A Copa do Mundo de 2026 provocou uma mudança histórica no ranking de goleadores do torneio. Depois de 12 anos com o alemão Miroslav Klose na liderança, a competição passou a ter dois novos nomes no topo: Kylian Mbappé e Lionel Messi.
Mbappé marcou dez gols na edição disputada nos Estados Unidos, no Canadá e no México, conquistou a Chuteira de Ouro pela segunda Copa consecutiva e chegou a 22 gols em Mundiais. O francês terminou a competição uma bola na rede à frente de Messi, que fez oito gols em 2026 e encerrou sua participação no torneio com 21 no total.
Além de alterar o ranking individual, a Copa de 2026 ampliou a quantidade de partidas e oportunidades para os atacantes. Foi o primeiro Mundial com 48 seleções, 12 grupos de quatro equipes, uma fase de 32 avos de final com o total de 104 jogos. As seleções que chegaram à decisão disputaram oito partidas, uma a mais do que no formato utilizado até 2022.
O atacante francês participou de três edições e construiu uma média impressionante:
- Copa de 2018 — 4 gols
- Copa de 2022 — 8 gols
- Copa de 2026 — 10 gols
- Total — 22 gols em 22 partidas
Mbappé chegou à Copa de 2026 com 12 gols e ainda fora das três primeiras posições do ranking histórico. Durante o torneio, ultrapassou Pelé, Just Fontaine, Gerd Müller, Ronaldo, Miroslav Klose e Lionel Messi.
Os dois gols marcados na disputa do terceiro lugar contra a Inglaterra, em 18 de julho de 2026, levaram o francês aos 22. Messi ainda poderia recuperar a primeira posição na final contra a Espanha, mas passou em branco na derrota argentina por 1 a 0, na prorrogação.
A campanha que levou à Chuteira de Ouro começou com uma grande atuação. Logo na estreia, o atacante marcou duas vezes na vitória da França sobre Senegal.
Ranking dos maiores artilheiros das Copas:
- Kylian Mbappé, França — 22 gols
- Lionel Messi, Argentina — 21 gols
- Miroslav Klose, Alemanha — 16 gols
- Ronaldo, Brasil — 15 gols
- Gerd Müller, Alemanha Ocidental — 14 gols
- Harry Kane, Inglaterra — 14 gols
- Just Fontaine, França — 13 gols
- Pelé, Brasil — 12 gols
- Sándor Kocsis, Hungria — 11 gols
- Jürgen Klinsmann, Alemanha — 11 gols
- Helmut Rahn, Alemanha Ocidental — 10 gols
- Gary Lineker, Inglaterra — 10 gols
- Gabriel Batistuta, Argentina — 10 gols
- Teófilo Cubillas, Peru — 10 gols
- Grzegorz Lato, Polônia — 10 gols
- Thomas Müller, Alemanha — 10 gols
- Cristiano Ronaldo, Portugal — 10 gols
A Copa de 2026 também levou Harry Kane ao grupo dos maiores goleadores. O inglês marcou seis vezes na campanha do terceiro lugar e chegou a 14 gols, empatando com Gerd Müller. Kane ultrapassou Gary Lineker e tornou-se o maior artilheiro da Inglaterra em Copas.
Messi se despede das Copas
Craque argentino foi o primeiro jogador a superar o recorde de Miroslav Klose durante o Mundial de 2026. Ele começou a competição com 13 gols, marcou oito vezes e chegou a ocupar isoladamente a liderança, com 21.
A trajetória de Messi em Copas:
- Copa de 2006 — 1 gol
- Copa de 2010 — nenhum gol
- Copa de 2014 — 4 gols
- Copa de 2018 — 1 gol
- Copa de 2022 — 7 gols
- Copa de 2026 — 8 gols
Um dos grandes momentos de sua última campanha foi o hat-trick contra a Argélia. Aos 38 anos naquele momento, ele tornou-se o jogador mais velho a marcar três gols em uma partida do torneio.
Todos os artilheiros das Copas:
Copa do Mundo de 1930
- Guillermo Stábile, Argentina — 8 gols
Stábile marcou oito vezes em apenas quatro partidas e conduziu a Argentina até a final da primeira Copa, vencida pelo Uruguai.
Copa do Mundo de 1934
- Oldřich Nejedlý, Tchecoslováquia — 5 gols
O atacante foi decisivo na campanha que levou os tchecoslovacos à decisão contra a Itália.
Copa do Mundo de 1938
- Leônidas da Silva, Brasil — 7 gols
O Diamante Negro liderou o Brasil até o terceiro lugar, que naquele momento representava a melhor campanha da seleção na história do torneio.
Copa do Mundo de 1950
- Ademir de Menezes, Brasil — 9 gols
Ademir foi o principal nome ofensivo do Brasil, mas a seleção terminou com o vice após a derrota para o Uruguai no Maracanã.
Copa do Mundo de 1954
- Sándor Kocsis, Hungria — 11 gols
Kocsis liderou a poderosa seleção húngara, que chegou à final invicta, mas acabou derrotada pela Alemanha Ocidental.
Copa do Mundo de 1958
- Just Fontaine, França — 13 gols
Fontaine estabeleceu o recorde de gols em uma única edição. Mesmo com o aumento do número de partidas em 2026, sua marca de 13 gols permaneceu intacta.
Copa do Mundo de 1962
- Flórián Albert, Hungria — 4 gols
- Garrincha, Brasil — 4 gols
- Valentin Ivanov, União Soviética — 4 gols
- Dražan Jerković, Iugoslávia — 4 gols
- Leonel Sánchez, Chile — 4 gols
- Vavá, Brasil — 4 gols
Foi a edição com o maior número de jogadores empatados no topo da artilharia. Garrincha e Vavá também foram protagonistas do bicampeonato brasileiro.
Copa do Mundo de 1966
- Eusébio, Portugal — 9 gols
O Pantera Negra comandou Portugal até o terceiro lugar, ainda a melhor campanha da seleção portuguesa em Copas.
Copa do Mundo de 1970
- Gerd Müller, Alemanha Ocidental — 10 gols
Müller marcou dez vezes em seis partidas. A Alemanha ficou em terceiro, enquanto o Brasil de Pelé conquistou o tricampeonato.
Copa do Mundo de 1974
- Grzegorz Lato, Polônia — 7 gols
Lato liderou uma das melhores gerações da história do futebol polonês, responsável pelo terceiro lugar no Mundial disputado na Alemanha Ocidental.
Copa do Mundo de 1978
- Mario Kempes, Argentina — 6 gols
Além de artilheiro, Kempes marcou dois gols na final contra a Holanda e conduziu a Argentina ao seu primeiro título mundial.
Copa do Mundo de 1982
- Paolo Rossi, Itália — 6 gols
Rossi marcou os três gols da vitória sobre o Brasil, fez dois na semifinal contra a Polônia e voltou a balançar a rede na decisão diante da Alemanha Ocidental.
Copa do Mundo de 1986
- Gary Lineker, Inglaterra — 6 gols
A Inglaterra caiu diante da Argentina nas quartas de final, mas Lineker terminou como o maior goleador da edição.
Copa do Mundo de 1990
- Salvatore Schillaci, Itália — 6 gols
Schillaci começou o torneio sem status de titular absoluto, ganhou espaço durante a campanha e transformou-se no símbolo da seleção italiana que terminou em terceiro.
Copa do Mundo de 1994
- Oleg Salenko, Rússia — 6 gols
- Hristo Stoichkov, Bulgária — 6 gols
Salenko marcou cinco vezes em uma única partida, na vitória da Rússia sobre Camarões. Stoichkov levou a Bulgária até uma histórica semifinal.
Copa do Mundo de 1998
- Davor Šuker, Croácia — 6 gols
Em sua primeira Copa como país independente, a Croácia alcançou o terceiro lugar com Šuker como grande referência ofensiva.
Copa do Mundo de 2002
- Ronaldo, Brasil — 8 gols
Marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha na final.
Copa do Mundo de 2006
- Miroslav Klose, Alemanha — 5 gols
Klose conquistou a artilharia jogando em casa e começou a caminhada que o levaria ao antigo recorde de 16 gols em Copas.
Copa do Mundo de 2010
- Thomas Müller, Alemanha — 5 gols
- David Villa, Espanha — 5 gols
- Wesley Sneijder, Holanda — 5 gols
- Diego Forlán, Uruguai — 5 gols
Os quatro jogadores marcaram cinco vezes. Thomas Müller recebeu oficialmente a Chuteira de Ouro pelos critérios de desempate, que consideravam assistências e, posteriormente, o menor número de minutos em campo.
Copa do Mundo de 2014
- James Rodríguez, Colômbia — 6 gols
James marcou em todas as partidas disputadas pela Colômbia e fez um dos gols mais lembrados do torneio, contra o Uruguai, no Maracanã.
Copa do Mundo de 2018
- Harry Kane, Inglaterra — 6 gols
Kane liderou a Inglaterra até a semifinal e conquistou a primeira Chuteira de Ouro de sua carreira.
Copa do Mundo de 2022
- Kylian Mbappé, França — 8 gols
Mbappé marcou três vezes na final contra a Argentina. A França ficou com o vice nos pênaltis, mas o atacante superou Messi na disputa pela artilharia.
Copa do Mundo de 2026
- Kylian Mbappé, França — 10 gols
Mbappé voltou a terminar no topo e tornou-se o primeiro jogador a liderar a artilharia em duas Copas consecutivas. Messi ficou em segundo, com oito gols, enquanto Jude Bellingham e Erling Haaland marcaram sete vezes cada.
Os artilheiros das seleções seleções
Considerando cada edição em que uma seleção teve pelo menos um jogador empatado no topo da lista de goleadores, o Brasil continua na primeira posição.
- Brasil — 4 edições: 1938, 1950, 1962 e 2002
- Alemanha — 3 edições: 1970, 2006 e 2010
- França — 3 edições: 1958, 2022 e 2026
- Argentina — 2 edições: 1930 e 1978
- Hungria — 2 edições: 1954 e 1962
- Itália — 2 edições: 1982 e 1990
- Inglaterra — 2 edições: 1986 e 2018
A França foi a seleção que mais avançou nesse recorte em 2026. As artilharias consecutivas de Mbappé fizeram o país igualar a Alemanha, embora o Brasil ainda lidere com quatro edições diferentes.
A Espanha, mesmo bicampeã mundial após o título de 2026, nunca teve o artilheiro isolado de uma Copa. A conquista mais recente voltou a mostrar que um campeão não precisa necessariamente depender de um goleador dominante. A equipe espanhola venceu a Argentina por 1 a 0 e terminou o torneio com uma produção ofensiva distribuída entre diferentes jogadores.
Principais recordes de gols nas Copas
- Maior artilheiro da história — Kylian Mbappé, com 22 gols
- Segundo maior artilheiro — Lionel Messi, com 21 gols
- Recorde em uma única edição — Just Fontaine, com 13 gols em 1958
- Maior artilheiro brasileiro — Ronaldo, com 15 gols
- Maior artilheiro alemão — Miroslav Klose, com 16 gols
- Maior artilheiro argentino — Lionel Messi, com 21 gols
- Maior artilheiro inglês — Harry Kane, com 14 gols
- Maior artilheiro português — Cristiano Ronaldo, com 10 gols
- Mais gols em uma partida — Oleg Salenko, com cinco contra Camarões em 1994
- Mais gols em fases eliminatórias — Kylian Mbappé, com 12
- Mais gols em finais — Kylian Mbappé, com quatro
Os hat-tricks da história das Copas
Marcar três gols em uma partida de Copa do Mundo é um feito raro. Em um torneio curto e de enorme pressão, um hat-trick pode decidir uma classificação, impulsionar uma campanha de artilharia ou eternizar uma atuação individual.
Primeiro hat-trick da história:
Bert Patenaude, dos Estados Unidos, marcou três gols na vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai, na Copa do Mundo de 1930. Ele é reconhecido como o autor do primeiro hat-trick da história da competição.
Mais gols de um jogador em uma partida:
Oleg Salenko estabeleceu um recorde ainda não superado ao marcar cinco vezes na goleada da Rússia por 6 a 1 sobre Camarões, em 1994.
Jogadores com dois hat-tricks em Copas:
Quatro jogadores conseguiram marcar três ou mais gols em duas partidas diferentes do Mundial:
- Sándor Kocsis, pela Hungria, em 1954
- Just Fontaine, pela França, em 1958
- Gerd Müller, pela Alemanha Ocidental, em 1970
- Gabriel Batistuta, pela Argentina, em 1994 e 1998
Batistuta é o único jogador a conseguir dois hat-tricks em edições diferentes. O argentino marcou três vezes contra a Grécia, em 1994, e repetiu o feito diante da Jamaica, em 1998.
Hat-tricks em finais de Copa do Mundo:
- Geoff Hurst, pela Inglaterra contra a Alemanha Ocidental, em 1966
- Kylian Mbappé, pela França contra a Argentina, em 2022
Hurst ajudou a Inglaterra a vencer por 4 a 2 e conquistar seu primeiro e único título mundial. Mbappé marcou três vezes no empate por 3 a 3, mas a França perdeu a decisão nos pênaltis.
Jogador mais jovem a marcar um hat-trick
Pelé tinha 17 anos e 244 dias quando marcou três gols na vitória do Brasil por 5 a 2 sobre a França, na semifinal da Copa de 1958.
O Rei ainda fez dois gols na decisão contra a Suécia e terminou sua primeira participação em Mundiais como campeão.
Jogador mais velho a marcar um hat-trick
Lionel Messi tornou-se o jogador mais velho a fazer três gols em uma partida de Copa durante o Mundial de 2026.
Aos 38 anos, o argentino fez os três gols da vitória por 3 a 0 sobre a Argélia e superou a marca de Cristiano Ronaldo, que tinha 33 anos quando marcou três vezes no empate de Portugal com a Espanha, em 2018.
Os hat-tricks ajudam a contar a história ofensiva das Copas. De Patenaude e Pelé a Salenko, Batistuta, Mbappé e Messi, cada atuação reuniu eficiência, protagonismo e capacidade de decidir no maior palco do futebol mundial.
Mesmo com o formato ampliado, os 13 gols marcados por Just Fontaine em 1958 continuam sendo uma das marcas mais difíceis da história do futebol.
Fontaine precisou de apenas seis partidas para atingir o número. Mbappé teve oito jogos à disposição em 2026 e terminou com dez. Gerd Müller também chegou a dez em 1970, mas nenhum jogador conseguiu alcançar os 11 de Kocsis em 1954 ou os 13 do francês.
O aumento no número de partidas torna a quebra do recorde mais possível do que no formato anterior. Para isso, porém, um atacante precisa permanecer saudável, avançar até os últimos jogos e sustentar uma média superior a um gol por partida contra adversários de níveis diferentes.
O que a Copa de 2026 mudou na história da artilharia
A edição não ficou marcada apenas pela expansão para 48 seleções ou pelo segundo título da Espanha. Ela encerrou a era em que Miroslav Klose aparecia isolado como o maior goleador das Copas.
Klose liderou o ranking entre 2014, quando ultrapassou Ronaldo no Mundial do Brasil, e junho de 2026, ficando no topo por 3 edições.
A edição também consolidou Harry Kane no grupo dos maiores, apresentou Erling Haaland como candidato a subir rapidamente no ranking e colocou Jude Bellingham entre os principais goleadores de um único Mundial. Cristiano Ronaldo, mesmo sem disputar a artilharia, chegou a dez gols e passou a integrar o grupo de jogadores com dois dígitos em Copas.
A disputa pelos maiores artilheiros das Copas entrou, portanto, em uma nova fase. Mbappé assumiu a liderança ainda em idade competitiva, Messi encerrou sua trajetória com um número que parecia impossível poucos anos antes e nomes de diferentes gerações passaram a dividir as primeiras posições.
Mais do que uma sequência de números, o ranking registra a evolução do próprio torneio. Stábile marcou oito vezes na primeira edição, Fontaine construiu uma marca quase inalcançável em 1958, Ronaldo liderou o pentacampeonato brasileiro em 2002, Klose transformou regularidade em recorde e Mbappé levou a artilharia a um novo patamar em 2026. Cada gol mudou uma partida; juntos, eles ajudam a contar a história da Copa do Mundo.