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WSL Teahupo’o 2026: brasileiros avançam às oitavas em dia de mar pesado

Tahiti Pro entra nas oitavas de final com Italo Ferreira, João Chianca, Alejo Muniz e Miguel Pupo ainda na disputa, em fase marcada pelo confronto de Gabriel Medina x Kely Slater.

Por Corte dos Esportes · 11/08/2026 · Categoria: Surf

O WSL Teahupo’o 2026 avançou para a próxima fase no masculino depois de uma abertura marcada pelo peso das ondas, interrupções e baterias completamente diferentes entre si. Em um dos palcos mais exigentes do surfe mundial, o Outerknown Tahiti Pro presented by I-SEA reduziu o grupo da Brazilian Storm de nove competidores no Round 2 para quatro representantes ainda vivos no masculino.

O recorte é de 11 de agosto de 2026, antes do início das oitavas. A próxima chamada foi marcada para 14h no horário de Brasília, dentro da janela de competição que vai de 8 a 18 de agosto. O feminino ainda não havia entrado na água após a conclusão do Round 2 masculino.

Mais do que uma simples etapa no meio da temporada, Teahupo’o voltou a cumprir seu papel histórico no Championship Tour. O fundo de recife, os tubos e a dificuldade de encontrar a posição correta em condições extremas transformaram várias baterias em provas de coragem e técnica. Em outras, quando o mar ofereceu oportunidades, apareceram somatórios altíssimos, incluindo atuações acima dos 19 pontos.

Feminino ainda não entrou na água e Luana Silva aguarda adversária nas oitavas

Enquanto o masculino já avançou até a definição das oitavas, a competição feminina do Outerknown Tahiti Pro ainda não começou em Teahupo’o. Para o Brasil, todas as atenções estão concentradas em Luana Silva, única representante brasileira na chave feminina.

Luana já está diretamente no Round 2, equivalente às oitavas de final, e por isso não precisa disputar a rodada inicial. A brasileira enfrentará a vencedora da bateria entre Stephanie Gilmore e Yolanda Hopkins. A composição da chave foi divulgada antes do início do evento e seguia válida enquanto o feminino aguardava para entrar na água.

O cenário pode colocar Luana diante de uma adversária de enorme peso histórico. Gilmore é oito vezes campeã mundial e voltou ao Championship Tour em 2026. Hopkins, por sua vez, precisa superar a australiana para chegar ao confronto com a brasileira.

Luana chegou ao Taiti ocupando a quarta posição do ranking mundial, o que torna a etapa especialmente importante na construção de sua temporada. O resultado em Teahupo’o pode ter impacto direto em sua posição antes da sequência do Championship Tour.

Com o masculino já reduzido a 16 surfistas e o feminino ainda intacto, a entrada das mulheres na água passa a ser uma das grandes atrações da sequência do Tahiti Pro.

Previsão do mar mantém Teahupo’o grande nesta terça e consistente na quarta-feira

O tamanho do mar continuará sendo um dos protagonistas do Tahiti Pro. Para esta terça-feira, 11 de agosto, a previsão oficial do evento produzida pela Surfline aponta faces de 8 a 10 pés, com séries ocasionais chegando a 12 pés durante a manhã. Ao longo da tarde, a tendência é de redução gradual para a faixa de 6 a 10 pés. A previsão também indica melhora do vento, com os alísios passando de sudeste para leste-sudeste.

O modelo GFS apresentado pelo Windfinder reforça a presença de bastante energia no oceano. Para as primeiras horas desta terça, a previsão indica ondas de aproximadamente 2,9 metros e período de 12 segundos. Às 11h no horário local do Taiti, o modelo aponta cerca de 2,8 metros, mantendo período de 12 segundos; durante a tarde, a altura projetada cai lentamente para aproximadamente 2,7 metros.

Para quarta-feira, 12 de agosto, o swell deve continuar atuando na bancada. O Windfinder projeta ondas entre aproximadamente 2,6 e 2,8 metros durante o dia. O período começa em 12 segundos nas primeiras horas, sobe para 13 segundos no fim da manhã e pode chegar a 14 segundos por volta das 14h no horário local.

O vento aparece entre aproximadamente 15 e 19 nós durante boa parte da quarta-feira. Às 8h, a projeção é de 18 nós; às 11h, 19 nós; e às 14h, cerca de 18 nós. No mesmo período da tarde, o modelo aponta ondas de aproximadamente 2,8 metros e período de 14 segundos.

A tendência, portanto, é de um Teahupo’o ainda grande nesta terça-feira, embora em processo de redução em relação ao pico do swell, e de condições ainda bastante consistentes na quarta. A combinação entre tamanho, período, direção das ondulações, vento e maré será determinante para a decisão da WSL sobre quando colocar novamente as baterias na água.

Miguel Pupo domina duelo brasileiro

O surfista foi o último brasileiro a confirmar classificação para as oitavas. No fechamento do Round 2, enfrentou Mateus Herdy em uma bateria totalmente brasileira e venceu por 13,50 a 1,94.

Miguel construiu o resultado com notas 7,17 e 6,33. Herdy teve como melhores ondas 1,17 e 0,77 e não encontrou no mar as oportunidades necessárias para ameaçar o compatriota. Com a vitória, Miguel avançou para enfrentar Griffin Colapinto nas oitavas. O norte-americano chega embalado por uma atuação de 19,60 no Round 2, com uma onda perfeita de 10 pontos.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

A classificação mantém Miguel Pupo em uma posição importante não apenas na etapa. Após as mudanças provocadas pelas eliminações no Taiti, ele permaneceu entre os nomes capazes de alterar a disputa pela liderança do ranking ao longo do restante do evento.

Slater elimina Medina em uma das grandes baterias do evento

Se existe um confronto que já entrou para a memória desta edição de Teahupo’o, foi o dos dois surfistas.

O duelo reuniu 14 títulos mundiais e colocou frente a frente dois surfistas profundamente ligados à história competitiva de Teahupo’o. Gabriel Medina produziu um somatório que normalmente seria suficiente para vencer muitas baterias: 16,10 pontos, com 8,43 e 7,67.

Não foi suficiente.

Aos 54 anos e competindo como convidado, Kely Slater respondeu com 19,06 de 20 possíveis. Depois de sofrer quedas pesadas e chegar a quebrar uma prancha, o norte-americano encontrou dois tubos que renderam 9,73 e 9,33.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

João Chianca consegue 9,50 e avança em alto nível

Chumbinho produziu uma das atuações brasileiras mais fortes da competição até a conclusão do Round 2. Contra Morgan Cibilic, ele venceu por 17,83 a 15,90.

O brasileiro começou a construir o resultado com um 8,33 e depois encontrou uma onda que valeu 9,50, então a melhor nota registrada naquele dia de competição. Morgan Cibilic respondeu com 8,73 e 7,17, mas não conseguiu alcançar o somatório do brasileiro.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

Chianca terá Ramzi Boukhiam nas oitavas. O marroquino chega depois de eliminar Leonardo Fioravanti por 15,67 a 13,50, resultado que também teve impacto direto na parte de cima do ranking mundial.

Italo Ferreira vence mesmo competindo com dores

O campeão olimpíco entrou em Teahupo’o cercado por uma questão física. O brasileiro havia sofrido uma contusão na região lombar e relatou que passou quatro dias sem treinar antes de competir.

Mesmo assim, conseguiu superar Luke Thompson no Round 2. Italo venceu o sul-africano por 9,17 a 1,87. A bateria começou travada, com poucas oportunidades claras, mas mudou quando o campeão mundial de 2019 encontrou um tubo que recebeu 7,17. A partir dali, administrou a vantagem até o fim.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

A vitória ganhou dimensão ainda maior algumas baterias depois. Com a eliminação de Leonardo Fioravanti, Italo assumiu provisoriamente a liderança do ranking da WSL. Naquele momento do evento, Miguel Pupo permanecia como o brasileiro ainda capaz de modificar essa situação conforme avançasse em Teahupo’o.

Nas oitavas, Italo terá Connor O’Leary, algoz de outro brasileiro.

Filipe Toledo cai em bateria praticamente sem oportunidades

O Round 2 também mostrou o outro extremo de Teahupo’o. Se algumas baterias tiveram tubos enormes e somatórios próximos da perfeição, Filipe Toledo e Connor O’Leary enfrentaram um cenário de pouquíssimas ondas aproveitáveis.

O resultado parece incomum para uma etapa do CT: Connor venceu por apenas 4,06 a 1,63.

O japonês somou 2,13 e 1,93. Filipe conseguiu 1,00 e 0,63. Não houve sequência suficiente de ondas para que a bateria desenvolvesse o nível de pontuação visto em outros momentos da competição. Depois do confronto, a organização interrompeu a etapa devido às condições do mar.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

A eliminação encerrou cedo a campanha de Filipe em uma etapa na qual a capacidade de competir sem muitas oportunidades pode ser tão decisiva quanto a técnica dentro do tubo.

Yago Dora surfa bem mas é eliminado

O atual campeão mundial também deixou Teahupo’o no Round 2, mas em um cenário completamente diferente do vivido por Filipe.

O brasileiro enfrentou Seth Moniz em uma bateria que começou em um dia e precisou ser interrompida quando as condições pioraram. Quando o confronto foi retomado, os dois encontraram ondas de pontuação alta.

Seth Moniz venceu por 15,97 a 14,33. O havaiano somou 8,17 e 7,80. Yago respondeu com 8,00 e 6,33, mas terminou 1,64 ponto atrás.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

Foi uma eliminação com desempenho competitivo. Yago encontrou um tubo de 8 pontos e chegou a uma soma que o manteria vivo em outras baterias do próprio Round 2, mas encontrou um Seth Moniz ainda mais eficiente.

Samuel Pupo é o primeiro brasileiro a cair no Round 2

Samuca foi o primeiro integrante do grupo brasileiro a ser eliminado. Diante do mexicano Alan Cleland, perdeu por 6,00 a 5,00 em condições difíceis.

A bateria aconteceu antes da interrupção que atingiu o confronto seguinte, entre Yago Dora e Seth Moniz. Samuel não conseguiu encontrar uma segunda onda suficiente para virar o duelo e se despediu ainda no Round 2.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

Alejo Muniz completa o quarteto brasileiro nas oitavas

Entre tantas estrelas do Brazilian Storm, Alejo também garantiu seu espaço.

O brasileiro venceu Kanoa Igarashi por 7,07 a 4,00. A principal onda de Alejo recebeu 6,50, pontuação que praticamente definiu uma bateria de poucas oportunidades.

Com isso, o Brasil fechou o Round 2 com quatro classificados.

Como ficaram as oitavas de final em Teahupo’o:

  • Kauli Vaast x Alan Cleland
  • Seth Moniz x Barron Mamiya
  • Connor O’Leary x Italo Ferreira
  • Liam O’Brien x Ethan Ewing
  • Ramzi Boukhiam x João Chianca
  • Alejo Muniz x George Pittar
  • Kelly Slater x Jack Robinson
  • Griffin Colapinto x Miguel Pupo

Teahupo’o volta a mostrar por que é uma etapa diferente

O início do Tahiti Pro 2026 condensou praticamente tudo que fez Teahupo’o construir sua reputação no surfe competitivo: tubos de pontuação próxima da perfeição, ondas pesadas, pranchas quebradas, baterias interrompidas, atletas esperando longos períodos por oportunidades e favoritos eliminados antes das fases decisivas.

Slater chegou a 19,06 contra Medina; Griffin Colapinto alcançou 19,60 contra Rio Waida; João Chianca colocou um 9,50 no placar. Em outro momento, Filipe Toledo e Connor O’Leary terminaram a mesma fase com somatórios de 1,63 e 4,06. Essa diferença ajuda a explicar a essência competitiva de Teahupo’o: não basta ter repertório técnico. É preciso estar no lugar certo quando o oceano oferece a onda.

Para a Brazilian Storm, o cenário ficou mais estreito, mas ainda relevante. Italo Ferreira chega às oitavas com a liderança provisória do ranking, João Chianca vem de uma das melhores performances brasileiras do evento, Alejo Muniz sobreviveu a uma bateria estratégica e Miguel Pupo continua na disputa depois de dominar o duelo nacional contra Mateus Herdy.

Com apenas 16 surfistas restantes no masculino, Teahupo’o entra no ponto em que cada tubo pode significar mais do que uma nota alta: pode mudar uma etapa, a classificação da temporada e o caminho para a disputa pelo título mundial.