No Castelão, o time da casa saiu na frente, controlou boa parte do jogo, teve chances para ampliar, mas viu a partida mudar completamente depois da expulsão de Ronald. O Vitória cresceu com um jogador a mais, empatou em pênalti marcado após revisão do VAR e virou nos minutos finais com um golaço de Diego Tarzia.
O triunfo por 2 a 1, nesta terça-feira, deixou o Vitória em vantagem para o jogo de volta, marcado para sábado, 6 de junho, às 16h, no Barradão, em Salvador. O resultado colocou o time baiano a um empate do título e obrigou o Fortaleza a buscar vitória fora de casa para seguir vivo na decisão.
A final ainda está aberta, mas o primeiro jogo mudou o peso emocional do confronto. O Fortaleza parecia ter o controle da partida, principalmente depois do gol de Vitinho, mas a expulsão, o pênalti e a postura agressiva do Vitória na reta final transformaram um jogo travado em uma virada com cara de título.
Como foi o jogo
O primeiro tempo teve mais disputa do que inspiração. O Fortaleza tentou acelerar pelos lados, usou seus alas para empurrar o Vitória para trás e teve uma boa chance com Vitinho após cruzamento de Pochettino. O time baiano, por sua vez, respondeu em bolas paradas e obrigou João Ricardo a trabalhar em sequência de escanteios.
Foi um jogo de poucos espaços. O Fortaleza tinha mais iniciativa em alguns momentos, mas o Vitória conseguiu equilibrar ganhando território e impedir que o mandante transformasse posse em pressão constante. A partida tinha cara de final: marcação forte, cautela, poucas chances claras e muita disputa no meio.
Na volta do intervalo, o Fortaleza cresceu. O time de Thiago Carpini voltou mais agressivo, encontrou espaços em transição e abriu o placar com Vitinho, que recebeu de Luiz Fernando, carregou e acertou um belo chute para fazer 1 a 0.
O gol parecia empurrar o Fortaleza para um cenário ideal. Jogando em casa, com vantagem no placar e um Vitória abalado por alguns minutos, o Tricolor do Pici teve a chance de ampliar. Pochettino desperdiçou uma oportunidade importante, e esse lance ganhou ainda mais peso depois.
A expulsão que mudou a final
A virada do jogo começou aos 16 minutos do segundo tempo, quando Ronald foi expulso e deixou o Fortaleza com um jogador a menos. A partir dali, a partida mudou de cenário.
O Fortaleza passou a se proteger mais. O Vitória, mesmo sem criar chances imediatamente, ganhou campo, volume e coragem para colocar mais jogadores ofensivos. Jair Ventura foi mexendo no time, abriu mão de peças de sustentação e apostou em presença na área.
A superioridade numérica não resolveu tudo sozinha, mas criou o ambiente da reação. O Vitória passou a pressionar mais alto, buscar cruzamentos, bolas paradas e segunda bola. O Fortaleza tentou montar um bloqueio, mas já não conseguia sair com a mesma qualidade.
VAR, pênalti e empate de Renato Kayzer
Aos 36 minutos do segundo tempo, o VAR chamou a arbitragem para revisar um lance na área do Fortaleza. Após a análise, o árbitro marcou pênalti para o Vitória por toque de mão de Brítez depois de uma jogada pelo alto.
Renato Kayzer, que havia entrado durante o segundo tempo, foi para a cobrança e empatou a partida. O gol mudou completamente o peso da final. O que parecia uma vitória simples do Fortaleza passou a ser um jogo aberto, com o Vitória em vantagem emocional e numérica.
O empate também premiou a postura do banco rubro-negro. Kayzer entrou para dar presença de área e respondeu em um momento decisivo.
Tarzia marca golaço e Vitória vira no fim
Jair Ventura colocou ainda mais força ofensiva em campo, e o time baiano passou a empurrar o Fortaleza para perto da própria área.
Nos minutos finais, Diego Tarzia apareceu para transformar a reação em virada. O argentino acertou um belo chute de fora da área e fez o gol do triunfo rubro-negro, já na reta final da partida.
Foi o tipo de lance que muda uma final. O empate já seria bom para o Vitória, considerando que o time saiu atrás e jogava fora de casa. A virada, porém, colocou o clube em posição muito mais confortável para decidir no Barradão.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
Como fica a final da Copa do Nordeste
Com a vitória por 2 a 1 no Castelão, o Vitória chega ao jogo de volta em vantagem.
Cenários para a volta:
- Vitória campeão: se vencer ou empatar no Barradão.
- Decisão por pênaltis: se o Fortaleza vencer por um gol de diferença.
- Fortaleza campeão: se vencer por dois ou mais gols de diferença.
Não há critério de gol fora na final. O que vale é a soma de pontos nos dois jogos e, em caso de igualdade, o saldo de gols da decisão. Se tudo ficar empatado, o título será definido nos pênaltis.
O que está em jogo para o Vitória
O time baiano busca seu quinto título da Copa do Nordeste. O clube já venceu o torneio em 1997, 1999, 2003 e 2010. Se confirmar a vantagem no Barradão, iguala o Bahia como maior campeão da competição regional.
Esse contexto aumenta o peso do jogo de volta. O Vitória não disputa apenas mais uma taça. Pode encerrar um jejum de 16 anos sem conquistar o Nordestão e ainda entrar no topo histórico do torneio.
O que está em jogo para o Fortaleza
Já o time cearense busca seu quarto título da Copa do Nordeste. O clube venceu a competição em 2019, 2022 e 2024 e tenta manter sua fase recente de protagonismo regional.
A derrota em casa pesa, principalmente pela forma como aconteceu. O Fortaleza abriu o placar, teve controle em boa parte do segundo tempo e poderia ter ampliado. Depois, perdeu Ronald, sofreu o empate em pênalti e levou a virada nos minutos finais.
Mesmo assim, o confronto não está encerrado. O Fortaleza já mostrou força em decisões e tem elenco para buscar resultado fora. A missão, porém, ficou mais difícil: no Barradão, precisará atacar sem se desorganizar, porque sofrer um gol pode tornar a reação ainda mais tensa.
O peso histórico da Copa do Nordeste
É o torneio regional mais forte do futebol brasileiro. A competição reúne clubes de grande torcida, rivalidades estaduais, viagens difíceis e um sentimento de identidade regional que dá ao campeonato uma força própria.
A força dessa decisão também se explica pela própria construção histórica do torneio.
O apelido “Lampions League” não nasceu por acaso. O torneio se consolidou como uma competição de alto apelo no Nordeste, com jogos intensos, estádios cheios e decisões que mobilizam torcidas de diferentes estados.
A final entre Vitória e Fortaleza reforça esse valor. De um lado, um clube baiano que tenta voltar ao topo regional depois de longo jejum. Do outro, um Fortaleza que se acostumou a disputar títulos e quer ampliar sua era vitoriosa.