O Finals Day do Philippines Pro 2026 entrou para a história do surfe mundial. Disputado nesta segunda-feira(terça-feira no horário local), 3 de novembro, em Cloud 9, nas Filipinas, o dia decisivo da 11ª etapa do Championship Tour terminou com os títulos de Gabriel Medina, no masculino, e Caitlin Simmers, no feminino. Em uma das ondas mais respeitadas da Ásia, os dois surfistas se tornaram os primeiros campeões de uma etapa da elite da World Surf League realizada em território filipino.
A decisão masculina teve um roteiro especial para o Brasil. Medina derrotou o australiano Jack Robinson, depois de eliminar o compatriota Yago Dora nas semifinais. A vitória encerrou uma espera que durava desde abril de 2023, quando o tricampeão mundial havia conquistado sua última etapa do CT, em Margaret River, na Austrália.
No feminino, Caitlin Simmers superou a australiana Isabella Nichols. A norte-americana também precisou vencer uma semifinal marcada por uma interferência de Carissa Moore, resultado que alterou o caminho até a decisão.
Além dos títulos, o Philippines Pro ganhou importância por sua posição no calendário de 2026. Como penúltima etapa do Circuito Mundial, a competição teve influência direta na classificação e na preparação dos principais candidatos ao título da temporada.
Cloud 9 recebe um Finals Day histórico
A realização do evento representou um marco para o surfe profissional. Pela primeira vez, as Filipinas receberam uma etapa do Championship Tour, principal divisão competitiva da WSL.
A sede escolhida foi Cloud 9, localizada em General Luna, na ilha de Siargao. Reconhecida por suas ondas tubulares sobre uma bancada de recife, a região já tinha tradição em eventos profissionais, mas a chegada do CT colocou o destino no calendário mais importante da modalidade.
A competição teve janela entre 31 de outubro e 10 de novembro, embora o encerramento tenha ocorrido antecipadamente, em 3 de novembro, aproveitando as condições disponíveis.
O Finals Day contou com ondas potentes e tubulares, impulsionadas pela ondulação associada ao tufão In-fa, que atuava à distância. As condições proporcionaram baterias exigentes, especialmente para surfistas que precisavam encontrar tubos profundos e completar suas ondas sem perder o controle.
Gabriel Medina encerra jejum de títulos
A final masculina colocou frente a frente dois especialistas em ondas tubulares: Gabriel Medina e Jack Robinson.
O australiano abriu a decisão com uma nota 6,17. Medina respondeu com 7,50 e passou a construir uma bateria marcada pela escolha de ondas. O momento decisivo aconteceu quando o brasileiro encontrou um tubo profundo, atravessou diferentes seções da onda e recebeu 9,43 dos juízes.
O australiano reagiu com uma onda de 8,23, chegando a 14,50 pontos. Mas, o brasileiro manteve suas duas melhores notas, 9,43 e 7,50, para fechar a decisão com 16,93.
Nos minutos finais, Medina administrou a prioridade e impediu a reação do adversário.
O título teve uma importância especial para sua trajetória. Depois de três vice-campeonatos na temporada de 2026, Medina finalmente conquistou sua primeira vitória do ano no CT. O resultado também o levou da quarta para a segunda posição do ranking mundial.
Mais do que encerrar uma sequência sem troféus, a conquista mostrou a capacidade competitiva do tricampeão em uma das ondas mais exigentes do circuito.
Veja os melhores momentos da final abaixo:
Semifinal brasileira
Antes de disputar o título contra Robinson, Gabriel Medina precisou enfrentar Yago Dora, líder do ranking mundial e campeão da temporada anterior.
A semifinal brasileira foi uma das baterias mais importantes do Finals Day.
Medina começou com uma onda de 8,83. Yago respondeu com notas 7,00 e 6,50, assumindo momentaneamente a liderança do confronto.
A reação de Gabriel veio com uma nota 6,93, suficiente para retomar a vantagem e fechar o duelo com 15,76 pontos contra 13,50 de Yago.
Veja abaixo os melhores momentos da bateria:
Na outra semifinal masculina, Jack Robinson enfrentou Ethan Ewing em uma disputa equilibrada. Robinson venceu por 16,63 a 16,00, garantindo presença na decisão por uma diferença de apenas 0,63 pontos.
Apesar da eliminação diante de Medina, Yago Dora manteve a liderança do ranking após a etapa filipina.
Caitlin Simmers vence final feminina
A decisão entre as mulheres também teve uma protagonista de grande destaque. Caitlin Simmers, campeã mundial de 2024, conquistou o Philippines Pro ao derrotar Isabella Nichols por 12,00 a 10,77.
A norte-americana havia enfrentado dificuldades físicas durante o evento. Nas quartas de final, sofreu um corte na região do tornozelo que exigiu sete pontos, mas conseguiu seguir na competição.
Contra Nichols, Simmers construiu sua pontuação com notas 6,33 e 5,67. A australiana respondeu com 7,00 e 3,77, mas não conseguiu encontrar uma combinação suficiente para virar a bateria.
A conquista representou a primeira vitória de Caitlin na temporada de 2026.
O resultado também teve impacto na classificação feminina. Simmers ganhou três posições e terminou o Philippines Pro na terceira colocação do ranking, atrás de Molly Picklum e Carissa Moore.
Veja os melhores momentos da final abaixo:
Interferência marca semifinal feminina
Um dos episódios mais relevantes do Finals Day aconteceu na semifinal entre Caitlin Simmers e Carissa Moore.
A havaiana, pentacampeã mundial, recebeu uma penalidade por interferência ao entrar em uma onda sem possuir a prioridade. A punição teve efeito direto na pontuação final da bateria.
Simmers venceu por 9,43 a 5,67 e avançou para enfrentar Isabella Nichols.
Na outra semifinal, Nichols derrotou sua compatriota Tyler Wright por 10,17 a 7,00.
A presença de Nichols na decisão também merece destaque. A australiana vinha de uma recuperação de lesão no tornozelo, sofrida durante a etapa de Fiji, e conseguiu alcançar a final em Cloud 9.
Ranking da WSL após o Philippines Pro
A vitória de Medina provocou mudanças importantes na classificação masculina do Championship Tour. Entre os homens, o Brasil encerrou a etapa ocupando as três primeiras posições do ranking.
Classificação masculina:
- 1. Yago Dora (BRA) — 54.950 pontos
- 2. Gabriel Medina (BRA) — 53.210 pontos
- 3. Ítalo Ferreira (BRA) — 49.335 pontos
- 4. Griffin Colapinto (EUA) — 46.195 pontos
- 5. Miguel Pupo (BRA) — 45.270 pontos
No feminino, Molly Picklum permaneceu na liderança, seguida de perto por Carissa Moore.
Classificação feminina:
- 1. Molly Picklum (AUS) — 53.695 pontos
- 2. Carissa Moore (HAV) — 53.150 pontos
- 3. Caitlin Simmers (EUA) — 49.610 pontos
- 4. Gabriela Bryan (HAV) — 46.865 pontos
- 5. Erin Brooks (CAN) — 44.745 pontos
A brasileira Luana Silva aparece na sétima colocação, com 43.325 pontos.
Essas classificações correspondem ao encerramento da etapa filipina, antes da aplicação do terceiro descarte previsto para o início da etapa de Pipeline.
A importância do Philippines Pro na disputa pelo título mundial
A competição teve uma relevância especial por acontecer imediatamente antes da etapa que encerra o Championship Tour de 2026.
A decisão da temporada está programada para Pipeline, no Havaí, com janela entre 8 e 20 de dezembro.
Diferentemente das etapas regulares, nas quais a vitória rende 10 mil pontos, Pipeline foi estabelecida com pontuação ampliada de 15 mil pontos para os vencedores.
Outro detalhe relevante do regulamento é a aplicação de descartes. Embora Yago Dora tenha saído das Filipinas na liderança, o terceiro descarte previsto para Pipeline alteraria o total de pontos computados na abertura da etapa, colocando Medina à frente na pontuação válida para a disputa.
Yago, entretanto, conservaria o posto de principal cabeça de chave e a lycra amarela, porque o chaveamento considerava a classificação anterior à aplicação desse novo descarte.
Esse cenário transformou o resultado de Cloud 9 em uma peça importante na corrida pelo título mundial, envolvendo principalmente a Brazilian Storm.
No feminino, a vitória de Simmers também reduziu a distância em relação às principais candidatas ao título, preservando a disputa com Molly Picklum e Carissa Moore.
O primeiro Finals Day da WSL nas Filipinas
O Philippines Pro 2026 representou mais do que a realização de uma nova etapa do Circuito Mundial. A competição levou a elite do surfe a Cloud 9, consolidou a importância esportiva de Siargao e apresentou ao calendário do CT uma onda capaz de proporcionar decisões de alto nível técnico.
A participação de atletas filipinos também fez parte desse capítulo. John Mark Tokong e Jayuard Alciso venceram suas baterias iniciais no masculino, antes de serem eliminados na rodada seguinte. Noah Arkfeld e Mara Lopez também representaram o país anfitrião.
Para o público local, receber surfistas do Championship Tour significou acompanhar, de perto, alguns dos maiores nomes da modalidade competindo em uma onda tradicional da região.
Do ponto de vista esportivo, o Finals Day reuniu ingredientes que ajudam a explicar a força dos grandes eventos de surfe: ondas de qualidade, confrontos equilibrados, decisões por notas altas, interferências com consequências competitivas e mudanças relevantes no ranking.
Gabriel Medina encontrou em Cloud 9 o cenário para recuperar o caminho das vitórias depois de mais de três anos sem conquistar uma etapa da elite. Caitlin Simmers superou dificuldades físicas e adversárias de destaque para levantar seu primeiro troféu da temporada.
A primeira passagem do Championship Tour pelas Filipinas terminou, portanto, com dois campeões mundiais escrevendo seus nomes na história de um novo palco da WSL. Para Medina, Simmers e para o próprio surfe filipino, o Finals Day de 2026 ficou marcado como um capítulo importante do Circuito Mundial.