O time do técnico Cuca entra em campo para transformar uma grande atuação fora de casa em classificação continental. Às 21h30, na Vila Belmiro, o Peixe enfrenta a Universidad Central, da Venezuela, pelo jogo de volta dos playoffs da Copa Sul-Americana de 2026.
A equipe santista construiu uma vantagem importante ao vencer a partida de ida por 4 a 1, no Estádio Misael Delgado, em Valência. O resultado permite ao time administrar diferentes cenários na volta, mas também exige concentração para evitar que uma eliminatória aparentemente controlada se transforme em um jogo mais complicado do que o necessário.
Além da vaga, o confronto representa a oportunidade de o Santos consolidar sua recuperação no cenário internacional. O clube busca seu primeiro título da Copa Sul-Americana e sabe que uma classificação segura pode aumentar a confiança do elenco para uma sequência decisiva da temporada, principalmente no campeonato brasileiro.
A vantagem no confronto
O Santos pode perder por até dois gols de diferença na Vila Belmiro e, mesmo assim, estará classificado para as oitavas de final. Uma derrota por três gols de diferença igualará o placar agregado e levará a decisão para os pênaltis. A Universidad Central só avança diretamente se vencer por quatro ou mais gols de diferença.
A vantagem é significativa, especialmente porque o jogo será disputado na Vila Belmiro. Ainda assim, o principal desafio para o Peixe será encontrar o equilíbrio entre controlar o confronto e manter a postura ofensiva que funcionou na Venezuela.
Um time excessivamente recuado pode permitir que o adversário cresça emocionalmente. Por outro lado, atacar de maneira desorganizada abriria espaços para uma equipe venezuelana que precisa assumir riscos desde os primeiros minutos. O cenário favorece um Santos paciente, capaz de circular a bola, diminuir o ritmo quando necessário e atacar os espaços deixados pela Universidad Central.
Como foi o jogo de ida
A vitória por 4 a 1 foi construída com eficiência e diferentes protagonistas. Gabriel Bontempo abriu o placar aos 34 minutos do primeiro tempo, aproveitando uma bola bloqueada pela defesa venezuelana após finalização de Gabriel Menino.
Na etapa final, Gabriel Menino ampliou ao receber lançamento pela direita, dominar no peito e bater cruzado. Thaciano marcou o terceiro aproveitando o rebote do goleiro Giancarlo Schiavone, enquanto Rony completou a goleada depois de uma finalização de Robinho Jr.
Maicol Ruiz descontou para a Universidad Central nos minutos finais. Apesar do gol sofrido, o Santos saiu da Venezuela com três gols de vantagem e a classificação muito bem encaminhada.
Mais do que o placar, a partida mostrou um Santos com boa capacidade para transformar posse e movimentação ofensiva em oportunidades claras. O Peixe produziu 2,41 gols esperados no primeiro duelo, sua segunda maior marca como visitante na Copa Sul-Americana desde o início dos registros estatísticos utilizados pela Conmebol, em 2013.
A campanha até os playoffs
O Santos chegou ao mata-mata depois de terminar na segunda posição do Grupo D. O Peixe ficou atrás do Recoleta, do Paraguai, e precisou da última rodada para garantir a continuidade na competição.
A classificação veio com uma vitória por 3 a 0 sobre o Deportivo Cuenca. O resultado permitiu ao Santos superar o San Lorenzo no saldo de gols e ficar com a vaga destinada ao segundo colocado da chave.
A Universidad Central, por sua vez, iniciou a temporada continental na Libertadores. A equipe venezuelana terminou em terceiro lugar no Grupo H, com nove pontos, atrás de Independiente del Valle e Rosario Central. Como determina o formato da competição, os terceiros colocados da Libertadores enfrentam os vice-líderes da Sul-Americana nos playoffs.
O formato aumenta o peso desta eliminatória. O Santos está disputando uma fase intermediária que define os últimos oito participantes do mata-mata principal. O chaveamento dos playoffs e das oitavas da Sul-Americana 2026 já determinou também o próximo adversário do classificado.
Macará aguarda o vencedor
Quem avançar na Vila Belmiro enfrentará o Macará, do Equador, nas oitavas de final. O clube equatoriano garantiu a vaga direta ao liderar seu grupo na primeira etapa da Sul-Americana.
As partidas das oitavas estão previstas para agosto. Os jogos de ida serão disputados entre os dias 11 e 13, enquanto os confrontos de volta acontecerão entre 18 e 20 de agosto. Portanto, uma classificação do Santos abrirá rapidamente uma nova preparação para outro mata-mata continental.
Antes de pensar no Macará, porém, o Peixe precisa completar o trabalho diante da Universidad Central. A vantagem construída na Venezuela oferece tranquilidade, mas não elimina a necessidade de uma atuação competitiva.
Como o Santos chega para a decisão
Vem depois de empatar por 2 a 2 com a Chapecoense pelo Campeonato Brasileiro. A partida marcou o retorno de Neymar, autor dos dois gols santistas.
O camisa 10 está entre os jogadores disponíveis para o duelo da Sul-Americana, mas a tendência é de que comece no banco de reservas. A comissão técnica também administra o elenco pensando na sequência da temporada, que inclui os confrontos contra o Remo pela Copa do Brasil já no próximo final de semana.
Cuca deve manter uma formação competitiva, com Gabriel Brazão no gol e nomes como Lucas Veríssimo, Luan Peres, Gabriel Menino, Gabriel Bontempo, Rollheiser, Miguelito, Barreal e Rony entre as principais opções. Vinícius Lira, Gustavo Henrique e Pepê Fermino aparecem entre as baixas por problemas físicos.
O cuidado com os cartões também faz parte do planejamento. Luan Peres e Escobar entram em campo pendurados e podem desfalcar o Santos na partida de ida das oitavas caso recebam uma nova advertência e a classificação seja confirmada.
O que esperar do adversário
A Universidad Central chega à Vila Belmiro obrigada a mudar sua postura. Na Venezuela, o time tentou explorar transições e contra-ataques, mas agora precisará assumir mais a posse e aumentar o número de jogadores no campo ofensivo.
Essa necessidade pode deixar espaços para o Santos. Quanto mais o adversário avançar suas linhas, maiores serão as possibilidades de o Peixe atacar em velocidade, especialmente pelos lados do campo.
Edwin Mosquera e Juan Camilo Zapata estão entre os jogadores que exigem atenção. Mosquera conseguiu criar dificuldades em jogadas pelo lado esquerdo no primeiro confronto, enquanto Zapata acertou a trave e foi uma das principais ameaças venezuelanas.
Retrospecto favorece o Peixe
O histórico do Santos contra clubes da Venezuela também é positivo. Antes da partida desta terça-feira, o Alvinegro permanece invicto em nove confrontos diante de adversários venezuelanos em competições organizadas pela Conmebol, com quatro vitórias e cinco empates.
Como mandante, o Peixe venceu Caracas, Deportivo Táchira e Deportivo Lara em partidas anteriores pela Libertadores. O retrospecto não define uma classificação, mas reforça a dimensão do desafio que a Universidad Central terá pela frente na Vila Belmiro.
Serviço da partida:
- Horário: 21h30, de Brasília
- Fase: jogo de volta dos playoffs
- Placar da ida: Universidad Central 1 x 4 Santos
- Transmissão: SBT, ESPN e Disney+
- Árbitro: Carlos Benítez, do Paraguai
- VAR: Ulises Mereles, do Paraguai
Uma noite para confirmar o favoritismo
O Santos fez o mais difícil ao construir uma vantagem de três gols fora de casa. Agora, precisa mostrar maturidade para controlar a eliminatória diante de sua torcida.
A classificação representa mais do que uma simples passagem de fase. Ela mantém o clube na disputa por um título internacional inédito, garante presença entre os 16 times da Sul-Americana e fortalece um elenco que ainda busca maior regularidade ao longo da temporada.
Para avançar sem sustos, o Peixe precisa repetir os principais pontos da atuação na Venezuela: organização, movimentação ofensiva, eficiência nas finalizações e capacidade de aproveitar os espaços. A vantagem permite administrar o resultado, mas a melhor maneira de proteger a classificação será jogar para vencer novamente.