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Yago Dora é campeão do Rio Pro WSL da etapa em Saquarema

No dia decisivo do evento, a Praia de Itaúna voltou a provar sua força no calendário mundial: com chuva, boas ondas, areia cheia, vitória brasileira no masculino, título inédito no feminino e liderança nova na corrida pelo título da WSL.

Por Corte dos Esportes · 26/06/2026 · Categoria: Surf

O Final Day no Rio de Janeiro entregou exatamente o tipo de roteiro que faz Saquarema ser mais do que uma etapa do circuito: fez de Itaúna um palco de memória. Mesmo em um dia chuvoso, frio e de leitura difícil do mar, o público apareceu na areia, empurrou os brasileiros e transformou a reta final do Rio Pro em mais um grande evento na capital nacional do surfe.

A etapa foi encerrada na Praia de Itaúna, em Saquarema, com ondas boas, séries com força e condições que exigiram precisão. A chuva marcou o ambiente, o vento e o balanço do mar deixaram as baterias mais seletivas, e os surfistas precisaram escolher melhor as ondas. Ainda assim, o espetáculo veio: Sawyer Lindblad conquistou sua primeira vitória no Championship Tour, Yago Dora venceu Leonardo Fioravanti na final masculina com um aéreo decisivo de 8.50, João Chianca caiu na semifinal, mas saiu ovacionado, e Fioravanti, mesmo derrotado, deixou o Brasil com a lycra amarela de líder mundial.

Saquarema entrega mais um Final Day histórico para a WSL

O Rio Pro chegou ao seu dia decisivo depois de uma janela marcada por espera, mudanças de condição e expectativa. O encerramento veio no último dia da janela do evento, com as semifinais masculinas, a final feminina e a final masculina concentradas no mesmo dia.

Itaúna tem uma característica que poucos lugares do circuito conseguem repetir. Quando o mar encaixa, a praia vira arena. Quando o tempo fecha, a torcida fica. Foi isso que se viu no Final Day. Mesmo com chuva, o público permaneceu na areia, acompanhou cada bateria e deu ao dia um clima de evento grande, desses que reforçam a relação entre o surfe brasileiro e a WSL.

A etapa também teve impacto direto na temporada. O Rio Pro foi a sexta parada do Championship Tour de 2026, logo antes da sequência em Teahupo’o, no Taiti, marcada para agosto. Ou seja: Saquarema não definiu apenas campeões de etapa. Reorganizou a briga pelo topo do ranking masculino e feminino no meio da temporada.

Sawyer Lindblad conquista a primeira vitória no CT

A final feminina colocou frente a frente duas surfistas em busca do primeiro título no Championship Tour: Sawyer Lindblad, dos Estados Unidos, e Tya Zebrowski, da França. O duelo não teve notas altas, mas teve peso histórico. Em condições mexidas, de poucas ondas realmente consistentes, Sawyer foi mais eficiente, somou 7.67 e venceu Tya, que terminou com 6.10.

Foi a primeira vitória de etapa de Sawyer Lindblad na elite mundial. Aos 20 anos, a norte-americana transformou em título uma busca que já vinha batendo na trave. Ela havia sido vice em outras finais e, em Saquarema, conseguiu finalmente converter presença em decisão em troféu.

Tya Zebrowski também saiu maior do que entrou. Aos 15 anos, a francesa alcançou sua primeira final na elite depois de uma campanha forte, com vitórias sobre nomes enormes do surfe feminino, incluindo Stephanie Gilmore e Carissa Moore. A derrota na decisão não diminui o tamanho do salto competitivo de Tya no Brasil.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

João Chianca cai na semifinal

A sua campanha foi um dos grandes capítulos brasileiros do Rio Pro. Em Saquarema, onde conhece o peso da torcida e o comportamento da onda, Chumbinho voltou a aparecer em alto nível e alcançou a semifinal masculina. A eliminação veio diante de Leonardo Fioravanti, que somou 13.00 pontos, com 7.00 e 6.00, enquanto João terminou com 6.27 como melhor nota e ficou precisando de uma onda na casa dos sete pontos para virar.

O resultado teve gosto amargo pelo contexto: João surfava em casa, embalado pela arquibancada natural de Itaúna e por uma campanha que reacendeu sua conexão com o público brasileiro. Ainda assim, a etapa foi positiva. Ele voltou a competir em uma fase decisiva do CT, mostrou leitura nas fases anteriores e saiu como um dos nomes mais celebrados da praia.

A semifinal também reforçou o momento de Fioravanti. O italiano chegou ao Rio embalado pelo título em El Salvador, onde havia conquistado sua primeira vitória no CT ao superar Italo Ferreira. A campanha em Saquarema confirmou que aquele resultado não foi isolado. Leo voltou a fazer final e, desta vez, eliminou um brasileiro no caminho antes de perder para outro na decisão. A arrancada dele na temporada já havia sido marcada pela vitória em Punta Roca.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

Yago Dora passa por Ethan Ewing na semifinal

O atual campeão mundial tem uma relação especial com Saquarema. Foi em Itaúna que ele viveu alguns dos momentos mais marcantes da carreira no circuito, incluindo uma vitória no Rio Pro de 2023. Em 2024, voltou à final, mas ficou com o vice diante de Italo Ferreira. Em 2026, retornou ao mesmo palco já como campeão do circuito e transformou o histórico recente em mais um título.

Antes da final, Yago precisou passar por Ethan Ewing, um dos surfistas mais técnicos do Tour. O confronto colocava estilos diferentes em uma condição que pedia adaptação: Ethan com linhas limpas, base clássica e leitura de parede; Yago com explosão, rotação e capacidade de criar nota em seções com poucas ondas. O brasileiro levou a melhor e garantiu vaga na decisão contra Fioravanti.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

A final com aéreo perfeito

A decisão masculina teve o momento mais forte do dia. Yago Dora venceu Leonardo Fioravanti por 15.00 a 13.17 e conquistou sua primeira etapa na temporada 2026. A bateria foi definida por um aéreo full rotation de backside que valeu 8.50, a melhor nota da final, e virou o lance-síntese do título brasileiro em Itaúna. Depois, Yago completou a somatória com 6.50 e colocou pressão suficiente para obrigar Fioravanti a buscar uma combinação mais forte no fim.

Fioravanti respondeu com 7.50 em uma onda, misturando rasgada e projeção aérea, mas não encontrou a segunda nota necessária para superar o brasileiro. O italiano fechou com 13.17, perdeu sua segunda final seguida contra um brasileiro em semanas consecutivas, mas saiu de Saquarema com um prêmio importante: a liderança do ranking mundial masculino.

Para Yago, a vitória teve valor técnico e emocional. Técnico porque veio em um mar que não entregava nota fácil. Emocional porque aconteceu diante de uma praia cheia mesmo com chuva, em um evento que sempre mexe com o surfe brasileiro. O campeão mundial mostrou que continua vivo na briga pelo bicampeonato e subiu para o terceiro lugar do ranking.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

Ranking masculino da WSL após o Rio Pro 2026: top 10

  1. Leonardo Fioravanti — 33.930 pontos
  2. Italo Ferreira — 33.845 pontos
  3. Yago Dora — 32.950 pontos
  4. Gabriel Medina — 27.610 pontos
  5. Miguel Pupo — 27.130 pontos
  6. Samuel Pupo — 24.640 pontos
  7. Ethan Ewing — 23.830 pontos
  8. George Pittar — 21.960 pontos
  9. Kanoa Igarashi — 21.790 pontos
  10. Liam O’Brien — 19.865 pontos

A classificação mostra o quanto Saquarema mexeu na corrida pelo título. Fioravanti assumiu a ponta por margem mínima sobre Italo Ferreira, Yago encostou no terceiro lugar e o Brasil colocou cinco surfistas entre os seis primeiros. A etapa do Rio, portanto, manteve a Braziliam Storm no centro da disputa, mesmo com um estrangeiro vestindo a lycra amarela.

Ranking feminino da WSL após o Rio Pro 2026: top 10

  1. Gabriela Bryan — 35.065 pontos
  2. Carissa Moore — 33.490 pontos
  3. Sawyer Lindblad — 32.970 pontos
  4. Luana Silva — 31.835 pontos
  5. Molly Picklum — 30.120 pontos
  6. Caitlin Simmers — 27.065 pontos
  7. Lakey Peterson — 25.490 pontos
  8. Caroline Marks — 24.320 pontos
  9. Tyler Wright — 18.545 pontos
  10. Nadia Erostarbe — 18.170 pontos

No feminino, a vitória de Sawyer Lindblad apertou ainda mais o topo. Gabriela Bryan manteve a liderança, Carissa Moore seguiu em segundo, mas Sawyer saltou para a terceira posição e entrou definitivamente na briga direta pelo título. Luana Silva permanece muito bem colocada, em quarto, mantendo o Brasil representado no pelotão principal da temporada.

O peso para a temporada e para Itaúna

O Final Day do Rio Pro 2026 deixou três imagens marcantes. A primeira é a de Sawyer Lindblad erguendo o troféu da primeira vitória no CT em uma final jovem, difícil e simbólica. A segunda é a de João Chianca sendo eliminado, mas saindo de uma etapa que reconectou sua energia competitiva com Saquarema. A terceira é a de Yago Dora voando em um aéreo perfeito, vencendo em casa e colocando o Brasil novamente no centro da conversa pelo título mundial.

Para Itaúna, foi mais um capítulo de consolidação. A chuva não esvaziou a praia. O mar não facilitou, mas entregou alto nível de surf. A torcida não assistiu apenas a um evento: participou dele. E a WSL, mais uma vez, saiu de Saquarema com a sensação de que poucas etapas conseguem misturar pressão esportiva, identidade local e espetáculo como o Rio Pro.