O Uruguai estreou na Copa do Mundo 2026 com um empate que teve gosto de alívio e frustração ao mesmo tempo. No Miami Stadium, a seleção bicampeã mundial ficou no 1 a 1 com a Arábia Saudita, saiu atrás no placar, pressionou muito no segundo tempo e só conseguiu evitar a derrota aos 35 minutos da etapa final, com gol de Maxi Araújo.
O resultado deixou o Grupo H da Copa do Mundo 2026 completamente aberto depois da primeira rodada. Mais cedo, Espanha e Cabo Verde também haviam empatado, em 0 a 0. Com isso, nenhuma seleção largou com vitória, e a chave começou com quatro equipes pontuando.
Para o Uruguai, o empate pesa porque o time chegou ao Mundial com expectativa alta, elenco forte e o comando de Marcelo Bielsa. Para a Arábia Saudita, o ponto contra uma seleção tradicional tem valor competitivo enorme, principalmente por ter vindo em um jogo no qual a equipe conseguiu resistir a uma pressão intensa na reta final.
A Arábia Saudita começou o jogo mostrando que não queria apenas se defender. A equipe teve momentos de agressividade, competiu fisicamente e encontrou no jogo aéreo uma forma de incomodar a defesa uruguaia.
O gol saiu aos 41 minutos do primeiro tempo. Após cobrança de escanteio, Abdulelah Al-Amri aproveitou a sobra dentro da área e mandou para o gol.
O 1 a 0 antes do intervalo mudou o ambiente da partida. O Uruguai, que já não fazia uma atuação empolgante, passou a carregar a obrigação de reagir. A Arábia Saudita, por sua vez, ganhou força emocional para baixar as linhas, proteger a área e tentar administrar uma vitória que seria enorme na largada do grupo.
O segundo tempo teve outra cara. O Uruguai passou a ocupar mais o campo ofensivo, acelerou pelos lados e colocou a Arábia Saudita sob pressão quase constante.
A posse de bola terminou em 66,8% para o Uruguai, contra 33,2% da Arábia Saudita. A diferença também apareceu nas finalizações: foram 27 chutes uruguaios, 10 no alvo, contra sete finalizações sauditas, três certas.
Mohammed Al-Owais virou personagem central. O goleiro saudita fez nove defesas e segurou a vantagem por boa parte da etapa final. O Uruguai insistiu, cruzou, finalizou de média distância e tentou sufocar, mas demorou a encontrar o lance que mudaria o placar.
Maxi Araújo evita derrota no fim
O empate uruguaio saiu aos 35 minutos do segundo tempo. Depois de jogada pela esquerda e bola colocada na área, Federico Viñas ganhou pelo alto, Al-Owais defendeu parcialmente, e Maxi Araújo apareceu para completar.
O gol teve um peso enorme para o Uruguai. Sem ele, a seleção começaria a Copa com derrota para um adversário teoricamente menos cotado dentro do grupo. Com ele, ao menos salvou um ponto e manteve a disputa equilibrada.
Mesmo assim, o empate não apagou a sensação de cobrança. O Uruguai terminou o jogo com 14 escanteios, 40 toques na área adversária e controle quase total do segundo tempo. Para uma seleção que pretende avançar longe na Copa, esse tipo de domínio precisa virar vitória.
Arábia Saudita mostra força competitiva
O time marcou primeiro, suportou pressão, teve disciplina defensiva e mostrou novamente que não deve ser tratado como figurante na Copa do Mundo.
A atuação teve sacrifício. A equipe terminou com 42 cortes defensivos, contra 18 do Uruguai, o que mostra o quanto precisou defender perto da própria área. Ainda assim, a resistência fez sentido dentro do contexto do jogo.
Salem Al-Dawsari liderou a equipe como capitão, Al-Amri foi decisivo no gol, e Al-Owais sustentou o empate com defesas importantes.
Grupo H começa embolado
O empate entre Arábia Saudita e Uruguai ganhou ainda mais importância porque veio depois do 0 a 0 entre Espanha e Cabo Verde na estreia. A primeira rodada deixou todas as seleções do Grupo H com um ponto.
Esse cenário aumenta o peso da próxima rodada. A Espanha enfrentará a Arábia Saudita, enquanto o Uruguai terá pela frente Cabo Verde. Pela lógica da tabela da Copa do Mundo 2026, cada ponto pode influenciar não apenas a classificação, mas também o caminho no mata-mata.
O empate da Espanha com Cabo Verde já havia deixado a chave mais imprevisível. Com o 1 a 1 em Miami, o grupo terminou a primeira rodada sem favorito disparado e com todos os times ainda dependendo apenas de si.
Escalações dos times que iniciaram a partida
Arábia Saudita:
- 21 Mohammed Al-Owais
- 12 Saud Abdulhamid
- 4 Abdulelah Al-Amri
- 5 Hassan Al-Tambakti
- 24 Moteb Al-Harbi
- 26 Mohammed Abu Al-Shamat
- 23 Mohamed Kanno
- 15 Abdullah Al-Khaibari
- 10 Salem Al-Dawsari
- 9 Feras Al-Buraikan
- 7 Musab Al-Juwayr
- Técnico: Georgios Donis
Uruguai:
- 23 Fernando Muslera
- 13 Guillermo Varela
- 3 Sebastián Cáceres
- 16 Mathías Olivera
- 17 Matías Viña
- 5 Manuel Ugarte
- 6 Rodrigo Bentancur
- 8 Federico Valverde
- 21 Federico Viñas
- 20 Maxi Araújo
- 9 Darwin Núñez
- Técnico: Marcelo Bielsa
O que o empate muda para as seleções
O Uruguai não saiu derrotado, mas também não conseguiu confirmar em campo a superioridade que os números indicaram. A equipe teve posse, finalizações e pressão, mas precisou correr atrás do placar e só empatou perto do fim.
A atuação deixa dois sinais. O primeiro é positivo: o time reagiu, cresceu no segundo tempo e mostrou capacidade de sufocar o adversário. O segundo é de alerta: contra seleções bem fechadas, o Uruguai precisa ser mais eficiente e menos dependente de pressão acumulada.
Bielsa terá que ajustar a equipe para a sequência. A entrada de Nicolás De La Cruz deu mais dinâmica, Valverde cresceu quando teve mais liberdade por dentro, e Maxi Araújo mostrou peso ofensivo ao marcar o gol do empate. O desafio agora é transformar volume em controle real do resultado.
Para a Arábia Saudita, o empate tem valor de afirmação. A seleção resistiu a uma equipe sul-americana forte, marcou primeiro e saiu da estreia com ponto importante.
O resultado reforça a ideia de que a Arábia Saudita pode competir no grupo. A equipe não teve o mesmo volume ofensivo do Uruguai, mas foi organizada, agressiva nos momentos certos e eficiente o bastante para abrir o placar.
A sequência será dura, especialmente com a Espanha pela frente. Ainda assim, o empate contra o Uruguai dá confiança e mantém a seleção saudita viva em uma chave que começou sem vencedor.