Em uma partida com um último quarto eletrizante no Ginásio do Ibirapuera, o time da capital venceu o Sesi Franca por 94 a 92 nesta quinta-feira, pelo Jogo 3 da decisão, e impediu que o atual tetracampeão nacional levantasse a taça de forma antecipada.
A vitória diminuiu a série para 2 a 1 a favor de Franca e forçou o Jogo 4, agora no Ginásio Pedrocão, em Franca. O próximo duelo será no domingo, 7 de junho, às 17h. Se vencer, Franca conquista o pentacampeonato consecutivo do NBB. Se o Pinheiros ganhar novamente, a final vai para o quinto e último jogo, também em Franca.
O resultado teve um peso enorme porque Franca esteve perto do título. A equipe chegou ao Jogo 3 com vantagem de 2 a 0, tinha a chance de fechar a série e ainda abriu 86 a 80 no último quarto. Mas o Pinheiros resistiu, voltou ao jogo, virou nos minutos finais e sustentou a vantagem em uma reta final cheia de tensão.
Um jogo com cara de final
A partida teve mudanças de controle, pressão emocional e placar apertado até os últimos segundos. Franca começou melhor e fechou o primeiro quarto vencendo por 24 a 19, mostrando o mesmo padrão de maturidade que marcou suas campanhas recentes no NBB.
No segundo período, o Pinheiros reagiu. A equipe ajustou a defesa, acelerou melhor as posses e conseguiu virar antes do intervalo, indo para o vestiário com vantagem de 47 a 43. A resposta era obrigatória para um time que não podia mais errar na série.
Franca retomou o controle no terceiro quarto e entrou no período final vencendo por 75 a 74. Naquele momento, o roteiro parecia caminhar para mais uma vitória francana nos detalhes. O time de Helinho Garcia chegou a abrir seis pontos no último quarto, mas não conseguiu transformar a vantagem em título.
O Pinheiros cresceu exatamente no trecho mais perigoso da partida. Com Betinho em grande noite, a equipe encontrou pontos decisivos, melhorou a execução ofensiva e teve frieza suficiente para fechar o jogo por dois pontos.
Betinho decide e Bennett lidera Franca
O grande nome da partida foi Betinho. Aos 38 anos, o ala mostrou o peso da experiência em um elenco jovem e terminou como cestinha do jogo, com 30 pontos. Além do volume ofensivo, a atuação teve impacto simbólico: em uma final na qual o Pinheiros precisava sobreviver, foi o jogador mais experiente do grupo que assumiu a responsabilidade.
Pelo lado de Franca, o maior pontuador foi Corderro Bennett, com 23 pontos. Ele manteve a equipe viva ofensivamente e foi peça importante para que o time chegasse ao fim com chance real de vitória.
O tamanho da vitória
Não foi só apenas mais um resultado na série. Foi a diferença entre o fim da temporada e a continuidade do sonho.
O clube disputa uma final inédita de NBB e enfrentava o time mais dominante do basquete brasileiro recente. Franca chegou à decisão como líder da temporada regular, atual tetracampeão e candidato ao quinto título consecutivo. O Pinheiros, por outro lado, tenta transformar uma campanha histórica em conquista inédita.
A força desse confronto também ajuda a explicar a evolução da liga. Em uma decisão que mistura a dinastia recente de Franca com a tentativa de título inédito do Pinheiros, o contexto fica ainda mais claro para quem acompanha a história do NBB.
Por isso, vencer o Jogo 3 mudou o ambiente da decisão. A série ainda favorece Franca, que lidera por 2 a 1 e terá dois jogos em casa. Mas o Pinheiros ganhou vida, confiança e argumento competitivo. Mais do que evitar a varrida, mostrou que pode vencer uma partida de altíssima pressão.
O que precisa para ser campeão
Para Franca, segue em posição favorável. A equipe tem duas chances de título no Pedrocão, diante de sua torcida, e precisa vencer apenas uma partida para confirmar o pentacampeonato.
Mas o caminho exige ajustes claros. O primeiro é controlar melhor o último quarto. Franca não pode permitir que o Pinheiros transforme desvantagens em combustível emocional. Em finais, administrar vantagem não significa reduzir intensidade; significa escolher melhor os arremessos, proteger a bola e manter a defesa agressiva.
Outro ponto é limitar Betinho. O Pinheiros encontrou no veterano uma referência na decisão. Se Franca permitir outra atuação desse nível, o Jogo 4 pode virar uma nova batalha de posse a posse.
Para o Pinheiros, o desafio ainda é enorme. A equipe precisa vencer duas vezes seguidas em Franca. O primeiro passo é ganhar o Jogo 4 para forçar a quinta partida. Depois, teria que repetir o feito no jogo decisivo.
A missão passa por três pontos. O primeiro é manter a confiança ofensiva. A vitória por 94 pontos mostrou que o Pinheiros pode competir em um ritmo alto contra Franca, desde que encontre pontuação constante e não dependa apenas de uma sequência isolada.
O segundo é sustentar a defesa nos momentos críticos. Franca tem muitos jogadores acostumados a finais e costuma punir erros de posicionamento. O Pinheiros precisa seguir físico, disciplinado e atento aos rebotes.
O terceiro é carregar a energia do Jogo 3 para fora de casa. Vencer no Ibirapuera foi enorme, mas ganhar no Pedrocão será ainda mais difícil. A equipe de Gustavinho De Conti precisa entrar no próximo jogo sem tratar a vitória desta quinta como prêmio final. Ela foi apenas a porta para continuar na disputa.
Final vai para o Pedrocão
Uma final que ganhou outro peso
Franca ainda tem a vantagem mais importante: lidera a série, joga em casa e precisa de apenas uma vitória. O Pinheiros, porém, mostrou que tem resistência emocional, pontuação para competir e coragem para sobreviver quando tudo parecia encaminhado.
O NBB chega ao Pedrocão com dois caminhos abertos: o pentacampeonato de Franca ou uma reação histórica do Pinheiros. Para quem acompanha basquete, a decisão ganhou exatamente o ingrediente que toda final precisa: incerteza.