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SLS Rio 2026: Rayssa Leal vence e brasileiros brilham no Maracanãzinho

A eterna Fadinha conquistou no feminino, Cordano Russell decidiu o masculino na última manobra, Giovanni Vianna e Wallace Gabriel colocaram o Brasil no pódio e o SLS Rio ainda teve wild cards protagonistas e o susto com a japonesa Aoi Uemura.

Por Corte dos Esportes · 09/08/2026 · Categoria: Skate

O SLS Rio Takeover de 2026 deixou uma coleção de momentos que ajudam a explicar por que a Street League Skateboarding se tornou uma das principais vitrines do skate street competitivo. Disputada neste domingo, 9 de agosto, no Ginásio do Maracanãzinho, a terceira parada da temporada reuniu uma vitória de Rayssa Leal diante da torcida brasileira, uma decisão masculina definida literalmente na última tentativa e uma atuação marcante de dois skatistas que chegaram à final através do Wildcard Jam.

A etapa também teve um significado especial para a cidade. O Maracanãzinho recebeu uma competição de skate pela primeira vez, enquanto a SLS voltou ao Rio depois da edição do Super Crown de 2022. Desta vez, porém, o formato era outro: o Spot Takeover eliminou as voltas completas pela pista e colocou cada competidor diante de sete tentativas de manobras isoladas, com as três melhores notas formando o resultado final. Era uma receita feita para estimular risco, dificuldade e decisões em alto nível. E foi exatamente isso que aconteceu.

Duelo olímpico decide no feminino

Rayssa Leal chegou ao Rio como uma das grandes atrações da etapa e confirmou a condição de favorita. A brasileira começou a decisão feminina com uma queda, mas reagiu imediatamente, recebeu notas 6.8 e 7.1 nas tentativas seguintes e entrou de vez na disputa pelo título.

A principal ameaça veio de Momiji Nishiya. A japonesa, campeã olímpica em Tóquio, conseguiu um 8.7, a maior nota individual da final feminina, e chegou a ultrapassar Rayssa na classificação. A brasileira, no entanto, conseguiu melhorar seu somatório na parte decisiva da prova e fechou com 20.9 pontos.

Momiji terminou apenas dois décimos atrás, com 20.7. Daniela Terol, da Espanha, completou o pódio com 17.7, enquanto Gabi Mazetto colocou mais uma brasileira entre as primeiras posições ao terminar em quarto lugar.

Classificação final feminina:

  1. Rayssa Leal (Brasil) — 20.9 pontos
  2. Momiji Nishiya (Japão) — 20.7 pontos
  3. Daniela Terol (Espanha) — 17.7 pontos
  4. Gabi Mazetto (Brasil) — 14.8 pontos
  5. Funa Nakayama (Japão) — 7.5 pontos

Veja os melhores momentos da finala abaixo:

Aoi Uemura estava entre as seis skatistas previstas para a decisão, mas não teve pontuação porque se retirou antes do início da final após sofrer uma queda durante o aquecimento.

Em um dos momentos de maior preocupação da etapa aconteceu antes mesmo do início da disputa feminina. A japonesa caiu durante o aquecimento e bateu a cabeça na pista. Ela recebeu atendimento médico e decidiu não participar da competição.

Posteriormente, Aoi foi a um hospital para realizar exames. Segundo a informação divulgada após o atendimento, não houve fratura nem sangramento na cabeça. A própria skatista publicou uma mensagem para tranquilizar os fãs. A retirada, portanto, foi uma medida tomada depois do forte impacto sofrido no aquecimento.

Rayssa e o Rio: uma relação antiga com a Street League

O triunfo teve ainda um componente histórico. Foi justamente no Rio de Janeiro, em janeiro de 2019, que ela fez sua primeira participação em uma etapa da SLS, quando tinha apenas 11 anos. Anos depois, voltou à cidade em outra condição: como um dos maiores nomes do circuito mundial.

A trajetória na Street League ganhou dimensão especialmente forte nas temporadas seguintes. Em Brasília, em julho de 2025, a própria SLS registrou a 14ª vitória da brasileira no circuito. No fim daquele ano, Rayssa conquistou o Super Crown pela quarta temporada consecutiva. Já em fevereiro de 2026, abriu o calendário vencendo em Sydney, ganhou sequência no Maracanãzinho

O Rio também remete ao Super Crown de 2022, vencido pela brasileira, reforçando o peso da cidade na história de Rayssa dentro da liga.

Cordano Russell vence na última manobra

Se o feminino teve uma diferença mínima, a decisão masculina entregou um roteiro ainda mais dramático.

Cinco brasileiros chegaram à final: Giovanni Vianna, Wallace Gabriel, Abner Pietro, Lucas Rabelo e Ivan Monteiro. Wallace e Abner tinham vindo do Wildcard Jam realizado poucas horas antes, aumentando ainda mais o peso da participação brasileira na decisão.

Wallace começou especialmente bem e chegou a liderar a prova. Cordano, porém, passou a crescer quando as notas do Nine Club começaram a aparecer. O canadense conseguiu um 9.0 e depois um 9.2, colocando-se em posição de vitória.

Giovanni Vianna parecia ter outro plano para o título. Depois de cometer erros no início, o brasileiro reagiu na hora em que a margem para recuperação já era pequena. Vieram um 9.1 e um 9.2, além de uma nota 8.6 que ajudou a formar seu somatório. Giovanni chegou a 26.9 e assumiu a liderança na penúltima rodada.

Na última tentativa do canadense, quando apenas uma grande nota permitiria a virada, Russell acertou a manobra e recebeu 9.3. Foi a maior nota de toda a competição no Rio. O resultado elevou seu total para 27.5 e colocou Giovanni sob a obrigação de responder na última chance. O brasileiro caiu.

Título de Cordano Russell. Vice de Giovanni Vianna. Diferença final: apenas 0.6 ponto.

O 9.3 decisivo colocou Cordano novamente no chamado Nine Club, expressão que se tornou uma parte importante da identidade da Street League e ajuda a entender o peso das notas acima de 9 na história competitiva da SLS.

Veja os melhores momentos da finala abaixo:

Do Wildcard Jam para o pódio

A história de Wallace Gabriel foi uma das mais marcantes do SLS Rio.

Ele não tinha uma vaga direta garantida na decisão. Precisou disputar o Wildcard Jam, mecanismo da Street League que abre espaço para outros skatistas locais brigarem pelas últimas vagas do quadro principal. A SLS havia anunciado previamente que dois lugares permaneceriam disponíveis para os wild cards.

Wallace Gabriel e Abner Pietro conquistaram essas duas vagas e avançaram à final. Abner terminou posteriormente em quinto lugar. Wallace foi ainda mais longe.

O brasileiro começou a final acertando manobras e chegou a ocupar a primeira colocação. Quando Cordano e Giovanni elevaram o nível das notas, Wallace permaneceu na disputa pelo pódio. Na última tentativa, conseguiu seu próprio 9 Club: nota 9.0. O resultado levou seu somatório a 24.5 e confirmou a terceira posição.

Assim, o skatista que começou o dia tentando sobreviver ao Wildcard Jam terminou algumas horas depois no pódio da principal competição de skate street mundia.

O feito também tornou ainda mais simbólica a entrevista compartilhada após a competição, na qual Wallace falou sobre o significado pessoal de chegar à Street League e lembrou que competir na principal liga do skate era um sonho desde criança. No Rio, esse sonho não terminou apenas com uma participação: terminou com um Nine Club e um terceiro lugar.

Mudanças de participação também no masculino

A composição masculina também passou por mudanças entre a divulgação inicial e o dia da competição.

Na página oficial do SLS Rio, Filipe Mota e Felipe Gustavo apareciam entre os nomes listados originalmente para o evento, ao lado de Giovanni Vianna, Angelo Caro, Julian Agliardi, Cordano Russell, Ginwoo Onodera e Toa Sasaki. O mesmo quadro mantinha duas vagas separadas para o Wildcard Jam.

Filipe Mota e Felipe Gustavo, entretanto, não participaram da final masculina disputada no Maracanãzinho.

Classificação final masculina do SLS Rio 2026

  1. Cordano Russell (Canadá) — 27.5 pontos
  2. Giovanni Vianna (Brasil) — 26.9 pontos
  3. Wallace Gabriel (Brasil) — 24.5 pontos
  4. Angelo Caro (Peru) — 23.7 pontos
  5. Abner Pietro (Brasil) — 22.6 pontos
  6. Ginwoo Onodera (Japão) — 18.2 pontos
  7. Lucas Rabelo (Brasil) — 15.9 pontos
  8. Julian Agliardi (Estados Unidos) — 14.8 pontos
  9. Toa Sasaki (Japão) — 8.2 pontos
  10. Ivan Monteiro (Brasil) — 7.8 pontos

O Wildcard Jam foi muito mais do que uma preliminar

O resultado de Wallace e Abner mostrou por que o Wildcard Jam ocupa um espaço interessante dentro do formato Takeover.

No Rio, os dois classificados aproveitaram a oportunidade. Abner terminou à frente de nomes como Ginwoo Onodera, Toa Sasaki e Ivan Monteiro. Wallace foi ao pódio.

Isso deu à final uma característica diferente de um evento fechado apenas aos nomes previamente convidados. O Wildcard Jam produziu dois finalistas competitivos e um deles terminou entre os três melhores de toda a etapa.

A força brasileira na SLS

O vice de Giovanni pode ter vindo com a frustração de perder a liderança na última manobra, mas sua reação durante a final foi uma das performances técnicas mais fortes do evento.

Depois do início irregular, o brasileiro precisou aumentar o nível de dificuldade quando os erros já diminuíam sua margem. Respondeu entrando duas vezes no Nine Club, com 9.1 e 9.2, e chegou à última rodada na liderança. Só perdeu porque Cordano acertou justamente sua melhor manobra no momento de maior pressão.

Em uma final com dez atletas, metade do quadro era brasileira.

O SLS Rio 2026 ganhou um lugar especial no calendário

O evento Takeover reuniu quase todos os elementos que fazem o formato funcionar: decisões por décimos, notas acima de 9, pressão na última tentativa, nomes consagrados e competidores vindos do wildcard interferindo diretamente no pódio.

No feminino, Rayssa venceu Momiji Nishiya por apenas 0.2 ponto e acrescentou outro título da Street League a uma trajetória que já incluía quatro Super Crowns consecutivos. No masculino, Giovanni esteve a uma manobra de ganhar em casa, até Cordano Russell produzir um 9.3 quando qualquer erro praticamente entregaria a vitória ao brasileiro.

Wallace Gabriel talvez represente melhor o outro lado daquela edição. Começou o dia sem vaga assegurada na final, passou pelo Wildcard Jam, liderou parte da decisão, entrou no Nine Club e terminou no pódio.

E o próprio Rio fechou um ciclo particular. A cidade que viu Rayssa Leal aparecer na SLS ainda criança recebeu novamente a brasileira sete anos depois, agora como campeã no Maracanãzinho. Entre uma imagem e outra, a Street League mudou de formatos, o skate brasileiro ampliou sua presença internacional e Rayssa deixou de ser uma promessa para se transformar em uma referência da modalidade.

Por isso, o SLS Rio 2026 não fica marcado apenas pelos nomes dos campeões. Foi a etapa do 20.9 de Rayssa, do 9.3 decisivo de Cordano, dos dois Nine Clubs de Giovanni na reação, do primeiro pódio de Wallace naquele palco da liga e de um Wildcard Jam que efetivamente mudou a história da final. Uma edição em que, até a última manobra, praticamente nada estava decidido.

Próxima parada da SLS será em Tempe

Depois da etapa do Rio de Janeiro, a Street League Skateboarding segue para Tempe, no Arizona, nos Estados Unidos. A quarta parada do SLS Championship Tour 2026 está marcada para 29 de agosto, na Mullett Arena, colocando novamente os principais nomes do street mundial frente a frente poucas semanas depois das decisões emocionantes no Maracanãzinho.

A etapa norte-americana será especialmente interessante para acompanhar a sequência de Rayssa Leal, Giovanni Vianna, Wallace Gabriel e dos demais brasileiros no circuito. Depois de Tempe, o calendário ainda prevê passagens por Paris, em 3 de outubro, e Tóquio, em 14 de novembro, antes do encerramento da temporada no Brasil.