Sul depois de conquistar o título continental em uma final brasileira contra o Nacional.

Os dez participantes:

  • Al-Ahly, do Egito — representante do país-sede
  • Barcelona, da Espanha — atual campeão mundial
  • Burgan SC, do Kuwait — campeão asiático
  • Montada, do Marrocos — representante africano
  • Füchse Berlin, da Alemanha — representante europeu
  • Pinheiros, do Brasil — campeão da América do Sul e Central
  • Los Angeles Handball Club, dos Estados Unidos — representante da América do Norte e Caribe
  • Sydney Uni, da Austrália — representante da Oceania
  • Veszprém, da Hungria — convidado pela IHF
  • Zamalek, do Egito — convidado pela IHF

O último lugar da relação foi definido em 10 de julho. O Los Angeles Handball Club venceu o New York Athletic Club por 34 a 29, em Querétaro, no México, e ficou com a vaga destinada à América do Norte e ao Caribe. A equipe de Los Angeles já havia aberto 19 a 16 ao final do primeiro tempo e manteve a vantagem até o encerramento da decisão.

O que muda no novo formato do Mundial

A alteração oficialmente confirmada pela IHF é a expansão de nove para dez participantes. A mudança aumenta a diversidade geográfica da competição e permite que Europa e África tenham três representantes cada.

A Europa será representada por Barcelona, Füchse Berlin e Veszprém. A África terá Al-Ahly, Zamalek e Montada. Pinheiros, Burgan SC, Los Angeles Handball Club e Sydney Uni completam o campeonato representando, respectivamente, América do Sul e Central, Ásia, América do Norte e Caribe e Oceania.

A IHF ainda não detalhou como os dez clubes serão distribuídos na primeira fase nem quantos avançarão diretamente ao mata-mata. Na edição de 2025, quando havia nove participantes, as equipes foram divididas em três grupos de três. Os líderes de cada chave e o melhor segundo colocado avançaram às semifinais.

Com a entrada de um décimo time, a organização precisará reorganizar a composição dos grupos ou acrescentar uma etapa classificatória. Portanto, embora a ampliação já seja oficial, o desenho completo da disputa ainda depende da divulgação do regulamento específico de 2026.

Quando será o sorteio

A data ainda não foi anunciada oficialmente. Nas duas edições anteriores, a definição dos grupos ocorreu em agosto, aproximadamente cinco ou seis semanas antes do início da competição.

Em 2025, o sorteio foi realizado em 11 de agosto para um torneio iniciado no fim de setembro. Em 2024, o procedimento também aconteceu durante a segunda metade de agosto. Com base nesse histórico, a previsão é que os confrontos do Mundial de Clubes de Handebol 2026 sejam definidos em agosto, mas a confirmação depende da IHF.

Como o Pinheiros conquistou a vaga

A classificação veio ao conquistar o Campeonato Sul-Centro-Americano de Clubes de 2026. A competição foi disputada entre 21 e 27 de junho, em Assunção, no Paraguai, com 16 participantes.

A campanha começou com uma derrota por 29 a 28 para o Colegio Ward, da Argentina. O resultado aumentou a pressão sobre a equipe brasileira, que respondeu com vitórias sobre Scuola Italiana, do Chile, por 34 a 22, e SAG Villa Ballester, da Argentina, por 28 a 20.

Nas quartas de final, o Pinheiros eliminou o San Fernando por 31 a 27. A semifinal foi ainda mais equilibrada: vitória por 27 a 26 sobre a Portuguesa, com Gabriel Reis e Philipp Seifert marcando cinco gols cada.

A decisão colocou frente a frente dois clubes brasileiros. O Nacional chegou a abrir 19 a 16 no início do segundo tempo, mas o Pinheiros reagiu, ajustou a defesa e construiu uma sequência de cinco gols contra dois do adversário para mudar o rumo da partida.

Philipp Seifert foi o principal nome ofensivo do campeão, com oito gols, incluindo três dos últimos quatro da equipe. Álvaro Araújo marcou 11 vezes pelo Nacional, enquanto o goleiro Gonzalo Guerra realizou 13 defesas pelo Pinheiros. O triunfo por 29 a 27 garantiu ao clube paulista o segundo título continental de sua história e a vaga no Mundial.

A classificação também reforça a força dos clubes formados no cenário nacional. A estrutura, a tradição e a importância da Liga Nacional de Handebol para o desenvolvimento da modalidade no Brasil ajudam a explicar por que equipes brasileiras continuam frequentes nas principais competições continentais.

Histórico no Mundial de Clubes

A participação de 2026 será a quarta do Pinheiros no campeonato mundial. O clube terminou em quinto lugar nas edições de 2011 e 2017 e alcançou seu melhor resultado em 2021, quando ficou na quarta colocação.

Na campanha de 2021, o Pinheiros venceu o Al-Noor, da Arábia Saudita, por 34 a 33 nas quartas de final. Foi uma classificação histórica, definida em uma partida extremamente equilibrada, que colocou a equipe brasileira entre as quatro melhores do mundo.

Na semifinal, o Pinheiros enfrentou o Barcelona e foi superado por 39 a 24. Depois, perdeu a disputa pelo bronze para o Aalborg, da Dinamarca, encerrando a competição em quarto lugar. Mesmo sem medalha, o desempenho representou a melhor campanha internacional da história do clube e uma das maiores de uma equipe brasileira no torneio.

Atual campeão e maior vencedor

O Barcelona desembarca no Egito como o principal favorito. Além de ser o atual campeão, o clube espanhol possui seis títulos e lidera com folga o ranking de maiores vencedores da competição.

As conquistas aconteceram em 2013, 2014, 2017, 2018, 2019 e 2025. O Barcelona tem três troféus a mais que o Magdeburg, segundo colocado na lista histórica.

Na final de 2025, a equipe catalã derrotou o Veszprém por 31 a 30 após uma prorrogação dramática. Aleix Gómez marcou o gol decisivo quando restavam apenas sete segundos. O confronto teve 80 minutos de duração e confirmou o sexto título mundial do Barcelona.

Mathias Gidsel como grande atração

O Füchse Berlin também chega ao Mundial com status de candidato ao título. A equipe alemã herdou a vaga europeia porque o Barcelona conquistou a Liga dos Campeões da Europa, abrindo espaço para o vice-campeão continental.

O clube de Berlim já venceu o Mundial em 2015 e 2016. Em todas as suas participações anteriores, terminou entre os dois primeiros colocados, característica que amplia a expectativa em torno do retorno ao torneio.

A principal estrela é Mathias Gidsel. O dinamarquês foi eleito pela IHF o melhor jogador do mundo em 2023, 2024 e 2025, consolidando-se como uma das maiores referências ofensivas da modalidade. Sua combinação de velocidade, leitura de espaços, capacidade de finalização e regularidade transforma o Füchse em um adversário especialmente perigoso.

O título perdido

O Veszprém retorna por convite da IHF depois de participar das duas últimas finais. O clube húngaro conquistou o título em 2024, mas perdeu a decisão de 2025 para o Barcelona na prorrogação.

Comandado pelo espanhol Xavi Pascual, o Veszprém possui um elenco repleto de atletas de seleções nacionais. Entre os nomes de destaque estão o goleiro dinamarquês Emil Nielsen e o pivô Lukas Jørgensen.

O histórico recente mostra uma equipe adaptada a jogos de alto nível e com capacidade para disputar o título novamente. O clube também foi vice-campeão em 2015, justamente diante do Füchse Berlin, criando a possibilidade de reencontros importantes no Egito.

A força do handebol egípcio

O Egito terá dois de seus maiores clubes na competição. O Al-Ahly entra como representante do país-sede e disputará o Mundial pela quinta edição consecutiva e pela sétima vez no total.

Nas quatro participações anteriores, o clube terminou, em sequência, na quarta, quinta, terceira e quarta posições. A regularidade mostra que o Al-Ahly não entra apenas para cumprir tabela, especialmente atuando em casa.

O Zamalek recebeu um dos convites da IHF e fará sua sétima participação. A rivalidade entre Al-Ahly e Zamalek é uma das mais intensas do esporte africano e pode ganhar um novo capítulo no Mundial.

O terceiro representante africano será o Montada, do Marrocos. O clube disputará a competição pela primeira vez e será a primeira equipe marroquina no torneio desde o KAC Marrakech, em 1997.

O cenário internacional

O Burgan SC conquistou a vaga asiática e será o quarto clube do Kuwait a participar da história do Mundial. A equipe fará sua estreia depois de vencer a principal competição continental de clubes.

O Sydney Uni, por sua vez, é um veterano do torneio. O representante australiano chegará à 13ª participação, maior número entre todos os clubes confirmados para 2026. Apesar de não aparecer entre os favoritos ao título, a experiência acumulada transforma a equipe em uma presença tradicional da Oceania.

Histórico dos clubes brasileiros no Mundial

A relação é longa com a competição. Durante as primeiras edições, o país esteve representado com frequência graças ao domínio exercido nos torneios pan-americanos e, posteriormente, nas competições sul-centro-americanas.

O melhor resultado brasileiro continua sendo o terceiro lugar da Metodista/São Bernardo, conquistado em 2002, em Doha. Até hoje, nenhum outro clube do país conseguiu subir ao pódio.

O Pinheiros chegou mais perto ao terminar em quarto lugar em 2021. O Taubaté também se consolidou como um representante recorrente, com participações em diferentes ciclos, incluindo o quinto lugar em 2018 e o sexto em 2019. A equipe voltou ao campeonato em 2022, 2024 e 2025.

Agora, o Pinheiros tentará melhorar a própria marca e, ao mesmo tempo, encerrar um intervalo de 24 anos sem um clube brasileiro entre os três melhores do Mundial.

A mudança de nome

A competição ficou conhecida durante décadas como IHF Men’s Super Globe, ou simplesmente Super Globe. O nome foi utilizado desde a criação do torneio e ganhou força principalmente durante o período em que o campeonato passou a ser realizado regularmente no Oriente Médio.

Em 2024, a IHF adotou a denominação IHF Men’s Club World Championship, traduzida como Mundial de Clubes Masculino de Handebol. A mudança fez parte de um acordo para a realização de três edições na Nova Capital Administrativa do Egito.

A reformulação buscou fortalecer a identidade do campeonato como a principal competição mundial entre clubes, deixando mais clara sua posição no calendário internacional. Embora o nome Super Globe continue bastante usado por torcedores, atletas e veículos especializados, a denominação oficial atualmente é Mundial de Clubes da IHF.

Uma oportunidade histórica no Egito

O desafio do Pinheiros será enorme. Barcelona, Füchse Berlin e Veszprém possuem elencos formados por campeões olímpicos, mundiais e europeus. Al-Ahly e Zamalek terão o apoio da torcida egípcia, enquanto os campeões dos demais continentes chegam com estilos diferentes e pouca margem para erro.

Ao mesmo tempo, a vitória continental sobre o Nacional mostrou uma equipe capaz de reagir sob pressão, vencer partidas equilibradas e encontrar soluções defensivas nos momentos decisivos. O quarto lugar de 2021 também serve como referência de que um clube brasileiro pode competir em alto nível contra potências internacionais.

Entre 24 de setembro e 1º de outubro, o Pinheiros voltará ao maior palco do handebol de clubes. Mais do que representar o Brasil, a equipe terá a oportunidade de perseguir um resultado que o país não alcança desde 2002: terminar um Mundial entre os três melhores.