O Brasil colocou mais quatro surfistas nas oitavas de final do Surf City El Salvador Pro, quinta etapa do Championship Tour da WSL 2026. Em um segundo dia marcado por espera, mar instável e apenas baterias masculinas.
O sábado começou com a primeira chamada adiada por causa das condições do mar. A organização avaliou o cenário em Punta Roca, esperou melhorar e só colocou a competição em andamento mais tarde. Com isso, o dia ficou concentrado na sequência do Round 2 masculino, sem baterias femininas.
O saldo brasileiro foi positivo, mas não perfeito. Italo avançou mesmo competindo com pontos no joelho após acidente no treino. Medina confirmou favoritismo em uma bateria de mar difícil. Samuel Pupo deu resposta imediata depois da queda do irmão Miguel no primeiro dia. João Chianca segurou a liderança contra George Pittar. Por outro lado, Mateus Herdy perdeu uma bateria apertada para Leonardo Fioravanti, e Filipe Toledo foi eliminado por Kauli Vaast em um confronto decidido por detalhe.
Como foi o segundo dia
Não teve o mesmo ritmo limpo da abertura. A primeira chamada foi adiada, e a etapa só ganhou sequência depois de nova avaliação das condições. Punta Roca ainda entregou ondas úteis, mas o mar esteve mais mexido e irregular, exigindo paciência, escolha de onda e capacidade de transformar oportunidades em notas competitivas.
Esse contexto valorizou surfistas mais experientes. Em vez de um dia de séries constantes e paredes longas o tempo todo, a disputa teve momentos de espera, baterias travadas e placares apertados. Para quem precisava apenas sobreviver ao Round 2, a leitura ficou tão importante quanto a potência.
O feminino não entrou no mar. A etapa já havia começado com contrastes para o país, com Yago Dora avançando e nomes importantes ficando pelo caminho, no primeiro dia da WSL em El Salvador.
Classificados às oitavas:
- Yago Dora
- Samuel Pupo
- Italo Ferreira
- João Chianca
- Gabriel Medina
Eliminados:
- Miguel Pupo
- Alejo Muniz
- Mateus Herdy
- Filipe Toledo
O quadro mostra á Braziliam Storm ainda muito forte na etapa, mas com perdas relevantes. Miguel era vice-líder do ranking antes da competição. Filipe Toledo já foi campeão em El Salvador e caiu em uma bateria apertada. Mateus Herdy também perdeu por margem pequena. Ainda assim, cinco brasileiros nas oitavas mantêm o país em posição de brigar por título.
Italo avança mesmo com pontos no joelho
Líder do ranking mundial e campeão da etapa anterior em Raglan, o potiguar entrou no mar ainda cercado de dúvidas físicas. Antes do evento, ele sofreu um corte no joelho durante treinamento e precisou levar pontos cirúrgicos.
Mesmo com proteção na perna, Italo enfrentou Ramzi Boukhiam e venceu por 12.50 a 11.86. Não foi uma atuação de explosão clássica dele, daquelas em que o brasileiro domina com notas altíssimas, mas foi uma vitória de maturidade. Ele administrou a dor, escolheu bem as ondas e fez o suficiente para passar.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Medina confirma favoritismo em mar difícil
O tricampeão mundial enfrentou Seth Moniz em uma bateria disputada em condições mais difíceis, com ondas mexidas e menos previsíveis. Mesmo assim, o brasileiro encontrou notas suficientes para controlar o confronto e venceu por 15.17 a 7.00.
A atuação foi importante porque Medina precisava evitar uma queda precoce em uma etapa estratégica. Ele chegou a El Salvador entre os nomes fortes da temporada e sabe que Punta Roca pode ser decisiva para manter pressão na parte alta do ranking.
Medina não precisou fazer uma bateria espetacular para avançar. Precisou ser eficiente. Em dias de mar difícil, isso vale muito. Ele soube escolher melhor, tirou nota forte quando a bateria pedia resposta e não deixou Seth Moniz crescer.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Samuel Pupo dá resposta depois da queda do irmão
O brasileiro fez 15.17 a 10.50, com direito a nota 8.00, e garantiu vaga nas oitavas.
A vitória teve valor emocional. No primeiro dia, Miguel Pupo havia sido eliminado por Eli Hanneman, em uma das derrotas mais pesadas para o Brasil pelo contexto do ranking. Samuel entrou no dia seguinte com a missão de manter a família Pupo viva em Punta Roca e respondeu bem.
Mateus Herdy cai em bateria apertada
Ele ficou pelo caminho após perder para Leonardo Fioravanti por 15.04 a 14.70. Foi uma das derrotas mais duras do dia para o Brasil, justamente pela margem pequena.
Mateus competiu em alto nível, manteve a bateria viva e chegou perto da classificação. Mas Fioravanti encontrou notas ligeiramente melhores e segurou a vantagem.
A queda de Mateus reduz a presença brasileira, mas não apaga o valor da bateria. Ele mostrou repertório para competir em Punta Roca, especialmente em um dia de condições menos regulares. O problema foi que o italiano conseguiu ser mais eficiente na soma final.
Filipe Toledo perde para Kauli Vaast
A eliminação de Filipinho foi outro ponto forte do segundo dia. Campeão em El Salvador em 2023, o bicampeão mundial enfrentou Kauli Vaast e perdeu por 14.03 a 13.87.
A bateria começou difícil para Filipe. Vaast abriu com nota alta, um 8.33, e colocou o brasileiro em perseguição desde cedo. Filipe reagiu, chegou a precisar de uma nota acessível para virar e encontrou uma boa onda no fim, mas ficou por pouco: recebeu 6.37, quando precisava de 6.54.
A diferença mínima mostra o tamanho da derrota. Filipe não foi dominado. Ele perdeu uma bateria de detalhe, contra um adversário que começou muito forte e soube proteger a vantagem. Para o Brasil, a queda pesa porque Toledo é sempre candidato em ondas de direita e já tinha histórico vencedor em Punta Roca.
João Chianca segura George Pittar
Chumbinho venceu George Pittar por 11.50 a 11.00 e também avançou às oitavas. A bateria teve placar mais baixo, reflexo das condições menos constantes, mas ele conseguiu fazer o necessário.
O brasileiro achou uma nota 6.17 como melhor onda, segurou a liderança e evitou que Pittar virasse no fim. A classificação tem peso porque João vinha de um confronto perigoso. Pittar já havia vencido Gabriel Medina em Margaret River e chegou a El Salvador como adversário capaz de complicar qualquer bateria.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Luana Silva só entra no terceiro dia
Única brasileira na chave feminina, não entrou no mar neste sábado e ficou para o próximo dia de competição.
Luana enfrentará Nadia Erostarbe no Round 2 feminino. A bateria é importante porque Luana chega como uma das principais surfistas da temporada e precisa evitar eliminação precoce para seguir bem posicionada na briga pelo topo do ranking.
O fato de Luana esperar mais um dia pode ter dois efeitos. Por um lado, permite observar melhor o comportamento de Punta Roca. Por outro, aumenta a ansiedade de estreia em uma etapa na qual o Brasil já viveu fortes emoções no masculino.
Confrontos já definidos nas oitavas:
- Yago Dora x Marco Mignot
- Samuel Pupo x Leonardo Fioravanti
- Italo Ferreira x Crosby Colapinto
- João Chianca x Kauli Vaast
- Gabriel Medina x Jack Robinson
No feminino:
- Luana Silva x Nadia Erostarbe — Round 2
A chave brasileira tem bons caminhos, mas nenhum confronto simples. Yago pega um adversário em ascensão. Samuel enfrenta o algoz de Mateus. Italo encara Crosby Colapinto, sempre perigoso em ondas de manobra. João terá pela frente Kauli Vaast, que acabou de eliminar Filipe. Medina enfrenta um adversário de alto nível.
Próxima chamada e transmissão
A próxima chamada da etapa está marcada para domingo, a partir das 10h, quando a organização da WSL fará nova avaliação das condições em Punta Roca antes de confirmar a sequência das baterias.
A transmissão segue pelo canal da WSL no YouTube, já que a etapa ainda está dentro da fase exibida gratuitamente até as oitavas de final. Para o torcedor brasileiro, a chamada será importante porque pode definir a entrada de Luana Silva no feminino e a sequência dos brasileiros classificados às oitavas no masculino.
Punta Roca entra em fase decisiva
A partir das oitavas, a etapa muda de peso. Não se trata mais apenas de sobreviver ao Round 2. Agora, cada vitória aproxima os surfistas das quartas, aumenta pontuação e mexe diretamente no ranking.
Punta Roca é uma onda que favorece leitura, pressão nas bordas e capacidade de conectar manobras em paredes longas. Mas, como o segundo dia mostrou, quando as condições ficam ruins ou mexidas, o favoritismo diminui. O surfista precisa se adaptar rápido.
O Surf City El Salvador Pro ganhou cara de etapa-chave. Depois de um dia com mar irregular e baterias masculinas de muita tensão, o Brasil segue vivo com a Braziliam Storm em destaque.