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US Open: história, tradição e maiores campeões do Grand Slam de Nova York

Criado no século 19 e transformado ao longo de diferentes eras, superfícies e sedes, o US Open se tornou um dos torneios mais emblemáticos do tênis mundial. Último Grand Slam da temporada, ele reúne peso histórico, atmosfera única, inovação e uma galeria de campeões que ajudou a definir o esporte.

Por Corte dos Esportes · 23/04/2026 · Categoria: TENIS

O US Open é um dos torneios mais importantes do tênis mundial e ocupa um lugar especial no calendário por ser o quarto e último Grand Slam da temporada. Disputado em Nova York, no complexo do USTA Billie Jean King National Tennis Center, ele combina tradição centenária com uma identidade própria: ambiente barulhento, sessões noturnas icônicas, quadras rápidas e uma atmosfera muito diferente da que se vê nos outros majors. Mais do que encerrar o ano de Grand Slams, o torneio costuma funcionar como palco de consagrações, viradas de geração e capítulos históricos do esporte.

Como nasceu o US Open

A história do torneio começou em 1881, quando ainda era disputado como U.S. National Championships em Newport, em Rhode Island. A chave masculina foi a primeira a ser realizada, enquanto o torneio feminino passou a integrar a história do evento em 1887. Décadas depois, a competição deixou de ser apenas um símbolo do tênis americano para ganhar dimensão mundial, especialmente com a chegada da Era Aberta, em 1968, quando profissionais e amadores passaram a competir juntos e o torneio passou a ser reconhecido como US Open. Naquele mesmo ano, Arthur Ashe venceu o primeiro título masculino da era moderna do evento, em um momento que ajudou a ampliar o peso histórico do campeonato.

Ao longo de sua trajetória, o torneio também mudou de sede e foi moldando sua identidade. Depois do início em Newport e de uma longa associação com Forest Hills, o US Open se estabeleceu em Flushing Meadows, no Queens, em 1978. Essa mudança foi decisiva para transformar o campeonato em um espetáculo ainda maior, tanto do ponto de vista esportivo quanto do tamanho do evento para o público. A consolidação em Nova York ajudou o torneio a abraçar uma personalidade mais urbana, vibrante e grandiosa, muito ligada ao ritmo da cidade.

A evolução do piso: da grama ao saibro verde, até a quadra dura

Um dos traços mais curiosos da história do US Open é a mudança de superfície. O torneio foi jogado na grama de 1881 até 1974. Em seguida, passou três edições no saibro verde Har-Tru, entre 1975 e 1977. Desde 1978, com a ida para Flushing Meadows, passou a ser disputado em quadra dura, superfície que acabou se tornando uma das marcas do campeonato. Mais recentemente, o piso passou a ser fornecido pela Laykold, substituindo a DecoTurf usada por décadas.

Essa trajetória faz do US Open um torneio singular dentro do circuito. Ele é o único Grand Slam que já foi disputado nas três superfícies principais do tênis outdoor: grama, saibro e quadra dura. Esse detalhe ajuda a explicar parte de sua riqueza histórica e também reforça por que tantos perfis diferentes de campeões cabem dentro de sua galeria. Não por acaso, Jimmy Connors segue como personagem único no torneio por ter conquistado títulos em simples nas três superfícies diferentes.

Por que o US Open é tão relevante

A importância do US Open não está apenas no peso do troféu. O torneio ajudou a empurrar o tênis para a modernidade em momentos decisivos. Em 1973, tornou-se o primeiro Grand Slam a oferecer premiação igual para homens e mulheres, um marco histórico para o esporte. Também foi pioneiro em consolidar o tênis como grande produto de entretenimento noturno, com as night sessions que começaram em 1975 e viraram parte inseparável da identidade do evento. Em Flushing Meadows, essa vocação por grandes espetáculos ganhou ainda mais força com o Arthur Ashe Stadium, que se tornou o maior estádio de tênis do mundo, com capacidade para mais de 23 mil pessoas.

Toda essa combinação explica por que o US Open costuma ser visto como um Grand Slam de personalidade muito própria. Wimbledon representa a tradição clássica, Roland Garros exige paciência extrema no saibro, o Australian Open abre a temporada, mas o US Open reúne o peso histórico de um torneio centenário com a energia de um grande evento global de entretenimento. Em Nova York, o tênis ganha um ar mais elétrico, mais ruidoso e, muitas vezes, mais imprevisível.

Maiores campeões do US Open em simples

Masculino — recordistas históricos

Bill Tilden — 7 títulos

Bill Larned — 7 títulos

Richard Sears — 7 títulos

Masculino — líderes da Era Aberta

Jimmy Connors — 5 títulos

Pete Sampras — 5 títulos

Roger Federer — 5 títulos

Feminino — recordista histórica

Molla Bjurstedt Mallory — 8 títulos

Feminino — líderes da Era Aberta

Chris Evert — 6 títulos

Serena Williams — 6 títulos

Atuais campeões 2025, no masculino Carlos Alcaraz e no feminino Aryna Sabalenka

Um torneio que ajuda a contar a história do tênis

Falar do US Open é falar de mudanças profundas no tênis. O torneio atravessou diferentes épocas, sobreviveu a transformações de superfície, saiu da tradição aristocrática das primeiras décadas para virar um espetáculo de massa e ajudou a empurrar o esporte em direção a debates centrais, como igualdade, profissionalização e modernização. Sua lista de campeões passa por nomes gigantes de várias eras e mostra como o evento soube permanecer relevante sem perder o vínculo com sua própria história.

Por isso, o US Open não é apenas mais um Grand Slam. Ele é um dos torneios que melhor sintetizam a evolução do tênis: nasceu no século 19, entrou na Era Aberta como protagonista, abraçou a energia de Nova York e construiu uma identidade que mistura tradição e espetáculo como poucos eventos esportivos conseguem fazer. Para qualquer fã da modalidade, entender a história do US Open é entender uma parte essencial da própria história do tênis.

Dentro do circuito de Grand Slams, o Wimbledon ocupa um lugar especial como símbolo máximo da tradição no tênis. Comparar sua história com a do US Open ajuda a entender como os maiores torneios do mundo construíram identidades diferentes, mas igualmente decisivas para a grandeza do esporte.