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Campeonato Português: quem caiu e quem subiu para 2026/27

AVS e Tondela foram rebaixados, Casa Pia escapou no playoff, enquanto Marítimo e Académico de Viseu garantiram acesso direto à elite para 2026/27.

Por Corte dos Esportes · 09/06/2026 · Categoria: Futebol

O Campeonato Português de 2025/26 terminou com mudanças importantes na parte de baixo da tabela e na composição da próxima temporada.

O movimento tem peso esportivo porque mexe com clubes de perfis bem diferentes. O AVS não resistiu a uma campanha muito instável e terminou na última colocação. O Tondela, que havia voltado recentemente à elite, caiu novamente após uma temporada difícil. Já o Casa Pia conseguiu evitar a queda no confronto decisivo contra o Torreense, mantendo seu lugar no principal escalão português.

Entre os promovidos, o Marítimo confirmou o retorno à primeira divisão como campeão da Liga Portugal 2, devolvendo a Madeira ao centro da elite nacional. O Académico de Viseu também viveu uma campanha histórica e voltou ao principal escalão depois de décadas de espera. Para 2026/27, o Campeonato Português terá dois retornos relevantes e duas ausências que redesenham a parte inferior da tabela.

Como funciona o rebaixamento em Portugal

O Campeonato Português tem 18 clubes. Ao fim das 34 rodadas, os dois últimos colocados caem diretamente para a Liga Portugal 2. O 16º colocado disputa um playoff contra o terceiro colocado da segunda divisão.Na Liga Portugal 2, os dois primeiros sobem diretamente para a elite. O terceiro disputa o playoff contra o 16º da primeira divisão. Esse modelo aumenta o peso da reta final, porque há disputa tanto para evitar a queda direta quanto para escapar do jogo extra.

AVS cai após campanha muito abaixo

Terminou na última colocação, com 21 pontos em 34 jogos. A equipe teve apenas três vitórias com um saldo negativo de 40 gols, o que ajuda a explicar o nível da campanha.

A queda tem um contexto importante. O AVS chegou à elite recentemente, após vencer o playoff de acesso contra o Portimonense, e ainda buscava consolidar sua presença no principal escalão português. Por isso, o rebaixamento representa um freio duro em um projeto que havia crescido rapidamente no cenário nacional.

A temporada mostrou como a Primeira Liga exige estabilidade imediata. Para clubes de estrutura menor, permanecer na elite costuma depender de três pontos básicos: defesa competitiva, força em casa e bons resultados contra rivais diretos. O AVS não conseguiu sustentar esses pilares e volta à segunda divisão com a necessidade de reorganizar elenco, orçamento e ambição.

Tondela volta a cair para a segunda divisão

A equipe terminou em 17º lugar, com 28 pontos, seis vitórias, dez empates e 18 derrotas. Foram 27 gols marcados e 55 sofridos, números que colocaram o clube abaixo da linha de permanência.

O caso do Tondela tem peso porque o clube conhece bem o caminho entre primeira e segunda divisão. A equipe viveu uma sequência importante na elite portuguesa entre 2015 e 2022, período em que conseguiu se firmar por várias temporadas, mesmo sem ter a estrutura dos clubes mais tradicionais do país. Depois voltou à primeira divisão, mas não conseguiu transformar o retorno em estabilidade.

Agora, o desafio será reconstruir sem perder a identidade competitiva que levou o clube à elite em outros momentos.

Casa Pia escapa no playoff

O clube terminou a temporada em 16º lugar, com 30 pontos, mesma pontuação do Estrela da Amadora, mas ficou na posição de playoff pelos critérios de desempate. Isso obrigou á disputar a permanência contra o Torreense, terceiro colocado da Liga Portugal 2.

O primeiro jogo terminou empatado por 0 a 0 em Torres Vedras. Na volta, o Casa Pia venceu por 2 a 0, com gols de Larrazabal e Ofori, e garantiu a permanência na Liga Portugal Betclic.

A permanência tem peso histórico para o Casa Pia. O clube vive uma fase recente rara na elite portuguesa e garantiu sua quinta presença consecutiva no primeiro escalão, algo relevante para uma equipe que passou décadas longe do centro da primeira divisão. A manutenção evita uma quebra de ciclo e dá ao clube mais uma temporada para tentar se estabilizar.

Marítimo volta à elite como campeão

O clube terminou como campeão da segunda divisão, com 66 pontos em 34 jogos, campanha de 20 vitórias, seis empates e oito derrotas. Foram 50 gols marcados e 29 sofridos.

O retorno do Marítimo tem peso maior do que um acesso comum. O clube da Madeira é uma camisa tradicional do futebol português e passou 38 temporadas consecutivas na primeira divisão antes da queda. Esse histórico transformou o rebaixamento em um choque esportivo para a ilha e fez a volta à elite carregar um valor simbólico forte.

Além da presença longa na Primeira Liga, o Marítimo também tem histórico de participações europeias, especialmente em fases da antiga Copa da UEFA e da Liga Europa. Isso ajuda a explicar por que o clube costuma ser visto como uma instituição relevante fora do eixo continental português.

Para 2026/27, o acesso devolve à elite um clube com torcida, identidade regional e tradição nacional. A Madeira volta a ter um representante de peso no principal campeonato do país, e o Marítimo retorna não apenas como promovido, mas como campeão da segunda divisão.

Académico de Viseu faz campanha histórica

Clube garantiu o acesso direto ao terminar a Liga Portugal 2 na segunda colocação, com 59 pontos. A equipe teve 17 vitórias, oito empates e nove derrotas, com 58 gols marcados e 33 sofridos.

Esse acesso é uma das histórias mais fortes da temporada portuguesa. O Académico de Viseu volta à primeira divisão depois de 37 anos, encerrando uma espera que atravessou gerações de torcedores. A última presença do clube no principal escalão havia sido em 1988/89.

A relevância está justamente no tempo de ausência. Diferente de clubes que sobem e descem com frequência, o Académico de Viseu retorna como uma novidade para boa parte do público atual da liga. A cidade volta a aparecer no mapa da elite portuguesa, e o clube ganha uma chance rara de transformar acesso em reposicionamento nacional.

A campanha também teve protagonismo brasileiro. André Clóvis terminou como artilheiro da Liga Portugal 2, com 23 gols em 34 jogos, e foi uma das figuras centrais da subida. Para um clube que passou quase quatro décadas fora da primeira divisão, ter um goleador de referência tornou o acesso ainda mais marcante.

Torreense bate na trave, mas vive ano histórico

Time terminou a segunda divisão em terceiro lugar, também com 59 pontos, mas ficou atrás do Académico de Viseu nos critérios de desempate e precisou disputar o playoff. A equipe não conseguiu superar o Casa Pia e permaneceu na Liga Portugal 2.

Mesmo sem o acesso, a temporada do Torreense foi uma das mais marcantes do futebol português recente. O clube de Torres Vedras conquistou a Taça de Portugal ao vencer o Sporting, em uma final histórica, e garantiu vaga na Liga Europa. Ou seja: não subiu para a elite, mas estará em competição continental.

Esse contraste torna o caso ainda mais especial. O Torreense bateu na trave na briga pela primeira divisão, mas terminou a temporada com um título nacional, projeção internacional e uma narrativa rara: um clube da segunda divisão representando Portugal na Europa.

Esse movimento também dialoga com outras grandes ligas europeias, em que acesso e rebaixamento ajudam a renovar o mapa competitivo temporada após temporada. O cenário português se conecta ao que também aconteceu no rebaixamento e acesso da Premier League e nos rebaixados e promovidos da Bundesliga, dois campeonatos em que a troca de clubes também muda o peso da temporada seguinte.

Um campeonato com renovação e histórias fortes

O acesso e o rebaixamento no Campeonato Português de 2025/26 deixaram histórias bem definidas. O AVS caiu depois de uma campanha frágil. O Tondela não conseguiu se firmar no retorno à elite. O Casa Pia sofreu, mas sobreviveu no playoff. O Marítimo voltou como campeão. O Académico de Viseu encerrou uma espera de 37 anos.

Esse conjunto dá à temporada um valor que vai além da parte de cima da tabela. Em ligas nacionais, a briga pelo título costuma concentrar atenção, mas a zona de acesso e queda também conta parte essencial da história. É ali que clubes reorganizam projetos, torcidas redescobrem esperança e temporadas mudam completamente de significado.

Para 2026/27, o Campeonato Português terá novos personagens na elite e clubes tradicionais tentando reconstrução na segunda divisão. A troca de vagas confirma a força do sistema de acesso e rebaixamento: quem sobe leva sonho, quem cai carrega urgência, e quem escapa no playoff ganha uma nova chance para corrigir o caminho.