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Guardiola se despede do Manchester City após transformar clube em potência histórica

Pep Guardiola encerra passagem de uma década pelo City depois de mudar o patamar do clube, dominar a Premier League e conquistar a primeira Champions da história dos Citizens.

Por Corte dos Esportes · 22/05/2026 · Categoria: Futebol

A passagem do treinador catalão pelo clube inglês foi uma das eras mais marcantes do futebol moderno, não apenas pelos troféus, mas pela forma como o City passou a ser visto, respeitado e temido no cenário nacional e internacional.

Contratado em 2016, Guardiola chegou a Manchester para acelerar um projeto que já vinha crescendo, mas que ainda buscava validação definitiva entre os gigantes da Europa. A primeira temporada, em 2016/17, foi justamente a única em que ele não levantou taça pelo clube. Aquele início sem título acabou funcionando como fase de construção: adaptação ao futebol inglês, reformulação de elenco, ajustes de intensidade e criação de uma identidade que depois mudaria a história do City.

Dez anos depois, o cenário é outro. O Manchester City deixa a era Guardiola como potência consolidada, multicampeão inglês, campeão europeu, referência de gestão esportiva e modelo de futebol posicional em alto nível.

Ao todo, a passagem foi marcada por 592 jogos, 414 vitórias e 20 títulos, números que colocam como o treinador mais vencedor da história do clube.

Títulos de Guardiola pelo City:

• 6 Premier Leagues

• 3 Copas da Inglaterra

• 5 Copas da Liga Inglesa

• 3 Supercopas da Inglaterra

• 1 Champions League

• 1 Supercopa da Uefa

• 1 Mundial de Clubes

O primeiro ano sem taça e o início do projeto

A temporada 2016/17 foi decisiva para entender o tamanho do trabalho que viria depois. Guardiola chegou cercado de expectativa, mas encontrou um elenco ainda em transição, com peças importantes de ciclos anteriores e necessidade clara de renovação em setores como defesa, laterais e meio-campo.

O City terminou aquele primeiro ano sem título, algo incomum na carreira do treinador e também frustrante para um clube que já investia pesado para se aproximar do topo europeu. Mas a temporada serviu como diagnóstico. A partir dali, o projeto ganhou forma mais agressiva, com contratações alinhadas ao modelo de jogo e uma exigência maior sobre posse, pressão, saída curta e controle territorial.

Foi nesse ponto que o City deixou de ser apenas um clube rico e ambicioso para se tornar uma equipe com método definido. O domínio posterior nasceu justamente desse ano inicial de ajustes, erros e reconstrução.

A construção de uma dinastia na Premier League

O grande símbolo da era foi o domínio da Premier League. Em um campeonato conhecido pelo equilíbrio financeiro, pela intensidade física e pela força de vários concorrentes, o treinador conseguiu transformar regularidade em marca registrada.

O título de 2017/18 ficou eternizado como o time dos 100 pontos. Aquela equipe não apenas venceu a liga: ela redefiniu o padrão de pontuação, posse, pressão e controle dentro do futebol inglês. A partir dali, o clube deixou de ser apenas um candidato forte ao título e passou a ser o parâmetro que todos os rivais precisavam alcançar.

O City de Guardiola ganhou seis Premier Leagues, e conquistou quatro edições consecutivas, feito que reforçou a dimensão histórica do trabalho.

A Champions que mudou o peso europeu do City

A primeira Champions League da história do Manchester City, conquistada em 2023, foi o ponto de virada definitivo da passagem de Guardiola. Até ali, o clube já dominava a Inglaterra, mas ainda carregava a cobrança europeia como uma espécie de fronteira simbólica.

A vitória sobre a Inter de Milão na final encerrou esse debate. O City passou a ter o título que faltava para transformar sua era vitoriosa em ciclo completo. A Champions também coroou uma temporada histórica, com a tríplice coroa formada por Premier League, Copa da Inglaterra e Liga dos Campeões.

A conquista europeia teve valor esportivo e institucional. Para Guardiola, significou superar anos de frustrações continentais com o City, incluindo eliminações duras e uma final perdida. Para o clube, representou a entrada definitiva no grupo dos campeões europeus, algo essencial para a imagem global da marca Manchester City.

Depois da Champions, vieram ainda a Supercopa da Uefa e o Mundial de Clubes, completando uma sequência que colocou o clube em outro patamar internacional. O City deixou de perseguir o reconhecimento europeu e passou a defendê-lo.

Reinvenção constante do elenco

Uma das marcas mais fortes da passagem de Guardiola foi a capacidade de reconstruir o time sem desmontar o projeto. O Manchester City mudou peças, perdeu líderes, renovou setores e, mesmo assim, manteve competitividade.

O primeiro grande time da era tinha nomes como David Silva, Sergio Agüero, Vincent Kompany, Fernandinho, Kevin De Bruyne. Com o tempo, o time foi mudando. Entraram Rodri, Rúben Dias, Bernardo Silva, Phil Foden, João Cancelo, Erling Haaland, e outros jogadores que deram novas características à equipe.

A saída de ídolos não significou queda imediata. Pelo contrário: Guardiola conseguiu transformar transições em novas versões do mesmo projeto. O City foi campeão com falso 9, depois campeão com centroavante dominante. Foi campeão com laterais abertos, depois com laterais por dentro. Foi campeão pressionando de forma sufocante, mas também controlando jogos com mais paciência e maturidade.

O projeto do clube ganhou forma definitiva

Antes de Guardiola, o Manchester City já tinha investimento, estrutura e ambição. Com ele, ganhou identidade de elite. O treinador catalão não iniciou o projeto, mas foi o nome que deu forma final à ideia de transformar o clube em referência mundial.

A chegada dele ajudou a consolidar um modelo em que contratação, formação, análise de desempenho e estilo de jogo passaram a caminhar juntos. O City se tornou um clube reconhecido não apenas por comprar bons jogadores, mas por encaixá-los dentro de uma lógica coletiva clara.

O impacto também passou pela base e pela cultura interna. Phil Foden virou símbolo desse processo: jogador formado no clube, amadurecido dentro do modelo de Guardiola e transformado em protagonista de uma das equipes mais fortes do mundo. Ao mesmo tempo, reforços milionários precisaram se adaptar a padrões exigentes de comportamento tático, intensidade e tomada de decisão.

Guardiola também elevou o sarrafo para os adversários. Liverpool, Arsenal, Chelsea por exemplo, precisaram se reorganizar em diferentes momentos para tentar competir com o City. Em muitos anos, fazer uma grande campanha não bastava: era preciso chegar perto da perfeição.

A última temporada e a despedida no Etihad

A temporada final de Guardiola no Manchester City também ajuda a explicar a dimensão da despedida. O clube se despede do treinador com dois títulos nacionais: a Copa da Liga Inglesa e ao vencer o Chelsea e ser campeão da FA Cup.

Na Premier League, o time ficou com o vice-campeonato, encerrando a sequência de conquistas que havia marcado a fase mais dominante da era Guardiola. Ainda assim, o segundo lugar não apaga o peso do ciclo. Pelo contrário: reforça como o padrão criado pelo treinador foi tão alto que uma temporada com duas taças e briga pelo título inglês até a reta final passa a ser lida como um ano abaixo do auge.

O último jogo de Guardiola pelo clube será contra o Aston Villa, no Etihad Stadium, justamente o estádio que ele ajudou a transformar em um palco vencedor. Foi ali que o City construiu parte importante de sua identidade recente, empilhou vitórias, levantou taças, e consolidou a sensação de que jogar em Manchester significava enfrentar uma das equipes mais bem treinadas do mundo.

Ao mesmo tempo, o vice-campeonato inglês fecha uma era marcada por domínio quase absoluto em uma competição que se tornou o principal termômetro da força do clube, dentro de uma trajetória ligada diretamente à história da Premier League.

Esse recorte também ajuda a dimensionar a passagem do treinador. A despedida no City não resume toda a carreira de Pep Guardiola, mas talvez seja o capítulo que melhor mostra sua capacidade de sustentar um projeto vencedor por longo prazo, reinventar elencos e transformar um clube em referência global.

Uma despedida que fecha uma era

A saída de Guardiola não representa apenas a troca de treinador. Ela encerra o ciclo mais vitorioso da história do Manchester City. O clube que ele deixa é maior, mais global, mais respeitado e mais acostumado a vencer do que aquele que encontrou em 2016.

O próximo treinador herdará um elenco, uma torcida e uma instituição moldados por uma década de exigência máxima. Esse talvez seja o maior legado de Guardiola no City: ele não apenas venceu. Ele mudou o tamanho do clube.