O Circuito Mundial de Surfe voltou a movimentar a Praia de Supertubos, em Peniche, nesta terça-feira, 20 de outubro, depois de dois dias consecutivos de day off. A paralisação do campeonato, décima etapa do Championship Tour WSL em 2026, aconteceu devido à falta de condições adequadas para a realização das baterias.
A retomada trouxe um cenário especialmente favorável ao Brasil. Gabriel Medina, Italo Ferreira e Yago Dora venceram seus confrontos nas quartas de final e avançaram às semifinais, garantindo pelo menos um brasileiro na decisão masculina. Na categoria feminina, Molly Picklum, Lakey Peterson, Caitlin Simmers e Bettylou Sakura Johnson completaram o grupo que disputará o título.
Com as duas chaves definidas, as atenções se voltam para o Finals Day, o dia reservado às semifinais e finais. A WSL trabalha com a possibilidade de realizar as baterias decisivas na quarta-feira, 21 de outubro, mas a confirmação depende das condições do mar.
Dois dias sem competição
A etapa portuguesa começou em 16 de outubro, dentro de uma janela de espera programada até o dia 25. Após a abertura do campeonato, a organização conseguiu avançar até as quartas de final femininas, mas precisou interromper as disputas no sábado, 17 de outubro, diante da piora da condição das ondas. O domingo e a segunda-feira, dias 18 e 19, foram declarados day off.
Na retomada desta terça-feira, os atletas encontraram ondas entre aproximadamente um metro e um metro e meio. Ainda assim, houve oportunidades suficientes para definir os confrontos restantes das quartas de final.
Gabriel Medina vence de virada
Uma das baterias mais disputadas do dia colocou o brasileiro diante do australiano Morgan Cibilic. O tricampeão mundial precisou buscar uma virada nos minutos finais para garantir sua classificação.
Medina venceu por 10,60 a 10,00, depois de conseguir uma onda de 5,60 pontos na reta decisiva. A combinação de tubo e finalização permitiu ao brasileiro assumir a liderança quando restava pouco tempo para o adversário reagir.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Italo Ferreira também avança
Diante do português Guilherme Ribeiro, convidado da competição, o brasileiro construiu uma vitória por 12,83 a 6,84. Entre suas melhores ondas esteve um tubo avaliado em 7,33 pontos.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Os resultados estabeleceram um confronto entre dois campeões mundiais brasileiros na semifinal.
Medina, campeão mundial em 2014, 2018 e 2021, busca mais uma decisão em Supertubos, onde já conquistou o título em 2017. Italo, campeão mundial de 2019 e medalhista de ouro olímpico, também possui uma relação especial com Peniche, onde venceu em 2018 e 2019.
A semifinal promete reunir abordagens diferentes: a leitura de ondas e o repertório de tubos de Medina contra a velocidade, a explosão e a capacidade de improvisação de Italo.
Yago Dora domina as quartas
Yago foi outro grande destaque do retorno da competiçãol. O brasileiro superou Ethan Ewing por 15,84 a 3,00, com uma apresentação marcada pela eficiência na escolha das ondas.
A melhor nota de Yago foi 8,67, complementada por um 7,17. O desempenho representou a maior soma de bateria da rodada masculina de quartas de final.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Campeão mundial de 2025 e vencedor da etapa portuguesa naquela temporada, Yago chegou a Peniche como um dos principais protagonistas da corrida pelo título de 2026.
Seu adversário na semifinal será o norte-americano Griffin Colapinto, que eliminou Seth Moniz em um confronto extremamente equilibrado, por 14,50 a 14,17. Colapinto conseguiu uma onda de 9,00 pontos para conquistar a classificação.
O duelo também carrega um componente histórico. Griffin venceu em Peniche em 2022 e 2024, enquanto Yago defende a conquista de 2025.
A outra chave garante que Medina ou Italo chegará à final. Caso Yago também vença, o público poderá acompanhar uma decisão inteiramente brasileira em Supertubos.
Feminino também define semifinalistas
A retomada também completou as quartas de final femininas.
A australiana Molly Picklum derrotou a canadense Erin Brooks por 11,33 a 6,83, interrompendo uma sequência de 15 vitórias consecutivas em baterias da adversária.
Brooks vinha de três títulos seguidos no Championship Tour, mas encontrou dificuldades para completar suas ondas nas condições de Supertubos. Picklum aproveitou melhor as oportunidades e garantiu uma vaga entre as quatro melhores.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Na outra bateria realizada nesta terça-feira, Lakey Peterson eliminou a portuguesa Teresa Bonvalot por 10,00 a 5,10. O resultado encerrou a participação dos representantes de Portugal na competição.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
As duas semifinais femininas ficaram definidas da seguinte forma:
- Bettylou Sakura Johnson (Havaí) x Caitlin Simmers (Estados Unidos)
- Lakey Peterson (Estados Unidos) x Molly Picklum (Austrália)
Bettylou e Caitlin já haviam conquistado suas classificações no sábado, antes da interrupção do evento.
Além do troféu em Peniche, a disputa feminina também tem impacto na classificação da temporada. Com o campeonato entrando na reta final, cada avanço representa uma oportunidade importante de acumular pontos.
Como ficam as semifinais do masculino:
- Gabriel Medina (Brasil) x Italo Ferreira (Brasil)
- Yago Dora (Brasil) x Griffin Colapinto (Estados Unidos)
Projeção para o Finals Day: ondas e condições em Supertubos
A principal expectativa para a sequência do MEO Rip Curl Pro Portugal está relacionada à possibilidade de realizar o Finals Day na quarta-feira, 21 de outubro.
A WSL colocou a data em alerta amarelo, indicando uma possibilidade concreta de retomada, mas ainda condicionada à avaliação das ondas.
A próxima chamada está prevista para as 9h, no horário de Brasília, equivalentes às 13h em Portugal continental. Se a organização autorizar o início das disputas, a primeira bateria poderá começar às 9h35 de Brasília, com transmissão pelo site oficial da WSL.
As previsões indicam possibilidade de aumento da ondulação em Supertubos durante a semana, embora a qualidade das condições dependa especialmente da direção e da intensidade do vento.
Para o Finals Day, três fatores serão determinantes: a consistência das séries, a formação de tubos que permitam saídas completas e a influência do vento sobre a superfície das ondas.
Mesmo com o alerta para quarta-feira, não existe garantia de que as finais aconteçam nessa data. A WSL mantém a possibilidade de utilizar outros dias dentro da janela oficial, que termina em 25 de outubro.
O que está em jogo no ranking mundial
A etapa de Portugal possui relevância especial para a disputa do título mundial de 2026.
A temporada adotou novamente a definição por pontuação acumulada, deixando de utilizar o modelo de WSL Finals que havia decidido os campeonatos anteriores. Assim, os resultados conquistados em cada etapa têm importância direta na corrida pelo título.
Yago Dora aparece na liderança do ranking masculino, enquanto Italo Ferreira ocupa a segunda posição e Gabriel Medina integra o grupo dos cinco primeiros.
O bom desempenho dos brasileiros em Peniche aumenta a importância das semifinais. Enquanto Yago procura ampliar sua vantagem na liderança, Italo tenta reduzir a diferença e Medina busca continuar avançando na classificação.
A campanha de Italo também reflete a regularidade apresentada ao longo do circuito, incluindo a conquista na Nova Zelândia.
Depois de Portugal, o calendário prevê a etapa das Filipinas, em Siargao, entre 31 de outubro e 10 de novembro. A temporada mundial terá 13 eventos, com encerramento programado para Pipeline, no Havaí.
Após dois dias de day off, Supertubos voltou a oferecer o espetáculo esperado de uma etapa do Championship Tour. Agora, com as semifinais definidas e pontos fundamentais do ranking em disputa, Portugal se prepara para uma decisão que poderá influenciar diretamente os rumos do título mundial de surfe de 2026.