O Brasil encerrou as classificatórias femininas do Mundial de Ginástica Artística de 2026 com cinco participações garantidas em finais, considerando as duas vagas conquistadas no individual geral. A competição, que está sendo realizada entre 17 e 25 de outubro, no Rotterdam Ahoy, em Roterdã, na Holanda, reuniu algumas das principais potências da modalidade e colocou novamente a seleção brasileira entre as equipes capazes de disputar medalhas no cenário internacional.
A campanha foi marcada por atuações de Rebeca Andrade, Flávia Saraiva e Lorrane Oliveira. Rebeca terminou as eliminatórias do salto na primeira posição, enquanto Flávia conquistou uma vaga na final da trave. As duas, ao lado das demais integrantes da seleção, também contribuíram para a classificação brasileira à decisão por equipes.
Na classificação coletiva, o Brasil terminou em oitavo lugar, garantindo a última vaga disponível para a final. A equipe avançou em uma disputa equilibrada, superando a Grã-Bretanha.
O desempenho feminino contrasta com a campanha masculina, encerrada sem classificações para as finais. Dessa forma, a seleção feminina concentrou as possibilidades brasileiras de pódio no Mundial de Roterdã.
Rebeca Andrade volta a disputar uma final mundial
Maior medalhista olímpica da história do Brasil, com seis medalhas, Rebeca chegou ao Mundial de 2026 em uma fase de administração cuidadosa da carreira. Depois de um período afastada das principais competições internacionais, a ginasta retornou ao Campeonato Mundial com um programa concentrado no salto e na trave.
A escolha reduziu sua carga competitiva e permitiu direcionar a preparação para aparelhos específicos. Rebeca não disputou o individual geral, prova que exige apresentações nos quatro aparelhos femininos.
No salto, a brasileira mostrou novamente por que é uma das principais referências mundiais. Com média de 14,533 pontos nas duas apresentações, terminou na liderança da classificatória e garantiu lugar na final.
A pontuação colocou Rebeca em posição de destaque na disputa por medalhas, embora o resultado da eliminatória não determine automaticamente a classificação final. Na decisão, as ginastas voltam a executar seus saltos, e as notas obtidas nessa nova apresentação definem o pódio.
Na trave, Rebeca recebeu 13,033 pontos, nota insuficiente para avançar à decisão do aparelho.
O Mundial de Roterdã também representou um capítulo importante em sua trajetória de preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Depois dos resultados históricos conquistados em Tóquio e Paris, a brasileira passou a buscar uma combinação entre competitividade, longevidade e preservação física.
Flávia Saraiva brilha na trave
Flavinha foi outro nome fundamental para o desempenho brasileiro nas classificatórias.
Na trave, um dos aparelhos em que construiu parte importante de sua trajetória internacional, a ginasta alcançou 14,400 pontos.
A apresentação garantiu a classificação à final e destacou a capacidade da brasileira de combinar elementos de alta dificuldade com uma execução competitiva.
Flávia também assegurou presença na final do individual geral, competição que reúne as ginastas classificadas para disputar os quatro aparelhos: salto, barras assimétricas, trave e solo.
A brasileira terminou a classificatória do individual geral na décima colocação da tabela de resultados.
Suas notas foram:
- Salto: 13,000 pontos
- Barras assimétricas: 13,300 pontos
- Trave: 14,400 pontos
- Solo: 12,866 pontos
- Total: 53,566 pontos
O desempenho reforçou a importância da ginasta para a equipe brasileira. Além de oferecer uma apresentação de alto nível na trave, ela contribuiu nos quatro aparelhos, característica essencial para o resultado coletivo da seleção.
Lorrane Oliveira conquista vaga no individual geral
Lorrane também conseguiu um resultado importante ao assegurar a segunda vaga brasileira na final do individual geral.
A ginasta terminou as classificatórias na vigésima posição da tabela individual, com 52,165 pontos, depois de competir nos quatro aparelhos.
Sua melhor nota foi obtida nas barras assimétricas, com 13,700 pontos.
A presença de duas brasileiras na final do individual geral representa uma oportunidade de avaliar a profundidade técnica da seleção em uma das disputas mais completas da ginástica artística.
Diferentemente das finais por aparelhos, em que a especialização pode ser determinante, o individual geral exige regularidade. Um erro em qualquer uma das quatro apresentações pode comprometer a classificação, tornando a consistência tão importante quanto a dificuldade das séries.
Brasil termina em oitavo na classificação por equipes
A classificação brasileira para a final por equipes foi construída com contribuições de Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Lorrane Oliveira, Thais Fidelis e Sophia Weisberg. Gabriela Bouças integrou a delegação como reserva.
A seleção acumulou 159,131 pontos, distribuídos da seguinte maneira:
- Salto: 40,266 pontos
- Barras assimétricas: 39,200 pontos
- Trave: 40,933 pontos
- Solo: 38,732 pontos
O salto e a trave foram fundamentais para a campanha, especialmente pelas apresentações de Rebeca e Flávia.
Thais Fidelis também teve contribuição relevante na trave, com 13,500 pontos, enquanto Lorrane apresentou a melhor nota brasileira nas barras assimétricas, com 13,700.
A classificação mostrou a importância de um conjunto equilibrado. Embora as estrelas brasileiras tenham produzido algumas das notas mais expressivas da equipe, a vaga na final dependeu da pontuação acumulada em todos os aparelhos.
Classificação das oito finalistas por equipes femininas
A China terminou na liderança das classificatórias, seguida pelos Estados Unidos. A disputa também reuniu equipes tradicionalmente fortes, como Itália, Japão e França.
- China — 164,996 pontos
- Estados Unidos — 164,529 pontos
- World Gymnastics 2 — 163,662 pontos
- Itália — 162,430 pontos
- Japão — 161,630 pontos
- França — 161,430 pontos
- Canadá — 160,130 pontos
- Brasil — 159,131 pontos
A classificação oferece um retrato do equilíbrio entre as principais seleções, mas as notas são zeradas para a final. Isso significa que todas as oito equipes começam novamente a disputa por medalhas, sem carregar a pontuação das eliminatórias.
No caso brasileiro, a diferença para as primeiras colocadas evidencia o tamanho do desafio. Ao mesmo tempo, a presença na decisão representa a continuidade do trabalho desenvolvido pela ginástica feminina nacional.
Brasil masculino encerra campanha sem finais
Enquanto a seleção feminina garantiu presença em diferentes decisões, a equipe masculina não conseguiu avançar às finais do Mundial de 2026.
O Brasil ficou de fora das oito primeiras posições necessárias para disputar a decisão por equipes.
A campanha também foi marcada pelo acidente de Arthur Nory na barra fixa. O ginasta sofreu uma queda durante sua apresentação, teve um corte na região da testa e foi retirado da competição por precaução médica.
Diogo Soares foi o brasileiro mais bem colocado no individual geral masculino, mas também não conseguiu classificação para a final.
O resultado masculino reforçou a necessidade de evolução e recuperação competitiva no ciclo olímpico até Los Angeles 2028.
Principais destaques internacionais do Mundial de 2026
Além da participação brasileira, as classificatórias do Mundial de Roterdã apresentaram desempenhos relevantes de ginastas e seleções de diferentes países.
Na disputa feminina por equipes, a China terminou à frente dos Estados Unidos.
O grupo World Gymnastics 2 apareceu na terceira posição, seguido por Itália e Japão.
No individual geral feminino, Kaylia Nemour, da Argélia, liderou a tabela classificatória. Também contou com desempenhos expressivos de ginastas francesas, japonesas e italianas.
O resultado de Nemour reforçou sua condição de destaque internacional, especialmente nas barras assimétricas, aparelho em que conquistou o ouro olímpico nos Jogos de Paris 2024.
Entre os homens, o Japão voltou a demonstrar força coletiva. A liderança das classificatórias por equipes confirmou a profundidade da ginástica japonesa, que permanece como uma das principais referências da modalidade.
Calendário das finais do Mundial de Ginástica Artística 2026
As disputas por medalhas foram programadas entre 20 e 25 de outubro, após o encerramento das classificatórias.
Confira a programação, com horários de Brasília:
- 20 de outubro: final masculina por equipes, às 14h30.
- 21 de outubro: final feminina por equipes, às 14h30.
- 22 de outubro: final do individual geral masculino, às 14h30.
- 23 de outubro: final do individual geral feminino, às 14h30.
- 24 de outubro: primeiro dia de finais por aparelhos, a partir das 9h.
- 25 de outubro: segundo dia de finais por aparelhos, a partir das 9h.
As finais do Mundial de Ginástica Artística de 2026, disputado em Roterdã, na Holanda, contam com transmissão ao vivo no Brasil pelo sportv, na televisão por assinatura e pela CazéTV no Youtube.
O que o Mundial de 2026 representa para a ginástica brasileira
A participação da delegação nacional no Mundial de Roterdã ocorre em um período importante para a modalidade.
Nos últimos ciclos olímpicos, a ginástica artística feminina do Brasil ampliou sua presença entre as potências internacionais. Rebeca Andrade se transformou em uma das maiores atletas da história do esporte nacional, enquanto Flávia Saraiva consolidou uma trajetória marcada por finais importantes e pela participação em conquistas coletivas.
A medalha de bronze por equipes nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 representou um marco histórico para o país. Aquela conquista demonstrou que o Brasil havia desenvolvido condições para competir não apenas por medalhas individuais, mas também nas disputas coletivas.
O Mundial de 2026 se insere nessa continuidade.
A classificação para a final por equipes, a presença de duas ginastas no individual geral e as vagas de Rebeca e Flávia nas decisões por aparelhos mostram que a seleção continua reunindo atletas capazes de competir em diferentes frentes.
Ao mesmo tempo, a diferença de pontuação para as primeiras colocadas na classificatória coletiva demonstra que há espaço para evolução técnica e maior regularidade.
O ciclo olímpico até Los Angeles 2028 torna essas competições especialmente relevantes. Os Mundiais permitem comparar a preparação brasileira com a de adversários diretos, testar séries, identificar dificuldades e desenvolver novas alternativas para a equipe.
Uma campanha que reforça o protagonismo feminino do Brasil
O balanço das classificatórias do Mundial de Ginástica Artística de 2026 apresentou dois cenários distintos para o Brasil.
No masculino, a ausência nas finais representou um resultado abaixo das expectativas de uma seleção que busca recuperar competitividade internacional.
No feminino, o país avançou à decisão por equipes e garantiu quatro participações individuais em finais, distribuídas entre Rebeca Andrade, Flávia Saraiva e Lorrane Oliveira.
O protagonismo de Rebeca no salto, a qualidade técnica de Flávia na trave e a regularidade necessária para colocar duas brasileiras no individual geral foram os pontos centrais da campanha.
Mais do que a quantidade de finais, o Mundial de Roterdã ofereceu uma oportunidade de observar a continuidade de uma geração que transformou a presença brasileira na ginástica artística internacional.
As decisões por medalhas representam uma nova etapa dessa campanha. Independentemente dos resultados finais, as classificatórias de 2026 já registraram mais um capítulo da participação brasileira entre as principais seleções femininas da modalidade.