A LaLiga 2025/26 terminou com uma troca importante de personagens para a próxima temporada.
O movimento reforça uma das marcas do futebol espanhol. A LaLiga costuma ser lembrada por Barcelona, Real Madrid, Atlético de Madrid e grandes estrelas, mas a parte de baixo da tabela também conta histórias fortes de reconstrução, queda, torcida, orçamento e sobrevivência esportiva.
Como funciona o rebaixamento na LaLiga
A competição tem 20 clubes. Ao fim da temporada, os três últimos colocados caem diretamente para a segunda divisão. Não há repescagem para permanência: terminou em 18º, 19º ou 20º, é rebaixado.
Em 2025/26, os rebaixados foram:
• 18º: Girona
• 19º: Mallorca
• 20º: Real Oviedo
Na segunda divisão, os dois primeiros colocados sobem diretamente. A terceira vaga fica com o vencedor dos playoffs, disputados entre clubes que terminam logo abaixo da zona de acesso direto.
Para 2026/27, os promovidos são:
• Racing Santander — acesso direto
• Deportivo La Coruña — acesso direto
• Málaga — campeão dos playoffs
Volta histórica e queda imediata
O Real Oviedo viveu uma temporada dura na elite. O clube havia retornado à LaLiga em 2025 depois de 24 anos fora da primeira divisão, um acesso muito simbólico para sua torcida e para a cidade. A permanência, porém, não veio.
A queda na última colocação marca o fim rápido de uma passagem que tinha forte carga emocional. O Oviedo voltou ao lugar que buscava havia décadas, mas encontrou dificuldade para competir em uma liga de alto nível técnico, físico e financeiro.
O Real Oviedo tem uma história relevante no futebol do país, com longas passagens na primeira divisão em outras épocas. Mas a ausência prolongada fez o retorno recente ganhar peso especial.
Por isso, o rebaixamento dói mais. Não é apenas uma queda depois de uma temporada ruim; é a interrupção de um projeto que havia acabado de reconectar o clube à LaLiga. Agora, o desafio será não deixar o impacto emocional e financeiro do rebaixamento travar uma nova tentativa de acesso.
Queda após ciclo estável na primeira divisão
O Mallorca também caiu, mas em um contexto diferente. O clube vinha de uma sequência mais longa na elite, desde o acesso para a temporada 2021/22. Foram cinco temporadas consecutivas na LaLiga até o rebaixamento deste ano.
A queda foi dramática porque o clube venceu o Real Oviedo por 3 a 0 na última rodada, mas ainda assim acabou rebaixado. O problema foi a combinação de resultados e os critérios de desempate em uma disputa apertada contra outros clubes que também lutavam contra a queda.
O Mallorca já viveu idas e vindas entre divisões ao longo de sua história. O clube tem tradição na primeira divisão espanhola, já disputou competições europeias e construiu campanhas marcantes em outros ciclos. Mesmo assim, a realidade recente voltou a mostrar como a permanência na elite exige regularidade constante.
Na segunda divisão, o Mallorca tende a entrar como um dos clubes favoritos. A experiência de LaLiga, a estrutura recente e o conhecimento de um elenco acostumado à primeira divisão podem ajudar. Mas a segunda divisão espanhola é longa, competitiva e costuma punir clubes que entram achando que o retorno será automático.
Girona: de sensação europeia ao rebaixamento
O rebaixamento do Girona talvez seja o mais simbólico. O clube havia se tornado uma das grandes histórias recentes do futebol espanhol, especialmente pela campanha histórica que o levou à Champions League depois de uma temporada espetacular na LaLiga.
Pouco tempo depois, o cenário mudou completamente. O Girona terminou a temporada dentro da zona de rebaixamento após empatar por 1 a 1 com o Elche na última rodada. Precisava vencer para escapar, mas não conseguiu o gol decisivo.
A queda encerra uma sequência de quatro temporadas seguidas na elite, iniciada em 2022/23. Nesse período, o clube saiu de projeto emergente para sensação nacional, disputou a parte alta da tabela e ganhou atenção internacional. A descida mostra como ciclos de clubes médios podem ser muito rápidos quando há perda de peças, desgaste competitivo e dificuldade de repetir desempenho.
Poucos clubes viveram em tão pouco tempo uma curva tão forte entre auge esportivo e rebaixamento.
Retorno após 14 anos
Entre os acessos, o Racing Santander carrega uma das histórias mais bonitas. O clube volta à LaLiga depois de 14 anos fora da primeira divisão. O acesso encerra uma longa espera de uma torcida tradicional e recoloca El Sardinero no mapa da elite espanhola.
O Racing já teve muitas temporadas na primeira divisão e não é estreante. Pelo contrário: é um clube histórico, com identidade forte na Cantábria e presença importante em diferentes fases do futebol espanhol. A ausência prolongada, porém, transformou o retorno em um momento de reconstrução simbólica.
O acesso foi confirmado em grande estilo, com vitória por 4 a 1 sobre o Valladolid. A campanha mostrou força ofensiva, consistência e capacidade de sustentar o ritmo em uma segunda divisão muito equilibrada.
Para 2026/27, o desafio será competir sem perder a base que levou o clube de volta. A LaLiga exige outro nível de elenco, profundidade e resistência. O Racing volta com história, torcida e entusiasmo, mas precisará transformar emoção em planejamento.
Gigante galego volta depois de oito anos
O Deportivo La Coruña também está de volta. O clube encerrou uma ausência de oito anos na primeira divisão.
O retorno tem peso enorme porque o clube não é apenas mais um promovido. O clube foi campeão espanhol em 1999/2000, viveu grandes campanhas europeias, disputou Champions League e marcou uma geração no futebol espanhol. A queda posterior, com anos difíceis e até passagem por divisões inferiores, tornou a volta ainda mais significativa.
O acesso recoloca o Riazor na elite e devolve à LaLiga uma camisa tradicional. Para a torcida galega, é mais do que um acesso: é a recuperação de um espaço que parecia distante durante um período de crise esportiva.
A próxima temporada será um teste de maturidade. O time volta com nome forte e memória relevante, mas a elite atual é muito diferente daquela em que o clube brilhou no início dos anos 2000. Permanecer será o primeiro grande objetivo.
Terceira vaga veio dos playoffs
O modelo espanhol dá acesso direto aos dois primeiros colocados, enquanto a terceira vaga é decidida em playoffs entre os times que terminam do 3º ao 6º lugar. As semifinais são disputadas em jogos de ida e volta, com o 6º colocado enfrentando o 3º, e o 5º enfrentando o 4º. Os vencedores fazem a final, também em ida e volta, e o melhor colocado na temporada regular decide em casa.
Os playoffs foram definidos assim:
•Almería 4 x 3 Castellón no agregado - semifinal
• Málaga 2 x 1 Las Palmas no agregado - semifinal
• Final:Málaga 2 x 1 Almería no agregado
Retorno após 8 anos:
O Málaga voltou à elite espanhola após oito anos, com peso simbólico porque recoloca na elite um clube tradicional da Andaluzia, região do sul da Espanha.O clube também viveu seu auge recente no início da década de 2010. Em 2011/12, terminou LaLiga em 4º lugar, melhor campanha de sua história na elite, e se classificou para a Champions League. Na temporada seguinte, chegou às quartas de final da Champions 2012/13, quando foi eliminado pelo Borussia Dortmund, ficando perto de uma semifinal histórica.
Aquele período teve nomes de muito peso no elenco, como Isco, Santi Cazorla, Joaquín, Ruud van Nistelrooy, Jérémy Toulalan, Nacho Monreal e Martin Demichelis. Por isso, o retorno após oito anos não representa apenas a subida de mais um clube: marca a volta de uma camisa conhecida, com torcida forte, identidade regional e lembrança recente de protagonismo europeu.
O que muda para a LaLiga 2026/27
A próxima temporada terá três retornos tradicionais. Málaga, Racing Santander e Deportivo La Coruña trazem torcida, história e estádios importantes de volta à elite. São clubes que ajudam a recuperar parte da memória clássica do futebol espanhol.
Do lado dos rebaixados, a segunda divisão ganha peso. O Girona cai pouco tempo depois de viver uma campanha histórica na elite. O Mallorca retorna à segunda divisão após cinco temporadas seguidas. O Real Oviedo volta para baixo logo depois de realizar o sonho de retornar após 24 anos.
Esse tipo de troca mostra que a história da LaLiga, a rivalidade entre Real Madrid e Barcelona não resume sozinha a força do campeonato. A luta por permanência, os acessos históricos e os rebaixamentos dolorosos também explicam a identidade da competição.
O movimento de sobe e desce entre divisões, mostra como outras grandes ligas europeias também passam por esses momentos de transformação, como nos rebaixados e promovidos da Premier League para 2026/27 e do rebaixamento e acesso da Bundesliga para 2026/27. No fim, acesso e rebaixamento não mudam apenas uma tabela: mudam o futuro esportivo, financeiro e emocional de clubes inteiros.