Uma das histórias mais curiosas veio na parte final do evento. O Philadelphia Eagles selecionou o nigeriano Uar Bernard na sétima rodada, com a 251ª escolha geral, apostando em um atleta de enorme potencial físico, mas com uma trajetória completamente diferente do padrão tradicional da liga.
O que torna a escolha tão chamativa é simples: Bernard nunca disputou uma partida oficial de futebol americano organizado. Mesmo assim, chamou atenção nos testes físicos, entrou no radar da NFL por meio do International Player Pathway e acabou escolhido por uma das franquias mais fortes da liga.
A decisão dos Eagles mostra como a NFL tem ampliado sua busca por talentos fora dos Estados Unidos. Em vez de olhar apenas para atletas formados no futebol americano universitário, as equipes também observam jogadores com características físicas raras, mesmo que ainda precisem aprender a modalidade do zero.
Quem é Uar Bernard
Uar Bernard nasceu na Nigéria e tem 21 anos. Ele chega à NFL como defensive tackle, posição de linha defensiva que exige força, explosão, potência e capacidade de enfrentar bloqueadores pesados no centro da linha ofensiva adversária.
Fisicamente, os números impressionam. Bernard tem cerca de 1,93 m e pesa aproximadamente 139 kg. Mesmo com esse porte, registrou marcas muito fortes nos testes: correu as 40 jardas em 4s63, alcançou salto vertical de 39 polegadas e teve salto horizontal de 10 pés e 10 polegadas.
Esses resultados ajudam a explicar o interesse dos Eagles. Para um atleta acima dos 130 kg, combinar velocidade, explosão e força dessa forma é algo raro. O desafio agora será transformar esse potencial físico em técnica de futebol americano.
Caminho começou em camp na África
A entrada de Bernard no esporte não veio pelo caminho tradicional. Ele foi apresentado ao futebol americano em eventos de captação de talentos na África e acabou entrando no programa internacional da NFL. Antes disso, sua base esportiva estava mais ligada ao desenvolvimento atlético do que à prática organizada da modalidade.
O International Player Pathway tem justamente esse objetivo: encontrar atletas fora dos Estados Unidos e dar a eles uma chance real de desenvolvimento dentro do futebol americano. Alguns chegam com experiência em rúgbi, basquete, atletismo ou outros esportes. Outros, como Bernard, aparecem pelo potencial físico bruto.
No caso do nigeriano, os testes foram decisivos. A combinação de tamanho, velocidade e explosão fez com que ele deixasse de ser apenas uma curiosidade e virasse uma aposta concreta de draft.
Eagles apostam em desenvolvimento
A escolha também faz sentido pela história recente dos Eagles, uma das franquias mais tradicionais da Conferência Leste da NFL. O time já teve sucesso ao apostar em jogador internacional com pouca experiência no futebol americano. O caso mais conhecido é Jordan Mailata, australiano que veio do rúgbi, foi escolhido na sétima rodada em 2018 e se transformou em peça importante da linha ofensiva de Philadelphia.
Bernard ainda está muito longe desse nível, mas o paralelo ajuda a entender a lógica da aposta. Em uma escolha de sétima rodada, os times normalmente buscam jogadores de desenvolvimento, atletas de elenco ou nomes com características específicas. No caso do nigeriano, o atrativo é o teto físico.
O caminho, porém, tende a ser longo. Como nunca jogou uma partida oficial, Bernard precisará aprender leitura de jogo, técnica de linha defensiva, uso das mãos, posicionamento, reação ao snap e adaptação ao ritmo da NFL. O talento atlético abre a porta, mas a permanência na liga dependerá da evolução técnica.
Uma história rara no Draft da NFL
A escolha de Uar Bernard chama atenção porque foge totalmente do roteiro comum. A maioria dos jogadores draftados passa anos no futebol americano universitário, acumula jogos, estatísticas, vídeos e avaliações técnicas. Bernard, ao contrário, chega praticamente como um projeto.
Ainda assim, sua história reforça uma tendência importante: a NFL está cada vez mais global. A liga quer encontrar talentos em diferentes países, desenvolver novos mercados e mostrar que o futebol americano pode crescer além das fronteiras dos Estados Unidos.
Para Bernard, o draft representa uma oportunidade enorme. Para os Eagles, é uma aposta de baixo custo em um atleta com características físicas raras. Para a NFL, é mais uma história forte de expansão internacional.
O nigeriano ainda terá um longo caminho até se transformar em jogador pronto, mas o simples fato de ter sido escolhido no draft sem nunca ter jogado futebol americano organizado já faz da sua trajetória uma das mais marcantes da classe de 2026.
A escolha de Bernard também reforça como o Draft da NFL 2026 teve histórias bem diferentes, desde apostas improváveis até nomes escolhidos no topo, como Fernando Mendoza, primeira escolha do Las Vegas Raiders. Para entender melhor o peso desse processo na liga, também é importante conhecer a história do Draft da NFL e seu impacto no futebol americano.